Quase Sem Querer...
38 Per tutto l'infinito
Notas iniciais
_ Cuidado com o que fala Katherine! Pois se a Elena ficar como a vadia, como vamos classificar você? – Damon interveio antes que alguma das duas pudesse dizer algo mais. Sua voz soou cinicamente sarcástica, combinando perfeitamente com o seu olhar irônico e até um pouco diabólico. – Isobel, você ia pedir para que eu me explicasse quando disse que o filho que Katherine diz esperar poderia não ser meu... – Isobel assentiu positivamente e Damon virou-se para Katherine, com os braços cruzados rente ao peito, e um sorriso sórdido nos lábio – Ótimo então, Katherine... Por que você não deixa seus pais a par de toda a história?
_ Do que o Damon está falando Katherine? – Isobel disse nervosa pela primeira vez demonstrando alguma alteração em seu semblante sempre calmo e paciente – Responde Katherine!
_ Eu não sei do que o Damon está falando! – a voz de Katherine soou falsamente confusa – O Damon quer jogar toda a responsabilidade em cima dos meus ombros, mas foi a namoradinha dele que se aproveitou de um movimento conturbado do nosso relacionamento pra roubar ele de mim...
_ Eu não precisei roubar nada de você, Katherine. Você mesmo afastou Damon de você, o tratando como um brinquedo, o traindo pelas costas, mentindo, enganando... – Elena disse ironicamente com os braços cruzados fitando Katherine com repulsa – Não me causaria espanto saber que você provavelmente tenha feito o mesmo com Elijah...
_Elijah? – Isobel perguntou perplexa, sem entender nada do que estava se passando a sua frente. – Quem é esse, pelo amor de Deus?
_ Elijah Mikaelson, Eli para os íntimos, não é mesmo Katherine... – Damon perguntou sarcasticamente virando seu olhar irônico para Katherine que não respondeu, apenas o fitou com ódio e fúria – Foi o cara com qual eu tive o prazer de vê Katherine aos beijos em um lugar muito reservado da boate da família Bennet...
_ O que? – Isobel disse em um murmuro incrédulo, sentindo a força deixar seu corpo, a fazendo se apoiar na cadeira ao seu lado – Meu Deus... Isso não pode ser verdade! Katherine, como você pôde fazer uma coisa dessas...
_ É claro que isso não é verdade! Mamãe? Você não vai acreditar nas mentiras desses dois, vai? – Katherine gritou exaltada, indo em direção a Isobel e se ajoelhando diante dela, e por mais que sua voz pudesse soar chorosa, não havia nenhuma lagrima em seus olhos — Pelo amor de Deus, Elena quer-me por contra vocês, falando de coisas absurdas, inventando histórias...
_ Por favor, Katherine... – Isobel olhava com desapontamento para Katherine ajoelhada a sua frente.
_ Foi ela! – Katherine apontou para Elena – Ela que sempre teve inveja de mim... Ela que sempre quis o que é meu! Por isso ela fez o que fez pra que ele se apaixonasse por ela, assim ela poderia esfregar na minha cara!
Elena atravessou a curta distância que a separava de Katherine e toda a sua cena, a fitando com os olhos lotados de demasiada fúria e indignação. Durante anos Elena relevou todos os maus tratos de Katherine para consigo, mantendo muito bem guardado em seu peito todo o desconforto e sofrimento que ela lhe causava com suas arrogâncias. E naquele exato momento, onde Katherine, ajoelhada diante de Isobel, jurava sua inocência e tentava contornar toda a situação jogando a culpa para cima dela, Elena podia sentir toda aquela ira armazenada durante toda a sua infância surgisse repentinamente em seu peito, lambendo suas veias de forma violenta, tomando todo o seu autocontrole e racionalidade.
_ Mas é muito descarada mesmo – Elena agarrou bruscamente o braço de Katherine, a forçando ficar de pé, não ligando para os resmungos enjoados da mesma. Elena fitou Katherine nos olhos, para que ela pudesse ver toda a sua cólera ser dirigida especialmente a ela. – Levanta, sua vagabunda mentirosa...
_ Elena! – John interveio agarrando Elena pelos braços, a fazendo com que ela soltasse Katherine, logo depois a afastando da mesma. – Elena, para com isso! Para!
_ Quase oito anos... – Sem sequer prestar atenção no que seu pai estava praticamente gritando em seu ouvido, Elena se debatia nos braços de John, tentando se soltar, mas ainda mantendo seu olhar impetuoso e colérico sobre Katherine, que olhava sentida para as marcas dos dedos de Elena em seu braço — Oito malditos anos aguentando todos os seus insultos, provocações, brincadeirinhas de mau gosto...
_ Você devia gostar disso não é? — Katherine dizia com um sorriso irônico em seus lábios e com uma das mãos massageando a parte vermelha de seu braço – Até por que você nunca se queixou, nunca fez nada pra mudar isso! Se eu fiz o que fiz com você, foi por que você mesma deixou que eu fizesse! Pra que se queixar agora?
_ Eu era uma estúpida! Devia ter te dado uma boa surra assim que tive chance! – Elena disse com a mandíbula trincada olhando furiosamente para Katherine – Mas não, eu fui segui o conselho do meu pai, e deixei as coisas rolarem, somente pra que? Pra viver boa parte da minha infância sendo torturada física e psicologicamente por você... Mas tudo tem um limite! E esse é o meu...
_ Um pouco tarde pra isso, não acha? – Katherine continuava com aquele sorriso sordidamente cínico no rosto, causando nojo a Elena, que continuava a se debater nos braços de seu pai para que ele a soltasse.
_ Você é tão irônica, tão cheia de si... – Elena olhou enojada para a garota a sua frente – Por que não engole toda essa sua arrogância e é verdadeira pelo menos uma vez em toda a sua vida? Por que não mostra quem você é? Por que você não assume seus erros?
_ Eu não tenho nada pra assumir Elena... – Katherine continuava com seu ar petulante e seu sorriso sarcástico enquanto falava – Alias você que tem que assumir aqui, não é verdade? Por que você não conta pra todo mundo que o seu ‘romancezinho’ com Damon começou assim que você pisou o pé aqui? Por que não diz a todo mundo que em sua primeira noite aqui, você e Damon deram um belo de uns amassos na praia? Ou melhor, dentro do mar...
Durante alguns segundos o silêncio se fez presente pela primeira vez naquela manha. Elena estava estática com a surpresa estampada em seu rosto, assim como todos os outros presentes na cozinha. Todos, menos Katherine, que fitava Elena com um sorriso vitorioso, cheio de dentes e ironia. Mas sua expressão foi aos poucos diminuindo, assim que percebeu que a morena a sua frente não parecia nem um pouco apreensiva, e que lentamente seus traços que demonstravam surpresa foram aos poucos se desfazendo, dando a lugar as rugas na lateral dos olhos acompanhada dos pequenos furinhos que surgiam em sua bochecha enquanto ela ria, ou melhor, gargalhava na cara de Katherine.
_ Por que você está rindo? – Katherine a olhava com raiva, mascarando com isso a confusão que surgia em sua cabeça.
_ Serio... Mesmo? É... Com isso que você está me... Ameaçando?
Elena falou com dificuldade entre as pausas de suas gargalhadas. E por um momento Elena teve um vislumbre de quão perplexa e temerosa está deixando Katherine ao agir daquele jeito, o que lhe deu mais vontade ainda de gargalhar. Elena respirou fundo, se recompondo de sua crise de risos, em seguida dirigiu um olhar calmo e sorridente para John, em um pedido silencioso, que mesmo confuso John atendeu.
_ Desculpem pelas risadas... — Elena soou muito mais irônica e sórdida do que Katherine jamais foi em toda a vida. Ela secava as lagrimas que lhe haviam escapados durante o seu ataque de riso e voltou seu olhar para Katherine, cruzando os braços, assumindo uma pose de seriedade – Agora serio... Você sabia disso desde o começo, e guardou isso durante todo esse tempo, pois sabia que se isso... – Ela gesticulou com as mãos, indicando a cena que acontecia ali -... Acontecesse, você pudesse usar isso contra mim? Não, não precisa dizer, eu já sei qual é a resposta... No entanto, eu tenho uma única pergunta, que seria... Como você pode achar que isso poderia manchar a minha imagem enquanto eu tenho conhecimentos que mancham muito mais a sua? Sinceramente, não entendo...
_ Você não sabe nada sobre mim! – Katherine disse exaltada.
_ Com não? Eu te contei da tarde que passei conversando com Elijah, não falei? – Elena perguntou irônica. – Ele me disse algumas coisas interessantes...
_ Eu não acho que tenha nada que você possa dizer pra acabar comigo...
Katherine ainda mantinha a sua pose irônica, porém sua voz saiu fraca e engasgada pelo bolo que se formava em sua garganta de acordo que a aflição ia subindo e esmagando seu peito. Elena se aproximou lentamente de Katherine, olhando-a fixamente nos olhos, tendo um leve vislumbre dos medos e temores de Katherine transpassarem pelo seu olhar, geralmente impenetrável.
_ Do que você tem medo tanto medo, hein Katherine? – Elena murmurou perto do rosto de Katherine, vendo a garota vacilar por alguns instantes antes de retomar a sua postura ironicamente cínica — De perder todos os seus mimos e bajulações ou de ver a decepção nos olhos dos únicos que te amam quando eles finalmente descobrirem o quão falsa, manipuladora, calculista, e fria você realmente é?
_ Eu não tenho medo de nada! – Katherine disse entre os dentes, fitando Elena com raiva pelas suas especulações.
_ Serio? Não é o que me parece... – Elena franziu seu cenho olhando Katherine de cima a baixo antes de afastar e voltar seu olhar para Isobel e John, que fitava todo o ocorrido com uma expressão confusa em seus rostos – Antes que me perguntem, especulem, julguem, ou qualquer outra coisa do tipo, o que Katherine disse é verdade, eu e Damon nós beijamos na minha primeira noite aqui...
_ Elena... – John disse com pesar e um menear de cabeça, sua expressão caracterizava muito bem seu desapontamento ao escutar tal coisa de sua própria filha.
_ Não, pai... – Elena interrompeu John antes que ele pudesse continuar – Eu sei que está desgostoso com toda essa situação, isso já é bem evidente pra mim e pra todos. Você pode até não querer minha explicação, porém eu quero que a escute. É a única coisa que te peço... – John não disse nada, apenas bufou e permaneceu fitando sua filha, esperando que ela continuasse. – Como Katherine disse, nós nos beijamos, porém ela criou uma versão distorcida dos fatos que faz com que tudo se torne baixo e sujo, o que é totalmente o oposto... Nos beijamos, e sim, eu tinha plena consciência do tamanho do meu erro. Naquela mesma noite, nós decidimos assumir nosso erro e esquecer o fato, e continuarmos amigos... Pai eu jamais trairia alguém pelas costas desse jeito, mesmo que esse alguém seja a Katherine... Eu sabia qual era o meu lugar assim como também sabia que devia respeito a casa que já foi como um santuário para minha mãe, e principalmente devia respeito ao senhor, e a Isobel, por estar debaixo do teto de vocês...
_ Grande respeito esse... – Katherine murmurou para si, recebendo o olhar reprovador de Isobel que escutava as palavras de Elena atentamente.
_ Eu consegui durante um bom tempo, seguir com o plano, por assim dizer... Mas depois de um tempo minhas duvidas e sentimentos já estavam se tornando muito presentes no meu subconsciente. Foi doloroso pra mim, ter que fingir que algo não crescia dentro de mim a cada risada, palavra, gesto, olhar... – Elena olhou de relance para Damon, e ruborizou ao ver seus olhos azuis queimando sobre ela com admiração. Elena abaixou a cabeça por um instante, e voltou a fitar seu pai e Isobel a sua frente – De dia eu negava, ignorava, fingia, evitava. De noite eu desabava em minha cama rezando pra que isso fosse suficiente para sobreviver o próximo dia... Ninguém pode me acusar de não tentar... E foi assim, até o dia em que fomos para a Mystic Club. Naquela noite, nós encontramos Katherine e Elijah, e vocês já sabem ou devem saber em que estado eles estavam. Damon terminou com Katherine naquele mesmo momento, e sim, eu fiquei um tanto que desconfortável com toda aquela situação, mas meu coração já não aguentava mais tanta coisa... Eu o amava, e ainda o amo. Nós nos amamos, e nada mais podia nos impedir de viver o ali e o agora, e foi assim que viemos para aqui...
John e Isobel permaneciam em silêncio durante um bom tempo. Alguns momentos eles se entre olhavam, como se estivessem ponderando e conversando mentalmente um com o outro. Elena olhou para Damon, sorrindo de lado, algo que ele fez questão de retribuir com um sorriso muito mais bonito e charmoso que o seu. Katherine permanecia no mesmo lugar, ainda com sua pose irônica muito bem conservada. John se levantou da cadeira, chamando a atenção de todos os distraídos ali, e foi em direção a Elena, parando a alguns centímetros da mesma.
_ Eu estou desapontado, desgostoso, e claro muito decepcionado... Eu sinceramente esperava mais... – Elena abaixou a cabeça, sentindo o peso das palavras de seu pai em seus ombros – Eu criei, amei, e eduquei como se fosse realmente fosse minha filha...
Em um movimento rápido, Elena levantou sua cabeça, olhando confusa e perplexa para seu pai, porém ele não a olhando, ele olhava para alguém atrás dela. Ele olhava para Katherine, direcionando suas palavras a ela, que aquele ponto já havia perdido a tão utilizada fachada, e seu rosto estava encharcado por lágrimas grossas que desciam por seus olhos.
_ Katherine, você traiu Damon com tal de Elijah que eu não faço ideia de quem seja, entre muitas acusações... Sem tirar que agora você espera uma criança, a qual você não faz a mínima noção de quem é o pai dessa criança... – John tentava manter a seriedade e objetividade que ele utilizava no escritório, ou em um tribunal, mas era um pouco difícil separar o racional do sentimental quando se tratava de uma de suas filhas — Eu te defendi, te acolhi em minha asa... E foi assim que você retribuiu todo o apoio que eu e sua mãe te demos...
_ Mas pai, eu... – Katherine soluçava, se afogando em seu próprio mártir.
_ Sem ‘mas’, Katherine... – John a interrompeu – Você já é uma mulher crescida, chegou a hora de assumir com as responsabilidades de seus próprios atos... Eu não vou mais ficar bancando suas saídas, muito menos seus luxos, e acabaram as regalias dentro da minha casa pra você... Quem sabe com essa criança chegando você crie mais juízo e entenda que a vida é realmente feita é feita através das consequências de nossas atitudes... Agora, vá para seu quarto, daqui a pouco eu e sua mãe subiremos, e teremos uma conversa...
Katherine olhava estática para John a sua frente. Seu rosto estava serio e totalmente sem expressão, a única coisa que deturpava a sua imagem seria naquele momento eram as lágrimas que teimavam em descer por seu rosto incansavelmente. John colocou a mão na cintura, e ficou a fitando enquanto esperava ela obedecer a sua ordem. Ela secou algumas lágrimas que escorriam pelo seu rosto, e com o queixo erguido e nariz empinado ela se dirigiu para a porta da cozinha, porém não sem antes dirigir seu olhar cheio de ódio para Elena assim que passou ao seu lado.
_ Bem Elena... Damon – John respirou fundo medindo bem as suas próximas palavras – Eu não posso dizer que não estou um tanto quanto decepcionado com vocês dois... O que Katherine fez, não ameniza o que vocês fizerem, o único porém aqui é que, a situação de vocês é mais afável do que a dela...
_ Nós sabemos que o que aconteceu com vocês foi algo inevitável... – Isobel disse enquanto se levantava se colocava ao lado de John, de frente para Elena e Damon – É assim que as coisas acontecem quando se trata de ‘amor’... E entendemos isso...
_ O que me deixou desgostoso foi o fato de sermos os últimos a saber...
_ Eu sinto muito pai... Nós íamos te contar, mas ficamos tão ocupados com as coisas do casamento da Jenna, da despedida de solteiro... Oh droga! – Elena praguejou baixinho enquanto pegava o celular em seu bolso e fitava as horas – Droga, droga! A Carol vai me matar...
_ O que foi? – John perguntou confuso e preocupado ao mesmo tempo.
_ Nós tínhamos que está na Mystic junto com a Carol e os outros, ajudando na decoração e tudo! – Elena olhou novamente para celular para se certificar do seu atraso – E agora estamos quase duas horas atrasados! Eu preciso ligar pra Carol!
_ Tá, tudo bem, vá ligar pra Caroline... – John atendeu ao olhar de suplica de Elena, lhe sorrindo complacentemente. – Depois conversamos...
_ Obrigada pai...
Elena abraçou seu pai e Isobel, e em seguida saiu pela porta da cozinha correndo com o celular já a postos na orelha. Damon não fez menção de segui-la, apenas colocou as mãos no bolso da bermuda e esperou que John começasse a falar. John voltou o seu olhar para Isobel, e a pediu gentilmente para que os deixassem a sós, e assim ela o fez, deixando a cozinha pela mesma porta que Katherine e Elena saíram.
_ Damon... – John disse serio enquanto voltava seu olhar para Damon e cruzava seus braços rentes ao peito. – Acho que temos que ter uma conversa.
***
_ Não, Carol... Eu não estou dizendo que eu não vou, estou dizendo que vou chegar atrasada! – Elena bufou cansada enquanto apertava o cenho – Care, eu estou resolvendo umas coisas aqui em casa, não é algo que dê pra falar no telefone... Assim que eu estiver livre aqui eu vou! Tá, tudo bem... Beijos.
Elena desligou o celular, suspirando de jeito cansado enquanto fitava o aparelho em suas mãos. Caroline era sua melhor amiga e ela a considerava sua irmã, no entanto ela sempre se tornava bem irritante e mandona quando o assunto era a ‘arrumação’ de alguma festa. Elena meneou a cabeça com um sorriso nostálgico nos lábios, se lembrando das tantas festas e bailes que elas, ou melhor, que Caroline organizou. Se dependesse somente de Caroline, Elena tinha certeza que o casamento de Jenna sairia perfeito.
Ela voltou seu olhar para a praia a sua frente, respirando profundamente a brisa fresca que brincava com seus cabelos, e os jogava levemente em seu rosto. Exatamente nada havia mudado naquele lugar, mas para Elena, exatamente tudo estava diferente. O sol parecia mais quente, o mar azul esverdeado parecia mais calmo, e as nuvens brancas mais fofas com o céu azul celeste de fundo. Elena não sabia dizer o que fazia que aquela paisagem se tornasse mais magnífica do que ela já era. Talvez fosse o fato de que um peso de mil toneladas havia saído e seus ombros e agora ela era capaz de enxergar com mais minúcia e aproveitar um pouco mais de tudo ao seu redor.
_ Ainda pretende vim morar aqui? — a voz de Damon soou atrás de Elena.
_ Sem duvida alguma... — Elena disse calmamente sem tirar os olhos da paisagem a sua frente – E você? Ainda vai vim morar comigo em um dos meus quartos de hospedes e possivelmente roubar meu marido?
Damon não disse nada, mas Elena pode escutar o som rouco e sedutor de sua risada resoar até seus ouvidos, o que fez que ela mordesse o lábio inferior evitando que um sorriso se formasse em seus lábios. Damon caminhou lenta e furtivamente até Elena, segurou Elena pela cintura, e a puxou para si, fazendo que o corpo de Elena se apoiasse no seu. Ele beijou a parte nua do ombro de Elena, e depois subiu seus beijos de maneira singela até seu ouvido.
_ Tem algo que eu gostaria que visse...
Damon sussurrou no pé do ouvido de Elena, a fazendo com que todos os pelos de seu corpo se arrepiasse. Ele pareceu perceber, pois novamente Elena pode ouvir o ressoar de sua risada rouca bem próxima de seu ouvido. Elena se virou ficando de frente para Damon, seus orbes castanhos fitavam os dele com curiosidade. Damon tinha um sorriso doce e brincalhão em seus lábios, que se tornou ainda maior ao ver a confusão fazer as sobrancelhas de Elena se arquearem quando ele a pegou pela mão, e a levou até uma parte mais isolada do terreno, onde ficava um pequeno galpão. Ele soltou sua mão por alguns instantes, somente para pegar a chave em seu bolso e abrir o cadeado que trancava a porta não envernizada de madeira.
_ Fecha os olhos... — Elena o fitou ainda mais confusa, fazendo com que Damon revirasse os olhos. Ele ficou atrás de Elena, e cobriu os olhos dela ele mesmo e a guiou cuidadosamente porta adentro. – Agora, pode abrir...
Damon retirou suas mãos que cobriam os olhos de Elena, e assim que ela os abriu, sentiu seu coração pular uma batida, e as lagrimas se acumularam em seus olhos rapidamente. Na sua frente estava uma estrutura de no mínimo dois metros de altura, feita em madeira. No seu topo, um tecido creme estava estendido e caia pelas laterais com perfeição, e alguns ramos verdes estavam devidamente enrolados nas vigas laterais, acompanhados de charmosas flores ‘mosquitinhos’ e imponentes orquídeas azuis, que davam o arremate final a toda obra.
_ É... é o meu... – Elena mal conseguia proferir uma palavra, de tão admirada que estava com o arco de casamento a sua frente. — Onde você arrumou tempo pra fazer?
_ Eu tinha um tempinho livre, mas isso não importa agora... – Ele a segurou pela cintura, e a fez ficar de frente para si. – O que me importa é se você gostou?
_ Eu adorei...
Elena tinha seus olhos marejados, e um sorriso extasiante dominava seus lábios. Elena enlaçou o pescoço de Damon, e puxou seu rosto para perto do seu, mas antes que ela pudesse selar seus lábios assim como desejado, Damon a soltou, e se afastou de seu corpo. O sorriso de Elena desapareceu, e ela permaneceu estática em meio a sua própria confusão enquanto Damon parecia procurar algo em meio as coisas por ali.
_ Ainda tenho uma ultima coisa pra te mostrar... — Damon voltou alguns instantes depois, com uma de suas mãos escondidas nas costas. Aquele singelo gesto fez com que a perplexidade de Elena se tornasse cada vez maior. – Eu e seu pai tivemos uma conversa agora a pouco... Ele me perguntou como eu tinha certeza que o filho de Katherine não era meu. Há algum tempo as coisas entre eu e Katherine não eram as mesmas, e por isso nós não dormíamos juntos há muito tempo... Eu fiquei frustrado quando vi as coisas com ela acabarem tão rápido quanto começaram... Eu sei que cinco anos com alguém é muita coisa, mas não é muito quando se pensa em passar a eternidade com esse alguém ao seu lado... Eu dizia a mim mesmo que sentia amor por Katherine, mas depois que eu te conheci... Você mudou toda a minha concepção de ‘amor’. Você me fez enxergar e sentir, coisas que eu jamais consegui vivenciar durante toda a minha vida... – Damon tirou a mão que mantinha atrás das costas, e nela, uma caixinha azul escura de veludo. A expressão de Elena foi de confusa para totalmente surpresa — E quando seu pai, no meio da nossa conversa, me perguntou o que eu realmente sentia por você e quais eram as minhas intenções para com a filha dele... A única coisa que eu pude responder foi, que eu simplesmente a adorava, e que passar uma vida inteira com ela não seria o bastante para acabar com todo amor que ela me faz sentir...
Damon abriu a pequena caixinha, onde estavam dispostos paralelamente uma a outra, duas grossas alianças de titânio, e no meio delas, uma linha fina feita de lápis-lazúli reluzia lindamente. Elena olhou estupefata para Damon, sua boca estava entre aberta em surpresa, o que fez Damon sorrir em resposta.
_ Pode parecer meio brega, mas essas aqui são alianças de compromisso... – Ele tirou ambas da caixinha, e guardou a mesma no bolso ficando apenas com as alianças, uma em cada mão – Eu prometo comprar uma de noivado muito mais elaborada que essas...
_ Elas são perfeitas... – Elena pegou a maior da mão de Damon, deduzindo que aquela seria a dele. Ela analisou a peça com admiração, constatando que na parte de dentro do anel havia algo escrito em pequenas letras cursivas — Per tutto l'infinito...
_ Para todo o infinito... – Damon pegou a mão direita de Elena e deslizou o anel por seu dedo anelar, que se encaixou perfeitamente – Eu preciso de um infinito ao seu lado, por que uma vida apenas não será suficiente...
_ Pois então que seja para todo o infinito...
Elena disse com a voz entrecortada pelo choro que estava preso em sua garganta, enquanto colocava a aliança no dedo anelar de Damon. Elena levou as suas mãos para o rosto de Damon, o prendendo entre elas, e o trazendo para perto do seu. Mas antes que eles pudessem selar aquele compromisso com um beijo cheio de amor, assim como mandava o figurino, Elena olhou no fundo dos orbes azuis claros de Damon e disse próximo do seu rosto:
_ Você é meu, e eu nunca vou permitir que tirem você de mim...
_ Eu sou seu, Lena. E sempre vou ser... Eu te amo, Elena...
_ Eu te amo, Damon. Para todo o infinito...
_ Para todo o infinito...
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