Quase Sem Querer...
36 Antes da Bonança...
Notas iniciais
Damon beijou a testa suada da morena a sua frente, passando o braço pela cintura da mesma para puxa-la para mais perto de si. Elena, já sonolenta e extremamente cansada, aconchegou seu corpo ao de Damon, descansando sua cabeça pesada de sono em seu peito quente. Ela respirou fundo, sentindo o perfume naturalmente amadeirado de Damon, que agora misturado à camada de suor que envolvia seu corpo, tinha um cheiro de maresia, que a inebriava mais do que de costume. Ela fechou os olhos, simplesmente deixando aquela fragrância a envolver, como em todas as noites em que ele invadia furtivamente seu quarto, enquanto sentia a dormência dominar seu corpo, a fazendo cair em um sono profundo.
_ Boa noite minha Lena...
Deslumbrado, Damon ficou a observar a beleza inigualável de Elena durante muito tempo. Reparando em todos os traços perfeitos dela, até a rugazinha de preocupação que se formava entre suas sobrancelhas parecia perfeita para ele. Damon simplesmente amava todas as partes da morena que dormia tranquilamente em seus braços. E vê-la assim, dormindo despreocupada, sonhando, e com um semblante angelical a envolvendo, lhe trazia paz em absoluto. Damon beijou o topo da cabeça de Elena, sentindo o cheiro doce e suave da mesma invadir seus pulmões enquanto a abraçava mais avidamente, como se em seus braços estivesse à coisa mais preciosa de todo o universo. Seu futuro, sua vida, seu mundo, se resumia unicamente no anjo adormecido em seus braços.
Damon sentiu seu coração se aperta em seu peito ao se lembrar do olhar temeroso e cheio de lagrimas de Elena enquanto ela pedia para que ele não a deixasse. E mesmo depois de dizer que jamais faria ou permitiria algo do tipo, Elena continuou a olha-lo e a agir como se aquela fosse sua ultima vez juntos. Para Damon, nada parecia mais certo do que ter Elena em seus braços, e ele até permitiria os temores de Elena, pois ele tinha certeza por eles dois de que, nada nem ninguém a tiraria de seus braços.
_ Ninguém, minha pequena, ninguém vai me tirar de você... – Damon entrelaçou sua mão livre a de Elena que pousava em seu peito e levou até os lábios beijando os nós dos dedos delgados de Elena para depois coloca-la novamente em seu peito e enlaçar a cintura da morena, aconchegando seu corpo pequenino em seus braços. E com os olhos fechados e seu corpo sendo lentamente levado pela dormência do sono, sussurrou:
_ Eu te amo...
***
O som de ‘chamada’ do celular de Damon soou pelo quarto o despertando. Ele se pós a procurar o celular antes que o barulho acordasse a morena que dormia profundamente na cama. Damon pegou a sua bermuda que estava jogada pelo quarto, tirando de dentro do bolso seu celular, no visor estavam a foto e o nome de Katherine. Damon suspirou audivelmente antes de atender sem nenhuma vontade o celular.
_ O que foi? – Damon disse rispidamente.
_ Que isso Damon? Isso é jeito de me tratar? – a voz de Katherine soava irritantemente cínica – Preciso falar com você...
_ Engraçado... – Damon respondeu no mesmo tom cínico de Katherine enquanto segurava o telefone na orelha com o ombro e vestia sua cueca Box preta e sua bermuda – Eu não tenho nada pra falar com você...
_ Chega de ironia querido, o que eu tenho pra dizer e de seu interesse... Me encontre na cozinha em meia hora, se não for vai ser pior pra você e pra sua ‘Eleninha’ querida... – Katherine disse o nome de Elena com nojo.
_ Eu não...
Antes que ele pudesse responder negativamente a sua ordem, Katherine havia desligado. Damon suspirou nervosamente, passando as mãos nos cabelos negros, cogitando em sua mente o que Katherine quer com ele. Damon pensou em não ir, mas ameaça de Katherine não dizia a respeito só de si, mas também de Elena, e ele não aguentaria calado se ela fizesse alguma de suas maldades com ela. Damon terminou de se vestir e depois que escovou os dentes e lavou o rosto, saiu do quarto e desceu as escadas indo em direção a cozinha, encontrando Katherine, com os olhos inchados e vermelhos, como se tivesse chorado, porém um sorriso cínico brincava em seus lábios. e os pais dela, sentados a mesa. John com a cabeça apoiada entre as mãos, aparentemente preocupado, e Isobel sentada ao seu lado com um olhar distante e pensativo.
_ Aqui estou Katherine... – Damon disse irônico, chamando a atenção da garota, que assim que o viu, sorriu vitoriosa, mas depois assumiu seu papel e o fitou cabisbaixa – O que queria falar comigo?
_ Damon, há algo que eu tenho que lhe contar... – Katherine se aproximou lentamente de Damon com o olhar falsamente suplicante – Por favor, não fica nervoso... Aconteceu, e não foi culpa nossa, simplesmente aconteceu meu amor...
_ Por favor, Katherine... – Damon suplicou cinicamente – Não é por que seus pais estão aqui, que você vai fingir que ainda temos alguma coisa...
_ O que? – Isobel perguntou confusa, emergindo do seu mais profundo pensamento. – Como assim, ainda tem alguma coisa?
_ Simples Isobel, eu e Katherine...
Antes que Damon pudesse completar seu raciocínio, Katherine o agarrou pelo rosto, acabando com a distância entre eles, colando seus lábios ao dele. Damon mais do que imediatamente tratou de segurá-la pelos ombros e afasta-la, mas quanto mais ele a empurrava, mais ela se agarrava a ele. Em um movimento tão abrupto quanto o que começou o beijo, Katherine o terminou. Damon estava pronto para tomar satisfações com a garota a sua frente, mas ao ver o sorriso vitorioso em seus lábios enquanto fitava algo atrás de si, ele sabia que estava perdido. Ele virou-se lentamente, constatando seus temores, encontrando Elena parada a porta, com seus olhos se enchendo de lagrimas.
_ Elena...
Damon disse com pesar enquanto fitava os olhos quentes e apaixonantes de Elena se tornar marejados e tristes bem diante de si. Naqueles olhos castanhos tempestuosos ele via todo o mundo que construiu com ela desmoronar na sua frente, e em meio a destroços, Damon a viu sorrir, porém não era o sorriso caloroso e receptivo que adorava ver naqueles lábios carnudos e macios. Elena sorria sôfrega e sordidamente, e mesmo de longe ele podia ver as lagrimas queimarem atrás de seus olhos castanhos. Ela sabia. Sabia que a tempestade estava próxima, e ele não a escutou, ignorou, nem se quer cogitou a sua vinda, e agora, ela havia chegado, caído avassaladoramente, e nenhum dos dois estava preparados para isso.
_ Damon, Katherine... Pai, Isobel... – Elena murmurou com sua voz esganiçada graças ao choro que se instalou em sua garganta – Vejo que estão ocupados, eu volto depois...
_ Elena espere... – Katherine disse educadamente sarcástica assim que Elena virou-se para sair dali – É bom que esteja aqui, eu ia contar a Damon a novidade, mas com você presente eu já mato dois coelhos com uma cajadada só...
_ Sinto muito, mas não vou poder... – Elena voltou-se para Katherine, sorrindo ironicamente – Eu tenho coisas a cuida sobre o casamento da Jenna, então...
_ Só vai levar um minutinho... – Elena cruzou os braços rente aos seios e esperou que ela falasse de uma vez. Katherine enroscou seu braço no de Damon, e depois acariciou seu ventre – Damon e eu estamos esperando um bebê, e em breve nos casaremos...
[Continua...]
Fale com o autor