Notas iniciais
Gente! Eu acho que consegui cumprir minha promessa de maratona! Bom, mais ou menos... porem esses foram os ultimos capitulos de QSQ, o proximo sera o epilogo... xD O qual eu postarei amanha! Bem, como de costume, perdoem os erros e boa leitura!

_ Elena! Acorda ...

A voz de Damon aos poucos foi ficando pra trás em minha mente, soando como um eco em minha cabeça. Por mais que eu tentasse permanecer consciente, e quisesse responder seu chamado, minha fraqueza era muito maior que minha vontade, e meus olhos se tornavam pesados a cada esforço que eu fazia para mantê-los abertos. Aos poucos minha consciência foi se dissipando pelos meus dedos, dando lugar a escuridão, que cobriu meus olhos e minha mente.

Alguns segundos depois eu já sentia minha mente totalmente disposta e bem desperta, porém eu ainda não conseguia enxergar nada além daquela maldita escuridão que me domava. A dor também havia passado, meu corpo parecia extremamente relaxado e pesado, como se algo de uma tonelada houvesse sido posto sobre mim, me impedindo de levantar ou de fazer qualquer movimento. Algo tocava minha mão levemente enquanto eu podia escutar uma respiração corpulenta e perceptivelmente cansada. Era um toque singelo, mas que fazia meu coração bater mais rápido dentro do meu peito. Eu pude perceber os bips do aparelho que media pulsação acelerar drasticamente, assim como a pessoa que segurava minha mão, pois logo pude escutar o som rouco de sua risada, que reconheci sem dificuldades.

Damon...

Eu não conseguia dizer se havia dito em voz alta, ou se simplesmente seu nome vagava em minha mente. Limpei minha garganta, e tentei dizer novamente somente pra ter certeza, e dessa vez eu escutei minha voz sair como um murmurar rouco pela minha boca, mas não tom rouco e prazeroso aos ouvidos como era a voz de Damon, e sim uma voz de bruxa de filme de terror, fazendo com que eu me assustasse em ouvir minha própria voz.

_ Eu estou aqui, meu anjo... – Damon disse amavelmente e depois consegui sentir seus lábios beijando os nós dos meus dedos. Ele suspirou profundamente, parecendo aliviado de alguma forma em ouvir minha voz de bruxa soar pelo ambiente – Está acordada?

Eu estava? Meu corpo estava pesado, e eu sempre sonhava com Damon, então eu poderia duvidar de minha própria mente. Aos poucos fui forçando meu corpo a sair daquele estado de dormência, e devagar meus olhos se abriram para a claridade, que inicialmente embaçaram e machucaram meus olhos sensíveis, mais lentamente minhas pupilas se acostumaram com a luz forte e branca do local onde estava, e eu pude enxergar quem eu tanto queria e ansiava ver.

_ Ei, que bom que acordou, Lena... — Damon estava de pé ao meu lado, sua mão segurava a minha em um aperto forte, enquanto me fitava com os olhos azuis embrandecidos. – Como se sente?

_ Dormente... – murmurei depois de pigarrear, na tentativa falha de tentar me livrar daquela voz assustadora.

_ São os analgésicos, você está dopada... – Damon sorriu afetuosamente enquanto acariciava delicadamente os nós dos meus dedos com a ponta dos seus – Você se lembra do que aconteceu?

_ Nosso carro capotou... Havia tanto sangue... – Murmurei com pesar e agonia, me lembrando dos meus últimos momentos de lucidez dentro das ferragens do cadilac do meu pai. Katherine estava jogada de um jeito absurdamente bizarro. Eu me lembro de tê-la chamado, mas não dela ter me respondido, então a ideia de que ela ou o bebê não tivessem sobrevivido aquele acidente me doeu a alma, eu já sentia meus olhos marejando e minha visão embasava novamente enquanto eu buscava o olhar de Damon – Katherine... Ela está bem?

_ Elena, você tem que entender que o acidente foi grave. Milagrosamente você estava de cinto, o que não impediu que você fosse literalmente centrifugada pela força centrípeta da capotagem... – Damon dizia calmamente enquanto eu tentava raciocinar e encontrar sentido em suas palavras – Infelizmente, Katherine não estava com cinto...

_ Oh meu Deus... – minha voz saiu como um murmura mudo, já que minha garganta se fechava com minhas próprias conclusões.

_ Calma, meu anjo... – Damon se sentou com cuidado do meu lado, sem nunca deixar de segurar minha mão. – Katherine não morreu, mas o estado dela é gravíssimo...

_ O bebê? – consegui dizer em meio a agonia que se instalava em meu peito.

_ Não sabemos ainda... – Damon levou uma de suas mãos até meu rosto, limpando levemente as lagrimas que escorriam por meus olhos sem que eu ao menos percebesse. – Não se preocupe, Ok? Os médicos estão cuidando bem dela, e em breve teremos noticia... O importante agora é que você está bem!

_ Damon...

Minha voz saiu chorosa por minha boca, enquanto ele me olhava com suplica, pedindo com o olhar para que eu me acalmasse, eu assenti, engolindo o choro que ameaçava subir por minha garganta. Respirei profundamente, sentindo meu tórax expandir com dificuldade, como se algo estivesse amarrado a ele. Pela primeira vez olhei para meu corpo, afim de analisar os danos que me foram causados. Meu braço direito estava engessado, e mesmo coberta, eu reparei que meu peito estava enfaixado. Voltei meu olhar para Damon ao meu lado, me questionando mentalmente qual havia sido a extensão de meus traumas.

_ Você teve uma fratura exposta no braço. Além disso, está com alguns roxos perto do pescoço, por causa do impacto do cinto de segurança... E também fraturou três costelas... Você teve que fazer uma cirurgia de emergência, pois as costelas poderiam perfurar algum órgão interno, mas tirando isso você está inteira... Não literalmente... – Ele respondeu ao meu questionamento interno, e eu não pude deixar de rir com seu ultimo comentário. Damon suspirou pesarosamente enquanto fechava os olhos, e descansava sua cabeça na palma de minha mão boa – Você me deu um susto enorme. Eu quase tive um troço quando cheguei aqui, e você estava em cirurgia... Foram as piores horas da minha vida...

_ Quantas horas exatamente? – Perguntei confusa, já que para mim, não haviam se passado nada que poucos segundos entre meu apagão no carro até esse momento.

_ Você passou duas horas na sala de cirurgia... – Damon meneou negativamente sua cabeça, parecendo querer esquecer o ocorrido – Eu quase morri de preocupação, eu pensei que ia te perder...

_ Mas não perdeu... – Sorri amavelmente enquanto acariciava seu rosto quente em minha mão. – E nunca vai perder...

_ Assim espero...

Damon deitou sua cabeça sobre meu ventre, tomando cuidado para não me machucar. Ele parecia extremamente exausto, as manchas escuras embaixo dos olhos eram a prova concreta disso. Meu coração batia dolorosamente ao imaginar a agonia de Damon durante as ultimas horas. Eu acariciava seus cabelos lisos e escuros enquanto fitava respirando tranquilamente com os olhos fechados, exalando paz de espírito. Estava agradecida por ter Damon do meu lado, eu o amava mais que tudo nesse mundo, e tê-lo ali era algo extremamente reconfortante. No entanto meus pensamentos vagavam para outros cantos daquele hospital, onde Katherine poderia está correndo risco de vida.

Meus pensamentos logo foram levados para alguns momentos antes do acidente, onde Katherine chorava por perceber que seu bebê não teria pai, assim como ela não teve durante um bom tempo. Eu me recusava a acreditar que alguém era capaz de fazer tal coisa com a própria família. O que o pai de Katherine havia feito foi imperdoável, sem tirar que ocasionou traumas psicológicos em uma menininha de seis anos de idade. Meu coração se apertava ao me lembrar do nosso primeiro dia de escola, como ela parecia ser tão adorável, e frágil escondida naquele canto enquanto chorava. Eu não estava tirando a culpa de Katherine pelo o que ela fez comigo durante todos esses anos, mas era justificável quando você é tão traumatizada ao ponto de jamais ser capaz de confiar em alguem, mesmo quanto essa pessoa tenta se aproximar de você e te ajudar.

_ Damon? – as batidas curtas e a voz de Caroline do outro lado da porta do quarto me tiraram de meus devaneios, e fizeram com que Damon se levantasse em um pulo, acordando assustado. Aparentemente ele havia cochilado durante aqueles poucos minutos.

_ Entra...

Damon disse com a voz sonolenta, e logo minha amiga adentrou no quarto, seu rosto estava tão lívido como o de Damon há alguns instantes, mas assim que seus olhos azuis me fitaram, seu semblante mudou drasticamente, e um sorriso surgiu em seu rosto. Ela atravessou a pequena distancia a passos largos, vindo em minha direção, e me abraçando fortemente.

_ Oh meu Deus, fico tão feliz que esteja bem! – Carol dizia com sua voz embargada pelo choro, enquanto me abraçava cada vez mais forte.

_ Care... – Eu tentei chamar a sua atenção para o meu estado, apesar de esta feliz por ter minha amiga ali, o abraço esmagador de Caroline estava fazendo meu corpo doer, mesmo eu estando sobre efeitos dos analgésicos – Ta doendo!

_ Oh, me desculpa! – Caroline se afastou abruptadamente, lembrando finalmente do meu estado, e me fazendo respirar aliviada – Como você se sente?

_ Bem... – Eu sorri afável para minha amiga, que me fitou com os olhos marejados e cheios de alegria – Tem novidade de Katherine?

_ Eu vim aqui pra isso... – Caroline se sentou nos pés da cama e respirou profundamente antes de prosseguir – Katherine já saiu da cirurgia, mas está na UTI... John disse que talvez até o inicio da noite eles a transferem para um quarto, para que ela possa se recuperar...

_ O bebê? – perguntei preocupada, cruzando os dedos mentalmente para que tudo estivesse ido bem nessa cirurgia.

_ Ela estava de quase dois meses, e isso facilitou para que tudo ocorresse bem... – Caroline sorri aliviada, apesar de não ir com a cara de Katherine, ela também estava preocupada.

_ Me avise, por favor, quando ela estiver no quarto... – pedi enquanto segurava sua mão, e olhando com suplica – preciso falar com ela, e esclarecer as coisas...

_ Claro... – Caroline respondeu um pouco confusa e hesitante, mas afirmou mesmo assim – Quer que eu faça mais alguma coisa?

_ Preciso que busque algo pra mim, e também preciso de um celular... – disse depois de pensar um pouco, recebendo os olhares perplexos de Damon e Caroline – Eu preciso fazer uma ligação urgente.

***

Algumas horas depois, quase seis da tarde daquele mesmo dia, Isobel apareceu em meu quarto. Seu rosto estava cansado e seus embaixo de seus olhos havia duas manchas escuras, resultado de sua preocupação. Ela me disse que Katherine havia ido para o quarto, ao lado do meu, e que estava prestes a acordar da anestesia. Eu agradeci por ela te me avisado, e eu a abracei, tentando passar tranquilidade de algum jeito, dizendo baixinho que o pior já tinha passado, e que dali em diante tudo ficaria bem. Assim que ela saiu, pedi para que Damon me ajudasse a sair da cama, pois queria visitar Katherine.

Ele pegou uma cadeira de rodas que estava encostada em algum lugar do quarto e a armou próximo a minha cama, e depois veio até mim, passando meu braço pelo seu pescoço, e o seu por minhas pernas, para logo depois me erguer com rapidez e habilidade. Eu apenas corei diante de seus olhos azuis, que me fitavam incessantemente, como se eu fosse o centro do universo. Damon me colocou na cadeira, e depois me guiou até o quarto ao lado do meu.

Nós adentramos em silencio, e lá estava ela, deitada imóvel na cama, com uma cânula de oxigênio no nariz. Seu rosto estava um pouco mais inchado do que era, e os hematomas espalhados por seu corpo era o único indicio, alem do gesso em uma de suas pernas, do ocorrido a algumas horas. Meus olhos se encheram de lagrimas ao vê-la daquele jeito, mas ao menos eu sabia que ela melhoraria e que dali pra frente tudo ficaria bem. Ela ainda mantinha os olhos fechados, mas o movimento dos seus olhos sob as pálpebras indicaram que ela acordaria em breve. Voltei meu olhar para Damon, e segurei sua mão que estava apoiada no encosto da cadeira de rodas.

_ Damon, você pode me deixar a sós com Katherine, por favor? – acariciei sua mão sob a minha, enquanto lhe sorria amavelmente. Ele concordou com um aceno de cabeça, e se inclinou sobre mim, colando nossos lábios em um beijo casto – Obrigada...

_ Estarei lá fora, se precisar... – Disse ele assim que saia pela porta do quarto, a fechando em seguida.

Quando voltei meu olhar para Katherine, ela já estava com os olhos abertos, fitando o teto branco do quarto de hospital onde estávamos ambas internadas. Aproximei mais a cadeira em que estava sentada da cama de Katherine, e segurei sua mão com receio, por conta de todas aquelas agulhas enfiadas em seu braço. Ela não pareceu perceber minha presença, apenas continuava a fitar o teto, enquanto lágrimas grossas caiam de seus olhos. Eu já podia imaginar o que passava por sua cabeça naquele momento.

_ Ei, você não perdeu seu bebê... – murmurei entre um sorriso afetuoso enquanto apertava levemente sua mão para que soubesse que eu estava ali por ela – Ele, ou ela, está bem...

Eu vi seus lábios se retesarem em uma linha fina, enquanto ela mordia a parte de dentro das bochechas, tentando evitar que os soluços, que agora faziam seu peito tremer, saíssem audíveis pela sua boca. Mas todo seu esforço foi em vão, pois logo ela estava em prantos sobre a cama, com uma de suas mãos cobrindo seus olhos, enquanto a outra se agarrava a minha com força.

_ Oh meu Deus... – Katherine começou a chorar culposamente, porém era perceptível como ela parecia mais aliviada – Eu quase matei meu bebê, eu quase nos matei... Meu Deus... O que tem de errado comigo! Eu não posso ter um filho nas minhas condições, eles vão tirar ele de mim assim que nascer... Eu sei, eu sinto!

_ Shhii... Se acalma!– Disse enquanto acariciava sua mão, e sorria afavelmente, tentando lhe passar tranquilidade – Nós estamos bem, ele está bem, é isso que importa...

_ Me deixa em paz, Elena! – Katherine puxou sua mão da minha, escondendo seu rosto sobre as mesmas – Você não deveria está aqui! Vá embora...

_ Katherine, eu sei que tivemos nossas divergências no passado... E eu sei que me odeia, e tenho que admitir que durante muito tempo esse sentimento foi recíproco, mas agora eu entendo...– disse com convicção para que ela prestasse atenção em minhas palavras, e ela o fazia, mesmo que ainda estivesse com o rosto coberto pelas próprias mãos – Eu não quero tirar sua culpa, nem aliviar sua barra por tudo que você fez esses anos... Mas agora eu entendo seus motivos, entendo seus traumas, e é por isso que eu digo que tudo vai ficar tudo bem...

_ Nada vai ficar bem... – Katherine descobriu seu rosto, dizendo exaltada olhando pra mim com seus olhos vermelhos e inchados pelo choro excessivo, assim como no dia em que nos conhecemos pela primeira vez – Eu estou ficando louca, vão tirar meu bebê de mim assim que descobrirem esse fato... Então, não diga que as coisas ficaram bem se você não sabe de verdade...

_ Eu posso até não prever o futuro ou algo do tipo... – disse me apoiando no apoio das cadeiras de roda, me pondo de pé e chegando mais perto de Katherine, que me fitava calada com seus olhos confusos – Mas eu tenho certeza, que mesmo depois de tudo, eu continuarei ao seu lado... E eu te peço agora, a mesma coisa que pedi há catorze anos...

Me inclinei sobre Katherine, o bastante para poder alcançar uma mexa de seu cabelo ondulado que se encontrava revolta em meio ao emaranhado que era seu cabelo, e a prendi com a minha mão engessada, enquanto pegava no bolso do meu robe, algo que eu vinha guardando durante todos esses anos, e que sempre andava comigo, mesmo estando sem o seu par a anos.

_ Confie em mim, eu jamais mentiria pra você... — Com um pouco de dificuldade prendi a mexa de seu cabelo com a pequena fivela de perolas, ainda brancas e lustrosas de minha mãe. – Meu anjo da guarda ainda caminha com você Katherine...

Sorri afetuosamente para Katherine, que ficava apenas paralisada no mesmo lugar em que estava, me fitando com seus grandes olhos, e no fundo deles eu podia ver o rancor de catorze anos se esvaírem aos poucos de seu olhar. Ela havia parado de chorar, como havia feito anos atrás, e segurou minha mão, com os olhos brilhantes. Eu não deveria está em um estado melhor. Eu sentia as lagrimas banhando meu rosto enquanto soluços faziam meu peito protestar, graças às três costelas quebradas. Nenhuma de nós estava pronta para dizer alguma coisa e estragar o momento. Na verdade eu estava esperando pelo acontecimento que mudaria novamente nossos rumos.

_ Elena? – Escutei a voz de Damon chamar do outro lado da porta, e eu disse para que entrasse, e assim o fez. – Tem alguém aqui fora...

_ Deixe o entrar... – disse rapidamente, já sabendo do que se tratava. Voltei meu olhar para Katherine novamente, dando um dar de ombros culposos e um sorriso maroto – Vejamos se serão mais catorzes anos de rancor, ou de agradecimento...

Acariciei sua mão sob a minha, e lhe sorri afável e voltei a me sentar na cadeira de rodas, Damon imediatamente entrou e me tirou de lá. Quando passamos pelo portal, pude ver que Elijah esperava na beirada da mesma pela nossa saída. Ele estava impecável em seu visual clássico/moderno, composto de calça jeans, camisa preta e um blazer por cima da mesma. Lhe sorrir o encorajando quando passamos ao seu lado, e eu pude perceber que ele carregava junto consigo um buque de pequenas flores do campo. E naquele momento eu pude ter um vislumbre de como os próximos anos seriam.

Notas finais
E ai? o que acharam? comentarios? reviews? recomendaçoes? quero a opiniao sincera de vocês e o que esperam que aconteça no epilogo! Bjos