Quase Perfeito.

1 Capítulo 1 - Carlos um sujeito estranho.


Notas iniciais
Espero que criem afinidade por esse sujeito antipático e de poucos amigos que surgiu na minha imaginação numa dessa manhãs tediosas. E para os crentes mais fervorosos peço compreensão.

A manhã ensolarada de fevereiro me acorda de forma inesperada, é dia de carnaval e para a minha infeliz coincidência meu aniversário de vinte anos, odeio essa data. A única coisa que me agrada é o fato de não precisar by Savings Sidekick\">trabalhar e por causa disso, acordo vagarosamente sem arrumar minha cama de lençóis desgastados, coisa que já se tornou costume desde que sai do orfanato. Olho o sujeito no espelho sujo do meu banheiro e admiro minhas olheiras, como meus olhos cinza se tornaram tão pequenos. Faço um copo grande de café enquanto afago as orelhas do meu cachorro.

Fujão é um Golden Retriever velho, já devia estar na by Savings Sidekick\">casa dos 12 anos, o encontrei em uma das minhas caminhadas de madrugada, bem tratado ficou acostumado de me ouvir chamar-lo de fujão e acabou adotando como seu nome. O cachorro tem uma doença em estágio terminal, acredito que para evitar o sofrimento sua família o deve ter abandonado, coisa que identifico comigo.

A by Savings Sidekick\">vida no orfanato era difícil, não conseguia formar amizades parecia que cada criança me desprezava, até os padres e freiras do orfanato pareciam ter uma grande antipatia comigo, nunca entendia bem isso, de certo era uma criança difícil, mas acho que só precisava de certa dose de carinho. Tenho piromania, que se trata de um distúrbio mental no qual o indivíduo tem um fascínio pelo fogo, eu encaro mais como se fosse uma atração, e graças a esse meu déficit, causava alguns corriqueiros incêndios por todo o orfanato, não lembro como eles se originavam, mas a minha satisfação era imensa.

– Vinte anos, fujão. Não me sinto tão velho. E realmente não aparentava ter tanta idade, tinha a aparência de um jovem de quinze anos coisa que me causava grande constrangimento no by Savings Sidekick\">trabalho.

O destino sempre foi bastante irônico comigo, me fez bombeiro, como se de alguma maneira rejeitasse a minha natureza, o Rio de janeiro parece que é a cidade mais incendiaria do mundo, pelo menos no bairro onde exerço é by Savings Sidekick\">registrado dez incêndios por dia.

Saio de by Savings Sidekick\">casa mais cedo que o de costume, queria aproveitar a luz do dia hoje, apesar de by Savings Sidekick\">preferir a noite me constrangia o fato de não by Savings Sidekick\">poder aproveitar melhor as manhãs. Desço os quinze andares de escada, by Savings Sidekick\">além do meu pequeno problema com o fogo, detestava lugares fechados, talvez pela minha by Savings Sidekick\">profissão ou por ter sido trancafiado a infância toda, fato era que quando podia evitar o fazia.

–Bom dia, Carlos- me recebe sorrindo Lucas, o porteiro. Meu único amigo, na verdade, era o único ser humano que tinha conversas diárias.

–Bom dia. Animado para o carnaval?- apesar do meu péssimo humor tentava aparentar ser simpático.

–Não tanto, parece que vai chover mais tarde- enfim uma boa notícia. Tenho esse traço “bipolar” na minha personalidade gostava do calor do fogo e o frio da chuva, como se um anulasse o outro trazendo uma perfeita harmonia. O fogo sem o frio não me fazia sentido e vice-versa.

–O senhor que deveria sair não me lembro à última vez que o vi com uma mulher- completou.

–Simples, nunca ouve uma vez.

–Deve ser uma by Savings Sidekick\">vida bastante solitária- disse entre risos

–É uma by Savings Sidekick\">vida sem preocupações, deveria tentar.

–Concordo, mas infelizmente gosto muito de sexo. O senhor não? Pera, você é virgem? – perguntou agora gargalhando.


–Sou- disse sem nenhum traço de timidez. Não espero que entendam, simplesmente nunca tive nenhuma atração por nenhum dos sexos, me considero assexuado, não entendo como alguns conseguem ter tanto fascínio por esse ato físico tão deplorável.

–Deveríamos resolver isso, conheço ótimos lugares. – disse em tom brincalhão

–Não acho que seja necessário

–Por favor, sei que sou seu único amigo, me deixe fazer algo de útil

–Tudo bem. – Não queria desagradar meu velho amigo e seria bom sair um pouco de casa.

Abri a porta verde musgo da portaria e no instante que botei o pé na rua começa a chover, como aquilo me agradava.

–Vai sair na chuva, Carlos? Vai ficar resfriado!- gritava Lucas.

Sai como se não tivesse ouvido, fato é que eu não ficava doente, nunca. Coisa que para alguns seria ótimo para mim é só mais uma coisa que me tornar incomum, não que isso me incomodasse, nunca tive o desejo de ser comum.

Ando um pouco pelas ruas desertas e molhadas do grande Méier quando paro em um antigo sebo, tinha adquirido com o tempo o hábito de ler diariamente, era assim que ocupava a maioria do meu tempo. Gostava da mitologia grega, mas hoje queria algo diferente, fui para sessão de aventuras e um título me chamou atenção “anticristo”, estranhei de cara como um livro com aquele título estar jogado ali, mesmo assim o comprei.

Passei no mercado para comprar algumas besteiras como biscoitos e doces, apesar da minha saúde impecável e meu corpo atlético não seguia nenhuma regra de alimentação, pelo contrário só me alimentava de besteiras, doces, salgadinhos sintéticos e outras que faria mal a qualquer outro ser humano. De fato não era um ser humano comum.

– Trinta cinco e cinqüenta, senhor.

– Aqui está.

–De quem é a festa?

–Hã?



–Com tantos doces, achei que fosse dar uma festa.



–Não, apenas gosto de doces.


–De qualquer forma, aqui meu telefone, caso queira fazer uma festa. – Era ridículo o efeito que eu causava nas mulheres, não entendo o motivo pelo qual, não me considero um homem bonito, mas segundo o que eu escuto meu “ar misterioso” é arrebatador.


–Obrigado, mas não precisa. Pode ficar com o troco- disse enquanto dava duas notas de vinte. Confesso que me arrependo pela minha grosseria, mas já estava de “saco cheio” dessas atitudes.

Chego de volta para o prédio e encontro Lucas adormecido na sua clássica cadeira. Coloco um pacote de biscoito na sua mesa e me ponho a subir as escadas. Chego ao sétimo andar, faltavam mais oito, quando escuto um grito estridente vindo do 704, corri para porta e sinto cheiro de madeira queimada, o apartamento estava em chamas.



Notas finais
Continua...