Quase Nerd.
6 Beco Diagonal.
Notas iniciais
Acordei de manha com uns risos, gargalhadas e barulho de água fora do quarto. Eu não fazia a menor ideia do que era e não estava dando a mínima; olhei o relógio e era 09h00min. Eu iria voltar a dormir, isso sim. Depois de rolar pra lá e pra cá na cama, percebi que tinha perdido o sono e só voltaria a dormir à noite. Me levantei, fui até meu banheiro, escovei os dentes, tirei a roupa e fui tomar um banho quente. A banheira estava tão agradável, tão aconchegante, que eu podia ficar ali pra sempre sem reclamar, sem me preocupar. Mas como tudo que é bom dura pouco, a água começou a ficar morna e sai de lá. Vesti meu roupão, penteei meu cabelo e fui para a cozinha onde meu pai e minha mãe conversavam.
-Bom dia querida. — como minha mãe consegue ser tão boazinha de manhã?
-Oi, pe-ff-uena. — Imagine uma pessoa que não come a 20 anos perto de uma bancada cheia de torrada, suco, bolinhos de chocolate, cereal e iorgut. Pois é, esse é meu pai quando está com pressa, ao contrario da minha mãe, que é toda organizadinha e nunca deixa nada para depois.
-Ministério? — perguntei.
-Reunião. — ele respondeu bebendo um pouco de suco e indo escovar os dentes.
-O mundo trouxa tem um novo presidente. Temos que contar a ele sobre os bruxos, dragões, Comensais da Morte, dementadores, trasgos, inferis... — disse minha mãe, esperando meu pai pra ir trabalhar.
-E sobre vocês. Que vão trabalhar ao lado dele para protegê-lo dos psicopatas que querem governar o mundo. — completei.
-Isso. — disse ela pegando um bolinho.
-Que país? — sempre um país diferente... Esse era o bom do trabalho dos meus pais, eles viajam pelo mundo inteiro e recebem dois salários cada, um no mundo bruxo por capturar os bruxos que querem atacar os presidentes e outro no mundo trouxa por ser os seguranças mais competentes dos presidentes.
-China. Eles acham que querem atacar o presidente de lá por causa da grande população e uns projetos e blá blá blá.
-UH LEGAL, me traz um kimono? — Penny tinha acabado de entrar na cozinha com um roupão aberto, biquíni por baixo e o cabelo todo molhado.
-Claro Meu Anjo. Você vai querer alguma coisa, querida? — perguntou minha mãe olhando pra mim.
-Pode ser um panda? — Que foi? Eu sempre quis um panda.
-Eles estão em extinção.
-hum... – acabou com a minha esperança de ter um — Então eu quero um... Abajur de bolinha! Esqueci o nome deles.
-Bem melhor. — disse ela com um sorriso no rosto.
-Ah!Quero rosa e branco.
-Pode deixar. Ah seu pai já vem, vejo vocês amanhã. Umas duas ou três da manhã já devemos estar aqui. — ela foi até mim, me deu um beijo na testa e fez o mesmo com minha irmã.
-Tchau mãe, tchau pai. — disse eu e Pennélope juntas.
-Tchau. — os dois disseram.
-Ah, se quiser convidar a Kitty, a Mandy e a Lissa pra dormir aqui hoje pode, viu Penny. Se cuidem, nada de festa, divulgação, party, show, reuniãozinha intima, rock and roll party... Enfim nada de mais de sete pessoas dentro dessa casa com musica alta, comida, e principalmente bebida. Qualquer coisa me ligue. Ah e Pennélope não me mande um Patrono. Marry a lembra que estou no mundo TROUXA. Nos vemos mais tarde, não coloquem fogo na casa... Amo vocês. — e aparatou.
-Cara, ela é demais. — Disse Pennélope dando pulinhos, saltinho e batendo palmas. Aquela cena era meio esquisita, mas nem liguei, iria tomar meu café da manhã e ver TV.
Peguei um copo de suco de laranja e dois bolinhos de chocolate, fui para o sofá e liguei a TV na Mtv, onde estava passando “Acesso Mtv”. E caraca, a Beyoncé está grávida! CHO-QUEI! Continuei vendo o programa por mais uma hora. Quando ele acabou já era 11h; fui pro meu quarto colocar uma roupa, já que eu estava só de robe.
-O que eu visto? O que eu visto? Acho que vou ao Beco Diagonal fazer umas comprinhas. Estou ficando sem livros.
-Nossa vai visitar o Tio Voldy? — perguntou minha irmã entrando no quarto.
-Não, vou ao Beco Diagonal comprar livros.
-As corujas nem chegaram ainda.
-Eu sei. Vou comprar por diversão.
-Ah, então tá.
-Ué, cadê as meninas? — foi ai que percebi que quem me acordou foi elas na piscina de manha.
-Foram falar com os pais delas que vão dormir aqui hoje.
-Hum... Tô indo. — fui até a lareira e joguei pó de Flú.
-Traz alguma coisa pra mim?
-Tá — peguei minha varinha coloquei dentro da blusa-... BECO DIAGONAL. — e entrei.
Dois segundos depois eu estava no Beco Diagonal. Andei até a Floreio e Borrões e entrei.
Um senhor veio até mim meio receoso e perguntou.
-Bem-vinda Senhorita. Posso ajudar?
-Vou dar uma olhadinha, qualquer coisa te chamo. Obrigada. — O senhor saiu, eu pequei uma cesta e fui olhar uma prateleira, vi vários livros tentadores:
“A vida e os dilemas de Barney D'Volle”,
“Galeões, Nugues e Sigles. (Os melhores empregos e como decidir.)”,
“Feiticeiros VS Trouxas (eles tem eletricidades e fazem as lâmpadas, nos temos varinhas e dizemos Lumos)”.
Fiquei olhando vários livros. Por fim peguei uns livros que eu iria precisar esse ano, não para aulas, mas para me divertir:
1. “Truques e Encantos caídos no olvido” — 5 galeões
2. “Mágicas Malucas para bruxos doidões”- 7 galeões
3. ”Pragas e contra pragas (encante seus amigos e confunda seus inimigos com as últimas vinganças: perda de cabelo, pernas bambas, língua presa e muito, muito mais)”- 15 galeões.
E por fim, mas não menos importante... Na verdade foi o que me chamou mais atenção:
4. “Truques marotos para marotos de truz”- 25 galeões. Ô trocinho caro.
Fui até o balcão e entreguei os livros.
-52 galeões, Senhorita. — dei o dinheiro ao senhor, coloquei os livros na bolsa e sai da loja. Quando estava quase indo pra casa, lembrei que Penny tinha me pedido alguma coisa. Fui andando sem rumo pelo Beco Diagonal, até que vi uma nova loja, “Jade Jóia e Brilho (Bolsa, brincos, calçados, e colares)”. Era tentador. Entrei na loja e uma mulher alta e magra veio me atender.
-O que vai querer, queridinha? — A mulher me olhava de um jeito que parecia que eu estava procurando um colar amaldiçoado, mas eu sabia que se eu quisesse isso teria ido a Borgin & Burkes.
-Estou procurando um presente para a minha irmã. — Acho que minha voz a acalmou ou pelo menos ela devia achar que eu ia lançar um Avada Kedavra e viu que estava errada.
-O que tem em mente? Colar? Brinco?
-É... Um Brinco, ela deve gostar. — Falando isso ela tirou uma pasta cheia de brincos de todos os tipos e tamanhos. Eu fiquei fascinada por um que parecia ser Rose de France (uma pedra preciosa maravilhosa dos trouxas), mas eu sabia que deveria ser osso da calda de Dragão Africano fêmea.
-Ai que lindo... Posso? — perguntei me referindo a pegar os brincos.
-Claro.
Os peguei para examiná-los e admirá-los melhor.
-São perfeitos... Vou levar. — Entreguei os brincos a ela que os colocava em uma caixinha e embalava para presente.
Olhei pro lado e vi... Vi a perfeição da minha vida... A coisa mais linda que já vi... Não, não é um garoto.
-Posso ver esse anel? — perguntei apontando para a vitrine onde tinha várias jóias.
-Qual?
-Aquele escondidinho ali na esquerda.
-Oh sim. Ele. Boa escolha. — disse ela, tirando o anel da vitrine.
-Vou levá-lo.
Paguei a mulher e coloquei os brincos da Penny e meu anel na bolsa junto com os livros.
-Você sabe um bom lugar para almoçar? — perguntei à vendedora. Não estava nem um pouco com vontade de ir para casa almoçar.
-Tem o “Comes e Bebes Frank” do lado direito do Gringotes.
-Obrigada. — sai da loja e fui procurar o tal restaurante.
Fui para frente do Gringotes e virei para a direita, fui andando até que achei um tipo de pub, só que mais limpo que os pubs normais. Me sentei em uma mesa e pequei um cardápio que estava ali; uns minutinhos depois uma mulher com um nariz um pouquinho grande (consciência: Pouquinho? O nariz da criatura quase dobrava a esquina! Por Merlin!) veio me atender.
-O que a senhorita deseja?
-O prato do dia, por favor. — peguei um guardanapo e comecei a dobrá-lo aqui e ali até virar uma rosa.
-A senhorita tem talento. — disse a mulher que acabara de chegar com o meu pedido.
-Obrigada. — Ela saiu, e eu fiquei ali comendo, quando terminei fui ao balcão pagar a conta, um segundo depois de eu pagar a mulher uma bola prata se forma ao meu lado, ela borbulhava, só depois fui perceber que estava tomando a forma de um cachorro, mas não era um cachorro normal era um Akita, a mesma raça do cachorro da minha irmã, era um Patrono dela.
“Maninha, eu espero que você ainda esteja no Beco Diagonal, eu e as meninas vamos ai, comprar nossos uniformes, então nos encontre na loja ' Talhejusto e Janota', você também vai precisar de um novo uniforme... É isso, nos encontre lá em meia hora”.
Nunca soube o porquê, mas minha irmã sempre gostou do Talhejusto e Janota, ela acha que só gente de classe vai lá, ao contrario da 'Madame Malkin, Trajes para Todas as Ocasiões', que vai todos os tipos de pessoas.
Enfim... paguei a mulher e sai do “Comes e Bebes Frank”. Fui andando, andando e andando com meus passos curtos e lentos, fui a “Sorveteria do Florean Fortescue”; Florean era um cara legal, comprei um sunday de morango. Fui me sentar em uma de suas mesas ao ar livre e depois eu me lembrei o que Penny tinha dito: “Nossa, Vai visitar o Tio Voldy?”. Olhei para meu sunday de morango pensando o que as pessoas que estavam passando estavam pensando. Provavelmente algo do tipo: “Uma Comensal da Morte tomando Sunday de morango? Essa é nova”. Ri com o pensamento. Eu até que gostava de parecer uma Comensal, as pessoas te tratam com mais respeito, com medo nos olhos. Mas não sei se me tornaria uma. Entregar a vida, para Tom Ridlle? É Tom Ridlle, aquele retardado se deu um nome de "Voldemort, o senhor das Trevas". Queria saber o que a mãe dele diria se soubesse desse Império que ele construiu. Eu soube que a mãe dele era uma pessoa boa, era apaixonada por um trouxa e era uma bruxa abortada, então quase não tinha poderes. Seu pai era orgulhoso demais por ser um bruxo, e a maltratava. Acho que se eu fosse maltratada como ela, eu mesmo sem poderes o teria matado. Teria matado com uma faca, cortando-lhe a garganta enquanto dormia. E se eu tivesse poderes e vivesse como ela, acho que seria a Imperatriz da Escuridão, ou a Vossa Malvadeza, mas não me importo, a coitadinha morreu.
Olhei as horas e as meninas já deviam estar chegando à loja. Joguei fora o pote de plástico do sunday e fui andando em direção a loja pensando na vida e em como ela seria de segunda a diante. Se estavam achando que eu seria a mesma, HÁ, nunca mais. Eu seria Marry e não a garotinha feia irmã da Pennélope Olsen.
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