Quase Nerd.
4 A Transformação.
Notas iniciais
Todas nos levantamos do sofá, pegamos um pouco de Pó de Flú na bolsinha da Pennélope e fomos ao Beco Diagonal. Primeiro Kitty, depois Mandy, eu, Melissa e finalmente Pennélope.
-Quem vai ser a primeira? — perguntou Pennélope.
-Eu. — disse Mandy.
-Você vai cuidar do cabelo, dos dentes e das unhas, certo? — perguntou Pennélope.
-Isso ai, Penny.
-Peraí, no mundo bruxo não tem dentista. — Se lembrou Pennélope. — Faz o seguinte; vai a uma rua ali perto da Travessa do Tranco e chame o Nôitibus; depois vá até esse endereço. — Pennélope deu um cartão de consultório para Mandy e continuou — Toma sua chave. — Ela me deu a chave do banco de Gringotes. — E troque uns bons galeões por dólares.
-Travessa do Tranco? Você tá doida? Você pelo menos sabe quem passa por lá? — perguntei indignada.
-Pode ir, nada vai te acontecer, fofinha. Somos os Owen, eles não seriam doidos de mexer conosco. E alem do mais é a rua mais perto — disse Pennélope com um sorriso no rosto, ela é um tipo de pessoa que ama se gabar de ser de família antiga sangue-puro, rica e poderosa. — Nós nos encontramos assim que vocês acabarem. Me mande um patrono Mandy. Ah, leve a capa. — Ela estendeu a capa preta de viagem.
-Por quê? -perguntei sem entender nada.
-Dããã ninguém pode te ver até Hogwarts. Estragaria a surpresa — Respondeu Melissa.
-Ah espera aí... Dois segundinhos. — Pennélope mexeu na bolsa e me deu um cartão dourado – Toma. Com isso você entra em qualquer lugar a qualquer hora.
-Humm, então... Vamos? – perguntei um pouco receosa.
-Claro, claro, tchau gente.
-Vamos ao Gringotes, não é? — perguntei.
-Oh, sim. Vamos trocar o dinheiro e depois vamos a Travessa do Tranco.
Entramos no Gringotes, eu particularmente nunca gostei muito daquele lugar, era lindo, claro, com o salão principal branco e um lustre magnífico no teto alto, mas o problema era lá dentro: é escuro, úmido, e tem encantamentos que os melhores bruxos não conseguiriam fazer. Mandy foi à frente e parou em uma bancada de ouro maciço, fui lá também, o duende nem se deu o luxo de levantar a cabeça, então dei um pigarro... E nada.
-Ahammm! – dei outro pigarro mais alto.
Dessa vez ele olhou para mim e arregalou os olhos.
-Oh me desculpe, Senhorita Owen. O que a senhorita irá querer hoje? — sua voz era velha e cansada.
-Quero pegar um pouco de ouro no meu cofre e também quero trocar Galeões por Dólares
-Tem a chave, Senhorita?
-Claro. — Entreguei a pequena chave e ele a avaliou com os olhos, provavelmente para ver se não era falsa. Depois disse. — Siga-me.
Seguimos o baixote até uma porta e a atravessamos. Entramos em um barquinho que andou por uns dez ou quinze minutos rapidamente; chegamos ao nosso cofre e o duende rodou a chave na porta. Entramos e andamos mais um pouco, chegamos à outra porta, na qual o duende passou o seu dedo com sua unha gigante nela e ela se abriu. Entramos nessa sala onde tinha uma replica idêntica de tudo que tínhamos e quem ou o que as tocasse fazia com que mais vinte copias, todas quentes como brasa ao fogo, aparecessem. Andamos até o fundo da sala com cuidado para não tocar em nada e o duende abriu a ultima e mais importante porta. Ali era aonde tinha grande parte das riquezas da família Owen. Pequei cinco bolsas de ouro e as coloquei no bolso, saímos de lá por outra porta e fomos parar de frente para o barco em que viemos até a sala. Quando saímos do barco, fomos direto para a porta que dava para a primeira sala. O duende que nos levou até o nosso cofre, trocou uma das cinco bolsas de ouro por Dólares, e saímos do grande e confuso Gringotes. Assim que saímos, fomos na direção da sinistra Travessa do Tranco. Nunca gostei do lugar, era o lugar aonde quem ia praticamente estava falando “sou-um-comensal-da-morte”; a pior loja de todas é a Borgin & Burkes. Confesso que sempre quis ir lá, tem muitas coisas que concedem a vitória e a grandiosidade fácil. Um objeto que sempre admirei é a Mão da Gloria, é só acender uma vela, dar para a mão e ela mostrará a luz para o seu dono. É muito boa para os saqueadores e ladrões, mas é lógico que não pretendo que meu futuro seja assim. Enfim, entramos na Travessa do Tranco e fomos andando até uma rua, de vez em quando ouvia alguém disser para mim e para Mandy algo tipo: “Garotinhas como vocês não deviam estar aqui sozinhas” ou “Pequenas jovens e já estão por aqui?” ou “Estão perdidas?”, Mandy nunca desfez a postura mesmo quando um homem foi lançado (e por dois centímetros não bateu em seu rosto), por uma pessoa encapuzada, e com a varinha na mão. O homem é claro ficou inconsciente e a pessoa misteriosa aparatou. Por aqui, isso é coisa normal. Pessoas sendo ameaçadas, pessoas vendendo contrabandos, ladrões, sequestradores, lobisomens e coisas do tipo. Enfim, chegamos a uma rua que estava deserta, peguei minha varinha e a estendi, dois segundos depois o Nôitibus chegou e um carinha de uniforme e espinha no rosto desceu. Nem olhou pra gente, simplesmente pegou um papelzinho e leu em voz alta:
“Bem-vindos ao Nôtibus Andante, o transporte de emergência para bruxos e bruxas perdidos. Basta esticar a mão da varinha, subir a bordo e podemos levá-lo aonde quiser. Meu nome é Stanislau Shumpike, Lalau, e serei se condutor por esta noite.”
Subimos a bordo, sentamos em um banco e Lalau perguntou:
-Pra onde estão indo?
Mandy o entregou o cartão do Dentista e Lalau disse:
-Consultório do Doutor Forcod. Ernesto, é aqui em Londres mesmo.
- SE SEGUREM! — gritou o velho Ernesto. Dava medo de andar em um ônibus que o motorista tinha o grau de óculos como se fosse sete fundos de garrafas uma encima do outro, o que fazia seus olhos ficarem miudinhos; ele podia ser um bruxo, mas com certeza estava quase cego. Me segurei com força na barra ao meu lado e Mandy fez o mesmo com uma mão segurou a barra e a outra o cachorro. (consciência: Preciso disser que o bicho estava quase morrendo? No Gringotes ele ficava rosnando para os duendes, e quando entramos no barco, que é claro subia e descia, ele ficou tremendo e ganindo? Aposto que se ele falasse estaria gritando: AHHHHHHH SOCORRO, MERLIN ME AJUDE. O QUE EU FIZ PRA VOCÊ? MERLIN SEU DESGRAÇADO, OQUE EU FIZ PARA VOCÊ?).
Saímos do Nôitibus (consciência: E o cachorro deve ter dado graças a Deus, porque ele deve achar que Merlin o quer morto). O consultório é em um prédio branco com vaaaarias janelas de vidro preto, no centro da cidade de Londres. Fomos até o saguão do consultório e uma mulher com uma aparência de professora de creche (consciência: Em outras palavras: aparência de quem quer sair logo, e ir pra casa onde não tem um bando de pestinhas pra aturar) nos atendeu.
-Alô, qual seu horário?- perguntou ela nos olhando, ou melhor, olhando para o meu aparelho e para o cachorro.
-Não temos hora marcada. — respondeu Mandy.
-Então terão que vir outro dia. E aqui não pode entrar... Esses bichos. — Ela disse olhando para Nick como se fosse um verme.
-Talvez isso resolva. — falei lhe dando o cartão que Pennélope tinha me dado.
-Oh, sim! Oh. Um... Um segundo. — Ela se virou para o telefone, apertou o numero 2 e depois o 9.
-Sim? Janette, não temos nenhum cliente agora, o que foi? — A voz do homem era de uma pessoa de 23 ou 24 anos, era grossa e amigável.
-Acabou de chegar duas clientes prioritárias.
-Uma. Eu estou de acompanhante, é coisa rápida é só tirar o aparelho A.E.B. — Disse Mandy para o telefone.
-Ah, sim. — disse para Mandy. — O que está esperando? Mande-as entrar — completou para Janette e desligou o telefone.
-Então? Onde é a sala? — perguntou Mandy com um sorrisinho que qualquer um que o tenha recebido iria querer tirar da cara dela, mas eu estava gostando, afinal não era pra mim.
-Terceira porta à direita. — respondeu Janette com um sorrisinho nos lábios que também dava vontade de tirá-lo dali e foi o que Mandy fez.
_Ah e o nome dele é Nick, tá fofinha. — nos viramos e demos dois passos e adivinha o quê a criatura da Mandy diz pra mim (na maior altura para a atendente ouvir é claro)?
-Janette? Ai credo! Que nominho feio. Qualquer nome seria melhor até Doniscreide. — Preciso disser que a mulher estava de controlando para não matá-la?
Batemos na terceira porta à direita e ouvimos o cara dizer para entrarmos e foi o que fizemos (consciência: Não, serio? Você bate na porta do cara ele manda você entrar e você fica DANÇANDO MACARENA NA PORTA). Assim que entramos o cara me mandou sentar naquelas “cadeiras-divã-cama” que é controlável e tal, enfim, não sei o nome do troço. Ele desparafusou a parte do aparelho que estava na minha nuca e depois desparafusou o que estava na minha boca.
-Seus dentes estão perfeitos. — disse ele na maior cara de pau (consciência: É CLARO QUE MEUS DENTES ESTÃO PERFEITOS! PASSEI VARIOS ANOS COM ESSA PORCARIAZINHA E SE NÃO TIVESSE FICADO EU IA ME MATAR.).
-Então acabou? — Perguntei.
-Já! Foi só tirar o aparelho mesmo. Pague a Janette, aqui está o valor. — E me entregou um papelzinho.
-O.k.
Mandy e eu saímos de lá e fomos para perto da mulher, entregamos o papelzinho, passamos o cartão na maquina, o pegamos e guardamos.
-Tchau. — disse a mulher com a maior felicidade do mundo. De repente o Nick começa a engasgar e a tossir e adivinha? ELE VOMITOU NA MULHER! (consciência: Vomitou? ELE FEZ UMA CACHOEIRA).
-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!
É lógico que saímos correndo daquele lugar, pegamos o elevador e corremos para uma ruazinha deserta, rindo de se acabar. Mandy me falou que tinha dado um pedacinho de vomitilha para ele.
-Você é demais. — falei.
-Omg! Eu sei. — e começamos a rir de novo. Confesso que pensava que ela era chata e tal, mas não, ela é legal, não é como nesses filmes que colocam as garotas que gostam de se arrumar sendo malvadas, convencidas e mandonas. Ela era sempre fofa e atenciosa. Uma doçura de pessoa. — Vamos ali tem um O-TI-MO salão, vamos nos dar um trato. — dãããã é claro que ela também iria aproveitar.
Eu estava me sentindo bem mais leve depois de tirar o aparelho, ficava toda hora passando a língua nos dentes. Era uma sensação estranha.
Chegamos a um salão gigante, onde parecia que Mandy conhecia todo mundo.
-Oi amore, meu nome é Lú. — Um homem com uma blusinha azul apertada, calça preta e lencinho azul no pescoço veio em nossa direção. — Ai, amiga, estava MOR-REN-DO de saudades. Ui, quem é essa?- Disse olhando pra mim. Tá, tá na cara que ele é gay exagerado.
-Ah é uma amiga minha e a minha missão é mudá-la. — Respondeu Mandy dando um beijo sem encostar-se ao cara e ele fez o mesmo.
-O que vai ser?-ele perguntou pra ela.
-Bom, pra Marryeta...
-Me chama de Marry. — interrompi.
-OK, para a Marry vai ser quase tudo que você possa imaginar: Pintar, hidratar, alongar, tudo com ar no final.
-Ui, ME CHAMA DE LADY GAGA QUE EU TÔ POKER FACE. — Gritou o cara. (consciência: gritou? Gritou? SE ESGUELOU né, fia?). — Mas vocês vão ter que esperar só um minutinho, a Jô está terminando e a Lusi também, ai vocês pegam o lugar delas. Vai mostrando a Marry a próxima segunda casa dela, Mandy.
-Claro. Vamos, flor? — ela me chamou e fomos andando e descobri que tinha vários compartilhamentos.
-Essa é a parte de maquiagem...A sala de espera... Hidratação... Unhas... Área para os cachorros, sabia que eles ganham até massagem?... Perfeito né?
-Uau, aqui é lindo.
-Garotaas, já liberoou. — Meu Deus, o cara tinha chegado e nem tínhamos visto.
Fomos lá para o primeiro andar, onde era a parte de corte, alongamento, pintura e outras coisas do tipo.
-Na-na-ni-na-não, vamos lá pra cima hidratar primeiro. -falou ele nos empurrando lá pra cima. Eu e Mandy sentamos em poltronas uma do lado da outra e chegou duas mulheres, uma loira e outra ruiva. Eram bem novas e bonitas.
- Oi garotas, meu nome é Din e ela é a Lany. — disse a loira.
-Oiii, fofinhas. — falou Lany.
Din ficou comigo e Lany com Mandy. Ficamos conversando nós quatro, por um bom tempo, elas passavam uns cremes de vários potes nos nossos cabelos, bem mais no meu do que no da Mandy. Din disse que parecia que eu nunca tinha hidratado meu cabelo, o que é verdade. Então eu e Mandy colocamos uma toca e subimos ao andar das manicures, um é o Jon e a outra é a Isy. Jon estava fazendo massagem no pé da Mandy e Isy arrumando minha unha quando chegou à hora de passar um esmalte, perguntei a Mandy qual era e ela falou para passar o Black Night. Ficou lindo, é claro. Então Din e Lany nos chamaram lá pra baixo de novo para tirar os cremes, como era bem poucos degraus nem nos cansamos de subir e descer as escadas. Din e Lany tiraram os cremes dos nossos cabelos e os lavaram, O Shampoo tinha cheiro de pêssego. Assim que terminamos, Mandy sumiu lá pra cima e foi fazer as unhas dos pés e das mãos; eu fui pintar o meu cabelo, ela disse que a cor era só uns tons mais escuros que o meu tom real. Din pediu pra eu tirar os óculos para não manchá-los com tinta. Os tirei e não vi mais nada, mas senti-a passando a tinta no meu cabelo e depois o tampando com uma toca, peguei meu óculos e fui lá pra cima junto com Mandy. Enquanto ela fazia as unhas da mão, Jon ia fazendo massagem nas minhas costas. Assim que Din me chamou fui lá pra baixo e ela me mandou sentar em uma daquelas cadeiras com duchas atrás da cabeça, me sentei e ela tirou a tinta. Mandy tinha terminado as unhas e pediu para Din fazer o aplique (alongamento) sem eu ver como eu estava, eu perguntei o porquê e ela disse que era para ser surpresa. Então Din fez todo o trabalho comigo de costas para o espelho, demorou muito tempo e quando eu digo muito tempo são horas muitas horas, mas pelo menos fiquei vendo um filme que se chama “Meninas Malvadas 2”. Eu pensava que minha irmã e as amigas dela eram como no filme, mas eu quebrei a cara, elas não queriam o mal de ninguém (a não ser que implicassem com elas), e também não queriam ser as “perfeitas de Hogwarts”, elas só gostam de se arrumar.
-Ufa, terminei. -disse Din cansada.
-Então acabamos o trabalho por hoje, Marry. — disse Mandy sorridente — Você ficou linda sem o freio de burro e o cabelo ruivo, se quiser pode se ver no espelho agora.
Me virei e adivinha? Me cabelo estava LOIRO COM MECHAS ROSA-CHOQUE. LO-I-RO E RO-SA-CHO-QUE!
-Ai... Meu... Merlin... Ai... Meu... Deus!
-Relaxa, você ficou perfeitamente linda. — disse Mandy. Mas eu tinha que concordar, eu estava demais.
-Se não tivesse ficado bom, eu te ma-ta-ri-a. — disse sorrindo. Só na hora de ir embora é que eu percebi que tinham fechado a loja pra gente.
-Niiiiiiiiiick! — chamou Mandy e seu cachorrinho veio até a gente abanando o rabinho. — Bom é isso aí, nos vemos nas próximas férias, pessoal.
Acertamos o preço, passei o cartão na máquina e quando saímos do salão vimos que já era muito tarde. Eu estava morrendo de fome, já devia ser a hora da janta e nem tínhamos almoçado. Entramos em uma rua sem ninguém e Mandy conjurou um patrono, deu as coordenadas e disse que era melhor nós nos encontrarmos na minha casa porque já era tarde e blá blá blá. Coloquei a capa escura e estendi a mão da varinha, um segundo depois Nôitibus Andante chegou, e subimos antes de Lalau descer. Mandy deu o endereço lá de casa para Ernesto e com 2 minutos chegamos ao destino. Os pagamos e descemos. Andamos até chegar à entrada da casa e tocamos a campainha, porque eu estava sem a chave e Pennélope atendeu:
-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH MEU DEUS VOCÊ ESTÁ MAGNIFICA! MÃÃÃÃÃE, PAAAAAAI, VEM VER COMO A MARRY FICOOOOOOOOOOU. (consciência: Sabe como EU fiquei? SURDAA!).
É claro que ela já devia ter explicado tudo para eles.
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