Quase - Lestappen

2 Noite em Mônaco


Notas iniciais
Boa leitura!

“Quer jantar aqui em casa?”


Aquela mensagem parecia quase zombar da cara de Max. Ele sabia que provavelmente outros pilotos – amigos mais próximos de Charles – também estariam ali. A família dele estaria ali, isso por si só, não era um problema, a família de Charles sempre tratou Max muito bem, mesmo que tecnicamente eles fossem rivais desde a infância. Mas Alexandra estaria ali. Muita gente estaria ali, e Max odiava multidões. Muito barulho. Muito estímulo.


Mas aquela sensação era totalmente diferente.


Era um nervosismo estranho. Max odiou aquilo.

Odiou não entender aquilo.

Odiou não ter controle sobre aquilo.

Mas com Charles era sempre assim. Max não tinha controle de NADA quando se tratava do monegasco.


“Gabriel também vai estar lá” — Outra mensagem de Charles.


Gabriel Bortoletto.

Max não o odiava.

Talvez muito pelo contrário. Max gostava muito daquele garoto – óbvio, não de forma romântica.


O holandês sabia que estava demorando muito para responder. Mas quem o poderia julgar? Normalmente ele demorava pra responder mesmo. Ele fazia isso com todo mundo, era algo comum de Max. Ou com quase todo mundo. Verstappen não costumava demorar em responder Charles. O rapaz loiro bufou e enfim respondeu o monegasco.


“Que horas?” — Max quase pôde ver o sorriso de lado de Charles.


Porra, como Max odiava aquele sorriso.


“Oito da noite. Traga algo pra beber” — Charles respondeu sua mensagem e quase imediatamente ficou offline.


Max suspirou, talvez se ofendendo mentalmente por estar indo em um ambiente como aquele. Não que ele não gostasse da casa de Charles ou de sua família – não eram eles o problema –, a questão era que Verstappen odiava profundamente estar em um ambiente que possivelmente estaria cheio de pessoas e com muito barulho. Isso era indiscutivelmente uma das coisas que Max Verstappen mais odiava.


“Que inferno, Max.”

Ele disse em voz alta e passou suas mãos pelo rosto.



Haviam muitas coisas que Charles Leclerc amava.


Ele amava sua família. Sua mãe era uma mulher forte e doce, sempre cuidando dele e de seus irmãos e sempre lutando para realizar os sonhos de seus filhos. Seu irmão mais velho, Lorenzo, foi quase como um pai pra ele, corajoso, forte e dono de um coração enorme. E seu irmão caçula, Arthur, um rapaz jovem, sonhador e muito talentoso que estava seguindo seus passos no automobilismo. Deus, Charles se orgulhava daquele pestinha.

Charles amava o mar. Amava o cheiro da maresia, a sensação da água em seu corpo, da areia fofa sob seus pés, o som das ondas e do quanto seu corpo simplesmente parecia desligar quando velejava ou mergulhava.

Leclerc amava seu cachorro, Leo. Aquela pequena bolinha de pelos era a mistura perfeita entre o carinho e o caos. Ele amava levar Leo para passeios no paddock ou para viagens de barco. Amava cochilos da tarde. Charles sempre dizia que sua vida seria muito mais vazia sem ele. Muito menos colorida.

Ele amava correr. Dedicou toda sua vida para isso. Seu sonho era ser um ótimo piloto, e ninguém no mundo criticava tanto Charles quanto ele mesmo. Ele amava correr, com cada fibra de seu ser, mas odiava falhar. Odiava perder. E acima de tudo, odiava como sua mente o tratava toda vez que ele ia mal nas corridas. Mas naquele dia? Ele se sentia incrível. Sua mente estava silenciosa, um pequeno sorriso orgulhoso em seu rosto. Aquele mesmo sorriso que Max dizia odiar.


E ah… Charles sabia muito bem que Max odiava aquele sorriso.


Charles foi receber seus convidados. Ele cumprimentou alguns dos pilotos que vieram o visitar e comemorar sua vitória. Carlos o abraçou bem forte, quase o levantando do chão.


“Hey, hey! Calma. Ainda preciso das minhas costelas” – Charles disse rindo baixo.


“Você foi incrível. Que ultrapassagem incrível você fez.” – Carlos disse sorrindo.


“Não foi nada demais” – O monegasco disse.


“Nada demais? O que? Charles, tu ganhou em casa. Tem idéia do quanto isso é o sonho de todo mundo aqui?” – Gabriel disse indo até Charles e deu tapinhas em seu ombro.


“Você foi bem, moleque. Sinta orgulho de si mesmo, pelo menos hoje.” – Fernando finalmente falou, sorrindo brevemente. – “Não é todo mundo que coloca um tetracampeão para comer poeira.”


“Muito engraçado, Alonso. Estão te ensinando a contar piadas no asilo?”


A voz de Max ecoou na entrada. Um breve sorriso de lado em seu rosto enquanto ele se aproximava segurando uma garrafa de Louis Roederer Cristal rosé. Ele estava elegante, assim como os outros pilotos ali presentes. Max entrou na casa e entregou a garrafa, Charles sorriu. Aquele champanhe era muito bom, um dos favoritos de sua mãe.


“Que bom que veio. Achei que você não nos daria a honra de sua presença” – Charles provocou.


“Você me chamou, Leclerc. Seria falta de educação recusar.” – Max disse olhando para Charles. – “Além de tudo, é comida grátis. Quem seria louco de recusar comida grátis?”


George, que até então estava em silêncio ao lado de Nico e Lando, levantou a sobrancelha e olhou para Nico, que franziu levemente o cenho e retribuiu ao olhar, quase como uma comunicação não verbal entre eles.


“Você está vendo isso também, né?”


Charles os levou até a sala de jantar, onde eles se sentaram junto com a família Leclerc. A matriarca da família os recebeu muito bem, conversando com alguns dos pilotos e com alguns amigos de fora do grid de Charles, que por sua vez, estava sentado ao lado de George e Carlos, de frente para Max, que observava o ambiente ao seu redor. Estava bem menos caótico do que ele imaginava. O jantar foi servido e as conversas se seguiram, a comida estava deliciosa e a conversa confortável.

Após o jantar, Max se retirou para a varanda, precisava respirar um pouco do ar puro de Mônaco.

A noite estava fresca, diferentemente daquela manhã. Ele podia sentir o cheiro da chuva que se aproximava, não haviam muitas estrelas no céu, mas a lua estava bem cheia.

“A lua está linda hoje. Não é, Max?” – A voz de Charles ecoou próximo do ouvido de Max.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.