Quase - Lestappen
1 0,03 segundos
Notas iniciais
Tinha muitas coisas que Max Verstappen odiava desde que era criança.
Ele odiava o verão. Sempre muito quente, desconfortável.
Odiava quando duvidavam de si – embora tenha se acostumado por conta de seu pai.
Odiava ser contrariado.
E principalmente, ele odiava perder. Mesmo que fosse apenas por 0,03 segundos de diferença. Max odiava a sensação de frustração. Odiava o olhar que seu pai estava lhe dando de longe.
Mas teve algo que ele odiou ainda mais. Aquele sorriso. O sorriso gatuno de Charles Leclerc quando ele tirou o capacete e saiu do carro.
Tinha muitas coisas que Max Verstappen odiava desde criança.
E o principal era aquele sorriso de Charles Leclerc.
"Idiota" – Murmurou enquanto tirava o capacete. Sem saber se era pra si mesmo ou para o rapaz de Mônaco. Talvez ambos? Talvez nenhum?
Max retirou a balaclava, tentando ajeitar os fios loiros, rebeldes – sem sucesso.
Ele sentiu uma mão em seu ombro. Isaack Hadjar. Rookie, gentil, jovem e com um sorriso contagiante. Ao mesmo tempo que era bom ter alguém ali, era irritante.
Maldito raio de sol. – Max pensou.
"Você foi bem" – Isaack disse.
"Não o suficiente" – Verstappen retrucou.
E ele novamente encarou Charles, dessa vez, os olhos se encontraram. Max pode ver o brilho no olhar daqueles olhos verdes. O brilho de orgulho, de felicidade. Não era só a alegria da vitória, era mais que isso. E Max sabia o quanto era importante para Charles ganhar em Mônaco, afinal, era a terra dele.
Por um segundo, Max não odiou aquilo.
Mas se odiou por isso.
Ele deveria estar com raiva, e por mais que estivesse, não era mais tão grande.
Céus, como Max odiava aquele sorriso...
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Enquanto caminhava em direção ao pódio, ele poderia sentir os olhos de seu pai queimando em suas costas. O julgando. Condenando.
Porra. Como Max odiava aquele olhar.
O pódio estava bem diversificado. Charles em primeiro, Max em segundo e George em terceiro – tendo recuperado essa posição nas últimas voltas de Kimi –. Ao olhar para Charles, Max pode ver o rosto dele brilhando. O tímido sorriso orgulhoso, como quem não queria demonstrar orgulho de si mesmo, na opinião do holandês? Era patético. Charles deveria sentir orgulho de si por ganhar em casa – por malditos 0,03 segundos – e em um certo momento, Max podia jurar que estava ouvindo o coração do monegasco batendo forte em seu peito. Por um segundo, foi como se seus corações batessem em conjunto.
E Verstappen?
Ele odiou aquilo.
Ou quase isso.
Quando o hino de Mônaco começou a tocar, sem perceber, seu olhar se focou em Charles, que cantava baixo, olhando para frente. Seu olhar focado nas bandeiras vermelhas da Ferrari, nos fãs comemorando, em sua mãe e irmãos sentados na área VIP.
Os olhos de Max? Estavam focados ao longe. Pensando em nada específicamente, ou talvez em tudo ao mesmo tempo. Ele suspirou baixinho, colocando a mão em seu peito enquanto o hino terminava.
"Você correu bem" – Charles sussurrou para Max, que sem perceber, sorriu.
"Foi quase" – Max sussurrou de volta.
"É sempre quase." – Leclerc rebateu com aquele sorriso gatuno novamente.
"Desgraçado" – Max pensou. – "Eu odeio ele"
Era uma mentira. Todo mundo sabia.
Max talvez não.
Quando Charles pegou o champanhe para comemorar, Max foi o primeiro pra quem ele olhou. Max se permitiu sorrir novamente enquanto comemorava com Russell e Leclerc. E por um breve segundo, ele se sentiu genuinamente feliz em não ter ganhado aquela corrida. Ver o sorriso de seu rival de infância fazia Verstappen se sentir extremamente alegre.
Max não odiou aquele sentimento.
Ele não odiou ver a felicidade os olhos verdes de Charles Leclerc.
Ele não odiou quando Charles sorriu em sua direção, como se quisesse compartilhar um pouco de sua felicidade com Max e George.
Ele não odiou comemorar com os dois.
Naquele momento, era como se Max Verstappen tivesse ganhado com ele.
Quase como se o mundo todo tivesse parado.
Quase como se nada mais importasse.
Quase como se ele não tivesse perdido – e provavelmente tivesse que aturar Jos jogando isso em sua cara assim que ele retornasse para a garagem da Red Bull.
Nada mais importava para Verstappen naquele momento.
E George? Ele percebeu. Ele sempre percebia tudo.
Sempre.
Então era óbvio que perceberia a mudança súbita na feição do holandês. Santo Deus, quem não perceberia? Para George foi tão claro como a luz do sol. Honestamente? Russell não se importou e iria guardar aquele momento para mais tarde. Podia não ser nada, ao mesmo tempo que podia ser tudo. Mas quem melhor pra dizer sobre se não os dois envolvidos?
Eles não iam admitir – era óbvio para George.
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Quando Max chegou na garagem da Red Bull, ele se sentou em uma das cadeiras enquanto tomava uma água e secava o suor e o chamoanhe de seu rosto, ouvindo passos logo atrás de si. Passos firmes que ele aprendeu a reconhecer. Quase automaticamente, Max sentiu um leve arrepio em seu couro cabeludo, como um fantasma de uma lembrança de seu passado – a época das corridas de kart, onde Max se escondia sob o capacete para evitar os cascudos de seu pai em sua cabeça.
"Você perdeu de novo" – A voz de Jos soava como um trovão aos ouvidos de Max.
"Fiquei em segundo lugar. No pódio." – Max disse em um tom mais baixo.
"Era o mínimo, Max Emilian" – Seu pai disse, se aproximando do filho. – "Você falhou"
"Eu sei" – Max sussurrou. "Vou recuperar na próxima corrida, eu prometo"
"Assim espero. Você ão cansa de me decepcionar mesmo adulto." – A voz de Jos soou cruel propositalmente.
Ele sabia que aquilo iria doer em Max, e honestamente? Não se importava. Jos nunca se importou e já que não poderia mais machucar o filho fisicamente, ele ainda poderia fazê-lo de forma pior. Emocional. Psicológica.
"Não se atrase" – Jos disse enquanto se retirava.
Max pode enfiar soltar a respiração que ele nem percebeu que estava segurando. Como se a corda em seu pescoço fosse levemente afrouxada, mas não solta. Nunca solta.
Horas depois, quando já estava em sua casa em Mônaco, o celular de Verstappen vibrou com a notificação de uma mensagem.
Charles Leclerc...
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