Notas iniciais
Mais um capítulo! espero q gostem :)

Minutos depois estávamos os dois dentro de uma sala de aula vazia sentados cada um num canto da sala e um homem gordo e careca estava sentado na mesa da professora lendo jornal e de vez em quando nos olhava por cima dele. Eu olhava lá pra fora rezando que a hora passasse logo, pois estava um saco ficar ali sentada. O tal homem se levantou e sem avisar nada saiu da sala. Por sorte o ocorrido na biblioteca não machucou ninguém já que estava vazia. Olhei de volta lá pra fora pensando como era boa a liberdade lá de fora. Eu estava destinada a ficar mais cinco horas ali dentro e na companhia do ilustre babaca que me fez entrar nessa. Ta bom que eu tive um pouco de culpa, eu o empurrei, mas mesmo assim o culpava por estar ali. Se ele não aparecesse pra me irritar isso não teria acontecido.

Estava o maior silencio quando uma batucada na mesa me tirou a concentração. Quando desviei minha atenção ao Gerard vi que ele realmente tinha algum problema, batucava na mesa com os olhos fechados e mordia os lábios sacudindo a cabeça feito um louco alucinado. Virei a cara e olhei a rua novamente não dando importância a infantilidade do garoto. foi quando ele começou a cantar uma música estranha de rock e subiu na cadeira e começou a fingir que tocava uma guitarra. Aquilo realmente me assustou.

“Meu Deus, o que há com esse menino?” – pensei.

L: isso comprova tudo. – gritei pra ele. Ele parou de cantar e fingir que tocava e me olhou com um sorriso no rosto sarcástico. Veio até minha cadeira e parou debruçando-se nela olhando pra mim.

G: o que você disse? – perguntou novamente com aquele sorriso sarcástico dele.

L: isso comprava o que eu sempre achei de você.

G: e o que sempre achou de mim?

L: que você — é um – completo – i – di — o — ta. – eu disse bem devagar pra que desse pra entender perfeitamente o que eu dizia.

G: você tem bonitos olhos. – foi o que ele disse. Bonitos olhos? Será que ele não ouviu o que eu disse? Pelo visto não porque depois de dizer isso ele começou a rodar pela sala e continuar com seu show.

E foi isso que eu tive que agüentar cinco horas seguidas, esse cara alucinado cantando no meu ouvido e fazendo mímicas como se tivesse num show. Quando o gordo chegou depois de horas fiquei aliviada porque o fez calar a boca mandando-lhe sentar. Enfim o tempo de horror acabou e estava liberada. Gerard foi o primeiro a sair de sala. Quando cheguei do lado de fora da escola ele saiu de trás de uma arvore e foi me seguindo o caminho inteiro cantando querendo chamar minha atenção. Mas eu fingi que não ouvia nada. Por onde passávamos as pessoas na rua nos olhavam assustados. Pegamos o ônibus e lá estava ele sentado do meu lado cantando tirando o silencio de todos. Não bastava eu mudar de lugar e lá vinha ele com aquela cantoria chata sentar do lado de mim. Quando chegamos em frente a minha casa decidi dar uma trégua.

L: pelo amor de Deus, dá pra você calar essa boca? Idiota! – enfim ele ficou calado depois de mais de cinco horas cantando. Meus ouvidos já estavam latejando.

G: vai me ouvir agora?

L: ai garoto, caladinho, sua voz me irrita. Parecem milhares de gatos arranhando um vidro. – ele ficou parado me olhando esperando eu me calar. Eu tapei os ouvidos aproveitando aquele minuto de silêncio. – ta fala logo droga! Você tem um minuto.

G: primeiro meu nome é Gerard, prazer. – disse ele apertando minha mão contra minha vontade que eu puxei com força me livrando da mão dele. – quero lhe dizer que aquilo que aconteceu na biblioteca não foi minha intenção, então não me culpe pelo castigo, afinal foi você com toda sua força que me empurrou e me fez cair sobre a prateleira...

L: o que insinua? Está me chamando de gorda? – eu odiava ser chamada de gorda, isso pra mim era imperdoável.

G: não, que isso. Não seria capaz de fazer isso com uma dama como você... – dizia sarcástico.

L: ai continua o que dizia que eu to perdendo minha paciência...

G: eu só queria te pedir uma ajudinha com a sua irmã. Eu gosto dela e como você vive com ela, bem que podia me ajudar a conquista-la.

L: gosta dela? Só porque ela é bonita né? Eu sei o seu gostar, é como o de todos os outros, pega e acabou. Entra na fila então. Olha, eu lamento muito, mas você não faz o tipo dela ok? Satisfeito agora? Agora pode dar meia volta e ir embora.

G: Mas você nem perguntou a ela.

L: e não preciso.

G: não vou sair daqui enquanto não falar com ela.

L: problema é seu. Tchau. – dei-lhe as costas e fui pra casa.

G: gorda!

Naquele momento senti minhas orelhas queimarem de raiva, mas eu agüentei e continuei minha caminhada pra porta de casa pois eu não ia mais perder meu tempo me estressando com o Way.

Quando cheguei em casa minha Irmã desceu correndo enrolada numa toalha.

S: Lola! O que aconteceu? Fiquei te esperando horas e a diretora veio me avisar que não era pra esperar pois você iria ficar depois da hora.

L: Sarah. Você não sabe o que aconteceu... – disse jogando a mochila no sofá.

S: o que foi? Parece nervosa.

L: um idiota tentou me agarrar e...

S: te agarrar? Quem foi o corajoso? Digo...porque você é tão brava quando te agarram. – ela começou a falar me cortando. eu fiquei com bastante raiva, mas me segurei pra não zunir ela longe da minha frente.

L: continuando...eu dei um empurrãozinho de leve nele, mas ele tropeçou no próprio pé e acabou caindo numa das prateleiras e foi como efeito dominó.

S: isso explica o estrondo dentro do colégio.

L: mas foi sem querer, não fizemos de propósito. Precisava ver como a mulher da biblioteca ficou...

S: mas vem cá, e quem foi o tal do cara que te agarrou? Temos que pegar o endereço, telefone e não deixa-lo fugir de jeito nenhum maninha.

L: olha Sarah, eu gosto tanto de você, mas esses seus comentários maldosos acabam comigo. Dá licença, eu vou pro meu quarto descansar.

S: não vá! – gritou ela desesperada.

L: porque não posso ir pro meu quarto?

S: quero dizer pra não ira ainda, é que eu estou arrumando...

L: de toalha?

S: e o que tem isso? Depois de arrumar vou direto pro banho. Eu suo muito depois da arrumação.

L: péssima desculpa. – respondi correndo pra escada. Quando abri a porta do quarto tive que ver uma cena realmente constrangedora. O cara estava sentado na minha cama com uma foto da minha irmã na mão fazendo aquilo que os homens fazem sabe, no banheiro, mas não era no banheiro, era na minha cama!

Na mesma hora comecei a gritar e meu grito era histérico e muito fino que ninguém agüentava. Na mesma hora Sarah entrou no quarto e tirou o cara de lá e eu continuei gritando até o cara descer nu com as roupas na mão pra ir embora dali. Quando ouvi a porta da sala fechar eu parei de gritar. Logo após Sarah subiu correndo e prometeu limpar todo o quarto e eu fiquei na sala sentada comendo pra variar e assistindo tv. Toda vez que ficava nervosa eu comia um monte de besteira. Sarah ficava desesperada quando eu ficava irritada, eu me descontrolava e agarrava no pescoço de quem me irritasse. Então ela tentava fazer de tudo pra que eu me acalmasse.