Quase 18

1 Capítulo Único


Sinta-se à vontade para conhecer a minha história….

Bom, primeiro a apresentação, certo? Meu nome é Bryan, tenho 17 anos e mal vejo a hora de completar os 18, sair dessa casa e me libertar. Normal, não é? Pena que são só aparências.

Sou ruivo, tenho olhos castanhos e um estilo pouco convencional, mas isso não vem ao caso.

Eu não sou uma pessoa popular, pelo contrário, devo ser a pessoa menos popular possível. Eu não ligo pra isso, talvez no meu mundo eu seja uma pessoa popular. Não preciso de status em um mísero colégio pra ser alguém na vida e na verdade, eu só preciso de mim mesmo. Sei lá, só acho que eles não vão ganhar um bom emprego só por terem sido populares no colégio e espero sinceramente que eles tenham que trabalhar o dobro. Em vez de estudarem, eles só pensam em farra e em elevar sua autoestima se achando melhores que os outros, então que se ferrem.

Vivemos em um planeta cheio de limitações, não somos avançados o bastante para mudarmos para outro planeta ou explorar o universo. Devemos ter chegado aqui tarde demais. Eu creio que existam outras espécies com a inteligente superior a nossa, que não tenham as nossas limitações e que vivam há milhares de anos; talvez eles saibam que existimos, só não querem se manifestar porque somos muito egoístas, egoístas o bastante pra acharmos que somos o centro do universo.

Aliás, aqui estou eu cercado de pessoas que odeio, pessoas que acham que são felizes. Mas na verdade, elas são tão babacas…. Não aguento ter que acordar cedo todo dia para ver toda essa gente estúpida. Os professores devem se sentir do mesmo jeito ou até mais intensamente do que eu. Mas, felizmente, hoje já é sexta-feira, amanhã não tem aula e vou poder viver um pouco, porque escola suga toda sua vida.

Enfim o sinal tocou, agora posso ir pra casa. Só espero que meus pais ainda estejam morando lá, porque parece que eu passei 200 anos naquele colégio. Se existe a capacidade de uma pessoa envelhecer sentado, acho que eu envelheci bastante, devo estar com rugas só de ficar olhando para aquele quadro.

Olha lá minha irmã, a queridinha dos meus pais. É como se eu nem fosse filho deles, eles mal me notam, só ligam pra Mary, mas tudo bem, prefiro ficar no meu canto sozinho do que chamar muita atenção. Vou me deitar um pouco, estou muito cansado.

— Irmãozinho, acorda! — Mary fala entrando no meu quarto, interrompendo o meu sono.

— Não enche! — jogo o travesseiro nela.

— Mamãe mandou eu te acordar pro jantar. — ela fala me balançando.

— Tá, já estou indo. — levanto me espreguiçando.

Minha irmã é legal, eu que sou ciumento por não ter muita atenção dos meus pais. Ela poderia ser uma péssima irmã e me encher o saco, mas pelo contrário, por isso que as vezes eu me irrito com ela, por ela ser boazinha demais, dá pra acreditar nisso? Vou descer, estou “morto de fome”.

— Oi mãe. Oi pai. — cumprimento meus pais que já me aguardam na mesa.

— Olá meu filho. Sente-se, já vou pôr seu jantar. — minha mãe falou sorrindo pra mim e eu retribuo o sorriso.

— Como foi no colégio? Alguma novidade? — meu pai fala colocando mais um prato na mesa.

— Bem…. Nenhuma.

Ok, meus pais me dão atenção, só que do jeito deles. Do que eu reclamo? Eu não sou mais nenhuma criança, tenho que me acostumar com isso. Minha mãe trabalha como advogada, e meu pai…. Bem, ele também. É, tenho pais advogados, então, a última coisa que eu posso ser é advogado. Bom, eu resumi minha vida pelo ponto de vista mais simples.

Agora vou resumir pelo ponto de vista difícil. Eu estudo em um colégio particular e nesse colégio só tem filhinhos de papai. Eu poderia ser um se eu não tivesse um cérebro; não acho que devo ficar me achando pelo dinheiro que meus pais têm. Primeiramente, eles não me dão dinheiro, eles pagam meu colégio pra eu ser alguém na vida e conseguir ter meu próprio dinheiro…. e é isso que eu estou tentando fazer. Acho que todo mundo deveria fazer o mesmo, em vez de ficar por aí gastando o dinheiro que seus pais trabalharam o bastante pra ter.

Eu tive que amadurecer rápido, se eu fosse filho único, acho que ia ser bem mimadinho, mas depois que minha irmã nasceu, eu tive que me virar. Toda atenção foi direcionada pra ela e eu comecei a me fechar, então pra preencher o vazio, eu comecei a ler muitos livros. Posso dizer que eles são meus melhores amigos; dizem que ler bons livros deixa uma pessoa mais inteligente, posso dizer que isso é bem verdade, não pelo fato de que acho que tenho duas vezes mas QI do que 99% da minha escola, mas porque acho a vida mais complexa do que muita gente por aí. As pessoas se conformam em viver em um mundo como esse, cercadas de mentiras, pessoas falsas, que sempre querem se dar bem em cima dos outros; o ser humano tem dessas, claro que existem exceções, mas são realmente poucas exceções. As pessoas são burras ao ponto de acreditar em tudo que escutam, jugam sem ao menos conhecer, eu poderia citar milhares de defeitos que uma ou demais pessoas têm, mas prefiro seguir meu caminho sem me ater a isso.

Mas, no meio de toda a bagunça que é a minha vida, eu encontrei alguém que pensa assim também, exatamente assim. E ela é fantástica. O nome dela é Kate, mora aqui perto, a conheci na biblioteca segurando um livro de contos do Edgar Allan Poe. Estava tão concentrada em saber se o livro a agradaria que não viu eu me aproximar.

— Os contos do Poe são incríveis, ótima escolha. — falei com tanto receio de ser ignorado que a minha voz estremeceu, mas ela sorriu me observando atentamente e eu quase deixei cair o livro que segurava. Os olhos dela me prenderam tanto que eu não consegui desviar o olhar enquanto ela não parou.

— Então vou levar esse! — só bastou o sorriso, o olhar e a voz pra eu perceber que estava literalmente encantado com aquela garota. O resto vocês já imaginam, não é? Agora, a garota da biblioteca, a Kate, é a minha futura esposa, assim espero.

E um dia eu vi, eu vi a vida diante de mim. Vi meu futuro incerto e eu me apaixonei por ela, agora não consigo mais deixá-la. Agora tudo parece o certo, me sinto como se nunca tivesse passado pelo o que eu passei, como se eu tivesse nascido para estar com ela. Eu poderia sonhar, poderia estar em coma e meu cérebro poderia criar tudo isso, essa realidade que eu acredito viver. Não sei, é muito complexo. A vida é complexa. Quem é que nunca se perguntou o porquê? Se realmente estamos aqui? Eu já, milhares de vezes. Estou me perguntando agora, ninguém pode me dar essa resposta, essa não é uma resposta que você acha no Google, simplesmente ela não existe. Então, só nos resta viver, aprender e ensinar.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!