Quarteto Fantástico: O Destino da Latvéria
6 Os Alienígenas
Notas iniciais
Valéria caiu do colo do Doutor Destino, seus olhos abertos perdendo a vida aos poucos. Sangue escorria pelas costas dela, brotando do buraco feito pela adaga do clã Zefiro. Destino a pegou nos braços e a colocou em uma tábua de pedra, arrancando a adaga das costas dela.
O sangue atingiu a tábua, que possuía ranhuras que formavam um desenho. O líquido vermelho preencheu as ranhuras, criando um desenho vermelho em volta de Valéria.
— Eu te amo, Valéria. Espero que entenda.
Os sacrifícios necessários para o ritual que Destino ia realizar eram o de uma pessoa amada por ele e o do maior inimigo dele. Se aproximou da entrada de seu cofre e digitou a senha. Lá dentro havia fileiras e fileiras de artefatos reunidos por ele. No fundo, porém, estava o que mais importava.
Outrora houve quatro corpos ali: o rei e os três príncipes. Mas agora havia apenas dois príncipes e o rei. Ainda com a lâmina sacrificial em suas mãos, Doutor Destino desprendeu o corpo do rei da parede. Cravou a lâmina nas costas dele e observou o sangue dele escorrer.
— Você matou meus pais, Vossa Alteza. Agora eu matei você, seus filhos e seu neto. E a Latvéria é minha. Pois eu sou o Doutor Destino. Eu sou o Destino da Latvéria!
Cara a cara com sua cópia, o Quarteto Fantástico travava uma batalha difícil. Eles já haviam se separado: Johnny e James voavam em uma batalha entre energia e fogo; Ann e Sue foram para mais perto do castelo após um ataque de Sue; Reed e Simon batalhavam sobre o rio, para onde foram em uma tentativa de Reed para escapar do cadáver; Ben e Mike trocavam socos pelo lugar inteiro.
Reed já chegava à conclusão de que o cadáver não pertencia a Victor. Era um pouco mais robusto do que Von Doom fora em vida. E, se o Doutor Destino não era Simon Utrecht como pensara a princípio, só restavam duas opções: o rei ou Victor.
— Simon, uma coisa me intriga — disse, esquivando de mais um ataque. — Por que repetir um fracasso? Olhe o que houve com vocês.
O homem de amarelo riu.
— Não compreende, Reed Richards? Nosso objetivo, desde o começo, era falhar.
— Espere, como?
— Somos uma versão melhorada de vocês, Reed! Eu, Vetor, manipulo a matéria, poder muito mais poderoso que o seu, Senhor Fantástico. Ann, a Vapor, pode se expandir e invadir o sistema respiratório, coisa que a Mulher-Invisível não faz. James, o Raio-X, é pura energia, ou seja, mais eficiente que o teimoso Tocha-Humana. E Mike, o Encouraçado, é de metal, muito mais resistente que o Coisa. Nós somos os Alienígenas!
Eram argumentos com fundamento, isso Reed tinha que admitir.
— Para que tudo isso?
— Para atender às expectativas do nosso líder. Quer saber por que nos voluntariamos? Porque o Doutor Destino nos ordenou.
— O Doutor...
O corpo andante voou em cima de Reed, que estava se esticando para cruzar o rio. O impacto foi tamanho e fez Reed cair junto do "morto-vivo" na água. O sangue no rosto do cadáver foi levado pela água, revelando o rosto ferido do príncipe Zorba Fortunov.
— O príncipe Zorba!
Mas Reed não pôde continuar, pois pedaços de metal saíram da parte de trás do corpo e se prenderam a ele. As pequenas bolinhas exerciam o poder de Vetor sobre o Senhor Fantástico. Contra sua vontade, seus braços e pernas se esticaram e deram repetidos nós, o transformando num emaranhado de nós.
— Vejo você logo, Richards! — disse Vetor, desaparecendo no ar.
A correnteza arrastou Reed e o corpo na direção das Cataratas Fortunov — as mesmas que um dia se tornariam as Cataratas Doom. Suas pernas abafavam seus gritos, de forma que ninguém o encontraria.
O sangue de Valéria e o de Vladimir Vassily Gonereo Tristian Mangegi Fortunov se tornaram um só. Era esse o objetivo. Agora o desenho estava vívido. A energia no ar continha a coisa que Destino queria.
Alma humana.
Sue escapou de Ann por um tempo e olhou em volta, procurando por Reed. Percebeu que ele não estava mais ali e sentiu o peso em sua barriga ficar maior. Se ele tivesse morrido, o que seria de seu filho?
Doutor Destino pegou um bracelete vermelho e voltou para o altar.
— O grande coletor de almas me foi dado pela grande Matriarca. Agora devo honrar esse fardo e usá-lo para o meu Destino. Eu salvarei o mundo!
Ele levantou o braço com bracelete e sentiu a energia entrar no bracelete.
— Agora, que revele-se a localização do mais sagrado poder!
Ele inclinou a lâmina para frente e deixou uma gota de sangue pingar no desenho. A gota moveu-se para uma posição exata.
— Greenwitch Village, Cidade de Nova York, Nova York, Estados Unidos da América.
O grito de Sue fez a batalha entre Tocha-Humana e Raio-X parar. Johnny ficou preocupado com a irmão, portanto disparou uma forte rajada em James e voou até a irmã. Ela chorava e murmurava o nome de Reed. Aproveitando o momento de fragilidade, Vapor se expandia em volta de Sue.
Com várias bolas de fogo, Johnny dispersou Vapor. Sentou-se ao lado de Sue e abraçou-a, caridoso. Ela chorou em sue ombro.
— O que foi que Reed te fez, Sue?
— Nada, Johnny. Ele... ele morreu.
Coisa ergueu Encouraçado e o jogou longe. Correu na direção dele, mas o perdeu de vista. Já estava longe do Fantasticarro, então decidiu procurar Encouraçado. De repente, ouviu vozes.
— Vamos logo. O Doutor Destino vai querer que estejamos lá na hora da partida.
Ele espiou por entre alguns arbustos e viu uma clareira onde estavam dois robôs como os do castelo: Doombots deixados por Victor Von Doom. Intrigado, se aproximou...
...e caiu na clareira. Rolou para perto deles involuntariamente e levou tiros das armas deles. Felizmente, sua pele de pedra resistiu. Agarrou um dos robôs e jogou longe. Quando foi avançar no outro, algo o pegou pelas pernas. Era Encouraçado. Ele bateu a cabeça de Ben com força numa pedra.
— LEVE O COISA PARA VICTOR! — gritou Encouraçado.
— Sim, senhor Steel!
O robô empurrou uma pedra para baixo e a grama sob Ben se abriu. O Coisa caiu lá dentro, e o robô o seguiu.
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