Notas iniciais
Amanhã teremos algo que Matt Murdock não tem (desculpa, Demolidor, foi inevitável)... Visão! Hehe.

Senhor Von Doom, como você se posiciona quanto aos boatos de você e Simon Utrecht estarem trabalhando em uma reprodução do fracassado experimento que deu origem ao Quarteto Fantástico? — perguntou o repórter da WHIH World News na gravação.

Reprodução?, se perguntou Reed Richards, intrigado.

É a mais pura verdade — afirmou Victor. — Mas garanto que não enviaremos ninguém ao espaço sem preparo para incidentes como o do Quarteto Fantástico.

Pode nos dizer quem serão os tripulantes?

— Basicamente a mesma base que usei da vez anterior. O senhor Utrecht irá acompanhado de sua noiva, Ann Darnes, o irmão dela, James Darnes, e um piloto da escolha dele, Michael Steel.

— O senhor mencionou um preparo. Que tipo de preparo seria esse?

— Simularemos o acidente em um laboratório após instrui-los para saberem como agir.

— Obrigado pelo depoimento, senhor Von Doom — disse o repórter, se voltando para a câmera novamente. — Voltaremos com mais informações em breve. Até a próxima!

A gravação acabou, dando lugar a rabiscos pretos e brancos.

— Bem — disse Reed, voltando a caminhar —, isso é terrível. Podem haver mais como nós em algum lugar do mundo. Mas o que isso tem a ver com o desaparecimento de Victor e do rei?

Boris pareceu tentado a responder, mas uma voz surgiu novamente na gravação. A imagem do Doutor Destino (o homem de capuz verde e máscara prateada) voltou a surgir.

Simon Utrecht enfrentou seu Destino. Serão vocês capazes de também o fazer? Apenas o Destino tem a resposta para essa pergunta. Mas é melhor vocês se apressarem. O tempo de Victor Von Doom está se esgotando. E o Destino não perdoa!

A imagem dele desapareceu, dando lugar aos mesmos rabiscos.

— Senhor Boris, vocês têm WiFi? — perguntou Johnny, que ainda abraçava Valéria.

Reed se sentiu tentado a dizer que não era hora, mas algo lhe dizia que devia deixá-lo para ver no que daria. Algo não. Era Sue.

— Deixe-o e observe — disse Sue ao seu lado.

— Temos, sim — disse Boris, estranhando a pergunta.

Pegando o pequeno tablet que Sue trouxera do Fantasticarro, conectou à rede com uma senha que Boris digitou e buscou por um nome.

— Achei! — exclamou Johnny. — "Atualmente, Simon Utrecht se encontra desaparecido e provavelmente morto".

— Espere, como? — perguntou Reed.

Sem dizer mais nada, Johnny entregou o tablet na mão esticada de Reed. Richards olhou para a tela, vendo que Johnny acessara a página da Wikipédia sobre Simon Utrecht. Passou os olhos rapidamente e encontrou o trecho lido por Johnny. Voltando os olhos para a predefinição que mostrava uma foto de Simon, notou que havia um link para a página de Ann Darnes, noiva de Utrecht.

Ao acessar a página de Ann Darnes, viu que havia um trecho que afirmava seu desaparecimento. Reed se pegou fitando a imagem dela. Sentia que já a vira anteriormente em algum lugar. A fisionomia dela lhe lembrava... a mulher de névoa. Mas isso era impossível! Reed já havia concluído que a forma que a névoa tomava era um artifício do Doutor Destino.

Saindo da Wikipédia, Reed digitou algumas palavras na caixa de busca. "O que houve com Simon Utrecht?". Os resultados começaram a aparecer. Viu um vídeo do YouTube que mostrava a mesma reportagem que haviam acabado de assistir (claro que sem a aparição do Doutor Destino). Em seguida, achou um post de blog intitulado "O verdadeiro destino de Simon Utrecht".

— "O verdadeiro destino de Simon Utrecht" — leu Doutor Destino em voz alta, vendo em um monitor as ações de Reed Richards no tablet.

Ainda não, Reed, pensou.

— Raio-X, dê um jeito nisso — ordenou.

Como um raio, Raio-X saiu do esconderijo do Doutor Destino.

A página do blog estava demorando demais para entrar. Reed viu o texto começar a aparecer na tela e leu:

— "A imprensa e Victor Von Doom afirmam que a simulação do experimento do Quarteto Fantástico não chegou a ocorrer, pois Simon Utrecht e seus três companheiros desapareceram antes. Mas isso não..."

Reed não pôde continuar lendo. De repente, o tablet apagou, assim como todas as luzes e a televisão. A única luz na sala era a do lampião de Boris.

— Alguma coisa derrubou a energia — disse Reed, estranhando o fato de o tablet também ter sido afetado. — Onde ficam as antenas, Boris?

— Na torre mais alta do castelo, por quê?

— Vou dar uma olhada — disse Johnny, antes que Reed pudesse se oferecer.

— Espere, Johnny...

Mas ele já tinha se colocado de pé, se incendiado e levantado voo pela janela (a qual ele quebrou).

— Reed...

— Não diga nada, Sue. Já sei o que vai dizer. Boris, como podemos chegar ao topo da torre o mais rápido possível?

Johnny riscou a névoa sem respirar, apenas utilizando seus poderes para voar mais rápido. Quando saiu da área preenchida pela névoa, viu a torre mais alta do castelo. Havia algumas antenas modernas (modernas até demais para um castelo, na verdade) espalhadas pela torre, mas isso não era o que mais chamava a atenção de Johnny.

Um estranho brilho rosa se movimentava em alta velocidade de antena em antena, fritando os circuitos. Sem saber o que fazer, Johnny disparou chamas na direção do brilho, acertando uma das antenas. O brilho parou, lentamente tomando uma forma humanoide. O ser olhou para Johnny.

— Agradeço pela ajuda, Tocha Humana. É uma pena que eu tenha que te matar agora.

O ser esticou os braços, disparando rajadas elétricas em Johnny. Eletrocutado, Johnny tentou se lançar contra ele, mas acabou por se chocar contra a torre. Lentamente, o ser de pura energia se aproximou de Johnny...

...mas se chocou contra uma parede invisível. O ser tentou sair, mas estava preso em uma bolha invisível. Ele sibilou em protesto, irritadiço. Como isso podia estar acontecendo? Johnny sorriu ao olhar para baixo e ver Sue, Reed, Ben, Boris e Valéria na pequena varanda da torre.

— Obrigado, Sue — agradeceu ele ao pousar ao lado da irmã.

Ela estrava estranhamente pálida.

— Sue?

Lentamente, Sue caiu para trás. Reed se apressou em esticar um braço e a segurar. Com ela desmaiada, porém, o campo de força que mantinha o ser preso se desfez. Ele logo tentou fugir, mas foi envolto por uma mão muito esticada que pertencia a Reed.

Era possível enxergar um brilho rosa através da mão dele. Isso não era um bom sinal. O brilho começou a ficar mais forte, até que a mão de Reed começou a ser forçada por uma estranha luz rosa. A mão parecia uma bexiga sendo pressionada por uma criança. Sentindo dor, Reed recolheu a mão. O ser rosa aproveitou a chance para fugir, mas Reed não se importou. Sua atenção agora se voltava inteiramente para sua amada esposa.

— Me perdoe, Doutor Destino, pois eu falhei — disse Raio-X ao surgir dentro da base do Doutor Destino.

— Sei disso — respondeu Destino, sem parecer se importar.

Indignado, Raio-X prosseguiu.

— Espere, você queria isso?

— Era seu Destino. Ser derrotado enquanto Vapor armava a próxima etapa.

Fraco, Raio-X desapareceu. O homem amarelo conhecido como Vetor surgiu, novamente para fazer a mesma pergunta.

— Não se preocupe, Vetor. É chegada a sua hora de agir.

Sue Storm-Richards acordou em um sofá. Estava tudo escuro, portanto a única coisa que identificava era um vulto sentado.

—Reed... é você?

— Oh, Sue, que bom que acordou. Johnny, acenda a lareira.

Uma bola de fogo cortou a escuridão, acertando algo na parede. Uma chama maior surgiu, permitindo que Sue enxergasse o ambiente ao seu redor. Sentado na ponta do sofá em que Sue estava deitado, Reed fitava o fogo na lareira.

— O que foi aquilo, Sue? — ele perguntou, sem desviar o olhar.

— Efeitos da coisa que eu tinha para te contar.

— Que coisa?

— Reed, eu estou...

Ele gesticulou para que ela aguardasse.

— Ben, tire as madeiras da lareira. Agora, rápido!

Ben surgiu da parte ainda não iluminada, correndo na direção da lareira e removendo as madeiras em chamas. Para a surpresa de todos ali, havia um corpo debaixo das madeiras. Reed se aproximou e, com uma mão que estava enfaixada com gaze, tirou as cinzas da roupa do corpo que estava com o rosto desfigurado.

— Sue, é ele.

— Ele quem?

— Victor von Doom.

Ela analisou atentamente as roupas do cadáver sem rosto e lembrou delas na mensagem de Victor, sendo vestidas pelo próprio Victor Von Doom.

— Meu Deus...

Sue ia se levantar, mas Reed pediu para que ela deitasse.

— Fique aí por enquanto. Amanhã de manhã, depois de uma noite de sono, iremos ao Fantasticarro e faremos uma autópsia.

Ela não questionou, assim como ninguém percebeu os pequenos pedaços de metal presos à parte de trás do corpo.