Chovia. Chovia muito. A tempestade aflorava qualquer medo. O de ficar só. O de morrer. O medo de simplesmente existir e não viver. Era isso que tempestades faziam. Pelo menos era o que sentiam.

O trânsito na BR estava um caos. A chuva, os trovões e os raios iam a sua direção, como se o mundo e Deus estivesse zangado com eles. De fato acho que estavam.

— Vá de vagar! Não dá para ver nada, por favor! — ela implorou. – por favor!

— Fique quieta Renée! Eu sei o que estou fazendo.

Renée o olhou abismada, o marido realmente sabia o que fazia? Ela não sabia. Nunca soube. Um raio caiu, fazendo a pular. Estar dentro de um carro na autoestrada no meio de uma tempestade não era o que ela consideraria como seguro.

Ele desviou o carro de um buraco. Renée foi a primeira a perceber que faróis de outro carro apontavam para si. Quando ele percebeu já era tarde. O carro bateu. O veiculo em que estavam foi jogados em uma ribanceira. Estilhaços de vidro voaram. O air-bag abriu, mas não os salvou. Renée soltou um grito estridente.

Era a morte? A morte que tanto desejara? Mas e suas crianças? O que lhes ocorreria? O marido se virou, olhando a esposa, sangue parecia sair de todos os lugares dela. Ela estava quase imóvel. Foi quando ela o olhou, dor, medo, angustia, o mesmo olhar que ela lhe dava nos últimos meses mais agravado e o que sussurrou quebrou-lhe o coração. Ou assim se pensava.

— Eu o perdoo. Consiga fazê-los perdoa-lo. Por favor.

O sopro de vida que a cercava se foi. Ele fechou os olhos e então gritou. O mais alto que podia. Seu grito era dor; a mais pura dor de ser culpado por toda a desgraça que causou. Por destruir a todos que era suposto ama-lo.

Notas finais
Espero que tenha gostado! Vote e comente.Deixe sua opinião,vou adorar saber o que está pensando!Até o próximo capítulo