Quarenta Graus

4 Capítulo 4 - Quarenta Graus


Notas iniciais
Vamos a mais um pouco de drama. Não me culpem, eu gosto de chororo xD
boa leitura!

- Quarenta Graus —

Capítulo Quatro — Quarenta Graus



Uma felicidade estranha apossava-se de Renji nesses últimos instantes. Sua vida se esvanecia aos poucos, mas ainda sim, a alegria brotava em seu interior, pois pode salvar a vida daquele que amava... Pois pode vê-lo em seus últimos momentos. Não importava que ele o odiasse, não importava se nem ao menos se importasse com ele...


Mas seu rápido sorriso, num misto de dor e prazer deu lugar a uma profunda aflição. Estava nos braços de Byakuya, havia se despedido dele, havia lhe dito como se sentia. Mas as lágrimas que escorriam dos olhos de seu capitão lhe indicavam outra coisa. Ele não o odiava? Ele não queria vê-lo fora de seu pelotão, fora de sua vida? Havia lhe dito isso, então qual era o motivo daquelas lágrimas saindo tão apressadamente dos olhos acinzentados de Byakuya?

E num momento de desespero percebeu que era preciso ficar ao lado dele. Queria saber sobre seus sentimentos, sobre seus verdadeiros sentimentos. Não podia simplesmente desaparecer agora.


Porém de nada adiantava forçar os músculos a se moverem. Podia sentir os dedos frios da morte se aproximando. Já os tinha presenciado antes, mas não tão perto como agora.

Forçou sua vista por mais algum tempo, contemplando o semblante devastado de Byakuya. Tentou erguer seu braço para tocar-lhe o rosto, em vão.

Byakuya arregalou seus olhos por um instante quando viu a mão de Renji se aproximando. Talvez não fosse tarde, talvez ainda fosse possível salvá-lo. Olhou ao seu redor à procura da equipe médica; ela estava demorando. Voltou a encarar Renji. Sua mão ainda estava esticada, tentando alcançá-lo.

Esticou sua mão para pegá-la, mas quando a tocou de leve com a pontinha dos seus finos dedos, viu o braço de Renji cair sobre a grama tingida de vermelho.

Silêncio. Tudo a sua volta tinha se aquietado enquanto olhava o corpo inerte de Renji em seus braços. Sua mão ainda estava erguida no ar como se esperasse pelo seu encontro, como se seu subordinado fosse erguer o braço outra vez para pegá-lo.

Aos poucos, abaixou a mão até poder encostar na boca de Renji. Estava fria. Seus lábios, um pouco quebradiços, e os olhos, semi-abertos, sem luz alguma.

– Renji... – balbuciou, abaixando seu corpo sobre o dele escondendo seu rosto. Engolia os pequenos gemidos que soltava ao chorar cada vez mais.

Nunca havia chorado tanto antes... Não desde que... Perdera Hisana...

Ah! Então era isso. Essa pequena luzinha lutando dentro dele, querendo se reacender... Tinha mesmo sentimentos por Renji, ele... Realmente, amava aquele homem.

Isso deveria ser um pesadelo... Estaria, logo, despertando em seu escritório, de um momento relapso no meio do expediente. Renji entraria na sala carregando a garrafa com o refresco. Eles discutiriam de novo, e tudo ficaria bem logo em seguida.

Sim, era um pesadelo, uma ilusão que sua mente havia criado a fim de mostrar-lhe o quanto na verdade se importava com Renji.

Passos começaram a ser ouvidos por entre a floresta. Por impulso, Byakuya ergueu-se enxugando seu rosto o máximo que pode. Recostou o corpo de Renji no chão, afastando-se dele, e simplesmente ficou do seu lado, como se nada tivesse acontecido.

– Kuchiki-Taichou. – a capitã Unohana de aproximava dele seguida de alguns subordinados. – Vim o mais rápido possível.

Byakuya apenas apontou seu olhar indiferente para Renji. Em poucos segundos, seu corpo fora retirado da sua frente, e levado ás pressas para a divisão médica. Quando os demais se afastaram, Unohana ainda voltou-se para ele.

– Kuchiki-taichou, o senhor ficou ao lado dele até agora, tenho certeza de que não importa o que aconteça, o senhor fez tudo o que podia.

Curvando-se, ela se retirou voltando a montar em sua zanpaktou.

Quando tudo ficou em silêncio novamente, e Byakuya já estava de pé, sua cabeça ergueu-se para o céu, e uma última e solitária lágrima escorreu pelas maçãs de seu rosto:

“Eu nunca fiz nada por ele.” Pensou.

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O sol irrompeu pela janela do escritório. O dia mal havia nascido, e ainda sim, Byakuya já estava adiantando o trabalho, sempre o primeiro a chegar ao esquadrão.

Desde aquele dia, há três meses, as coisas permaneceram da mesma maneira. Ele negou-se a receber outro sub-capitão, apesar das pressões de Yamamoto. Conseguia algum tempo devido à sua influência, mas mesmo a família Kuchiki começava a duvidar das suas intenções. Tomava conta sozinho do esquadrão, fazendo o máximo possível para evitar críticas, tendo de realizar o trabalho de duas pessoas.

A exaustão, estranhamente, não o afetava mais. Algumas vezes ainda, enquanto assinava os inúmeros papéis sobre a mesa, surpreendia-se encarando o sofá onde Renji se sentava, normalmente, largado, cheio de papéis ao redor dele. Chegou a vislumbrar sua imagem, algumas vezes, do jeito comum como ficava; jogado, com a cabeça para trás e os braços esticados. No entanto, tudo não passava de uma simples e cruel miragem.

Balançava sua cabeça todas às vezes, voltando-se para assuntos mais importantes.

Nesse pensamento, abaixou o pincel sobre o tinteiro. Aquilo não era menos importante, apenas menos doloroso.

Logo em seguida, a porta de madeira correu quando Kira chegou, no horário de sempre.

— Kuchiki-taichou, eu trouxe os seus documentos.

— Obrigado, pode deixá-los aí. – apontou para a pequena mesa na frente do sofá, e tornou a pegar seu pincel.

Kira apoiou a pilha de documentos pondo um pequeno peso sobre as folhas, e parou por alguns instantes, ficando diante da pequena mesa.

Byakuya esgueirou seus olhos para ele erguendo um pouco as sobrancelhas, curioso, de certa forma, pois ele ainda não havia indo embora – detestava ser incomodado.

— Algum problema? – perguntou na educação cordial a qual fora ensinado.

— Oh! Não nenhum Taichou, é só... Eu... Sinto falta... Do Abarai...

Byakuya manteve-se calado por alguns instantes, depois acenou sua cabeça em sinal positivo, parecendo compadecer dos sentimentos do sub-capitão.


— Rukia-chan também sofreu bastante... – continuou Kira – Mas acho que agora ela já está mais conformada.

— Sim. –falou Byakuya – Acho que todos nós estamos.

Surpreso com seu comentário, Kira o observou por alguns instantes. Sua boca ainda se abriu um pouco, porém antes de poder proferir alguma coisa, as portas do escritório foram abertas novamente, de uma forma desesperada.

Ofegante, e com a cabeça baixa, Rukia recuperava o fôlego, até poder encarar seu irmão.

– Byakuya-ni-sama! No hospital! – gritou com os olhos cheios de lágrimas.

Os globos acinzentados de Byakuya congelaram ao mesmo instante em que ele se levantava. Os papéis caíram de sua mesa junto com o tinteiro.

Sem esperar pela conclusão de sua irmã, seu vulto permaneceu por alguns milésimos de segundo na sala. Rukia e Kira apenas piscaram uma vez, percebendo estarem sozinhos.

Rukia, ainda chorando, abriu um longo sorriso, olhando para Kira, que acenou à ela com o mesmo semblante.

A cortina do quarto do hospital estava semicerrada. A porta fechada, no entanto, dava ao lugar um tom um tanto quanto fúnebre.

Os cabelos ruivos estavam soltos, espalhados pelo travesseiro. A máscara de oxigênio já não estava mais em sua boca, e pela primeira vez desde o ataque, Renji respirava por ele mesmo. Apesar de suas feridas já terem se curado, seu corpo parecia estar num estado de coma profundo, recuperando-se aos poucos.

Nesse meio tempo, descobriram que os hollows mortos eram os causadores dos picos de temperatura, devido a sua reiatsu desproporcional, desequilibrando o mundo espiritual.

Os problemas relacionados com o clima haviam se estabilizado na Soul Society.


Sobre Renji, Unohana lhe havia dito que o enfraquecimento de sua reiatsu tinha sido estrondoso. Talvez levasse dias até que despertasse, ou até mesmo, não acordaria mais.


Porém há uma hora, ele havia, ao menos por alguns instantes, aberto seus olhos. Suas primeiras palavras foram quase inaudíveis, porém facilmente decifráveis: “Byakuya-taichou”.

O casaco branco movia-se junto com a leve brisa que entrava pela janela. Byakuya ficou imóvel ao lado de Renji, apenas o observando com a expressão nula. Era como se estivesse vendo um boneco deitado sobre os lençóis da cama. Ainda recordava-se do seu comandante alegre e brincalhão, que sempre tentava o agradar de alguma forma. Numa comparação bastante exagerada, Renji parecia um cachorrinho o seguindo para todos os lados. No entanto, ele era muito mais do que isso.

– Você chamou por mim Renji... – disse próximo á sua cama – Porque eu?... Eu nunca fiz nada por você...

Ainda ao seu lado, Byakuya permaneceu no quarto pelas próximas duas horas, esperando talvez uma nova reação dele, mas nada aconteceu. Sentou-se na beirada da cama, cansado de suas atividades extras nos últimos meses, cansado de esperar...

Tocou de leve seus lábios. Estavam mornos, porém ainda secos. Aproximando seu rosto, Byakuya passou sua língua de leve sobre eles, até então, beijar-lhe. Não era um homem de medir suas ações uma vez que elas estavam definidas. Renji havia ultrapassado uma enorme barreira, conseguindo o alcançar de uma forma que nem mesmo ele esperava. Não havia mais razões para negar isso, ou ainda para se refrear. Faria quilo que tivesse vontade, e diria à ele todas as palavras presas em sua garganta á tanto tempo. Isso não o deixaria ter menos orgulho, mas sim o engrandecia, pois demonstrava suas convicções, afirmava as suas decisões.

Nos segundos decorrentes do sutil encontro de lábios, um leve gemido saiu da boca do tatuado. Afastando-se, Byakuya viu Renji abrir vagarosamente os olhos, como se eles pesassem uma tonelada. Os globos castanhos, que agora encontravam os seus.

— Taichou?...

Contemplando seu rosto recém desperto, Byakuya permaneceu imóvel. Sua mão tremia um pouco quando encostou em seu rosto. Ele ainda estava debilitado, porém melhor do que antes, sua palidez já havia desaparecido quase que por completo.

— Taichou... Me desculpe pela demora. – disse brincando, sorrindo para ele.

Num misto de tristeza e felicidade, Byakuya pela primeira vez em todo o tempo que passara com Renji, falou num tom forte, porém alegre:

— Se você fizer isso de novo, eu mesmo mato você. – havia tristeza em sua voz, porém mais ainda, um sentimento de alívio.

Surpreso, Renji deixou a contemplação evidente em seu semblante. Levantou seu corpo até poder sentar-se na cama, acariciando a face de Byakuya.

— Sim senhor. – respondeu de imediato.

Segurando os pulsos de Renji, Byakuya deixou-o beijar-lhe mais uma vez.

O vento já havia cessado, e o sol agora entrava com mais força pela janela. O calor parecia ter aumentado, mas eles sabiam que este não era o motivo. Olharam-se por mais alguns instantes, até que Byakuya terminou de fechar a cortina, voltando, então, para o lado de Renji, deixando-se envolver por ele. Respirou fundo, tomado da decisão de antes, e, aproximando-se do ouvido do ruivo, Byakuya sussurrou algumas palavras, deixando seu subordinado absorto. O moreno olhou para outra direção com a face um pouco corada, e, Renji, completamente abobado, o puxou pelas bochechas, beijando-o, enquanto dizia:

— Eu também te amo, taichou...

Fim

Notas finais
YEI! O renji finalmente se deu bem no final xD hahaha! Espero que tenham gostado, é uma fanfic bem pequena, como eu disse, q eu escrevi há muuito tempo!
Se gostaram, leiam minhas outras fanfics, garanto que vão se divertir também =D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!