Quantum War
1 Introdução
Notas iniciais
Boa leitura!
- Ei! Garotinha!
Era a voz do meu pai. Me sinto sonolenta. Devo ter dormido no sofá de novo.
- Melhor você ir pro quarto ou vai arranjar uma baita dor no pescoço.
Me estiquei para que ele me pegasse no colo.
- Preguiçosa — ele resmungou.
Abri os olhos e vi que já era tarde. Bem tarde. A noite se arrastava silenciosa. Embora isso não fosse tão difícil de acontecer bem no interior. Uma névoa gelada embaçava a janela recém-colocada por papai.
Se mamãe estivesse viva, hoje seria o aniversário dela. De alguma forma, eu esperava que ela aparecesse e conversasse um pouco comigo. Papai não vê problemas em falar dela. Ele diz que a gente tem que guardar as coisas boas.
Acho que ele está certo.
Percebi que estava com sede. Embora meu corpo não cooperasse, resolvi descer para pegar um copo de água.
Sarah tem os olhos da mãe. Nunca escondi isso dela. Eu quero que ela guarde os bons momentos que ela teve de Johanna. Mais do que isso: quero que ela guarde os bons momentos que ela teve comigo. Minha bebezinha…
Olhei para o relógio e ainda estava cedo. Cedo o bastante para um pouco de dardos no bar do Bob — e uma garrafa uísque. Um aniversário pede uma comemoração não é mesmo? Liguei para Charles e pedi para me encontrar lá.
- Está na hora de você voltar ao trabalho, Drake. — Charles disse após uma piada. Um momento muito oportuno para dizer algo que ele sabia que eu não iria responder bem.
- Estou aposentado, Charles. Desde a morte da Johanna, não me vejo nem como conselheiro.
Talvez por querer, virei um copo de uísque e pedi para o Bob completar pra mim. Ele fez um sinal de reprovação mas eu estava muito bêbado para ligar.
- Você sabe a importância desse trabalho. Não posso deixar o controle do exército americano nas mãos de socialistas medíocres.
Dei um sorriso sarcástico. Ele sabe que eu amo esse trabalho e sabe mais ainda que Johanna não era o motivo principal para eu não querer seguir com aquilo.
- Charles, isso vai além de ideologias pobres. Depois da Missão Fantasma e-eu não posso continuar. Você sabe disso.
Ele suspirou. Ele era um péssimo mentiroso. Por dentro ele estava destruído. Afinal, pelo amor de Deus, ele era tio dela. Pensou que se eu estivesse trabalhando conseguiria me distrair do que estava por vir.
- Olhe, quando a Noite chegar, você sabe que isso não será suficiente. Precisaremos de você. Mentalmente saudável de preferência. — disse enquanto dava socos na minha cabeça.
- Desse jeito, vai ser difícil.
Gargalhei. Bebi. Enchi o copo de novo.
Percebi que o som do bar era estranhamente acolhedor. Embora o cheiro não acompanhasse esse padrão, era um dos poucos lugares que eu me sentia em casa.
- Noite difícil? — perguntou Bob enquanto Charles saia cambaleando.
Abri a boca para responder mas só assenti.
Bob completou mais um copo para mim.
- Nós precisamos dele, Charles. O exército está prestes a chegar ao colapso. Os comandantes não estão dando conta e você sabe que se uma terceira guerra chegar antes da Noite, não sobreviverá ninguém para contar história. — disse uma voz feminina do outro lado da linha. Dava para ouvir os resmungos das teclas pressionadas no quartel general.
- Diana, ele vai estar conosco. Ele só precisa de um pouco mais de tempo com a minha sobrinha.Ele não vai ter ninguém depois que Sarah deixar de existir.
Notas finais
Isso é só o começo.
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