Quanto Tudo Começou A Mudar.

18 “Para começarmos a escrever nossa história.”


- Lizzie? – entrei no seu quarto na ponta dos pés e a encontrei lendo. – Preparada para o primeiro dia de aula?

- Sim – ela deu de ombros – Já encontrei uma blusa que vai disfarçar minha barriga gigantesca.

- Ah, gigantesca – eu disse me sentando ao seu lado – Seu cabelo está lindo. Você está radiante.

- É o bebê – ela finalmente sorriu – Você sabia que grávidas normalmente ficam mais bonitas?

- Você está definitivamente mais bonita do que qualquer outra garota de 12 anos que eu conheço.

- E você, já está pronta para seu primeiro dia de aula?

- Sabe – eu sorri – Agora que eu tenho um namorado não preciso ficar me arrumando para um bando de estudantes do ensino médio.

- Um namorado? – Lizzie disse com um sorriso do tamanho do mundo e eu acenei com a cabeça.

E então nós pulamos feito loucas sobre sua cama e eu me senti com 5 anos novamente. Acabei dormindo no quarto de Lizzie, grudada nela e pude sentir sua barriga um pouco maior do que eu me lembrava.

***

- PRIMEIRO DIA – Minha mãe gritou entrando no quarto – Levantem, as duas.

Pulei da cama e arrastei Lizzie comigo até o banheiro.

- Você sabe que vai ter que contar para nossa mãe uma hora, certo?

- Eu sei – Lizzie respondeu cabisbaixa.

- E com uma hora eu quero dizer logo.

- Eu vou contar ok?

- Tá todo mundo vestida aqui? – Aaron disse aparecendo na porta de Lizzie.

- Completamente – eu disse saindo e lhe dando um beijo.

- Vou vir falar com seu pai hoje – Aaron disse segurando minha mão.

- Não – eu disse fazendo biquinho – Isso é realmente necessário?

- Completamente necessário. Você quer almoçar lá em casa hoje?

- A ratinha vai estar lá? – eu perguntei séria.

- Ratinha?

- Toda garota que quer meu namorado precisa de um apelido carinhoso.

- É claro que sim – Aaron me abraçou e acenou para Lizzie.

- É claro que sim ela merece o apelido ou claro que sim ela vai estar lá?

- Ela estar lá faz você não querer ir?

- Na verdade, só me faz querer ir mais.

Aaron riu e me deu um beijo.

- Vou trabalhar. Boa aula e esteja preparada para hoje à noite.

- Se eu fosse você – Lizzie surgiu ao meu lado com um vestido largo – Não faria grandes planos para hoje à noite. Planos que podem causar bebês, sabe?

- Nada de bebês hoje – eu sorri – Só uma séria conversa com nosso pai.

- Uh, acho que isso é quase pior.

- Calada – eu disse rindo e indo para o meu quarto.

Coloquei uma calça jeans surrada, uma blusa vermelha e amarrei meus cabelos em um rabo de cavalo. Quando cheguei na minha escrivaninha, encontrei um bilhete de Aaron junto com uma pulseiras de pingente.

“Para começarmos a escrever nossa história.”

O primeiro pingente era uma pequena cesta de piquenique.

Me peguei sussurrando “Lindo!” até Lizzie me gritar para descermos ou perderíamos nossa carona. Puxei minha bolsa e desci as escadas correndo.

- Bom dia pai – lhe dei um beijo na bochecha e roubei uma de suas torradas.

Meu pai era mais velho que minha mãe, porém era bem conservado. Tinha cabelos grisalhos e um sorriso parecido com o meu, porém com os olhos da Lizzie.

- Você precisa de uma carona? – ele disse tomando seu café rápido demais.

- Não se preocupe, estamos adiantadas. Podemos ir andando.

- Não quero ir andando papai – Lizzie disse fazendo bico.

- Preguiçosa. – joguei um pedaço da minha torrada nela.

- Tudo bem, eu levo vocês – meu pai disse se levantando e mostrando seu macacão velho e um tanto quanto sujo.

- Sério – eu disse puxando minha bolsa – Eu posso ir a pé. Nossas escolas nem ficam no mesmo caminho.

Sai pela garagem e encontrei Aaron trabalhando com uma das máquinas.

- Olha só que menino prendado – disse o abraçando e lhe dando um beijo na bochecha.

- A senhorita não devia estar indo para a escola? – ele disse sorrindo e mexendo no meu cabelo.

- Estou indo, estou indo. Só queria agradecer pelo meu presente. É lindo.

- Vai ficar ainda mais quando estiver cheio de pingentes. – Aaron me puxou e me deu um beijo de despedida – Boa aula. Eu te busco pra gente almoçar, ok?

- Ok.

Sai pela portão da garagem e fui caminhando o mais lentamente possível para a escola. Era difícil admitir que eu não tinha mais nenhum amigo lá.

***

As escadarias do prédio escolar eram gigantescas e velhas. Estava lotada de pessoas com suas roupas e carros novos. Novos casais, mas as mesmas pessoas. Garotos chutando suas bolas de futebol e garotas dando gritinhos histéricos. Mariana estava parada na escadaria, com maquiagem demais (talvez para esconder o olho roxo), mini-saia e mascando chiclete. Ela estava rondada de garotos e sorria como se estivesse em um concurso de beleza.

Pude sentir seus olhos me seguindo enquanto eu subia as escadas.

- Emma – Joe era conhecido como o cara do jornal. E eu era do jornal. Nós não passávamos muito tempo juntos, mas ele era um cara bem legal.

- Joe. Como foram suas férias?

- Esplendidas. – Joe usava óculos grandes, tinha cabelo escuro e sempre usava topete. Era bem bonito na verdade. E sempre usava palavras difíceis.

- Uau! Sorte a sua. – eu disse sorrindo.

- Então, preparada para mais um ano no jornal?

- O último, graças a Deus – eu disse rindo.

- Emma – Carolina também era do jornal. Era uma loirinha baixinha e gordinha, que tinha os olhos mais bonitos que o mundo. Mais bonitos que os do Aaron, ouso dizer. Ela também era super simpática e super legal comigo.

E por um segundo, tudo naquele corredor pareceu pausar.

- Tá tudo bem Emma? – Carolina segurou meu braço e Joe ficou me olhando com cara de espanto.

- Tudo... Tudo ótimo. Estou ansiosa para mais um ano com vocês.

Joe e Carol riram enquanto eu sorria. Eu não estava sozinha. Eu nunca estive.

Notas finais
Preciso dizer que fiquei muito feliz de encontrar novos amigos para a Emma. Vamos ver se eles serão bons né. Ah e logo, logo teremos uma passagem de tempo, que vem com certas dificuldades. Beijos!