Quanto Tudo Começou A Mudar.
32 Eu posso beijar quem eu quiser.
Fiquei paralisada quando Lizzie parou ao meu lado e reconheceu a cena. Ela puxou um copo de cerveja de um cara qualquer e andou em direção a Aaron. Então jogou nele e em Minnie que se desvencilharam em segundos.
Eu continuava parada, encarando a cena quando ele começou a xingar, até notar quem era a garota grávida. Então, finalmente olhou para mim.
- Emma – ela sussurrou tão baixo que só pude ler seus lábios.
Eu sorri e me virei, andando em direção a porta.
- Não, não, não – Aaron correu e parou na minha frente – Olha pra mim.
Ele estava com hálito de bebida e capengava enquanto tentava segurar meu rosto.
- Não encosta em mim – eu disse quando encontrei Lizzie na multidão e segurei sua mão.
- Não é nada disso – ele disse se embaralhado com as palavras e então riu – Olha, eu estou bêbado. Emma, por favor. Não me leve a sério bêbado.
- Emma, vamos embora – Lizzie disse no meu ouvido, com certa urgência – Por favor.
Segurei sua mão com força e trombei em Aaron, quando um garoto que eu conhecia parou na nossa frente, abismado. Era o amigo bêbado do Aaron, que eu levei para casa no dia que nos conhecemos. Mark. Mas ele não estava olhando pra mim. Estava olhando para Lizzie. Chocado.
- Lizzie – ele disse, quase sem folego.
Ela respirou fundo e então levou a mão até a barriga.
- Emma – Lizzie respirava pesadamente e tentava se manter de pé – Droga, eu estou tendo contrações. Emma
- Não – eu a segurei enquanto Aaron e Mark observavam chocados – Ainda não está na hora.
- Droga – Lizzie estava chorando – Está doendo Emma.
- Ok – eu a coloquei em meu ombro, tentando passar pela multidão – Vou te levar para um hospital agora mesmo.
Quando finalmente conseguimos sair da festa, Mark e Aaron vieram atrás.
- Lizzie, conversa comigo – ele gritava – Esse bebê. Esse bebê é...
- Você é o cara que transou com ela? –perguntei cínica enquanto a ajudava a andar.
- Sim – ele gaguejou.
- Então sim, esse bebê é seu. Parabéns.
Mark ficou pálido e Aaron que estava começando a se recompor o ajudou a seguir até o carro.
- Eu vou atrás com ela – Mark disse se sentando e usando sua blusa como travesseiro. Deitei Lizzie em seu colo e ele deslizou a mão pelo seu cabelo, enquanto ela se contorcia de dor. Tudo o que senti foi repulsa.
Fui para o banco do motorista e Aaron se sentou ao meu lado.
- O que você está fazendo? – lhe perguntei.
- Você não vai querer discutir sobre isso agora. Acelera.
Tirei o carro do estacionamento e coloquei o caminho do hospital no GPS. Lizzie resmungava de dor no banco de trás.
- Por que você não me contou? – Mark estava chorando – Eu ia te ajudar.
- Eu não vou estragar sua vida – ela sussurrou em meios as gemidos da contração – Você não precisa ir comigo. Esse bebê é meu.
- Meu Deus Lizzie – pude ouvir o estralo de um beijo que ele deu nela, provavelmente na testa – Me perdoa por isso. Eu fui um idiota.
- Você é um idiota sim, mas esquece isso de querer mimar minha irmã agora. Nós não precisamos de você – eu disse enquanto dirigia.
- Emma – Aaron ousou falar.
- E você, não fale comigo tão cedo – eu respondi secamente e ele ficou quieto.
Chegamos no hospital e Mark carregou Lizzie até uma cadeira de rodas.
A enfermeira me deixou na sala de espera enquanto examinava Lizzie. Mark sumiu no hospital, mas Aaron se sentou ao meu lado.
Ele escorregou sua mão até meu braço e eu a puxei, bruscamente.
- Não encosta em mim – eu disse entre os dentes.
- Nós estamos separados – ele disse baixo, mas com raiva – Eu posso beijar quem eu quiser.
- Eu também – eu disse olhando para a placa de silêncio do outro lado da sala.
- É – ele parecia perdido agora – Você está com alguém?
- Não oficialmente.
- E você não está com sua pulseira – Aaron soava decepcionado.
- Pois é, nenhum cara quer sair com uma garota que anda com uma pulseira que conta a história do seu antigo relacionamento.
- Emma – Aaron puxou meu rosto e mesmo com seu hálito de bebida, ele parecia mais consciente – Você dormiu com alguém?
- Quase – eu disse secamente.
- E por que não? – ele perguntou decepcionado.
- Porque fui interrompida – me levantei e comecei a andar pela sala.
- Ele te viu nua? – Aaron estava parado na minha frente, segurando com força meu braço que costumava ter a pulseira.
- Não – mordi os lábios.
- Mas ele te beijou – ele disse entre os dentes – Te beijou de verdade.
- Sim Aaron, é isso que as pessoas fazem quando vão dormir uma com a outra, começam com beijos.
- Eu não dormi com ninguém.
- Bom para você. Deve estar sendo difícil.
- Quando nós nos tornamos isso – Aaron questionou – Quando nos tornamos um casal repugnante que não consegue passar minutos sem brigar?
- Quando você virou um babaca – respondi e finalmente vi meus pais chegando.
Dylan estava com eles e eu abracei cada um deles. Aaron também os cumprimentou.
- Ele está aqui – eu disse baixinho para meu pai – O pai do James.
- O James não vai ter pai Emma.
- Fala isso pra ele pai. – Apontei para Mark, que vinha pelo corredor, em prantos, pedindo perdão. Isso não impediu meu pai de acertar um soco em seu rosto. O hospital virou um caos por alguns segundos, segundos em que aproveitei para me afastar e correr até a área de exames.
Não vi Aaron ou Dylan pelos redondezas e previ que estava segura.
***
Caminhei lentamente, olhando para trás, tendo certeza que ninguém estava me seguindo.
Parei diante da bancada de exames.
- Oi, eu gostaria de pedir um exame de sangue.
Uma enfermeira simpática foi buscar uma fichas enquanto eu batia impacientemente na bancada. Meus pés não paravam de se mexer e minhas mãos tremiam.
- Aqui querida – ela disse me entregando a ficha – Para o que seria o exame?
- Teste de gravidez – eu disse espremendo os olhos para que as lágrimas não saíssem.
Aaron surgiu do nada, como se tivesse saído do tártaro, pálido como um fantasma, me encarando de cima em baixo.
- Emma – ele disse se aproximando – Você está grávida?
E meu mundo desabou e se esvaiu como vapor.
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