Notas iniciais
Oie!!!!! Um capítulo novo!!!! Euzinha está aqui de novo!!!! Desculpem-me por ser chata, mas tem umas coisinhas eu tenho que dizer: 1) Poeta Paranóica, eu te amo!!!! Muito obrigada por comentar minha humilde história. Eu tremi, pulei e chorei de felicidade quando vi seu comentário. Sério, você realmente fez uma pessoa feliz. 2) Eu cometi o erro de não mencionar isso antes. A história se passa em uma Inglaterra fictícia, no condado heaveshire (vocês já devem ter percebido que eu sou péssima com nomes), na cidade de Moonlit, no ano 1806. 3)Em um certo momento desse capítulo o Laharl vai chamar a Dayla de roadrunner, que é o pássaro que inspirou o papa-léguas. Boa leitura!!!

Aquele dia estava lindo, era uma primavera de temperaturas agradáveis, a Maria estava um pouco mais forte, ou seja, tudo estava perfeito para uma caminhada pela cidade. E é claro que a Maria, aos seus nove anos de idade, ficou extremamente animada.

Ergui minha menininha aos céus, a sentei em meus ombros e pedi para que ela se segurasse bem, recebendo como resposta: "eu nunca fui tão alta assim!!!", o que nos fez cair na gargalhada. Com a Maria eu podia rir por coisas bobas, simples e belas. O puro amor que eu nutria por ela me fazia vivenciar a mais pura felicidade. Mas tudo que eu tanto prezava se foi.

Eu a carreguei por toda a cidade, uma caminhada cheia de momentos mágicos. Era como se o mundo fosse só nosso.

Um pouco antes do crepúsculo vespertino, passamos pelo campo a noroeste da cidade. Nós íamos retornar para casa quando algo chamou minha atenção.

— Laharl, por que você parou? — perguntou minha pequenina.

— Não é nada demais, são apenas flores.— respondi observando uma dúzia de flores próximas a um pequeno córrego.

— Flores nunca são "nada de mais"! — ela me repreendeu com sua voz de mel — E que tipo de flores são?

— Parecem lírios, mas são um pouco diferentes. — logo após eu lhe responder, ela pediu que a colocasse no chão.

— Eu sabia. — sussurrou enquanto tocava e cheirava as flores. — Eu conheço essa flor! Eu não sei o nome dela, mas é a flor que mais gosto! Qual é a cor delas?

— Algumas são da cor da paz, outras são da vergonha. — exemplifiquei as cores branco e rosa, respectivamente.

— Que lindas!!!

— Já que você gostou delas, vou levar algumas para casa.

— Nem pensar!!! — senti um certo desespero em sua voz — Eu não suporto ver as pessoas destruírem as coisas só por serem belas. EU SOU TOTALMENTE CONTRA O ASSASSINATO DE FLORES!!!

Tentei explicar que as flores já nasciam com o propósito de serem admiradas, mas não teve como convencê-la. A convicção da pequena era tão forte que me fez rir.

No caminho de volta eu carreguei uma Maria adormecida nas costas, enquanto a sentia tremer. Ela estava com febre. Naquele dia eu comecei a perceber como flores são frágeis. Ah, como são frágeis.

Ao me lembrar de um dos maravilhosos momentos que vivenciei com a Maria, meu coração doeu. Entretanto, o mais estranho é que ela não era a única em meus pensamentos. Outra pessoa ocupava, de forma indesejada, a minha cabeça. Dayla. Não pude deixar de me perguntar sobre todas essas pontas soltas que a rodeavam. Quem era ela? O que ela realmente fazia aqui? Como assim "queria um pouco de paz"? Por que ela era tão parecida e tão diferente a Maria? Mesmo sabendo que é impossível, será que...?

Sacudi minha cabeça buscando me livrar dos devaneios, até perceber a presença de uma garota me olhando com um sorriso de divertimento.

— OLÁ!!!

— Dayla!!!

— Como você vai? Eu vou muito bem. Aliás, eu não posso deixar de perguntar, como é o mundo da lua? — indagou-me com um enorme sorriso, enquanto eu a olhava assustado. Não esperava vê-la novamente.

— Você fala como se nunca tivesse ficado distraída antes. — tentei me defender quando recuperei o fôlego.

— Isso não vem ao caso. O mais importante é: Você estava pensando em mim? — perguntou com entusiasmo.

— É bom ver que você continua com uns parafusos soltos. — falei fugindo de sua pergunta.

Ela foi a primeira pessoa que conversou comigo em um período de três anos. Eu odeio admitir, mas não era só a curiosidade que me fazia pensar nela. Ela acendeu uma luz perigosa em mim, uma que eu preferia não ter acendido.

— Esse barulho... — sussurrou de forma pensativa, da mesma forma que a Maria fazia.

— Que barulho? — perguntei confuso, pois eu não estava ouvindo nada.

— Tem um rio aqui por perto? — seu rosto brilhava de empolgação enquanto as palavras eram jogadas ao ar.

— Há um pequeno riacho ao norte, mas por que... — antes que eu terminasse de falar, ela segurou minha mão e saiu correndo, arrastando-me pelo caminho marrom-acinzentado.

Na quinta vez que ela tropeçou em uma raiz, o nosso inevitável destino lamacento chegou. Em um segundo eu já estava com o rosto mergulhado naquela mistura de terra e água, amaldiçoando o fato de eu ter deixado uma cega me guiar, e também por ter chovido na noite passada.

Ao começar a me levantar, percebi que a garota extremamente suja, ou seja, a Dayla, já estava se preparando para começar a correr.

— Sua roadrunner, para de correr!!!

— Hum?! Desculpa vovô, eu não sabia que você tinha um corpo tão frágil. Eu deveria ter pensado na sua saúde antes de ter te forçado a correr. — disse, tornando o clima ainda mais tenso.

— Tudo bem. Um moleque como você não é capaz de entender adultos como eu. — afirmei tentando provocá-la, mas, para minha surpresa, ela não teve nenhuma reação — Ei!!! Você é mesmo uma garota? Eu te chamei de moleque para te irritar e você nem liga. Eu achei que você era mimada.

— Você estava tentando me irritar? Sério? — questionou-me enquanto ria — Desde pequena eu sou chamada de moleque, então eu mesmo acabo me esquecendo que sou uma garota. E como pode ver... — apontou para o longo vestido azul safira cheio de lama — eu estou longe de ser mimada.

Sem perceber, eu acabei caindo na gargalhada, despertando uma expressão de surpresa no rosto da Dayla, que logo se desfez em outra gargalhada. Dois jovens, em meio a lama, rindo como crianças.

Depois que a Maria se foi, eu tinha me tornado incapaz de sorrir, mas em apenas dois dias a Dayla me fez, por um segundo, esquecer do mundo, esquecer meus pecados. Era como se eu a conhecesse a anos, mas se isso fosse verdade, eu saberia, naquele momento, que uma tempestade sempre sucede um dia calmo.

Pouco tempo depois nos levantamos e caminhamos em direção ao riacho, mas dessa vez eu é que estava a conduzindo.

— Ei, Dayla?!

— Fala.

— Por que você quer tanto ir para o riacho?

— É segredo! Você vai descobrir quando chegarmos lá.

"Um segredo em um riacho... poderia ser... Não! É melhor eu não pensar nisso. Falando em não pensar em algo... Por que eu estou de mãos dadas com a Dayla!? Dar as mãos é algo que só amigos e namorados deveriam fazer, então POR QUÊ??? Calma!!! Eu só estou a ajudando a caminhar." Naquele momento eu tinha deixado pensamentos bestas me dominarem.

— Que ridículo! — disse a Dayla, novamente me tirando dos devaneios — Uma pessoa da sua idade não pode mais pensar: "Ai meu Deus!!! Eu estou segurando a mão de uma garota!!!"

— Sinto muito. — falei, incapaz de retrucar. Como ela sabia o que eu estava pensando?

— Relaxa! — seu típico sorriso preencheu seu rosto — Aliás, é muito bom segurar a sua mão, ela é grande e quente, como a mão de um... — ela parou de falar repentinamente.

— De um... ? — incentivei a continuar.

— Olha só!!! Nós chegamos!!! — ela gritou com a provável intenção de mudar de assunto — Agora me ajude a procurar!

— Procurar o que?

— Uma flor com seis pétalas. — respondeu sorrindo.

— Ela... é parecida com um lírio? — perguntei assustado.

— Sim, o nome dela é açucena. Você a conhece?

— E como a conheço...

— Que bom! Assim fica mais fácil encontrá-la.

— Por quê?

— Laharl?

— POR QUÊ?!? POR QUÊ?!? POR QUE VOCÊ ESTÁ PROCURANDO A FLOR DELA?!? A FLOR NÃO É SUA!!! É DELA!!! POR QUÊ?!?

— Laharl, se acalme!!!

— POR QUE VOCÊ É TÃO PARECIDA COM ELA?! É CASTIGO?!? VOCÊ QUER ME CASTIGAR?!?ESTÁ COM RAIVA DE MIM?!? — senti braços envolvendo minha cintura — Por que você tirou ela de mim?!? Por que a Maria teve que morrer? — eu já não tinha forças para gritar.

— Eu não sei. Eu não sei. EU REALMENTE NÃO SEI!!! — A Dayla gritou com toda força que tinha, fazendo com que eu me acalmasse — Mesmo não sabendo eu continuo a seguir em frente. Por isso, pare de dar chilique!

Ao terminar de falar ela me soltou e começou a subir em um monte de pedras, ignorando os meus fracos avisos sobre aquilo ser perigoso.

— Laharl, eu resolvi! Eu vou cuidar de você, te tornar mais forte para que consiga superar a sua dor, pois só assim a Maria vai descansar em paz. Aposto que ela está roendo as unhas de preocupação.— afirmou com uma expressão decidida quando chegou ao topo do monte.

— O que você quer dizer com cuidar de mim?! Por quê? — perguntei boquiaberto.

— Por que isso, por que aquilo. Eu já estou cansada dos seus por quês — expôs emburrada — Porque sim. Porque eu estou sem nada para fazer. Você vai ser meu passatempo.

— Passatempo? — resmunguei fazendo ela rir.

De certa forma, quando eu estou com a Dayla, as coisas parecem se perder no tempo. Pouco tempo depois de ter gritado como um louco, eu estava conversando novamente, como se nada tivesse acontecido.

— QUE SORTE!!! Eu achei a açucena!!!! Como ela é cheirosa... — falou com calma — Espera, você vai ter outro treco?

— Ah, não. Desculpe-me por isso. — desculpei-me envergonhado.

— Então vem cá.

— Eu não vou aí! É perigoso! Falando nisso, é melhor você descer daí. — aconselhei.

— Então vai ficar sem cheirá-la! Eu não vou matar essa flor! Ela já sofre tanto por ter nascido no meio das pedras. — falou fazendo bico.

Um pensamento arrepiante passou pela minha cabeça. A sensação de já ter conhecido a Dayla, a forma que ela fala da Maria, sua aparência e aquela flor. Todas essas coisas...

— Ma... Maria, é você? — verbalizei aquele pensamento cruel, fazendo a Dayla ficar apreensiva.

— Laharl, você consegue me dizer qual é a cor dessa flor? — ela perguntou com um tom de voz sombrio. Eu nunca tinha visto a Dayla assim antes.

— O quê? Eu não estou conseguindo ver direito, mas acho que é branca. — respondi, mesmo não sabendo onde ela queria chegar.

— Você sabe que o branco costuma ser associado a coisas puras, não é?

— Sim.

— Mas sabe... tudo o que é puro, pode ser facilmente maculado. —falou enquanto amassava a flor com as mãos — Sinto muito, eu não sou a pessoa que você ama.

— Tudo bem. — eu disse ao perceber a tristeza em sua face.

— Bem... Clima pesado vá embora!!! — ordenou a ninguém, com um sorriso forçado no rosto — Agora eu posso descer daqui.

— Cuidado, tá?

— Tá! Só me segura! — seu sorriso travesso tinha retornado.

— Como assim te segu...

Antes que eu pudesse terminar de falar, ela pulou de onde estava, caindo de pé na minha frente, mas logo depois ela foi ao chão com uma expressão de dor, falando que eu era um grande idiota por não ter a segurado como nas histórias românticas.

Eu me abaixei e a peguei no colo, o que fez ela ficar com o rosto completamente vermelho. Se fosse em outra situação eu provavelmente ficaria atordoado com aquela expressão no rosto dela, mas, naquele momento, a minha preocupação foi maior que qualquer outra coisa, afinal "eu que fiz aquela garotinha se machucar".

Depois de sentá-la em um canto fresco, levantei um pouco sua saia e comecei a tirar a sua bota direita, pois ela aparentemente havia torcido seu pé.

— Não!!! Para!!! Eu estou bem, então não faça isso, por favor!!! — pude sentir o desespero em sua voz.

— Se acalma. Eu só estou te ajudando. — falei enquanto retirava os cadarços.

— Não faça isso!!! É sério!!! SOCORRO!!! ME AJUDEM!!! — gritou enquanto se debatia.

— Por que você está com tanto me... O que é isso? — Após retirar a sua bota, pude perceber a razão de tanto desespero.

A perna da Dayla estava coberta por diversas cicatrizes, sendo a maioria delas extremamente profundas, mas, além disso, havia uma marca roxa em seu tornozelo, uma cicatriz de quem passou muito tempo usando uma algema.

— Você realmente quer saber? — depois de uns segundos intermináveis de silêncio, ela perguntou friamente.

O que eu queria? Eu queria saber? Eu queria descobrir os segredos da Dayla? Eu queria me aproximar dela? Eu...

— Não. —respondi de forma quase inconsciente.

— Laharl, você é um covarde. — falou se levantando e, depois, se distanciou mancando.

Essa é a verdade. Eu era um covarde. Essa era a razão dos meus pecados, dos meus arrependimentos, das minhas dores. A minha covardia retirou de mim o que me era mais precioso.

As suas palavras, Dayla, fizeram-me lembrar algo que eu havia esquecido. Reviveram uma dor que nunca morreu.

Logo após perder a Dayla de vista, meus joelhos tocaram o chão, enquanto lágrimas preencheram o meu rosto, e numa tentativa desesperada de me livrar daquela dor, eu implorei por perdão, mesmo sabendo que aquela que eu mais prezava já não era capaz de dizer "eu te perdoo".

Notas finais
Olalá!!! Obrigado por lerem!!!!! Comentários são muito bem-vindos!!! Sejam felizes!!!! Beijosss!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.