Já não sei mais a quantos dias estamos aqui. Parei de contar na primeira alucinação de Amy. A infecção tem piorado, em sua perna há um buraco podre de carne, sua febre não abaixa, e seus corpo está sempre suado.

Nós tivemos que descer uns andares para procurar água, um colchão para colocar Amy, e pegar algumas coisas na enfermaria. Mas agora estamos todos de frente para a porta.

– Só mais um pouco, meu amor — eu sussurro no ouvido de Amy, enquanto limpo sua testa suada com um pano úmido — aguenta, só mais um pouco, nós vamos sair daqui.

Travor e Peter aparecem nas escadas com mantimentos e produtos da enfermaria.

– Não sobrou mais nada pra cuidar dela — Peter diz — só algumas bandagens.

Eu assinto, e fito o rosto de Amy.

Eu estava vendo Emily morrer pela segunda vez ? Isso não pode ser real!

– Sinto muito — Peter diz para mim.

Travor senta ao lado de Amy, e pega sua mão entre as dele. Agora ele quase nunca fala, está tão afetado pelo estado dela quanto eu.

Um barulho alto vem da porta, nós nos viramos e a porta, ela treme um pouco depois para. Peter se coloca ao meu lado, protegendo o corpo de Amy.

A porta se abre.

O clarão do sol faz com que meus olhos ardam um pouco, mas não fecho os olhos. Vejo homens entrando pela porta, eles estão todos de preto e apontando arma para nós. Peter, Travor e eu nos debruçamos sobre o corpo de Amy.

– Quem são vocês ? — diz uma voz masculina.

– Somos vítimas — Travor responde rapidamente — meu chamo Travor, e esses são Peter e Ethan... e ... Emily — Travor estava com receio de falar de Amy.

– Ethan ? Ethan O'Brian ? — pergunta a voz.

Pela primeira vez eu identifico de onde vem a voz. O homem usa a mesma roupa preta que os outros, tem cabelo e olhos castanhos, deve ter a minha idade. Assinto e ele sai pela porta.

– ... vai querer ver isso — ouço sua voz do lado de fora depois de uns segundos.

O homem volta para dentro com uma pessoa atrás. A pessoa sai de trás do homem e corre em minha direção.

Fico pasmo quando os braços de Berna me apertam num abraço apertado.

– Procurei você por toda parte! — ela diz .

– Berna... O que você ... ? — eu fico encarando-a.

– Depois.

Ela olha para Amy no colchão e seus olhos ficam marejados. Ela se vira para um dos homens com uma postura autoritária.

– Chame os paramédicos.

Ele assente sem olha em seu rosto, e sai andando. Minutos depois ele volta com dois paramédicos.

– Ethan ? — Peter pergunta meio confuso — O que está acontecendo ? Você a conhece ?

– Conheço, mas também estou tentando entender.

Travor conversa com Berna e eu ajudo os paramédicos. Nós colocamos Amy numa maca. Levamos a maca para fora e vejo os estragos feitos. Andamos pelos escombros do que era o hotel até uma ambulância.

– Peter ! — chamo antes de entrar na ambulância, ele olha em volta olhando pro que antes era o hotel, ele olha para mim — Fica de olho no Travor!

Ele assente.

Entro na ambulância. Fico de um lado da maca e os dois paramédicos do outro lado. Ele tiram as bandagens e parecem surpresos.

– Nossa! Isso está bem feio! — diz o mais novo deles.

Eu fico tenso, sei exatamente o quão ruim está.

Chegamos no hospital e eles correm com a maca. Corremos pelos corredores da área de emergência, mas o paramédico mais velho me segura e a maca passa para mão de vários enfermeiros.

– Você não pode passar daqui, filho.

Eu olho para o paramédico, ele tem cabelos grisalhos e é da minha altura, mas seu corpo está em bom estado, talvez por causa da profissão de exija um bom condicionamento físico.

Assinto.

...

Estou sentado no chão do corredor da emergência a uma hora. Ninguém apareceu para me dar noticias, eu apenas fito minhas mãos sujas.

– Senhor ? — diz uma voz feminina.

Levanto a cabeça e vejo umas enfermeira um pouco mais velha do que eu.

– A garota... não vai poder vê-la hoje.

– Vou ter pelo menos alguma notícia ? — minha voz parece cansada.

– Sinto muito, mas não.

Eu assinto.

Levanto do chão e vou embora. Saio do hospital, ando pelas ruas da cidade que eu conheço tão bem, rumo em direção a praia e pouco tempo depois estou lá, vendo o sol da tarde. As pessoas passam por mim e me encaram, mas eu não ligo. Agora rumo em direção ao meu apartamento.

Chegando no prédio, pego a chave reserva na portaria e vou em direção ao elevador. Ele para no ultimo andar e vou em direção a porta do meu apartamento. Abro a porta e ele ainda está inteiro, do jeito que eu deixei. Fecho a porta e ando em direção ao banheiro do quarto. Tiro as roupas sujas e entro embaixo do chuveiro, a água gelada bate em meus músculos tensos obrigando-os a relaxar. Olho o vidro do meu shampoo costumeiro ao lado shampoo que Amy usava.