Quando passei por aquela porta
5 Capítulo cinco - Cidade maravilhosa
Quando criança, sempre escutava dos meus amigos que o Rio era maravilhoso. Tive alguns amigos na vizinhança que eram extremamente ricos, mas até que eu gostava deles, ainda mais quando estavam viajando. Um dia me perguntei por que se eles podem, eu não? Meus pais sempre diziam – Quando você conseguir um emprego poderá ir – e eu ficava triste alguns minutos, depois já estava imaginando como seriam esses lugares lindos em que sonhava viajar.
Quem imaginaria que um dia eu estaria viajando para o Rio, nem eu mesma consigo acreditar ainda. Acordei cedo e fui direto para a praia, estava louca para ver o calçadão de Copacabana. Nykolas e eu estávamos hospedados em quartos diferentes. Não precisei exigir, ele me conhece extremamente bem, e às vezes fico assustada com isso. São poucas as vezes que me abro com ele, conto sobre os meus sentimentos e o que realmente aconteceu para eu ter me mudado, e o fato dele saber muita coisa, especialmente de mim, é novidade para mim.
***
Voltei para o hotel perto do horário de almoço, era um pouco difícil se acostumar com o fuso-horário, mas você não pensa muito nisso quando está viajando para um lugar maravilhoso com uma pessoa maravilhosa, que entende o seu espaço.
Quando entrei no meu quarto havia um bilhete e uma caixa de presente em cima da cama. Olhei em volta para ver se não era nenhum tipo de pegadinha. Por que alguém enviaria um presente para uma mulher que está em um hotel? Pensei. Então, abri o bilhete primeiro.
“Adorável Lauren
É com muito prazer que convido vossa senhoria para um delicioso jantar hoje à noite no terraço do hotel. Espero-lhe as vinte horas, vestida com a sua melhor roupa.
Nykolas”
Eu sabia que às vezes ele poderia ser muito cavalheiro, mas não a esse ponto. Larguei o esplêndido convite e quando abri a caixa, dei um pulo para trás. Não acreditei no que estava vendo, um belo vestido vermelho e longo, com tecido vermelho transparente da cintura para baixo e com um lindo trabalho na parte de cima. Nunca em minha vida havia vestido algo assim, de tamanha beleza. Resolvi por no corpo para ver como ficaria. Ficou perfeito, parece até que ele sabia exatamente o meu tamanho, mas ele sabe.
Desci para almoçar e não o vi, talvez já tivesse almoçado e estava turistando por aí. No quinto dia que estava no Rio eu havia riscado todos os pontos turísticos que eu gostaria de visitar e acabei por ficar presa no hotel. Esse jantar pudesse talvez melhorar os meus dias. Eu estava ansiosa, mas não nervosa, ainda bem, se estivesse seria capaz de fazer ou acontecer algo de errado, e não era disso que eu gostaria de me lembrar da viagem. Escureceu rápido e decidi me arrumar um pouco mais cedo. Não sou a melhor maquiadora, mas quando quero caprichar preciso de muito tempo e calma.
Cinco minutos antes da hora combinada eu estava saindo do meu quarto, não queria chegar cedo para parecer que eu esperava muito por aquilo, mas chegar atrasada seria muito desrespeitoso, principalmente com ele que sempre me tratou da melhor forma que pode.
***
Subi as escadas lentamente, queria apreciar o que estava a nossa volta. Estava lindo, todas aquelas luzes, a cidade, o som do mar. Ele estava magnífico, nunca o vira assim antes, ele me olhava do mesmo jeito que eu as vezes me pegava pensando nele. Talvez isso significasse algo para ele, mas para mim talvez não mais. Ele puxou a cadeira para que eu sentasse. A conversa estava boa, a comida muito melhor. Nykolas não parava de sorrir, com aqueles pares de dentes perfeitos, eu os invejava, e, por um momento me esqueci de tudo, de todos, me perdi naquele sorriso e nos lindos olhos que ele tem.
— Me concede a essa dança?
— Com prazer.
Dançamos por alguns minutos até ele cochichar em meu ouvido algo tão engraçado que não tive como não sorrir. Éramos muito próximos, eu adorava sua mãe, ele provavelmente era o homem dos sonhos de muitas mulheres. Eu via o jeito que elas olhavam para ele no escritório, ou, quando dizia que trabalhava com ele. Coloquei minha cabeça em seu ombro enquanto dançava, – De todas as coisas que fiz até agora no Rio, essa foi a melhor – disse para ele, e era verdade, apesar de não sentir mais aquilo em meu peito quando o conheci. Ele sorriu e agora estava olhando fixamente para os meus olhos. A última música estava acabando, e sem mesmo perceber a rápida aproximação dele, nos beijamos, foi longo e intenso. Interrompi, não gostaria, mas se estou decidida de algo, é que não posso iludir meu melhor amigo, nem a mim mesma.
Desci até meu quarto e coloquei um pijama, não conseguia parar de pensar no que acontecera, não sei por que continuo pensando nisso, não sinto nada comparado ao que sinto pelo Richard, quando o reencontrei, foi como se algo do passado tivesse voltado para que houvesse uma segunda chance para mim, e depois daquele momento no apartamento, eu tinha certeza de que a nossa história ainda não havia acabado.
Olhei para o despertador na cabeceira e já passava das onze horas. Como consegui ficar tanto tempo desligada do meu mundo? Dos meus pensamentos? Perguntei-me, ele me faz perder a noção de tempo, mas por quê? Eu não quero isso, quero ter a minha segunda chance com Richard, ele, ou melhor, eu, não posso estragar nada. Não estava nem um pouco com sono, decidi pegar o livro que havia trazido para ler, ele é cheio de crônicas, e só o pego quando estou necessitada de alguma palavra de conforto, e é realmente incrível como o livro consegue descrever o que passei em poucas palavras, parece que esteve ao meu lado o tempo todo. De repente acordo assustada, e o livro está em cima de mim, ouço batidas na porta, é Nykolas.
— Posso entrar? Preciso falar com você.
— Claro adorável Nykolas – brinquei.
O clima, felizmente, não ficou tenso entre nós, sabíamos que sempre teve algo a mais, porém ninguém estava disposto a arriscar a bela amizade que tínhamos, ou melhor, que temos. Ele sentou ao meu lado e provavelmente ainda estava pensando no que me dizer, – Eu realmente quero pedir desculpas por ontem a noite, achei que você sentia na mesma intensidade o que sinto por você. – disse quase sussurrando. Aquilo partiu meu coração, – Mas vamos deixar isso pra lá? Queria ajudar você a distribuir alguns cartões do nosso escritório aqui pelo Rio mesmo. – terminou. Por mais que tudo dê errado, ele sempre consegue contornar por cima, é uma das coisas em que admiro muito nele.
Fale com o autor