Quando passei por aquela porta

7 Capítulo sete - Lembranças


Eu não conseguia acreditar no que acontecera há poucos minutos atrás. Algo dentro de mim se acendeu novamente, o amor talvez? Eu diria esperança. Eu poderia ser um pouco mais difícil e essas coisas, mas ele me conhece, me jogo de cabeça, e, no entanto, não pensei duas vezes, assenti e ele me deu um abraço de urso.

Aquele abraço que você dá ou quando sente muita falta de alguém ou quando está o seu mundo em suas mãos, era isso que ele sempre me dizia quando tínhamos de viajar, mas não acompanhados.

Foi o melhor ano da minha vida, éramos melhores amigos, e todos nos perguntaram, principalmente no início, se estávamos namorando, e juntos respondíamos alegremente, com o sorriso de orelha a orelha “Sim!”. Víamos-nos seis vezes por semana, de segunda a sexta, e também aos domingos. Estávamos sempre rindo. Na escola éramos chamados de casal gargalhada, não ligávamos, até isso levávamos na brincadeira, acho que por isso não havia brigas, muito menos desentendimentos. Confiávamos um no outro como mais ninguém, e sim, éramos muito felizes, e agora poderemos viver tudo isso novamente, sermos mais uma vez muito felizes, até o último dia de nossas vidas.

***

Continuamos a organizar meu closet, algo que conquistara com a aquisição do apartamento, mas meu sonho sempre foi ter uma linda e imensa casa, Richard aproveitou para arrumar algumas lâmpadas que estavam queimadas.

Meia hora depois já havíamos terminado tudo, ele aproveitou então para gravar mais um gameplay, parei tudo que estava fazendo para assisti-lo, adorava o jeito que ele se divertia com isso, fazendo o que mais gosta, assim como eu. Claro que, eu estava feliz com tudo isso, mas não era apenas a arquitetura que me agradava, também havia a fotografia, mas não fotografias relacionadas a arquitetura, mas sim a natureza, paisagens, animais, ou até mesmo pessoas aleatórias, uma secreta e antiga paixão minha. Lembro-me de ser muito pequena quando meus pais compraram sua primeira máquina fotográfica, eu a pegava escondida, menos de minha mãe que já sabia, pois ela observava atentamente cada movimento meu no campo, e, cada uma das fotos tirada. Revelávamos e colocávamos nas paredes do meu quarto. O engraçado e muitas vezes intrigante, é que não havia foto minha com alguém, eram apenas de paisagens e animais, a não ser uma, mas que recordo vagamente. Não lembro-me de nenhum ou de ter amigos na infância.

— Lori? – era assim que ele me chamava – Está aí? – perguntou.

— Oi? Sinto muito – disse completamente perdida em minhas lembranças.

Eu estava, mas ao mesmo tempo não. É incrível como ele me faz sentir isso, e eu não gostaria que nada atrapalhasse esse momento.