Quando o amor esbarra em mim
2 Capítulo 2
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Alguns dias se passaram e nós ficamos realmente amigos, e depois do que aconteceu, eu não sabia que seria capaz de fazer uma amizade assim tão rapidamente, mas com ele foi algo diferente, eu simplesmente posso confiar, não conseguiria fazer algo que não isso, eu não consigo me manter nesse colégio sem ele, pois ele é o tipo de pessoa que eu sempre quis como amigo e nunca encontrei. Acho que eu não aguentaria essa dor sem ele. ~.~
Cap 2
Era como se o mundo brilhasse mais, tudo estava cheirando tão bem, eu estava num lindo pomar, inteirinho de framboesas frescas e bem maduras, o céu estava lindo, flores ao redor, e um vento tão delicioso que faziam meus cabelos negros na altura dos ombros voarem, até que eu começo a sentir uma coisa quente e acalentadora no meu rosto e ombros, e devagar todo aquele lugar vai se tornando uma fumaça cor de framboesa, era um sonho, adormeci na aula de física e a primeira coisa que vi foi o rosto de Naze, sorrindo, falando comigo e endireitando seus óculos, uma leve brisa dançou por nós e seus cabelos tomaram um novo rumo, balançavam delicadamente para frente de vez em quando cobrindo seus olhos que eram uma mistura de azul com hazel, nunca vi algo assim, suas mãos, uma no meu rosto e outra no meu ombro a me sacudir devagar, sua voz me fazendo querer adormecer novamente para voltar aquele mundo que era tão confortável, mas seu rosto me fazia querer ficar acordado, que menino é esse?
–Iker, não acredito! Você dormiu a aula toda! Você perdeu uma parte importante do assunto!
–Não consegui ficar acordado, física com um professor chato sempre dá sono! E também, até hoje, não existiu professor nenhum que me fizesse de fato entender essa maldita matéria!
–Haha, tenha calma, olha, eu anotei o que caiu na aula, e se você quiser eu te empresto para você copiar.
–Naze, você é tão legal, obrigado.
Naze, Naze, gentil que só ele! Poderia ele me ensinar física ? Ele parece ser inteligente e com alguém como ele eu posso até aprender. Mas eu preciso me acalmar, não faz nem mesmo uma semana que eu o conheço, e me analizando percebi que meu sonho foi totalmente construído nas coisas que mais me marcaram nele, mas nem tem perigo, acho que depois de tudo que eu passei, meu coração ficou bloqueado e não vou mais conseguir amar. Só não sei se isso é bom ou ruim.
A letra dele é uma coisa tão incrível, parece letra de computador, aquelas fontes cursivas, linda, me fez ficar meio envergonhado da minha, não é tão ruim, mas também não é tão bonita assim! Os quatro horários se passaram e era hora do lanche, eu resolvi tomar a frente e chamar ele para comer comigo, mas quando fui a seu encontro me deparo com um garoto segurando a gola de seu suéter e apertando sua mão tão forte que qualquer um saberia que estava doendo, a expressão de Naze era de dor e indiferença enquanto a do menino era de raiva e confusão.
–Largue ele agora seu filho da puta!
–Quem é você para me dizer o que fazer? Chamou seu novo namoradinho foi Naze?! É por isso que você não me quer? Por esse idiota aí?
–Não... Eu... É.... Me solta !
Aquele maldito levantou a mão grosseira do tamanho de minha cabeça e deu um tapa no rosto de Naze. Eu me revoltei, não quis saber de mais nada, corri em direção a ele e esmurrei sua barriga no lugar certo, e bati na cara dele com uma bandeja, sem dó ainda peguei a uma maçã e joguei no saco dele e para concluir dei um soco bem dado no meio do rosto daquele monstro maldito. Ele urrou de dor, e saia um fio de sangue de sua testa e nariz, sem pensar duas vezes peguei na mão de Naze e corremos para o terraço da escola, lá o abracei e chorando chequei seu rosto e a mão que aquele maldito estava apertando com tanta força.
–Como ele pôde apertar daquela forma mãos tão lindas e finas? Não acredito nisso, vou matar ele, é sério! Naze, meu Deus, você está bem?
Quando enfim reparei que ele estava chorando e tentando falar algo me calei, ele me olhava com vergonha, e triste, um olhar preocupado.
–I...Iker, sua mão! Seu dedo está... Está torto ! Me perdoe por favor, isso tudo é culpa minha, eu deveria saber como lidar com isso por favor me perdoe!
Naquele instante eu vi que não havia saído ileso, senti dor, mas nada foi mais forte que minha emoção pela preocupação de Naze. Eu o abraçei e disse:
–Não, não chore por isso! Não está doendo. Já passou, não precisa se desculpar, quem precisa pedir desculpas é aquele filho da puta. Agora você já está seguro comigo.
Não havia visto a força de minhas palavras naquele momento, foi algo tão espontâneo que eu fiquei atônito comigo mesmo. Ele retribuiu o abraço e em silêncio chorou, sentia suas lágrimas, o calor de sua pele e o bater forte de seu coração, tão forte — badum badum- ah como eu queria que fosse forte assim por mim. Mas o que eu estou pensando, nunca seria por mim, está batendo assim -badum badum badum- do medo que ele sentiu, ele nunca sentiria nada por mim, ninguém nunca vai sentir. E ficamos ali, abraçados, um se apoiando no outro, no silêncio e no vento que movia nossos cabelos, e que me trazia às narinas o cheiro de framboesa de sua boca, tão delicada e avermelhada, afinada em cima e mais preenchida em baixo, ele se afastou de mim por um momento e abriu os lábios devagar me mostrando seus dentes perfeitos, respirava arfante, ele tocou minhas mãos, se aproximou de meu rosto,dessa vez com óculos, entreabriu mais os lábios e por fim ... Hesitou. Respirou fundo e me agradeceu, disse que iria para casa mais cedo e que me ligaria. E então ele me deixou a sentir o cheiro de seu perfume em minha camisa pelo resto do dia. Naze.
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