Notas iniciais
Olá pessoal, eu sei que faz um tempo, mas, contudo, todavia, eu acho que consegui compensar vocês com o capítulo mais longo de toda a história! Espero que vocês amem como eu amei escrever. Detalhe e aviso, nesse capítulo eu resolvi explicar um pouco de como eu acho que a mente de pessoas que sofrem abuso, ou que quase sofrem, como a nossa Mione, ficam. Pode ter ficado um pouco louco, mas acho importante enfatizar essa negação deles. Beijão e espero que as festas de vocês tenham sido boas, a imagem do capítulo, se caso não abrir lá em baixo: http://www.comunidadeboasemente.com/system/imagems/10/ticker/Casal.jpg?1254541904.

P.D.V.H.S:

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Toda a razão, ciência ou magia havia me deixado, eu era agora apenas uma menininha perdida em meus próprios pesadelos. Meu corpo estava doendo e volta e meia eu conseguia sair da escuridão, mas ela sempre conseguia me tragar de novo. Era como um mar negro, vazio, sem nada em que eu pudesse me segurar, mas sempre com aquela sensação de que algo faltava, uma lembrança, uma parte da minha vida que eu tinha esquecido, ou melhor, que eu tinha me forçado a esquecer. Além da dor, do frio e da desesperança de que ninguém conseguiria me tirar daqui. Outra coisa veio, um calor morno envolveu meu corpo, mas antes mesmo que eu pudesse me concentrar nele, ele desapareceu, sendo substituído por um frio angustiante e depois do que pareceram séculos, eu consegui me acostumar a ele, ao frio que chegava a adormecer os meus músculos e minha consciência. Um pouco mais tarde aquele calor desconhecido voltou, mas novamente sumiu rápido demais para que eu pudesse pensar em identificá-lo.

Outro calor invadiu meu corpo, mas não era como o anterior, era um calor sem vida, como se fosse um objeto, um pano ou algo do tipo. Mas, quando eu menos esperava, algo macio e surpreendentemente mais quente tocou o que eu lembrava que eram as minhas mãos. Eu me agarrei aquilo que parecia a tábua de salvação para o nada que eu me obrigara a ficar. Segurei o mais forte que pude, e quando ele foi embora protestei. Não querendo ficar mais sozinha aqui no meio do nada que era a minha mente nesse momento, esse passado que eu tinha escolhido viver parecia tão longe de mim agora. Era como se eu tivesse parado em um lugar sem vida, um lugar escuro e frio, e aquele calor fosse a minha única salvação para o mundo que eu optara viver.

Um tremor e algo invadia esse nada que eu me encontrava. Algo que mesmo tão distante de mim ainda emitia um calor que me chamava, me impulsionava a seguir para fora daquela ausência de tudo que eu não conseguia ter de volta. Segui, me jogando contra aquilo de real que ainda existia no mundo irreal da minha mente. Algo humano que ainda me mantinha ciente do mundo que eu larguei, não lembrando nem o porquê. Era quente, macio, e, principalmente, real. Mas uma algo queria me tirar daquilo, daquele pedacinho de nada, a esperança de sair desse tormento vazio que eu criara. E me agarrei e lutei para ficar junto à aquilo. Em algum momento desse mundo que não se marca o tempo, o que queria me levar para longe do único calor que eu já tivera nesse lugar parou, e eu fiquei lá, abraçada naquele pequeno fio de esperança, e na paz, conforto e segurança que me invadiram. Era um sentimento de estar protegida, e pela primeira vez no que parece ser muito tempo, eu fechei os olhos e descansei, simplesmente sai do negro vazio que eu me condenara nem sabendo por que e, pela primeira vez, me sentindo cuidada.

O calor havia indo embora, mas também o frio, o vazio, a escuridão. Tudo aquilo que me prendia no nada desaparecera e naquele momento eu havia voltado para o meu mundo real. Sentia a cama embaixo de mim, o lençol sobre o meu corpo, um cheiro diferente e inebriante que me fascinava e ouvia uma voz que prometia algo: – Eu vou encontrar quem lhe fez isso. Uma voz que só podia ser resquício do pesadelo que eu tivera. Algo me pedia para acordar, minha própria consciência que nesse tempo todo me deixara em um mundo irreal, agora me dizia para voltar ao que precisava de mim.

Minha mente era um grande branco, eu não conseguia me lembrar de nada, incrível mente tudo que acontecera ,para mim ,era uma lacuna branca, um vazio que nada tinha. Quando tentei me lembrar do que havia acontecido uma forte dor machucou-me a cabeça. Não pude impedir um gemido de dor enquanto levava a mão ao lugar que doera.

–O que sente? — Perguntou uma voz que eu jurava conhecer e que eu jurava ainda ter um pouco de preocupação encoberta pelo tom frio. Com toda a certeza eu deveria estar louca,eu batera a cabeça foi isso, muito forte e ainda estou desnorteada, perdida em tudo que eu não lembrava, simplesmente isso.

Eu estava em um lugar estranho, talvez um quarto e não era o meu, disso eu tinha absoluta certeza. Eu não ouvia vozes o que claramente significava que era um quarto único e exclusivo. Tentei levantar rapidamente, mas meu corpo ainda não tinha se recuperado tanto quanto eu necessitava e eu voltei de encontro aos travesseiros. –Não deve levantar tão rápido. Você dormiu mal, não exija demais do seu corpo, ele ainda está fraco. – Aquela voz, eu reconheceria até no inferno se fosse necessário. O Riddle estava aqui. Mas por quê? Pensei preocupada, e mais:–Porque até o conselho dele parecia uma ordem?


Abri os olhos certa de que minha mente pregara-me uma peça me fazendo imaginar que o Riddle estava aqui onde quer que eu esteja.Eu pulei, e dessa vez meu corpo não me decepcionou. Vi aqueles familiares olhos azuis como o céu olhando-me irritados por não terem tido uma resposta, quando me perguntara se eu estava bem, mas até isso parecia distante, em um outro tempo. O susto fora tanto que eu já me encontrava sentada em uma cama que eu não sabia, mas desconfiava, de quem pertencia. Meu cérebro tinha dificuldade de registrar tudo que acontecia a minha volta, eu não estava mais deitada, mas era só isso que eu sabia. Agora eu sentada o mais longe possível de Tom Riddle me sentindo extremamente desnorteada e fraca, mas eu não sabia se a fraqueza era culpa do meu corpo, da minha cabeça ou da presença dele.

– Você está no meu quarto. — Explicou Riddle sem a mínima vontade de fazê-lo quando ele percebeu que eu não diria ou não conseguia dizer nada.

No quarto dele? Como assim, porque eu estava no quarto dele? Oh Merlin, o que acontecera. O medo, o desespero e a histeria competiam entre si para ver quem me dominava. Eu não me lembrava de absolutamente nada e aquilo me preocupava.

–Você foi atacada ontem a noite e eu a encontrei quando estava fazendo minha ronda. — Continuou quando percebeu que eu entrava em choque.

A noite começava a voltar em minha mente, diante de meus olhos, em lembranças que pareciam tão reais a ponto de serem palpáveis, a biblioteca, o jantar perdido, o tempo passando, o corredor escuro, os passos e tudo acontecia como se estivessem acelerando a fita de um vídeo, a voz, ele me agarrando, o medo, ameaças, correr e alguém me segurando. Eu queria que parasse, aquela sensação, a dor, o medo, segurei minha cabeça com os olhos fechados querendo que tudo sumisse, agora preferia muito mais o nada, o desconhecimento do que a verdade desesperadora. Balançando o corpo abraçada aos joelhos eu desejava que tudo fosse um sonho ruim que logo passaria.

Fortes braços me abraçaram e o choque me percorreu os ossos, não eram aqueles braços sujos que tentaram me machucar na noite, e sim um abraço quente que me protegia e me fazia sentir segura. Era ele, e por mais que parecesse impossível, era. De início não consegui corresponder, mas antes que ele se arrependesse, eu o abraçava também, quando meu cérebro enfim registrava tudo que acontecera, encaixando cada coisa em seu lugar como se fosse um quebra-cabeça. Eu o apertava ainda mais torcendo as mãos em sua camisa, e , pela primeira vez em muito tempo, eu chorei junto a um homem. Chorei tudo que eu precisava e ele em nenhum momento mostrara querer sair de meu aperto, em nenhum momento mostrara desconforto ou pior repulsa em estar aqui nessa situação comigo, ao contrário ele alisava meus cabelos na tentativa de me aclamar. Um tempo que pareceu uma eternidade e meus soluços se acalmaram, o que pareceu a chave para que ele se desvencilhasse de mim.

Virando as costas para mim não me deixando ver o céu de seus olhos, disse: — Vou buscar algo para que você possa comer, já se passou muito tempo e isso não te faz bem.- Terminou já saindo do quarto e me deixando aqui, mais uma vez, só.

Eu estava refeita do choque de acordar naquele quarto usando as roupas dele com o seu cheiro, algo forte e másculo. Olhava tudo ao redor, cada detalhe que podia revelar um pouco mais daquele que eu tinha que descobrir quem era de verdade.O quarto era grande, bem maior do que o normal para o quarto de Hogwarts comum, o que claramente explicitara que ele era o monitor dos Sonserinos. Ele era ricamente detalhado em verde e prata as cores da casa suja, preconceituosa e prepotente que Riddle se orgulhava, ou melhor, se orgulha em pertencer, afinal ele descobrirá, se não descobriu, que é descendente de Salazar Sonserina. Seus móveis eram poucos, mas finos e elegantes, eles condiziam com a personalidade superior que o Riddle sempre possuiu, ainda mais naquele no futuro odioso.

Levantei mais calmamente somente pelo fato de ainda me sentir fraca, minha mente rodava a procura de qualquer explicação plausível para aquilo tudo. Foquei ainda mais em seu quarto, não poderia negar, era um muito elegante e organizado, tirando apenas algumas peças no chão que pelo jeito foram tiradas a pouco tempo e não condiziam com o perfil do lugar.

Ele voltara pouco tempo depois e me encontrava em pé, andando pelo quarto e analisando suas coisas sob seu olhar atento parado a poucos metro de mim.Ele preferiu não interromper minha avaliação de seu quarto, de suas coisas, das coisas que poucas pessoas eram permitidas a ver, creio que o deixei curioso quando nada disse. Colocou a bandeja com o que parecia um café-da-manhã tardio em cima de uma mesa ao lado da cadeira que sentara e pegara uma maça para ele, pelo visto ele tinha comido tanto quanto eu. Indicou com a cabeça a mesma, mostrando que eu podia me servir também, um convite ou uma provocação, pois para pegar algo para comer eu tinha que chegar perto dele. O que eu evitaria até a morte nestas circunstâncias. Neguei, até porque eu não estava com fome e recebi foi um olhar reprovador dele, pois minutos atrás ele dissera para mim que era importante que eu comesse, um conselho vindo do Riddle, realmente as coisas eram estranhas, principalmente nesse tempo.

–O que pensas de mim, Scott?- Perguntou o moreno em um sotaque antigo que eu nunca percebera que ele tinha. Seus olhos incrivelmente azuis quase me faziam suspirar de tão lindos, e que com muita certeza me interrompiam a linha de pensamentos. Uma surpresa, porque eu nunca pensaria que ele se importava com a minha opinião, o que eu achava que nada mudava em sua vida.

Eu não sabia o que dizer, na verdade fui pega de surpresa sem imaginar tal pergunta e praguejei a Merlin porque me colocava nessas situações. — Você pode se tornar um grande bruxo Riddle, resta a você decidir se seguira à luz ou às trevas.- acabei respondendo mais do que deveria, porém era aquilo que tinha no coração há muito tempo. Tinha que alertá-lo, para que minha consciência fique pelo menos tranquila com o fato de que eu o avisei indiretamente sobre tudo e foi escolha dele viver tudo aquilo, e de mais ninguém. Eu sabia que não podia intervir assim dessa maneira abrupta no passado, mas eu já estava aqui mudando tudo mesmo. Só que contar abertamente o futuro de uma pessoa à ela, isso nem mesmo eu, embora vinda do futuro, podia. Era terminantemente contra as leis bruxas independente da época, considerado até um crime, pois muitos bruxos sabendo de seu futuro horrível, mataram-se antes de que o próprio destino o fizesse.

Alterar de qualquer forma o que já tinha acontecido era perigoso e todos sabiam disso, até mesmo Dumbledore, mesmo que nunca eu duvidasse dele, algo me dizia que eu nunca alcançaria o que ele esperava para tudo relacionado ao Riddle.Ele era perigoso, misterioso e completamente imprevisível. Ele era simplesmente Tom Riddle o futuro Lord das Trevas e ela estava ali com ele em seu quarto, provavelmente tinha ficado desmaiada a noite toda. O que teria acontecido quando desmaiei em seus braços? Pensei ainda mais preocupada do que antes.

Riddle pareceu adivinhar o que ela estava pensando ou aquilo estava estampado em minha cara. Já que ele respondeu o que eu não tinha nem ousado perguntar em voz alta, apenas em pensamentos mais profundos.

– Depois de ter sido atacada, você correu e acabou esbarrando em mim alguns corredores depois enquanto eu fazia minha ronda. Pouco tempo e algumas palavras não identificadas você desmaiou e eu te trouxe para cá. Até porque eu não poderia levá-la para seu dormitório, pelo simples fato de você não ser da minha casa, e a enfermaria estava longe demais. — Explicou o Riddle um pouco irritado por eu desconfiar abertamente dele, depois de tudo que tinha feito por mim.

Mas uma pergunta permanecia, porque ele tinha feito tudo aquilo por mim? Aquilo tudo me deixava confusa. O motivo dele estar fazendo tudo aquilo por mim me intrigava. Ele cuidara de mim, me mantivera segura quando alguém tentara machucar-me, logo ele, não qualquer pessoa, ele ,Tom Marvolo Riddle, Lord Voldemort tinha ajudado uma sangue-ruim, mesmo que ele não saiba que eu seja o que ele mais abomina, mas ainda sim era um milagre tudo que acontecera.

–Eu preciso ir.- Disse enquanto pulava da cama e percebia que suas roupas, ou melhor sua camisa ficava um vestido bem curto em mim, sem muitas opções puxei seu lençol para que me cobrisse. Seu olhar mostrava que o que tinha acontecido há pouco não o tinham tirado de sua calma de sempre, tinham deixado ele, sim, um pouco desconfortável por ter perdido sua frieza.

Riddle entrou em uma outra porta que eu nem repara que existia em seu quarto, não era a mesma pela qual ele saíra, possivelmente era o seu banheiro. Poucos segundos depois, ele voltara com algo nas mãos.

–Sua roupa. você ficou com febre e nenhum feitiço resolvia, tive que dar-lhe um banho por feitiço e um outro à maneira normal.- Sem que nem eu mesma tivesse controle do meu próprio corpo, eu corei imaginando como poderia ter sido seu banho. — Troquei-a por uma camisa, quando um banho por feitiço não ajudara, você estava passando mal e nada adiantara, nem mesmo os feitiços.

–Obrigada.- Não havia nada que eu dissesse que compensaria o que ele tinha feito por mim, muito menos um simples “obrigada”, mas ele fora de todo o meu coração.

–Pode se trocar no banheiro.- Ofereceu ele enquanto entregara a minha roupa, no processo sua mãe encostara na minha e eu jurava que uma pequena corrente elétrica passara por meu corpo. Fitando seu incríveis e belos olhos, não percebi nenhuma alteração de sua parte, provavelmente somente eu sentira.

Eu nem repara em seu banheiro, pois logo saíra e o encontrara ainda sentado na mesma cadeira de antes. E pela primeira vez que desde que eu acordara reparei nele. Seus olhos que antes eram tão claros, estavam agora azuis da cor de um céu quase anoitecido, claras olheiras surgiam na pele pálida, e seus cabelos que sempre eram milimetricamente perfeitos, encontrava-se incrivelmente bagunçados de um jeito muito mais que charmoso.

–Estou indo, porque as pessoas já devem estar a minha procura.- Disse olhando e agradeci mais uma vez sinceramente fitando seus olhos, a parte da procura claramente havia sido uma desculpa, pois o que eu mais queria era me ver longe dele e de todos os sentimentos confusos que ele despertava. — Muito obrigada mesmo, você não precisava fazer nada disso.

Ele respondeu com um aceno de cabeça e continuou em sua postura estática como uma pintura trouxa, já parecia que nunca mais se mexeria. Seu olhar estava perdido para além da janela, para a paisagem que a mesma belamente dava o deleite de mortais apreciarem. Sim, eram lindo os jardins de Hogwarts que a janela nos permitia ver. Como se fosse um consentimento silencioso para que eu fosse embora, virei-me para a porta e quando eu estava quase a abrir-la, ele segurou meu braço. Era como um felino, pronto para atacar sua presa, no seu bote final e a última coisa que faria, a única que eu pensei que ele não faria, seria beijar-me. Mas ele o fez, não era um simples beijo, era algo primitivo que envolvia ambos em um desejo que eu nunca pensara sentir e que não me deixara fazer, absolutamente, nada, muito menos negar algo que meu corpo pedia há tempos.

Notas finais
Espero mesmo que tenham gostado, e como eu já falei muito lá em cima vou resumir aqui, brigada por ainda estarem acompanhando, mesmo que demore uma eternidade, muito obrigada mesmo, e espero que digam o que acham, críticas boas ou ruins são sempre legais para que eu possa melhorar. Beijo e saudades de vocês!!!

P.s: Imagem modificada!!!