Quando o Amor não é o Suficiente
2 O Bar do Reed
Notas iniciais
2015, New York
O Bar do Reed é um dos poucos bares na cidade que ainda se ouvi os clássicos como Lou Reed, Pink Floyd, Joy Division, Deep Purple, Black Sabbath, The Smiths, The Cure, Alice in Chains dentre outras bandas e cantores. O bar era pintado de vermelho porque era a cor favorita do dono, ostentava fotos autografadas de famosos que já frequentaram o seu bar.
Um sujeito grandão careca de jaqueta de motoqueiro, óculos escuro, barba cumprida e grisalha foi até a maquina de música do bar. Era mais uma coisa que tornava o Bar do Reed especial dentre todos os outros da cidade, uma maquina de música clássica dos anos 60 bem no estilo De volta para o futuro. O homem escolheu a música e voltou para a sua mesa onde dois amigos o esperavam. No refrão de Cherry Bomb de The Runaways ele começou a cantar alto.
— Ei Reed, eu adoro essa música. – ele olhou para o balcão atrás dele e riu.
— Eu sei Frank. – respondeu o dono do bar sorrindo.
Do outro lado do bar uma mulher chamava a atenção ao jogar sinuca com quem parecia ser o irmão gêmeo de Frank. Uma pequena plateia se formava para observar ambos jogarem, mas a maioria vibrou quando a mulher conseguiu encaçapar a bola da vez, o que deixou o seu parceiro de jogo levemente irritado.
O sujeito mais estranho no bar usava terno e gravata. Ele parecia os advogados de defesa que alguns do bar já conheciam. Ele estava no balcão e observava a mulher ganhar o jogo enquanto bebia uma bebida destilada, o que já fugia do comum dos clientes do Reed que preferia cerveja.
— Kaley? Não cara. Seja o que estiver pensando desista, ela não vai aceitar. – disse Reed ao homem.
— Kaley? Obrigado por me dizer o nome dela, eu ia mesmo perguntar. – ele pegou a carteira dentro do bolso do casaco e tirou uma nota de cem e pôs no balcão. – Fica com o troco.
Ele foi até Kaley que estava com a mão estendida esperando Rufus pagar a aposta.
— Duzentos e vinte e cinco. – disse Rufus colocando na mão dela o dinheiro. – Você não sabe jogar.
— E você ainda não aprendeu a perder. – ela respondeu.
Ambos riram. Rufus voltou para a mesa dos amigos para beber. Kaley contou o dinheiro novamente e o colocou no bolso da calça jeans que usava. Ela usou um elástico amarelo que estava no pulso para prender o cabelo, mesmo assim uma mecha caiu para frente de seu rosto, mas ela a colocou atrás da orelha.
— Kaley.
Quando reconheceu a voz ela virou para trás lentamente. Era a confirmação de quem imaginava ser. Ela saiu do bar correndo, esbarrando-se nas pessoas, na rua derrubou uma senhora que passeava com o cachorro. Mas Kaley não conseguiu correr muito, ele foi atrás dela e a parou empurrando-a para um beco. Ele fechou a mão e socou o rosto dela. Kaley caiu no chão com o nariz sangrando.
— Olha o que você me fez fazer, Kaley. – ele tirou do bolso do casaco um lenço branco com as inicias gravadas B.R.A. – Vamos ver isso.
No chão húmido do beco ele se abaixou ao lado dela, puxou-a para ficar sentada e limpou o sangue do rosto dela.
— Eu não queria te machucar querida. Mas é sempre a mesma coisa Kaley, você tem sempre que estragar tudo.
— O que você quer Billy? – ela tomou de sua mão o lenço.
— Uma sociedade entre nos dois. Eu e você como nos velhos tempos, não se lembra, coelhinha? – ele riu enquanto tocava o rosto dela.
— Não toque mais em mim, e nunca mais me chame dessa forma. – ela levantou do chão sem ajuda dele.
Billy gargalhou como um maníaco, e era exatamente a definição que Kaley usava para defini-lo. De pé ele tirou do casaco um cigarro, sacou um isqueiro que tanto estimava e acendeu o cigarro.
— Você estava melhor no nosso último encontro. – ele falava com o cigarro entre os lábios enquanto tirava o casaco. – Vamos, vista isso. Vamos beber um pouco enquanto falamos sobre nossos negócios.
Ela não se negou a acompanha-lo. Vestiu o casaco e ambos voltaram ao bar do Reed. Pegaram uma mesa distante das outras, no fundo próximo a cozinha, onde ninguém que não quisesse se esconder sentaria. Ela bebia cerveja, ele uísque com duas pedras de gelo.
— É bom você começar a explicar porque precisou quebrar o meu nariz, e quanto tem na jogada. – Kaley voltou a pressionar o lenço no nariz.
— Muito, muito dinheiro. Para ser razoavelmente exato, são milhões em dinheiro, joias, outros bens, propriedades no país e no exterior.
— Vamos roubar ou sequestrar alguém? Eu estou fora dessa Billy, não posso me envolver em mais confusões.
O rosto dele ganhou uma nova expressão. Os músculos se contraíram forçadamente, ficaram mais pesados. Billy agarrou o pulso de Kaley com força.
— Confusão? Kaley, não se esqueça de que sou um advogado. Colocar uma vagabunda como você de trás das grades é moleza.
— Você não me mete medo, não mais. Tudo que tinha para fazer comigo você já fez. – ela puxou o braço.
Ele riu quando a garçonete trouxe outra dose de sua bebida.
— Obrigado, querida. – ele ergueu o copo e bebeu.
Kaley o viu piscar para a garçonete.
— Eu fui a Salt Lake City nesse último fim de semana. – ele esperou alguma reação dela. – Não quer saber o que eu fui fazer lá? Tudo bem, eu digo. Eu fui visitar uma amiga, eu não sei se você a conhece, você é de lá certo? Jane Mitz, ela é enfermeira de um sanatório.
— Saia de perto da minha família seu miserável. – ela tentou ir embora, mas ele disse as palavras magicas que a fez mudar de ideia.
— Eu conheci a Allison. É uma garotinha estranha como a mãe, mas eu gostei dela. – Billy riu baixinho enquanto Kaley voltou para a cadeira.
— O que eu preciso fazer?
Na maquina de música alguém colocou para tocar Highway To Hell da banda AC/DC. Billy gargalhou outra vez como um maníaco, sugeriu que aquele fosse um bom presságio para eles.
— Vou contar exatamente o que vamos fazer.
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