Quando não vier, vá até
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era o meu primeiro dia no terceiro ano do médio. Ia fazer 17 anos na semana seguinte e minha mãe estava planejando algum tipo de “festinha”. Já estudava na mesma escola há 7 anos então nem me enchi de esperanças que mudaria logo no último ano.
Meu pai parou o carro na frente da escola e eu desci. Ele me desejou boa aula e eu apenas sorri. Senti que esse ano ia ser diferente, que teriam coisas boas me aguardando, mas, enquanto esperava essas coisas acontecerem, segui até a minha sala. Como já imaginava, era a mesma do ano passado. Será que a escola nunca iria mudar? Escolhi a cadeira da frente da segunda fileira e fiquei esperando o resto dos alunos chegarem.
Tudo isso poderia ser diferente, eu poderia está em uma escola onde o primeiro dia de aula fosse uma festa, onde todos os alunos novatos fossem apresentados com certa cordialidade, mas eu não estava em outra escola, estava nessa pacata escola. Minha única felicidade era quando minhas amigas inseparáveis chegavam.
— Lucy! – Roberta vinha gritando com os braços abertos. Eu me levantei e lhe dei um abraço.
— Oi, Bertinha.
— Amiga como você tá linda! – comentou por outro lado Ana.
— Obrigada, você é que está.
Era sempre a mesma rotina todos os anos, comentar sobre as férias enquanto o professor não chegava. Até que ele chegou. E ele era muito bonito; não, bonito é pouco, ele era lindo! Cabelos pretos jogados para o lado e com um olhar penetrante de cor azul.
— Bom dia crianças – cumprimentou nosso professor, que pelo o que percebi era novato, ao entrar.
— Não somos crianças! – reclamou Fabiana lá do fundo. O professor apenas a observou.
— Bem, eu sou Victor, professor de biologia. Teremos aula apenas duas vezes por semana então me aproveitem bastante.
É claro que eu aproveitaria... A aula seguiu com umas novidades bobas, aliás, convênio era só uma chatice para mim. Mas o que eu queria ver realmente era o professor. Ele olhava cada aluna comum olhar sexy, parecia que nos pegava pelos olhos.
Ao fim das quatro primeiras aulas, com professores que me faziam dormir – com exceção do Victor –, tivemos o intervalo. Ana, Roberta e eu compramos qualquer coisa e nos sentamos-nos à mesa de sempre. A fofoca corria como sempre entre nós; falando dos outros alunos, dos monitores, dos professores... Mas um garoto que me olhava insistentemente me fez perder o foco da conversa. Se não me engano, ele era da nossa sala, era novato desse ano. Ele até que era bonitinho. Seus cabelos eram loiros e caiam até pelo pescoço e seus olhos possuíam uma cor como o mel que combinava com o branco de sua pele.
Já um pouco assustada com os olhos do tal garoto em cima de mim o tempo todo, resolvi dar uma passeadinha sozinha pela escola. Algo me dizia que ele estava me seguindo. Seria algum tipo de psicopata? Ou ele estava se apaixonando por mim? Não sabia. Apenas percebi que bati de frente com meu professor de biologia.
— Oi – ele disse com a voz firme.
Sorri.
— Oi, desculpe é que... – eu disse meio sem graça.
— Tudo bem.
Ele seguiu seu caminho, mas seu olhar se dirigiu a mim em certo momento e fiquei envergonhada. Em seguida notei que aquele outro garoto estranho não estava mais me seguindo... Salva pelo Victor. Isso foi perfeito.
Voltei para minhas amigas que perguntaram onde eu estava. Dei uma desculpa qualquer de que estava no banheiro. O intervalo terminou e retomamos para a sala. Sentei-me e, quando me virei, vi o tal garoto loirinho que estava me seguindo sentado ao meu lado. Será que ele estava lá desde o começo da aula? Por que não o percebi antes? Ah, tanto faz. Tivemos uma aula de português e por último, duas de matemática. Matemática era uma das poucas aulas que eu dava minha atenção completa, mas, mesmo assim, não conseguia compreender nada.
— Lucy – chamou o professor – Poderia responder qual é o número que digamos... É a base de um logaritmo se o Log. não apresentar base?
— O quê? – respondi.
— Ora, você não se lembra de uma simples matéria do primeiro ano?
Fiquei sem resposta. E sabia que o professor odiava ficar sem uma resposta, então por que ninguém me salvava logo? Seus olhos por trás dos óculos me encaravam sem parar até uma voz desviar sua atenção de mim.
— 10. – O professor se voltou para o menino do meu lado, o loirinho – A base é 10 se o comando não der nenhuma outra.
— Qual seu nome, menino?
— Paulo.
— Certo.
Salva pelo Paulo.
A aula acabou, mas nesse dia meu pai não poderia vir me buscar, então teria de voltar sozinha para o nosso condomínio. Saí da escola e voltei andando. Em certa parte do caminho, senti que estava sendo seguida. Tentei despistar o seguidor, mas parece que ele queria tomar o mesmo rumo que eu. Parei de caminhar já próximo ao meu prédio.
— Por que está me seguindo? – perguntei com a voz tremendi para ver se obtinha resposta.
— Desculpa. – o Paulo surgiu na minha frente – Não estava te seguindo.
— Não era o que parecia. Por que você me persegue? – insisti.
— Não estou me perseguindo. Só estou voltando para casa. – sua voz estava calma.
— Vai dizer que você mora ali? – perguntei apontando o meu condomínio.
— Sim, você também? – ele pareceu animado.
— Me esquece! – gritei irritada e continuei andando.
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