Quando nasce o amor

6 Prelúdio da paixão


Em poucos minutos, eles pararam em frente a bela casa de condomínio.

Lucas desceu primeiro e abriu a porta do carro para Melissa que tentou tirar Evelyn, mas como ela tinha dormido resolveu pedir ajuda.

— Acho que não consigo.

Ele se adiantou e pegou Evelyn no colo retirando-a de dentro do veículo. Enquanto a retirava do carro, notou o quanto ela era leve e pequena. Tanto que não precisou fazer muita força. O rosto dela era suave, apesar do cabelo está em desalinho.

— Fecha a porta do carro!

Ele entrou na casa levando Evelyn nos braços. Ela percebendo certa movimentação, abriu os olhos e o fitou por alguns segundos.

— Meu príncipe ... – A voz dela soou desconexa por causa da bebida, mas isso não impediu que Lucas ouvisse. Ele já tinha sido chalado de muitas coisas, mas de príncipe, apenas sua mãe lhe chamava. Por isso foi impossível não sorrir.

— Vamos Lucas, reponde... Você é o príncipe dela?

Lucas fitou a irmã que vinha logo atrás e ouvia tudo o que Evelyn tinha dito.

— Minha irmã, você está muito graciosa hoje!

Melissa riu do jeito contrariado dele.

Com aquela proximidade, Lucas notou coisas que ainda não tinha percebido, tal como, o cheiro do cabelo dela. Como eles podiam exalar um perfume tão bom? Nem a forte maquiagem conseguia ofuscar a beleza natural.

— Admirando a Evelyn?

A voz zombeteira de Melissa soou atrás dele. Lucas olhou assustado para a irmã que tinha os olhos fitos nele. Não tinha percebido, que ficou parado apenas olhando-a.

— Não diga besteiras!

Ele parou em frente ao quarto da irmã e ela abriu a porta. Lentamente, ele colocou Evelyn sobre a cama. Ela pareceu perceber o colchão macio e se moldou perfeitamente como se estivesse na sua casa. Aquilo não passou despercebido aos olhos dele, que riu cínico.

— Olha como ela fica à vontade!

— Irmãozinho não se aborreça com isso.

Ele fitou a irmã e apenas sussurrou:

— Amanhã nós conversamos. Boa noite!

***

Evelyn acordou com o som dos pássaros, que cantavam próximo a sua janela. Ao abrir os olhos, percebeu a forte claridade do sol que entrava no quarto. Rapidamente ela fechou os olhos. Mas naquele momento, Melissa entrou no quarto e abriu todas as cortinas.

— Bom dia dorminhoca!

Evelyn olhou assusta e percebendo que não estava em sua casa.

— Onde eu estou?

— Pelo jeito você não lembra de nada, não é amiga?

Melissa abriu a cortina e a luminosidade revelava que já eram mais de nove horas.

— Que horas são?

—Passou da hora do café, eu garanto.

Evelyn levantou e percebeu que vestia a mesma roupa da noite anterior. Então recordou que havia saído com Nicolas e eles haviam exagerado na bebida.

— O que aconteceu?

— Você mandou mensagem pedindo para eu te socorrer. Eu pedi ajuda para o Lucas e nós fomos te buscar.

— O Lucas?

— Ele ficou uma fera!

Ela já até imaginava.

— Agora vai lavar essa cara! Eu te espero para o café.

Evelyn demorou um pouco enquanto tomava uma ducha. Naqueles breves minutos, vagas lembranças vieram a sua memória. Recordou que alguém tinha lhe carregado no colo, mas não conseguia lembrar seu rosto. Recordava apenas da tonalidade clara de seu cabelo.

Encontrou com Melissa que a aguardava na sala. Ella não estava sozinha, Lucas também estava lá, mas tinha a atenção ao jornal que lia. Percebendo sua aproximação ele largou o jornal e a encarou.

— Bom dia – disse Lucas com um sorriso amável.

Evelyn estranhou aquela gentileza, pois não estava acostumada com aquela amabilidade.

— Olá.

— Vejo que você está melhor.

Lucas se referia a aparência dela. Evelyn parecia muito mais bonita, sem toda aquela quantidade de maquiagem que sempre usava. Olhando-a, era possível perceber o quanto ela era jovem. Tinha uma aparência de menina.

— Outra vez olhando como um bobo para minha amiga.

A voz de Melissa cortou o silêncio e Lucas ignorou seu comentário.

— Amiga, meu irmão ficou fascinado por você.

— Melissa!

Ela ignorou e virou para Evelyn, que estava sentada ao seu lado.

— Mas não foi apenas ele.

Evelyn não entendia aquele comentário, por isso indagou à amiga:

— O que você está dizendo Melissa?

— Ontem à noite, você estava muito à vontade nos braços do meu irmão...

—Oh céus! – A voz dela soou mais alto do que planejava – Perdão se causei algum incomodo... – Evelyn se dirigia à Lucas que não escondia a satisfação ao vê-la envergonhada.

Melissa ria brincalhona. Estava muito à vontade, vendo o rosto enrubescido da amiga e o jeito contrariado de Lucas.

— Não se preocupe com isso... Acho que meu irmão até gostou em ser chamado de "príncipe".

Lucas que assistia a cena não se conteve e começou a rir. Não fazia ideia de como aquela situação ridícula, tinha se tornado algo engraçado. Pela primeira vez eles pareciam bem à vontade.

— Eu nunca fui chamado de "príncipe" por uma garota, acho que até gostei.

Melissa caiu na gargalhada e Lucas a acompanhou.

Céus! Queria um buraco para se enterrar!

Apesar da situação constrangedora, gostou do modo aconchegante em que eles estavam ali naquela manhã. Não tinha momentos como aquele quando estava com sua madrasta. Gostaria de poder desfrutar mais daquilo.

— Senhor Lucas.

— Oi Vanda.

—A senhora Nádia acabou de chegar.

— Mande-a entrar!

Nádia entrou na sala e foi em direção ao namorado. Ela o beijou nos lábios dizendo "bom dia", logo em seguida, fitou a ambas que estavam sentadas à mesa.

— Olá Melissa.

— Oi Nádia.

O dia estava tão bom! Pensou Evelyn, enquanto via aquela "coisa sem sal" abraçar Lucas. A voz dela era tão irritante! Não conseguia entender o que ele tinha visto nela. Tudo bem, ela era bonita e tinha classe, mas em relação ao resto... Tinha certeza que era uma patricinha mimada

— Bom dia para você também ... – disse Evelyn percebendo que, havia sido ignorada por Nádia. Em resposta recebeu apenas um sorriso amarelo.

—Querido, você ainda não está pronto?

Ele olhou o relógio de pulso e levantou da mesa.

— Vou pegar minha jaqueta. Já volto!

Evelyn fitou a bela loira parada do lado de Melissa. A aparência dela era de tédio e por vezes ela a fitava de um jeito!

"Esnobe!" Pensou Evelyn, tentando ocultar as emoções que aquele pensamento lhe causava.

Minutos depois Lucas apareceu na sala. Evelyn podia jurar que nunca o tinha visto tão lindo! Como alguém podia ficar tão belo, numa simples jaqueta de couro marrom? Ele parecia tão alto e másculo. Seu cabelo era cacheado como o de Melissa, mas em tom castanho. Sua boca era tão perfeita. Perfeita para ser beijada.

"Louca! Eu estou mesmo olhando para a boca do Lucas?"

Lucas acenou chamado a irmã. Ele disse algumas palavras em particular e logo depois saiu.

— Já pode parar de babar – comentou Melissa reparando que Evelyn não afastou o olhar de Lucas.

— Não entendi.

—Você tem uma quedinha pelo Lucas!

— Está louca?

— Já ouviu falar que bêbados não mentem?

— Só no seu mundo!

Melissa riu enquanto colocava seu café da manhã.

— Amiga, não tenho tempo para bobagens ... Vai me dizer o que aconteceu ontem à noite?

—Se você insiste ...

Melissa começou a relatar a situação, desde o momento em que ela a encontrou na discoteca. Falou sobre a discussão com Nicolas, pois ele tinha se excedido.

— Desgraçado!

— Você também provocou ele...

— Era apenas uma brincadeira! Não era para ele se aproveitar da situação! Vou colocar o Nick no lugar dele!

Melissa continuou relatando a situação... Relatou que Lucas a tinha carregado até o quarto.

— Ia esquecendo! Você abraçou meu irmão e perguntou, se ele era um príncipe... Posso dizer que você quase o beijou.

—Maldosa!

Evelyn não conseguia se imaginar fazendo aquilo, mas sabia que tinha feito e sentia vergonha.

—Sabe amiga, vendo você ontem eu até pensei que, vocês dariam um belo casal.

Evelyn não poderia ter ouvido maior absurdo!

— Não sei de onde você tirou essa ideia! Eu e teu irmão somos como agua e óleo ... Somos de mundos muito diferentes! – Evelyn levantou da mesa e disse: – Agora deixemos essa bobagem porque eu tenho que ir.

Ela beijou o rosto da amiga.

—A gente se fala!

—Pensa no que falei.

—Louca!

Quando Evelyn saiu no portão parou por um segundo e olhou para traz. Ficou olhando para todo aquele luxo e desejou ter um pouco daquilo. Sua realidade era bem diferente! Quando chegasse em casa, certamente teria que enfrentar sua madrasta. Não tinha tempo para lamentos! Precisava chegar logo em casa, pois tinha mais um dia longo pela frente.

***

Quando Lucas saiu de casa naquele domingo, ele tinha em mente apenas relaxar ao lado de Nádia. Esse era o seu objetivo naquele dia. Mas tudo o que tinha conseguido era aborrecimento! Desde o momento em que chegaram, Nádia não parava de reclamar da cidade. Que era pequena e feia. O que na realidade, não era!

Lucas tinha nascido em Petrópolis e sempre que podia, tirava algum momento para descansar de toda a loucura da cidade grande.

— Nós vamos mesmo ficar nessa pousada? – O modo como Nádia falou demonstrava seu desprezo pelo local.

Essa atitude causou aborrecimento em Lucas.

— Qual o problema Nádia? Desde o momento que chagamos aqui você está reclamando. Você sabia como era a cidade quando eu falei que veríamos para cá!

Ela jogou a bolsa sobre a cama e caminhou em direção a janela. Com raiva virou para Lucas e com a voz embargada de choro falou: – Estou aborrecida!

— Porque?

— Não gostei de ver aquela garota com vocês...

Então aquele era o motivo de toda aquela irritação? Lucas realmente não conseguia entender as mulheres! Ele riu e se aproximou de Nádia.

— Você ficou com ciúme da Evelyn?

— Ciúme não! Eu sei que você não olharia para aquela garota. Mas não gostei do modo como ela estava à vontade com vocês. Quantas vezes, você me convidou para o café da manhã com vocês?

Lucas reconhecia que não fazia isso com frequência. Um dos motivos, era que Melissa não gostava de Nádia. Muitas vezes sua irmã deixou isso bem claro!

— O que aconteceu foi uma fatalidade. Ontem à noite precisamos ajuda-la, mas ela não é minha amiga. Apenas a tratei com cortesia.

— Então porque ela estava te chamando de "príncipe"?

Lucas ficou surpreso ao saber que ela tinha ouvido aquela conversa.

— Então você realmente ficou com ciúme por causa dessa bobagem? Eu jamais olharia para a amiga da Melissa! Afinal, eu tenho a mulher mais linda na minha frente.

Ele se aproximou e beijou a noiva nos lábios, demonstrando que não tinha olhos para outra pessoa.

— Agora vamos desfazer essa mala. Eu quero mostrar algumas coisas para você.

Notas finais
Ola leitores. Gostaria de conhecer a opinião de vocês. Estão gostando da historia?