Quando nasce o amor

11 Depois daquela noite.


Pelo espelho, Evelyn olhava para Lucas sem que ele a notasse. Pensou no porque dele estar ali naquela noite. Não importava agora! A única coisa que sabia, é que tudo tinha acabado bem. Ela fechou os olhos e foi tomada pelo sono.

Lucas vez o outra olhava para a jovem sentada no banco do carro. Evelyn parecia tão cansada e abatida. Quando ele estacionou o veículo na garagem percebeu que ela ainda dormia e não quis lhe acordar.

—Traz as coisas dela!

Melissa ficou de longe olhando o momento em que o irmão tirou Evelyn do carro. Ela estava tão cansada, que não percebeu nada do que acontecia. Mas quando chegaram ao topo da escada, ela abriu os olhos e ficou assustada.

— Calma Evelyn, sou eu!

— Eu posso subir sozinha.

— Eu tenho certeza que pode, mas não hoje!

Evelyn era muito independente, mas naquele momento estava muito cansada. Ela apoiou a cabeça no colo dele e descansou nos braços de Lucas.

— Boa menina! – Apesar do comentário brincalhão, Lucas parecia sério e preocupado com ela. Evelyn olhou para ele e perguntou:

— Por que você foi lá?

— Acho que te devia uma desculpa, por ter sido um grosso com você.

— Obrigada...

— Eu também fiquei preocupado quando soube, que você saiu de casa.

— Fico feliz por você ter estado lá.

Ele também. Sentia alivio, por ter chegado antes, que algo pior acontecesse.

Quando entraram no quarto, Lucas lentamente a ajudou a sentar na cama. Ele parou em frente a Evelyn e fitou sua face avermelhada.

— Vou procurar algum medicamento para passar no seu rosto.

Quando ele se virou para ir, Evelyn segurou a mão dele impedindo-o de sair.

— Obrigada... – disse ela num sussurro.

Lucas segurou a mão de Evelyn e a apertou entre as suas. Em seguida, abaixou e disse fitando-a nos olhos:

— Já percebeu que essa é a quarta vez que você me agradece?

Ela não havia notado isso. Talvez por causa da adrenalina, suas emoções tinham ido a pico. Quando ela pensou em dizer “desculpa” sentiu seus lábios serem tocados pelos dele. Foi um beijo suave e gentil. Apesar da surpresa, ela retribuiu ao gesto de carinho.

— Eu vou buscar o remédio. – disse ele depois do beijo. Em seguida ele saiu do quarto.

***

Lucas encontrou com a irmã que subia levando alguns alimentos para a amiga.

—E a Evelyn? – Melissa perguntou.

—Ela está repousando. Eu fui buscar isso – ele mostrou a maleta de medicamentos – Mas acho melhor você ajudar ela.

Melissa pegou o remédio e a bandeja com os alimentos.

—Lucas, obrigada pelo que você fez a Evelyn. Eu fiquei muito feliz!

Ele apenas assentiu e foi para o seu quarto.

Quando Melissa entrou no quarto, Evelyn estava saindo do banheiro enrolada ao roupão.

— Aqui a pomada para passar no machucado.

— Obrigada

Evelyn pegou a pomada e logo em seguida aplicou no ferimento.

— Você deve agradecer ao Lucas. Ele estava muito preocupado contigo.

Ela percebeu o tom dubio na voz de Melissa e por isso sorriu.

— Não veja coisa onde não existe!

— Eu não estou dizendo nada... Bem, vou deixar você descansar. Amanhã conversamos melhor. E vê se come!!

Melissa indicou o preto de comida e logo saiu do quarto.

Evelyn demorou a dormir naquela noite. A adrenalina e o cansaço não foram uma boa combinação. Durante longas horas, ela se viu pensando no modo carinhoso em que Lucas a tratou. Estava apaixonada e queria poder viver aquele sentimento, mas sabia que ele era proibido para ela... Depois de muito revirar na cama, o sono finalmente veio e ela pôde descansar.

Na manhã seguinte, Evelyn acordou cedo e desceu para o café. Encontrou apenas Melissa que praticamente corria tomando o café rápido.

— Bom dia.

— Oh amiga. Bom dia! Como você dormiu?

— Eu consegui descansar um pouco depois de virar a noite quase toda.

—Que bom!

Evelyn viu como Melissa comia rápido e comentou:

— Desse jeito vai se engasgar.

Melissa riu com a boca cheia.

— Sinto muito, não vou poder ficar com você hoje ... Meu dia vai começar cedo. Mas ainda vamos conversar. Prometo que vou chegar cedo!

— Combinado!

Melissa pegou a jaqueta e a bolsa e deu um beijo no rosto da amiga.

— Até mais tarde.

— Até mais!

Evelyn pensou que estivesse sozinha, mas para sua surpresa, Lucas entrou na sala para tomar o café da manhã.

— Olá, que bom ver você de pé!

O sorriso dele foi lindo! Pensou ela enquanto viu que ele vinha em sua direção. Lucas beijou rosto de Evelyn e por uns segundos ficou olhando-a. Ele mantinha o olhar atento ao roxeado em seu rosto.

— Dói? – Perguntou ele, enquanto tocava no rosto de Evelyn. Ele a tocava delicadamente, como se pudesse remover aquele machucado.

— Não.

— Eu queria que você não tivesse vivido isso.

A voz dele era suave e preocupada. Por alguns segundos, Evelyn sentiu-se perdida diante aqueles olhos, que a fitavam de maneira tão intensa. Porque ela fazia aquilo? Será que não estava evidente o quanto aquilo estava mexendo com ela.

Quando ele tentou tocar em seu rosto mais uma vez Evelyn desviou e disse:

—Não!

Lucas parecia estar inerte em seus próprios sentimentos.

—Desculpe...

—Por que Lucas? Porque você está sendo tão atencioso comigo ... Eu não entendo!

Nem ele! Lucas ainda se perguntava, porque sentia vontade de mantê-la em seus braços? Porque aquela noite perecia ter despertado nele, sentimentos ainda desconhecidos?

— Acho que a noite passada mexeu conosco mais do que pensamos!

— Não foi apenas ontem!

Evelyn tomou coragem, sem saber de onde e começou a falar.

— Aquele dia ... Na festa de aniversário... Ali aconteceu algo e você sabe bem!

Sim! Naquela noite em que eles haviam se beijado havia acontecido algo.

— Você está certa Evelyn! Eu senti uma grande atração por você ... Eu não sei explicar como, mas senti uma enorme vontade de te beijar. Você estava tão linda ...

Enquanto ele falava, ela ouvia cada palavra de maneira atenta.

— Mas atração é diferente de amor... Cabe a nós colocar um fim nisso, afinal eu tenho a Nádia e nós vamos nos casar.

— Eu não esqueci disso em nenhum momento, mas parece que você sim... – Ela levantou da mesa. – Desculpe, eu vou para o meu quarto...

Antes de chegar ao quarto, Evelyn sentiu as lágrimas começarem a cair.

Era uma boba! Como podia pensar que ele também estivesse apaixonado? Por um momento desejou que isso fosse verdade, mas estava bem longe de existir esses sentimentos! Como ele mesmo havia dito. Atração era diferente de amor!

***

Evelyn estava sentada numa das espreguiçadeiras à beira da piscina. Estava tão distraída, e percebeu o momento em que Nicolas chegou. Ela ficou assustada, quando ele tapou seus olhos por traz.

—Quem é?

Houve silêncio.

— Se você não disser como vou ...

Antes que ela terminasse de falar, sentiu seus lábios serem tocados. Evelyn ficou assustada, mas logo reconheceu que era Nicolas.

— Você?

Ele riu e sentou ao lado dela.

— Esperava outra pessoa?

— Não. Mas não imaginei que fosse você.

— Esqueceu que tinha mandado uma mensagem?

Sim, ela tinha esquecido completamente.

— Aconteceu tanta coisa Nicolas ... Eu sai de casa. Estou ficando aqui por alguns dias, até resolver minha situação.

— Eu fiquei sabendo pela Melissa. Queria que você tivesse compartilhado comigo. Afinal, nós estamos juntos ...Ou não?

— Desculpa Nick, a culpa é minha.

Ele segurou na mão de Evelyn e sentiu a tensão nela.

— Porque você está assim?

Evelyn fechou os olhos. Não sabia como colocar um fim naquela relação. Não deveria ter começado isso, sabendo que não tinha os mesmos sentimentos que Nicolas.

— Nicolas, acho que nós devemos parar com isso.

O olhar dele era confuso e um pouco inconformado.

— Eu não entendo porque.

— Eu deveria ter sido sincera com você desde o começo.

Ele começava a compreender o que estava acontecendo.

— Você está gostando de alguém?

Evelyn assentiu confirmando as suspeitas dele. Nicolas levantou da espreguiçadeira e caminhou até a beira da piscina. Ela também levantou e parou próximo a ele.

—Desculpa...

—Eu não estou com raiva Evelyn ... Um pouco inconformado apenas.

—Você foi uma pessoa muito legal comigo...

—Mas não o suficiente para você me amar.

Aquelas palavras fizeram com ela sentisse culpa. Evelyn tocou de leve na mão dele e Nícolas segurou firme em sua mão. Depois ele a abraçou e permaneceram assim durante algum tempo.

— Eu gosto muito de você Evelyn..., mas não quero te forçar a nada.

Nícolas se afastou e segurou o rosto dela entre as mãos. Em seguida beijou-a de maneira suave. Quando ele se afastou, Evelyn pôde notar que não estavam sozinhos. Do outro lado estavam Lucas e Nádia que os observavam. Sem dizer nada eles entraram na casa, mas a cena não passou despercebida à Nick, que comentou:

— É ele?

A pergunta dele assustou Evelyn.

—O que tem o Lucas?

— É dele que você gosta?

Ela riu nervosa.

— Não sei porque você diz isso!

— Porque me pareceu óbvio! Aliás, eu notei já faz tempo. Desde o dia em que vi vocês se beijando aqui no jardim.

Ela olhou assustada para Lucas.

— Você viu?

— Sim. E não foi apenas eu que vi. A Nádia também viu vocês.

"Então Nádia tinha mentido!" Naquele momento muitas coisas ficavam claras à Evelyn!

— Eu não sei como aconteceu Nick, mas eu me apaixonei pelo Lucas. Mas ele não sente o mesmo.

— O Lucas nunca foi o tipo aventureiro ... Ele não trairia a noiva por algo passageiro.

Aquelas palavras ficaram ecoando na mente dela.

— Eu vou indo... Se precisar de um amigo saiba que estou aqui.

Evelyn abraçou Nícolas demonstrando seu carinho. Ele deixou-se ser abraçado, logo depois ele a beijou na testa e se afastou indo em direção a saída da casa. Por alguns segundos, ela permaneceu olhando para onde ele tinha saído. Ficou pensando nos momentos divertidos ao lado dele. Nícolas certamente era uma pessoa que merecia ser amada!

Quando ela olhou para a casa, lembrou que lá dentro estavam Nádia e Lucas. Não queria vê-los! Mas não poderia ficar do lado de fora. Evelyn entrou pela área lateral, percebeu que não havia ninguém. Agradeceu! Mas quando estava caminhando em direção a escada, ouviu a voz de Nádia soar atrás dela.

— Eu subestimei você!

Evelyn parou e fitou a mulher, que estava parada olhando-a com um sorriso cínico nos lábios.

— Oi Nádia.

Nádia caminhou até onde Evelyn estava parada.

— Você é esperta demais!

— Não sei sobre o que você está falando.

— Não te faz de desentendida! Aproveitou toda essa situação para se aproximar do Lucas.

—Você está enganada! Mas eu não te devo explicação nenhuma... De licença!

Evelyn caminhou em direção a escada, mas Nádia segurou no seu braço impedindo-a de continuar.

— Acho melhor você não se fazer de engraçadinha para cima do meu noivo!

— Porque? Tem medo dele gostar de mim?

– Ele nunca faria isso!

— Não tenho tanta certeza! Principalmente quando ele descobrir sobre as tuas mentiras!

— O que?

Evelyn riu em deboche quando viu a cara de pânico de Nádia.

— Você mentiu quando falou que o Lucas contou para você sobre o beijo!

—Mas ele disse!

—Mentira! Eu já sei de tudo! Além disso, você ainda criou toda aquela cena na lanchonete. E por tua culpa, eu fui demitida!

Nádia resolveu que não tinha porque continuar se ocultando. Ela partiu demonstrando sua verdadeira face.

— Isso é pouco!

— Eu não tenho medo Nádia!

— Pois deveria ter! Você não sabe, o que eu sou capaz para defender o que é meu!

— Isso só demonstra o quando você é insegura!

— O Lucas é meu! E nenhuma vagabunda vai tirar ele de mim!

Evelyn ficou furiosa quando ouviu ela falar aquilo. Tomada pela emoção, deu um tapa no rosto de Nádia. Há tempos tinha vontade de fazer aquilo. Finalmente criou coragens.

— Não me chame de vagabunda!

—Vagabunda!

E outra vez Evelyn deu um tapa no rosto dela. Dessa vez, Nádia não deixou por menos e a agrediu. Logo em seguida, o que se viu foi uma briga generalizada.

Melissa, que chegava em casa naquele momento, viu toda aquela cena. Ela tentou separar as duas, mas viu que seria difícil, então gritou por ajuda:

— Lucas!

Lucas, que estava no andar de cima, veio ao encontro da irmã. Quando ela viu o que se passava correu para separar Nádia e Evelyn.

— Sua louca, solta ela! – gritou Melissa puxando Nádia, enquanto que Lucas se colocou entre as duas.

— Que cena ridícula é essa?

— Essa louca me agrediu!

Lucas olhou furioso para Evelyn que também contra atacou:

— Bati e faria novamente! Você não tem o direito de me chamar de vagabunda!

— Afinal, o que está acontecendo? – A voz de Lucas era severa e trazia tensão ao ambiente.

— Pergunte a Nádia! Talvez ela invente outra mentira como já inventou tantas.

A loira ficou vermelha de raiva. Tentou ir novamente em direção a Evelyn, mas Lucas se adiantou.

— Não entendo ...

— Você não vê que ela está mentindo! –disse Nádia querendo desviar o assunto, mas Evelyn não deixaria passar dessa vez.

— Mentindo? Não tenho esse seu habito! Conte para o Lucas que você inventou tudo o que aconteceu na pizzaria! Conte para ele, que você tem ódio de mim porque nos viu juntos no dia do aniversário dele! Conte para ele que você mentiu!

Lucas ficou surpreso ao ouvir aquelas coisas que eram ditas por Evelyn. Não fazia ideia , que Nádia tinha inventado aquela cena na pizzaria.

— Do que a Evelyn está falando?

O medo no rosto de Nádia, era evidente. As acusações eram sérias! Ela não tinha como ela se defender. A solução encontrada foi a fuga.

—Não tenho porque ficar aqui ouvindo essas falsas acusações!

Nádia desvencilhou-se de Lucas e saiu batendo a porta com força.

Lucas permaneceu parado olhando para Evelyn. Ele estava surpreso com toda aquela situação. Esperava que ela pudesse explicar o que tinha acontecido.

— Você pode me dizer o que foi isso?

— Não estou com vontade! Aliás, já está na hora de você e sua noiva terem uma conversa bem séria!

Evelyn não sentia vontade de conversar naquele momento. Ela subiu e foi para o seu quarto. Quando Evelyn entrou no seu aposento, sentia o corpo todo tremer. Estava muito nervosa pela cena acorrida. Não pensou que tivesse coragem de fazer aquilo. Estava muito chateada, pelas coisas que Nádia tinha dito e feito. Ela merecia! E Lucas que não ousasse acusá-la, ou dessa vez não o perdoaria!

Notas finais
Chegou a vez da Evelyn se vingar! Bem feito Nádia! Mereceu!