– Você não pode ficar com raiva de mim pra sempre, Nat – diz Adam sentado em sua mesa de frente para ela.

– Gostaria de não ter que falar com você. Dirija a palavra a minha pessoa só quando for estritamente necessário. – volta a encarar a tela do computador. Ainda estava morrendo de vergonha pelo papel ridículo de ontem. Sem falar da raiva que sentia toda vez que se lembrava da rejeição de Adam.

– Você não iria me perdoar se rolasse algo mais com você daquele jeito.

– Desde quando você se importa?

– Nunca precisei embebedar ninguém – responde com raiva – E você desde quando bebe daquele jeito?

– Não me lembro de ter pedido pra você ser minha babá. – cruza os braços

Adam respira fundo. Aquela conversa não daria em nada. Resolve sair da sala para dar uma espairecida. Pegar um ar. Refrescar a mente para poder voltar focado em seu serviço, pois seria ele que iria salvar seu dia.

***

Era bem verdade que a Adam tinha razão. Não o perdoaria se tivessem transado com ela naquelas condições, mas também não se conformava consigo mesma por ter chegado tão baixo. Queria desesperadamente que a sala dele já estivesse pronta para que ele se mudasse logo.

Ligou para sua amiga Andréia marcando um almoço precisava desabafar com alguém.

– Você não vai falar nada? – pergunta Natália desesperada para ouvir qualquer conselho.

– O que você quer que eu diga? – responde Andréia numa encruzilhada. Detestava ter que opinar nessas horas. De um lado estava seu irmão e do outro sua melhor amiga, qualquer partido que tomasse podia perder um dos dois. – Sempre te escuto na boa, Nat, mas opinar fica um pouco difícil. Adam é meu irmão.

– Odeio quando você fica do lado dele. – bufa Natália cruzando os braços.

– Não estou do lado de ninguém. Você sabe disso. Fui a primeira a te apoiar quando quis se separar dele há dois anos. E também estava aqui quando não conseguia parar de chorar por ter o largado.

– Eu sei.

– Convenhamos, Nat, foi um papelão e tanto. Meu irmão tem inúmeros defeitos, mas nunca se aproveitou de ninguém bêbada.

Natália suspira frustrada. Tinha a doce ilusão que poderia falar mal de Adam, mas tinha convidado à amiga errada para isso. O problema é que não tinha outra amiga para esse tipo de conversa. Estava na hora de começar a aumentar seu circulo de amizades.

***

Adam estava hesitante. Olhava para o celular sem saber o que fazer. Já tinha digitado o mesmo numero dez vezes, mas sabia, quer dizer, tinha certeza que se fizesse aquela ligação iria se arrepender amargamente. O problema era que precisava desabafar e não podia falar com sua irmã. Desistiu. Esperou o telefone ser atendido.

– Adam! – falou a voz do outro lado animada

– Oi, Paloma.

– Nossa que voz é essa?

Adam começou a contar. E Paloma ouviu com um sorriso no rosto.

– Imaginei que estaria com problemas – fala Paloma após Adam terminar de falar – Você não me ligaria se não tivesse.

– Não é bem assim. – reclama chateado.

– Deixa de reclamar, Adam, você só me liga quando tá com problemas. Mas tudo bem. – volta a sorrir – Vou te ajudar.

– Não, Paloma, por favor, não. – fica desesperado. Sabia que os métodos dela não eram muito convencionais. Até davam certo, mas também traziam certos problemas a tiracolo.

– Agora, já era, baby, você me ligou. Vou ter que ir aí te ajudar. – sorrir pensando maliciosamente em como poderia ajuda-lo.

***

Natália não queria ter escutado a conversa de Adam no telefone, mas foi inevitável. Tinha acabado de voltar de seu almoço com Andréia, estava frustrada por não ter conseguido reclamar o suficiente quando escuta Adam conversar e sorrir ao telefone.

Não era problema seu, mas ficou com uma pulga atrás da orelha para saber quem era a pessoa do outro lado da linha. Assim que ele a viu tratou de desligar o telefone. O que foi muito suspeito. Mas não era problema seu.

Jogou-se na sua cadeira voltando a trabalhar. Tinha três campanhas para entregar naquela semana e ainda faltava muita coisa para terminar. Trabalho sempre foi seu melhor remédio para esquecer Adam. Principalmente se ele não estivesse envolvido. Não era o caso, era verdade, uma daquelas campanhas precisaria do aval dele, mas poderia ficar para outro momento. Quem sabe.

***

Adam teve que dar o braço a torcer. Paloma nem tinha chegado e já estava causando. Imagina só quando ela aparecesse. Sentiu-se mal por precisar de ajuda, mas não sabia mais o que fazer. Paloma desde o inicio tinha se oferecido para ajuda-lo. Recusou achando que conseguiria sozinho. Grande ilusão. As coisas só ficavam mais difíceis e confusas para o seu lado. Se agisse como seu eu antigo já teria levado Natália para cama há muito tempo. Ela ainda sentia algo por ele, estava na cara. Conhecia bem as reações do corpo dela para ter essa certeza, mas não queria só isso. Queria algo mais. O que era irônico. Antes era Natália que implorava por algo mais profundo e duradouro, agora era ele que implorava por uma nova chance. Um recomeço, direito e decente era tudo o que precisava. Seu tempo no Rio de Janeiro estava acabando e pelo andar da carruagem não conseguiria tê-la de volta. Apelar para Paloma estava sendo muito mais que um pedido de socorro. Tinha certeza absoluta de que não merecia uma segunda ou seria quinta chance, mas não desistiria de tentar. Nunca foi homem de desistir mesmo. Nem que tivesse que trapacear um pouquinho, afinal os fins justificavam os meios. Nem que para isso apelasse para Paloma, só esperava que ela não colocasse fogo em nada, literalmente...

***

Assim que Paloma desligou o telefone foi correndo para a sala de César, seu chefe e de Adam. Os três eram amigos. E ela e ele haviam feito uma aposta, que ela tinha ganhado. Ambos sabiam que Adam não conseguiria sozinho reconquistar sua tão amada Natália e acabaria pedindo ajuda. Paloma tinha certeza absoluta que ele pediria ajuda primeiro a ela. E foi o que ele fez.

Ela entrou na sala sem cerimonia nenhuma. César revirou os olhos, estava em uma reunião via Skype e pediu para que ela esperasse. Paloma sentou na cadeira em frente e começou a lixar suas unhas. A reunião não demorou muito. Seu jeito persuasivo fez com que César acabasse logo.

– Estou indo pro Rio – diz largando a lixa e jogando os longos cabelos loiros para o lado. – Ganhei a aposta. – sorri

César revira os olhos novamente. Sabia que sairia perdendo quando aceitou a proposta, mas como resistir àquela mulher.

– Você não vai mesmo me fazer vestir aquilo, vai? – pergunta rezando para que ela mudasse de ideia.

– Estarei esperando ansiosamente. – continua sorrindo – Terá que ser antes de eu ir pro Rio. Então, será hoje.

– Você pretende ir hoje? – pergunta revoltado

– Claro.

– Paloma!

– Já comprei a passagem, César.

– Não acredito que você vai me deixar aqui sozinho. E ir correndo ver o Adam.

– Crise de ciúmes de novo? – cruza os braços ficando de pé – Não dei demonstrações suficientes de que não tenho nada com ele. – aproxima-se mais.

– Às vezes, você me deixa confuso. – reclama vendo-a a ficar bem mais próxima dele.

Paloma puxa César pela gravata e o beija. O beijo é tão profundo que ele, além de ter que puxar muito ar para seus pulmões, tem que ajeitar um pouco as calças. Bem que gostaria de realizar tudo que estava passando em sua mente, mas teria outra reunião em menos de três minutos.

– Então, ainda tem dúvidas? – pergunta ajeitando sua roupa.

César balança a cabeça, não tinha condições de responder.

– Estarei esperando-o em casa. – volta a beijá-lo um pouco mais contida.

***

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.