Quando eu finalmente te enxerguei
1 Capítulo único
Notas iniciais
A festa estava cheia demais, barulhenta demais e… ele estava perto demais. Lucas, com aquele sorriso fácil, falas ensaiadas e a típica camisa preta que parecia feita sob medida para o ego dele. Bella sabia que deveria ter ido embora quando o viu chegar, mas ficou. Talvez por curiosidade. Talvez por saudade. Ou talvez porque o coração dela ainda gostava de brincar com fogo — mesmo sabendo que queimava.
— Não esperava te ver aqui — ele disse, inclinando-se como se ainda tivesse direito de invadir o espaço dela.
Bella riu, mas não era um riso feliz.
— Acha que você é o único que pode se divertir nessa cidade?
Lucas sorriu, como se tê-la encontrado fosse um presente. Como se não tivesse sido ele quem sumiu por semanas, voltando quando queria, como se ela fosse um livro que ele deixava aberto na mesinha de cabeceira.
Eles conversaram. Sobre nada, como sempre. E ainda assim o coração dela batia como se valesse a pena.
Mas então veio o estalo — rápido, silencioso, inegável.
Ele contou, quase orgulhoso, que estava “conhecendo alguém”, mas que “não queria perder o contato” com Bella. E nesse segundo, tudo se encaixou: a dúvida, a espera, a esperança boba.
Ela não era escolha dele.
Era opção.
Reserva.
Escape.
E aquilo doeu… até que deixou de doer.
Bella respirou fundo.
Pela primeira vez, olhou Lucas não com saudade, mas com clareza.
— Sabe, Lucas… — ela começou, ajeitando o cabelo atrás da orelha. — Eu achava que era amor.
— E não era? — ele perguntou, com aquele tom que misturava charme e costume.
Bella sorriu. Um sorriso leve, libertador — tão diferente dos que ele já tinha visto nela.
— Não. Era ilusão. E acabou.
Ele ficou parado, surpresa estampada no rosto que sempre carregou a certeza de que ela voltaria. Mas Bella virou as costas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa. E, pela primeira vez, não doeu deixá-lo para trás.
O ar da noite do lado de fora era frio, mas ela se sentiu quente por dentro. Livre. Nova. Como se o mundo tivesse um gosto diferente — o gosto de alguém que finalmente entendeu seu próprio valor.
Bella caminhou pela calçada, o som da música ainda escapando pela porta da festa.
Cada passo longe dele parecia um passo em direção a si mesma.
Porque afinal…
Não era amor.
Era quase.
Era hábito.
Era falta.
Era medo.
Mas agora, ela tinha descoberto algo maior que tudo isso:
Ela era suficiente — e não precisava mais de alguém que não sabia ficar.
E então, pela primeira vez em muito tempo, Bella sorriu… para ela.
Fim.
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