Notas iniciais
Vai melhorar!....

É isso! Cheguei ao meu limite não posso mais prosseguir, não desta forma. Sinto-me preso dentro de uma sala, em que as paredes, daquelas que aos poucos vão se fechando. Só que a na minha sala as paredes já estão esmagando meu peito, me obrigando a andar abaixado e progressivamente tenho me arrastado. Venho me arrastando como um inseto. Um inseto sob a sola da bota de um homem mal, mal e sádico, que brinca com sua lupa no sol.

São onze e cinquenta da noite de uma terça-feira. Onde eu moro as pessoas dormem cedo durante a semana, já que todos, ou a maioria, trabalha. Mas não saí a essa hora pelo motivo de não ser visto, foi apenas porque gosto de andar durante a noite. E o que irei fazer hoje, vai depender muito do elemento surpresa. Digo, prefiro que ninguém presencie ou que tentem me impedir.

Hoje, eu decidi morrer. Não posso mais suportar a vida que levo. Só de lembrar sinto minhas entranhas revirando e meu estomago gelado como se estivesse fora do meu corpo. Só de pensar na vida que levo fico admirado que ainda não tivesse decidido fazer isso antes. Morrer vai ser a única saída.

Subo na grade de proteção da ponte. Ponte esta que liga as duas margens do rio Grande. De um lado Minas Gerais e do meu lado São Paulo. Não há carros e nem pessoas. Ali me sinto como tenho me sentido a vida toda, sozinho. Tenho 18 anos, sou um garoto sem pretensões grandiosas. Sempre me imaginei me apaixonando, comprando uma casa, tendo filhos, um carro e dinheiro para poder dar aos meus filhos o que eles me pedissem. Pois é, só imaginei. Quando tinha quinze anos me apaixonei por uma colega de classe, foi aí que entendi que eu era gay. Foi aí que minha vida se tornou uma montanha-russa com varias descidas.

Abro os braços, sinto o vento frio em meu rosto. Penso por um segundo o quanto é gostoso ficar assim. Sinto-me de certa forma livre, renovado, capaz de tudo. Acho que é isso que todos os suicidas sentem no derradeiro momento.

“Porra, Carlos! Vai se matar ou vai virar poeta?” o meu eu, grita dentro da minha cabeça. Será que estou mudando de ideia? Desde que sai do portão da minha casa, isso há 15 minutos, tentei esquecer minha família e a dor que por ventura poderão sentir com minha morte. Sei que não vão sentir nada, mas ainda assim fantasiei isso. Tudo o que eu queria no mundo era ser amado, ser apreciado pelas pessoas.

—Você vai pular ou esta apreciando a vista? –uma voz me tirou de todos esses devaneios e por pouco não caí da grade.

— Como é que é? –perguntei ofendido. Como alguém poderia sugerir isso? Só depois de falar que percebi o quão natural era deduzir isso.

— Você vai pular ou ...

—Eu vou! –interrompi antes que ele terminasse de repetir. –E gostaria de privacidade.

— Privacidade? Está brincando, não é? –Olhei para o cara que estava falando. De certa forma aquilo me ofendia. Como poderia ser tão insensível, como se eu não fosse nada.

Desci da grade e encarei o cara. Estávamos frente a frente e só então pude ver bem quem era a pessoa. Ele era alto, provavelmente 1,85m, era branco e a luz do poste o tornava mais pálido. Seus olhos possuíam ímpeto para sustentar meu olhar. Mas havia algo no seu olhar que traía a sua expressão corporal, não consegui perceber o que era, mas algo estava perturbando o rapaz.

— Então você não vai pular? Posso passar na sua frente?

Fiquei embasbacado, acho até que minha boca se abriu, pois, o rapaz logo emendou:

— Eu vim pra me matar, qual é minha surpresa em te ver sobre a grade. Queria saber se ia se matar ou estava de brincadeira. Eu vim aqui pra cumprir o meu desejo; se for ficar aí de boca aberta, vou passar na sua frente. –Não foi grosseiro, foi apenas firme e convicto.

— V-você... Se matar?! –eu estava surpreso. Não imaginava que alguém boa pinta como ele poderia ter tal vontade.

— Sim, eu vou. E você também quer se matar, não é? Então, me julgar por quê?

— Não estava te julgando, longe disso. Estava me perguntando o por quê, por quê você quer se matar... Sendo assim. –As ultimas palavras foram mais um sussurro do que uma fala.

— “Sendo assim” o quê? –deu um passo a frente, eu podia sentir o calor de sua respiração.

— Sei lá cara. Você é boa pinta, novo, me parece ser bem de vida. Não sei porque iria querer se matar.

Ele jogou a cabeça para trás e gargalhou alto.

— E em que isso me impossibilita de ser um suicida? Aliás, por quê você pode se suicidar e eu não? Seu argumento também se a aplica a você.

Ele era sagaz. Um cara divertido, se não fosse pela circunstancias poderíamos ser amigos. Mas não o deixei perceber que havia me simpatizado com ele, pelo contrario, fechei a cara e disse:

— Cara a ponte tem mais de um quilometro, cê pode ir para outra parte, me deixa fazer isso sozinho.

— É verdade, eu posso. Mas quero ver você ir primeiro, sabe? –ele estava curioso com o que iria acontecer comigo? É isso? –Vai que dói ou não dá pra morrer rápido. Você sabe nadar? Eu não sei. Fico imaginando se essa água é gelada, pois, o vento está um pouco frio.

Viro as costas para ele sem responder. Preparo para subir de novo na grade, tentando ignora-lo. Deve ser melhor eu fingir que ele não está aqui.

—Hum... Tá me ignorando. Como é seu nome mesmo?

— Eu não disse... –respondi sem olhar para ele.

— É verdade, bem o meu é Alex.

Eu em cima da grade fecho meu olhos dou uma bufada de insatisfação e a contragosto respondo:

— É Carlos, porra! Será que posso morrer em paz?

— Será que dói? Tipo sei lá, só de beber água e descer pela traqueia dói pra caramba, fico imaginando como deve ser sofrido morrer afogado. –ele faz um ruído com a boca. –Será que posso ver como você vai reagir? Caso for muito sofrido, vou arrumar uma forma mais fácil de morrer... Tudo bem aí?

Esse maldito me fez repensar. Uma coisa é as pessoas duvidarem de você, mas quando você duvida de si mesmo é porque algo está terrivelmente errado. Então, desci novamente da grade fui até próximo do estranho, olhei bem fundo dos seus olhos. Era como se eu pudesse ver o seu cérebro por ali, para ser o mais dramático possível eu cerrei meu olho. Percebi que ele estava instintivamente se encolhendo, não ia agredi-lo, óbvio, mas foi bom ele pensar assim. Eu suspirei olhei para o chão e comecei a caminhar de volta para minha casa.

—Ei! –ele estava me seguindo. –Desistiu, mas porquê?

Seu tom era quase de deboche.

— Cara, a ponte é toda sua. Cê não queria se matar também? Pronto, pode fazer o que quiser.

— Ah! Então é isso? Bem na verdade eu não queria me matar, não. Eu estava passando e te vi, logo percebi o que você tencionava fazer, só tentei te fazer desistir da ideia. Consegui? –ele sorria. Era um sorriso franco e diria até que inocente.

Notas finais
Fica mais, vai ficar melhor! A quem conseguiu chegar até aqui, se possivel deixem um pequeno feeback. Tipo, "credo que ruim, pára logo!" ou "ficou bom, melhora (insira aqui o que deve melhorar), mas continua" >.<
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.