"Eu havia o chamado para conversar, algo ainda me perturbava e não era o fato de eu ter rompido com ele. Mas após ter uma conversa com nosso amigo, vi que não só tinha acabado com nosso relacionamento (...)

Espero que com este relato eu ampare alguém, que isto ajude a refletir nos dois lados da moeda".



Estávamos em meu apartamento, o que eu tinha que falar não podia ser em público, não aguentaria segurar a pressão.



(...)

O que acha que fiz a você?

— Não sei... — disse bruscamente, mas ele sabia, sabia a sua versão — porque não me diz você — jogou o peso para a garota, como sempre fazia, e encarou o chão.

— Owen me disse que eu trai você, o que acha disso? — perguntou audaciosa, temendo a resposta fingiu confiança.

— Acho que ele tem razão. — deu de ombros.

Furiosa, colou os braços junto ao corpo com os punhos serrados, quase gritando com tamanha raiva, deixou a palavra escorrer para fora como algo asqueroso. Odiava mentiras. E dizer que havia feito algo da praxe a enojava mas ainda.

— Trai? — perguntou mais para si mesma.

Ele não respondeu com medo, se intimidava facilmente com as ações da ex-parceira.

— E quer saber o que acho? — sem esperar resposta ela continuou — eu não trai você, o que eu fiz não chega perto disso, Case! Pois eu amei você quando estávamos juntos e a mais ninguém. Então você não tem o direito de falar sobre traição comigo!

— E porque não?! — gritou exasperado, enquanto se aproximava da garota — não deu um mês e você estava com aquele... Como acha que eu interpretei tudo isso? — ironizou a pergunta — E quando soube você me disse: "Preciso ser feliz também"!

Case se virou para a parede e deu um soco no gesso endurecido.

— Que droga! Eu não te fazia feliz?

— Não... — sussurrou secamente.

Perplexo, ele se mantinha virado para a parede que acabara de socar.

— Mas não terminei nosso namoro para ficar com outra pessoa... — prosseguiu — você deveria saber disso mais do que ninguém! Mas eu mudei, não foi? — livrando-se um pouco da raiva, deixou que os punhos se liberassem. Você não conhece a Emily de hoje, não é? Como poderia... Estava ocupado consigo mesmo. — disse amargamente.

Como se não tivesse a ouvido, voltou para o assunto que iniciou a conversa.

— Se não me traiu, o que você acha que fez?

— Abandono. — sua voz saiu rouca, quase inaudível, mas ele havia escutado muito bem.

Abandono. Sussurros invadiram a mente do rapaz, multiplicando-se mais e mais.

Case a olhou, por um momento seus olhos transpareciam clareza, logo depois tudo foi preenchido por confusão.

— Eu o abandonei quando não havia mais ninguem para você... Sinto muito — a garota deixou-se desfalecer no chão, vencida pelo cansaço e a verdade.

O rapaz tentou se aproximar notando que ela começara a chorar, mas parou ao ouvi-la falar.

— Sim, eu o deixei, mas vejo isso hoje, com a mente vazia dos problemas que você me presenteava em nossa epoca juntos. Sabe... — ela o olhou com um meio sorriso — eu não me arrependo, você sabe que não sou de voltar atrás, quando tudo acabou eu tive chance de fazer coisas novas abertamente. Mas, naqueles dias eu realmente estava infeliz ao seu lado. E só agora, agora! Agora eu finalmente sei o que acontecia, não é engraçado?

Emily riu, ele estranhou, mas nada falou. Queria ouvir tudo o que seu antigo amor tinha para lhe dizer.

— Sabe... Você estava estranho, não sempre, mas estava. Deixou os problemas dominarem sua mente e coração, e acho que os deixei também. Lembro que algumas vezes, muitas para mim, você falava mal das pessoas, pessoas que queriam ajudar. Pessoas que eram seus amigos, e meus também! E o que eu fazia? Nada. Nada.

Ela se levantou com dificuldade e o fitou novamente sem mais desfiar o olhar, forçando que ele continuasse a encarando também.

— Você dizia que era incapaz e inútil, não sabia fazer nada... Seu esforço não valia a pena... Essas, suas palavras, ao ouvi-las me doía, me destroçava de dentro para fora, pois nem eu, que era seu "amor" fazia você se sentir especial nesses momentos de melancolia. E eu continue a fazer nada. Nada. Nada... Como você me ensinou: "o esforço é inútil".

Ela riu de novo e as lagrimas desciam em finas linhas.

— Quando a pessoa que você ama começa a achar que não serve para o mundo, você acaba pensando isso de si mesmo também. Há uma coisa que eu pensava muito... Como uma pessoa que se diz solitária, uma pessoa que diz ser sempre enganada e massacrada pelas outras, faz a própria namorada se sentir assim?

Ele a olhou com clemencia, pena, confusão e culpa. Sabia bem do que Emily estava falando. Mas não ousou falar nada para tira-la daquela angustia, era dificil admitir. E ela percebeu, pois ela sentia quando era abandonada.

— Então, — prosseguiu, ainda restavam coisas para dizer — você começou a aparecer com amizades muito "interessantes", pareciam deixa-lo alegre, mais feliz do que uma conversa ou noite comigo. Fui ficando quieta, e quando você finalmente percebeu, eu fingia, desviava o assunto, comecei a mentir desculpas.

Emily caminhou até o sofá e se sentou.

— Suas amizades cresciam, minha vontade diminuía. Quanto mais você parecia feliz com pessoas te bajulando aonde quer que fosse, mais eu parecia triste, parece... Que você passou toda sua angustia para mim e o "eu te amo" soava como um zumbido irritante em meu ouvido. Não me olhe assim... Claro que eu queria sua felicidade, mais do que a minha! É tudo o que eu ainda desejo... Mas nós, eu e você, não era a mesma coisa. Eu ja tinha mudado.

— Você se afastou, e eu deixei... — ele disse sentando-se ao lado de Emily.

— Com o tempo, você sabe, fui ficando chata, talvez insuportável, uma grossa. Fiquei distante e você preocupada, mas já era tarde. Me tornei insensível... Foi como você me chamou numa das nossas conversas esses dias. E eu concordo com você.

Sorriu abertamente, um sorriso verdadeiro que o machucou.

— Você acha que sou insensível por guardar meus sentimentos para não magoar e não ser magoada? Tinha tanta coisa para falar, mas eu não disse, não disse, porque sou uma covarde. Mas sou insensível, pois meu namorado me disse que já não era mais a mesma, mas tudo o que eu fiz foi um escudo. Um escudo que me fez outra pessoa. Não é mesmo? Adivinha só, não fui a primeira a mudar!

— Já chega! Não suporto ouvir você dizendo essas coisas... Não você.

— Case, você sempre foi um covarde, nós sempre fomos. Mas agora, nem eu mesma suporto mais. Eu já disse tudo o que você tinha que saber. Vá embora se quiser!

— Emily...

— Vá embora!

Ele se levantou, ela deitou no sofá, enquanto o via indo para a porta. Por um momento ele parou, indeciso, mas a porta abriu e ele se foi.



Notas finais
Obg por ler até aqui pessoa que já considero muito ♥Muita baboseira? Ou será que conseguiu sentir o que a Emily passava?Espero que sim, pois o Case também sentiu dessa vez.Sera que devo fazer um cap com a visão dele? Hm....