Quando eu acordar
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Era sábado à noite, outono em Nova York, e a escuridão lá fora, realmente era algo a se apreciar; mas eu estava sozinho em casa — como sempre — assistindo um programa qualquer na televisão, sentado confortavelmente em minha poltrona, com um copo de chocolate quente na mão; escuto um barulho vindo do meu celular, indicando que eu receberá uma mensagem; Era João Pequeno me convidando para sair; relutei até quando pude, mas ele insistiu e eu acabei cedendo; coloquei uma calça jeans, e uma camiseta cinza, a primeira que eu achei no guarda roupa; por cima coloquei uma jaqueta preta, afinal, não estava tão frio.
Não se passara nem dez minutos até que escutei a buzina do carro de João, que era apertada desesperadamente; tentei fazê-lo deixar ir com o meu carro, assim poderia voltar a hora que quisesse; à noite nem começará e eu já estava pensando em voltar para casa; ele me disse que me levaria a um lugar novo na cidade; novo para nós, pelo menos; então contra gosto, entrei no carro e fui para um lugar desconhecido; um lugar que só Deus sabe o quanto eu gostaria de ter evitado;
Era uma casa noturna chamada "floresta encantada", ri com o nome. Chegando a portaria somos recebidos por um homem com cabelos e olhos castanhos, com aproximadamente 1,73m; no crachá em seu peito constava o nome Will Scarlet; ele cumprimentou a mim e ao João, e disse a seguinte frase: "Bem vindos ao um mundo repleto de magia, cuidado com os movimentos, eles serão a sua perdição". Deveriam pagar muito bem para esse cara, Robin pensou; Quando Will lhes deu o bilhete de entrada, Robin assobiou quando notou o preço;
— Toda magia vem com um preço! — Scarlet disse com um sorriso travesso no rosto; Robin revirou os olhos; e fez menção para pagá-lo; mas João o parou;
— Eu convidei, eu pago! — João pequeno deu o dinheiro ao segurança e os dois entraram na casa noturna; — Aproveite à noite meu amigo; — João pôs as mãos nos ombros de Robin; — você realmente precisa; — forcei um riso;
Havia um corredor enorme para ser ultrapassado antes da entrada principal; chegando a porta, os ruídos da música ficaram alto, e as luzes vermelha e azul se misturavam, distorcendo nossa visão; havia poucos homens ocupando as mesas naquele local; mas em média umas 20 mulheres, meninas para ser mais específico, dançando para eles; algumas no alto do que parecia uma cabine, outras em um pole dance, e as que restavam ou conversavam com os... clientes? Ou apenas dançavam para eles, sem nunca serem tocadas. Que espécie de lugar eu vim parar? Eu realmente repugnei, logo na entrada; olhei para João com os olhos que diziam: nos tire daqui! mas ele apenas riu da minha cara e disse: aproveite a noite, amigo! Dito isso, ele desapareceu; sentei-me em umas das poltronas vermelha e preta que haviam nos cantos e fiquei olhando para o nada; desejei minha casa, minha televisão, minha poltrona, e mais um delicioso chocolate quente; eu precisava beber! Fui até o bar e pedi uma dose de uísque; passados alguns minutos sentado sozinho no bar, sinto um olhar pairar-se em mim; olho em volta para ver o dono do meu desacomodo, e meu olhar vai ao encontro da mulher mais linda que ali havia; uma morena, com seus longos cabelos ondulados, caídos levemente até um pouco abaixo do ombro; e um olhar extremamente sexy, mas ao mesmo tempo perigoso; eu sorrio, sem perceber, e ela vem em minha direção;
— Você pode me pagar uma bebida? — Ela diz sentando-se ao meu lado; eu rio;
— Não sou eu quem deveria oferecer? — pergunto nervoso;
— Pelo tempo que perdi te olhando, tentando chamar sua atenção, ficaria com a boca seca, esperando que me oferecesse uma bebida; — Robin arqueia as sobrancelhas; e pede que o garçom traga um outro drinque;
Os dois continuam flertando por alguns minutos, até que João Pequeno volta exaltado;
— O que foi, cara? — Pergunto observando o seu olhar de preocupação;
— É minha mãe, Robin, ela não está bem; preciso ir para casa; tudo bem para você?
— Tudo, claro! — O loiro diz levantando-se;
— Desculpe estragar sua noite! — João diz observando a moça que seu amigo estava acompanhado;
— Não atrapalhou. — Robin afirma olhando para a morena ao seu lado; — você não me disse seu nome.
— Porque não volta amanhã, aí eu terei o prazer de lhe contar; — Robin sorri tímido, mas não responde; apenas acompanha o amigo até a saída;
Voltando para casa, a cabeça de Robin era inteiramente ocupada por aquela misteriosa mulher; eles nem precisaram ficar tanto tempo juntos para que Robin sentisse a imensa necessidade de vê-la novamente;
E foi exatamente o que ele fez; voltará no dia seguinte, sozinho, para a Floresta Encantada; conversará novamente com a mulher, e descobrirá que seu nome era Marian; Marian... ele sorria cada vez que lembrava seu nome; desejando-a vê-la de novo, o mais rápido possível; infelizmente a casa noturna só funcionará nos finais de semana;
A semana passa lentamente, mas finalmente era sábado mais uma vez; Robin tinha muito dinheiro, então poderia ir vê-la sempre que quisesse, e ele o fez; por um mês inteiro; contando as horas para que chegasse o momento de estar com ela novamente;
— Então vocês só dançam, para os homem? — Robin perguntou receoso;
— Sim; sem toque, só flerte; a não ser que desejemos mais; — Marian sorri; Robin não sabia porque, mas estava enciumado;
Sidney, o dono da casa noturna, chama a atenção de Marian, que vai ao seu encontro de imediato; observo ele apontar para dois homens que estavam a duas mesas a minha frente; Um dos homens era musculoso, e tinha uma cicatriz no rosto, o outro era magrelo, e de estrutura mediana e usava óculos; vi Marian aproximar-se deles; senti uma repulsa ao ver a cena, então me retirei em direção ao banheiro. Ao retornar vejo que Marian discutia com um dos homens, ele se aproximará dela, e ela recuava, seus olhos emitiam medo; não pensei duas vezes ao entrar em sua frente e socar o rosto do cara com a cicatriz, que se defendeu, retribuindo a surra, quando vi já estávamos ambos no chão, seu amigo tentava nos separar, e Marian gritava o meu nome, pedindo que eu parasse; Sidney me pegou pelos braços pedindo para que me acalmasse; logo em seguida guiou os dois homens para longe, Marian me ajudou a levantar, e me perguntou se eu estava bem; logo depois me chamou de louco, e disse que tinha tudo sobre controle;
— Me desculpe, eu só tive medo, eles pareciam estar te incomodando, e eu não queria pensar na hipótese de alguém lhe machucando.
— Ninguém iria me machucar, e não faça mais isso, aqueles são os irmãos do dono; e você não vai querer conquistar a fúria de Sidney; — Robin engoliu seco;
— Talvez seja melhor eu ir embora; — O loiro falou indo em direção a porta, mas Marian o segurou suavemente pelos braços;
— O que acha de um jantar amanhã? — Robin riu;
— Vou pensar no seu convite; — Marian deu um leve soco no seu ombro; — Eu aceito! — Robin diz sorrindo; pegou um cartão no bolso e entregou a ela; — me ligue, assim podemos marcar um horário e local para eu lhe buscar; Marian assentiu; e Robin foi embora;
No dia seguinte, Robin demorará mais que o normal para achar uma roupa adequada, queria impressiona-lá e não sabia como;
Resolveram jantar em um restaurante italiano. O relógio deu nove horas, o horário marcado para Robin buscar Marian; esperando em frente à sua casa, Marian aparece perto de seu carro, e ela estava absolutamente linda com um vestido verde que ia até um pouco menos que um palmo a cima dos joelhos; ela entrou no carro e sorriu para Robin, que retribuiu o sorriso, acompanhado de um elogio;
Chegando ao restaurante, a recepcionista os leva a um lugar nos fundos, perto da janela; fazem os seus pedidos e começam a conversar.
Conversam sobre tudo, sobre a vida, sobre as intenções de futuro, sobre o passado; Marian lhe conta que a casa noturna, é o seu lar, desde muito pequena, quando seus pais vieram a falecer, ela está sozinha no mundo; mudou-se para Nova York, e conseguiu emprego com o Sidney, e desde então, nunca saiu de lá;
Eles conversaram, beberam, flertaram, e depois de um beijo intenso na hora da despedida, quando se deram conta já estavam em uma cama de motel, conhecendo os corpos um do outro, de todas as maneiras possíveis;
O dia seguinte amanheceu, e Marian acordou primeiro, ficou observando Robin por alguns minutos, até lhe escrever uma carta, dizendo o quanto a noite havia sido ótima, no entanto, não poderia se repetir; pediu encarecidamente que ele nunca mais fosse a floresta encantada. Seria o melhor para ela e para ele;
Quando o mesmo acordou, e olhou o bilhete, pensou em ir atras dela, lhe contar o quão apaixonado estava, lhe propor uma vida melhor, mas não o fez. Ele não era o tipo de homem, que corria atras naquela época; então ele a deixou ir, simplesmente;
Robin estava seguindo a sua vida normal, indo para empresa, voltando para a casa, assistindo televisão, era isso todo dia, e assim seguiu por ao menos dois meses, quando recebeu uma chamada de um número desconhecido; quando atendeu, nem poderia imaginar quem seria ao outro lado da linha; havia apagado o número de Marian;
— Alô! — ele diz ríspido; — alô! — ele repete suavemente desta vez, ao notar que alguém chorará ao outro lado;
— Robin.. — Ele reconhece a voz de Marian;
— Marian, o que houve? — Ela nem diz oi, ou pergunta se ele está bem, ela simplesmente solta a bomba, sem lhe dar a oportunidade de fugir para se salvar;
— Robin eu estou grávida! — dito isso, ela desliga o telefone;
Robin solta o celular, e se joga em sua poltrona com as mãos na cabeça, perguntando a si mesmo, em que diabos de futuro ele havia se enfiado;
ele respira fundo, pega o seu casaco e vai ao encontro de Marian; afinal, ele poderia ter todos os defeitos do mundo, mas ele tinha honra, e não deixaria aquela mulher sozinha neste momento;
— Sidney nunca vai me perdoar, Robin; — Marian dizia com a voz exaltada, e com o rosto molhado pelas lágrimas;
— Calma, nós vamos dar um jeito;
— Você não entende, não é mesmo? Você acha que se fosse tão fácil sair daquele lugar, eu ainda estaria lá? — Robin a olhou nos olhos, sem saber o que dizer;
— Vamos fugir! — ele conclui; Marian riu; mas de repente, ficou séria, pegou em suas mãos;
— Quanto você está disposto a lutar por mim? — Ela perguntou;
—------------"
Regina observava Robin contar a história seriamente; acompanhava seus lábios se movimentando, e não perderá nenhum detalhe; por vezes, prendia a respiração e o maxilar, e engolia seco, tentando disfarçar o ciúmes que sentirá, quando Robin mencionava sua relação com Marian; Robin era incapaz de olhá-la nos olhos; sentia-se como um bandido, tentando esconder um roubo; ele continuou a história;
—------------"
Resolvemos fugir pela madrugada; depois de que a casa noturna fechasse; eu não iria deixar Marian criar o meu filho no meio daquele lugar;
Marian arrumou suas coisas, e deixou no meu carro; era sábado, então ela teria que trabalhar, assim evitaria que Sidney os pegasse tão próximo;
A floresta encantada já estava pronta para fechar, Sidney chamou Marian, disse que precisavam conversar; todos os outros foram embora;
Robin a esperava do lado de fora, ansioso, e ao mesmo tempo receoso, com medo de que tudo fosse por água abaixo; e ele tinha razão em estar; Sidney já sabia de tudo;
— como você...
— Isso não importa; — Ele disse calmo; — Mas você não precisa ir embora; — Sidney colocou uma mecha do cabelo de Marian atras das orelhas delicadamente; a mesma se afastou com o ato;
— Por favor, me deixe ir; — Ela pediu com os olhos marejadas;
— Eu não posso ficar sem você. Eu tenho contatos, podemos dar um jeito nessa criança...
— O que? — Marian gritou; — você não vai tirar o meu filho de mim! — Marian não queria o filho; mas aí matá-lo... não, isso seria demais; ela poderia fugir depois que o ganhasse; sabia que Robin era um homem bom, que o criaria muito bem.
— Eu irei atras de você, até no inferno, Marian! — Sidney disse exaltado, derrubando alguns litros de bebida no chão;
— Eu é que te encontrarei no inferno! — Seus olhos cresceram, e ficaram negros por conta do ódio; dito isso, Marian pegou um isqueiro, que estava em seu bolso, acompanhado de seu cigarro; olhou para ambos os objetos, acendeu o isqueiro, e apontou-o em direção a Sidney; — já pensou o estrago que eu iria fazer, se acidentalmente eu derrubasse este isqueiro, em meio a todo este álcool; — Sidney arregalou os olhos;
— Você não teria coragem! — ele disse, e deixou evidente o medo que sentia;
— Sente-se! — Ela ordenou, apontando um lugar no meio das garrafas quebradas; ele o fez; — Agora me deixe ir embora, e não me procure, esqueça que eu existo; — Sidney assentiu; Marian virou as costas, acendeu seu cigarro, e fechou seu isqueiro;
— Sua cadela! — Sidney cuspiu; Marian com um sorriso nos lábios, acendeu o fogo novamente, e o jogou por de trás dos ombros;
— Você não deveria ter dito isso! — quando ela virou-se, viu que o fogo estava se espalhando rapidamente, levou o cigarro até a boca, e tragou; largando-o em meio às chamas; ela saiu, sem mesmo ligar para os gritos de Sidney, que se cessaram rapidamente; o mesmo morreu sufocado pela fumaça.
Marian saiu e foi ao encontro de Robin, que estava em sua procura; ao notar a fumaça que começará a sair da floresta encantada, preocupou-se; abraçou Marian com alívio; e a perguntou o que acontecerá; Ela estava tremendo e só conseguiu lhe pedir para que fossem embora;
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Regina absorvia todo o acontecimento, e sua cabeça girava; Marian havia matado um homem;
— e o que você fez? — ela perguntou nervosa; — você não pensou em entrar na casa, não passou pela sua cabeça se havia alguém mais lá? — Regina agora gritava; Robin fez menção para que ela se acalmasse; Roland estava dormindo;
— Marian só me contou toda a história depois que Roland nasceu; eu já estava completamente cego; o que eu poderia fazer? Voltar no tempo, e contar tudo à polícia; colocar a mãe do meu filho na cadeia, o impedindo de crescer com ela por perto? — Regina respirou fundo; — Naquele momento, quando eu me virei para a floresta encantada; e encarei Marian, eu vi medo em seus olhos, e um pouco talvez de culpa; mas a casa estava pegando fogo. Eu não sabia o que fazer! Tudo o que me importava era manter o meu Filho a salvo. Tudo que eu fiz foi por causa de Roland, tudo sempre foi por causa do meu filho; — Regina pegou as mãos de Robin, e limpou a lágrima que agora caia em seu rosto;
— Robin... — Ele tirou as mãos das dela, e levantou;
— Nós fugimos, fomos para Storybrook, onde conhecemos a Tinkebell; — Regina arqueou as sobrancelhas;
— Tinker? Ela sabia desta história; — Ela não fazia ideia que sua amiga poderia ter conhecido Robin;
— Ela sabia o que havíamos contado; mas ela nos ajudou muito; ajudou-me a encontrar um emprego; eu era empresário em Nova York, então não foi difícil ela achar um bom emprego para mim; ela fazia companhia para Marian... tudo finalmente estava dando certo; eu me casei com Marian no cartório; Roland estava crescendo, estávamos sendo uma família feliz; era o que eu pensava; Marian começou a ficar estranha; haviam se passado quase dois anos, Marian tentou me convencer a ir embora dali; e após eu ficar revoltado com a ideia; ela me contou que estava sendo ameaçada; e então me contou tudo o que de fato havia acontecido naquela noite; Jeckyll e Hyde, irmãos de Sidney; haviam visto tudo, e tinham uma cópia da câmera de segurança para provar; então eles a ameaçaram; e o pior, é que eles nem sentiam pelo o que havia acontecido com seu irmão; — Robin riu irônico; — tudo o que importava para eles era o dinheiro; sempre foi o dinheiro... eu queria pagar, eu tinha dinheiro; mas Marian disse que não adiantaria, que eles não iriam nos deixar assim tão fácil; então nos mudamos para Miami; — Robin me olhou e sorriu; — foi onde eu conheci seu pai; numa cafeteria, em uma hora de conversa; ele me ajudou a entrar na NeverLand; disse que tinha parceria; e que a empresa precisava de alguém como eu; — Regina sorriu;
— Isso explica porque ele te escolheu para ser meu sócio; ele sempre foi capaz de ver o melhor nas pessoas;
— Você puxou muito dele; — Regina e Robin trocaram olhares por alguns segundos; Robin suspirou; — Mas continuando a história; haviam se passado alguns meses; eu já havia conquistado a confiança de Peter; ele já estava velho e veio a falecer, mas me deixou a empresa como presente; Eu estava conseguindo tudo que eu sempre sonhei; infelizmente meu casamento não estava indo muito bem; até que Marian veio com a ideia de nos mudarmos novamente, e eu já estava cansado; falei que se ela quisesse fugir, que fizesse isto sozinha; e ela o fez; foi quando ela sofreu o acidente; e o resto da história você já sabe; me mudei para Boston; visitava a empresa algumas vezes por mês; até abdicar do meu cargo e virar seu sócio; — Ele sorriu com a lembrança;
— Você ainda não me contou porque foi embora... — Regina diz séria;
— Eu já ia chegar lá; — Robin senta novamente ao lado de Regina; — Eu paguei o que Jeckyll e Hyde pediram, era uma quantia muito alta; mas estava ciente de que com isso deixariam Marian em paz, e eu também; assim eu poderia tentar algo com você; — Regina o fitou; — por mais que eu tivesse perdido a memória, eu estava apaixonado, e desejava você; — ele abaixou a cabeça; e fitou seus próprios pés; — Quando me lembrei de tudo, eu já imaginava uma vida inteira ao seu lado; tudo ficaria bem; seriamos felizes; mas não contente, na mesma noite eles me ligaram; só que agora o dinheiro não era suficiente, eles me queriam longe de você;
— Eu achei que a perseguição era com Marian;
— Hyde era completamente louco por Marian; mas ela nunca quis nada com ele; no entanto, ele sempre me culpou por isso; disse que eu é quem havia tirado a chance do seu final feliz;
— Marian sabia disso?
— Provavelmente, isso explicaria o fato de que ela nunca deixará eu pagar o que eles pediam; eles não queriam o dinheiro, queriam a ela;
— E você acha que eles seriam capazes de matar, por isso? — Regina pergunta;
— Sim... o acidente de Marian... alguém bateu nela, e fugiu;
— Como pode ter tanta certeza que era eles...
— Porque eles me contaram; no dia em que você me viu conversando com eles; — Robin se aproximou de Regina; — eu só quero que entenda, Rê... tudo que eu fiz foi para te proteger; eu não suportaria te perder; — Regina se afasta;
— Você me perdeu do mesmo jeito; — Robin sentiu seu peito ser apanhado da forma mais agressiva; ele havia a perdido? Regina não o amava mais?
— A muitas maneiras de se perder alguém.. — Robin suspirou; — pelo menos posso te ver respirando, mesmo que seja longe de mim, na companhia de outro alguém; — Regina se aproximou de Robin;
— O que aconteceu com Jeckyll e Hyde? Quero dizer, se você está aqui...
— Eles morreram; tiveram a casa incendiada. — Regina o fitou; — pensei a mesma coisa que você.
— Como você descobriu?
— Recebi uma carta; e nela estava escrito: " sua felicidade está em Boston, e seus problemas também, mas não se preocupe, eu dei um jeito. Seja feliz!"; não entendi sobre o que se tratava no início, então resolvi vir para cá; vi nos jornais a notícia da morte deles; encontrei Emma, e ela me contou o que sabia da notícia; acham que foi acidental;
— O que você acha?
— Acho que a Marian sabe exatamente como acabar com os seus problemas; mas eu não me importo mais; eu quero paz, Regina; eu quero poder viver sem medo; quero que Marian seja feliz, porque eu sinto que ela nunca foi; sinto que ela nunca foi livre, ela precisa disso; e eu também preciso.
— Ser livre? — Regina questiona; Robin se aproxima dela;
— Ser feliz! — Regina observa seus lábios, e se culpa por sentir uma vontade imensa de beija-lo, sentia tanta saudade; Robin também compartilhará do mesmo sentimento;
— Foi a Emma que te contou que eu ia casar? — Regina limpa a garganta, e Robin se afasta, mas não o suficiente; Regina ainda sentirá seu estômago se revirar pela proximidade;
— Sim! Ela disse que era minha última chance, ou eu iria te perder para sempre; — Robin se aproxima novamente; — eu perdi? — ele pergunta receoso;
— Eu aceitei o pedido se é isso que você quer saber; — Regina diz indo para a porta; Robin se sente derrotado; — Mas Graham disse que eu estava sendo precipitada; — Robin segura um sorriso;
— Já consigo gostar um pouco mais dele; — Regina morde o lábio inferior, e ri do comentário;
— E onde você estava neste dois anos?
— Em Storybrook, com a Tinker; — Regina engole seco; Robin observa sorrindo, sabendo do pensamento de Regina; — Ela sempre foi uma grande amiga; — Regina arqueia a sobrancelha;
— Pelo menos ela foi amiga de um de nós;
— Não a culpe; ela ia te contar, no instante em que descobriu que a Regina que eu tanto falava era você; — Regina sorriu, ele falava dela; — mas eu não deixei. E ela sempre foi uma grande amiga, pois também não me contou de Sophie; — Regina abaixa a cabeça; — o que de certo modo foi bom; não gostaria que essa notícia fosse me dada, de outra boca que não fosse a sua;
— Me desculpe! — Robin nota que os olhos de Regina estão marejados e chega em sua frente antes de a primeira lágrima cair por completo, e limpa o rosto da morena com o polegar;
— Chega de desculpas; nós dois erramos.. — Ele levanta seu rosto delicadamente; — Eu só sinto de não ter estado ao seu lado nesses momentos; queria ter visto sua barriga crescer; realizar os seus desejos; segurar tua mão no parto; ver Sophie sorrir pela primeira vez; e escutar sua primeira palavra, e ela me chamando de papai; — Regina abaixa a cabeça, mas Robin a levanta novamente; — mas não é tarde, eu ainda posso ter vocês do meu lado; — Robin diz referindo-se às duas; Regina o abraça em um ato impensável; e ao se desvincular daqueles braços musculosos que ela tanto sentia falta, ela lhe oferta um beijo na bochecha, fazendo Robin sorrir;
— Eu tenho que ir! Tenho coisas para resolver, pessoas com quem conversar... — Ela diz;
— Graham? — Robin pergunta;
— Graham! — Ela confirma, Robin assenti abrindo a porta; Regina sai, mas antes que se afastasse, ele a chama;
— Rê, eu quero ver a Sophie!
— Amanhã! — Ela exclama;
— Vai mesmo me fazer esperar mais tempo?
— O que são algumas horas, se comparado com dois anos; — Robin a fita;
— Amanhã! — Ele afirma; ela sorri, e entra no elevador;
— Boa noite, Robin! — Ela diz antes das portas se fecharem;
— Boa noite, Regina!
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