Quando em Roma
1 La Ragazza
Notas iniciais
Hoje teremos um capítulo simples, mas espero que esteja do agrado de vocês. Capítulo ainda sem betar.

Seus passos vagarosos por entre as videiras havia uvas roxas – suas favoritas – e as uvas brancas.
Ele experimentada algumas, testava a qualidade das uvas, sempre o fizera, desde pequenino quando acompanhava o pai, Matteo admirava a maneira com que seu falecido pai amava o pequeno vinhedo, na época era só o começo do império que se formou logo em seguida.
Matteo assistira o negócio de videiras de seu pai crescer junto com ele, aos seus vinte e poucos anos já era herdeiro de um dos maiores vinhedos da Itália, e agora, depois da morte de seu pai, já era considerado o dono do maior vinhedo de seu País.
Agora aos quarenta e um anos Matteo Di Ângelo estava no começo de seu primeiro mandado como Ministro, sua carreira política decolava, seu rosto estampado nas revistas, sua beleza elogiada, seu senso honesto ovacionado pela população. Todos o queriam como presidente.
Mas não fora apenas os negócios que prosperaram em sua vida, Matteo estava noivo de Chiara Sartori, a bela modelo internacional que roubara sua atenção.
Só não roubara seu coração, pois ele já pertencia a uma única mulher, a dona dos olhos castanhos mais belos que ele já conhecera, sempre que fechava os olhos o ministro podia enxergar os cachos avermelhados cascateando pelos lados do rosto angelical de sua amada.
Ele conhecera a turista canadense em frente ao Coliseu, ela olhava admirada com a grandeza da arquitetura, ele olhava para ele, admirado com a beleza estonteante, do anjo ruivo.
– Perdoe-me senhorita, mas eu acho um pecado que roube a beleza do mundo inteiro só para ti – seu sotaque italiano sexy a deixou encantada de primeira.
– E o senhor não acha um pecado que esteja tentando flertar com uma moça comprometida – cruzou os braços.
– Ah! Senhorita, então perdoe a minha petulância.
– Só se você me levar para jantar.
– E o seu noivo?
– Estava brincando, relaxe.
Matteo se encontrou sorrindo como um bobo, mergulhado nas lembranças de um amor rápido que deixara uma marca permanente em sua vida.
– Perdoe eu não ter me apresentado – ele sorriu – Eu sou Matteo Di Ângelo.
– Bonito nome, Matteo – a ruiva deu um beijo em sua bochecha – Eu me chamo Milah.
– Milah sem sobrenome?
– Estou aqui para viver uma aventura de verão, não que você me cace depois.
– Desde quando sou caçador? Que eu saiba lido com uvas e não com animais.
– Não me entenda mal – ela colocou os braços ao redor do pescoço do italiano – Mas estou com o coração partido, preciso me curar disso e já encontrei a cura perfeita – beijou-o em frente ao coliseu, não havia nem quinze minutos que o conhecera.
– A senhorita é um tanto imprudente.
– E o senhor é um tanto prudente demais, arrisque-se Matteo, viva.
Depois daquele mês Matteo jamais fora o mesmo, ele amara a mesma mulher por toda sua vida, e nem ao menos sabia seu sobrenome.
*
Montreal, Canadá, 27 de Setembro de 2015, 18h30min.
Milah pegou a bolsa, caminhou até a mesa e escreveu no papel em branco que depois pregara com um imã na porta da geladeira.
Querida Luna, mamãe deixou seu jantar no micro-ondas, não esqueça de colocar suas roupas para lavar.
Vemos-nos mais tarde, seja cuidadosa.
Beijos.
Te amo.
Ass: sua mãe.
A ruiva se apressou em correr para o ponto de ônibus, o café no qual trabalhava estava longe demais e ela atrasada.
Luna entrou em casa, todas as luzes estavam apagadas, a casa pequena estava arrumada, ela sorriu ao imaginar sua mãe correndo de um lado para o outro.
Ela estava ansiosa para contar para a mãe que seus amigos iriam fazer uma festinha de aniversário para ela.
A bela garota estava para completar os dezenove anos, havia terminado o ensino médio, mas optara não fazer faculdade para não gerar mais gastos para a mãe que trabalhava de garçonete, ao invés de estudar Luna cuidava dos gêmeos filhos de uma ex-professora.
Tudo o que ela queria era que sua mãe encontrasse um cara legal e se casasse com ele, mas por algum motivo Milah odiava pensar em ter um relacionamento e sempre que Luna tentava saber mais sobre a vida amorosa da mãe, Milah mudava o assunto, sempre fugindo da pergunta que Luna não tinha coragem de fazer.
Quantas e quantas vezes a bela ruivinha não havia ensaiado a pergunta “Mãe, quem é o meu pai?”, mas nunca tivera coragem de magoar a mãe.
Uma vez quando ela tinha cerca de dez anos tivera coragem de perguntar para a avó e ela lhe dissera que seu pai era um soldado americano que namorara com Milah e logo em seguida voltara para guerra onde acabou morrendo.
Luna sentia que aquela não era a verdade, não a verdade completa.
A ruiva tomou um banho e vestiu seu pijama roxo, ela prendeu o cabelo em um rabo de cavalo meio torto e foi comer.
Ela esperou a mãe até o relógio marcar duas horas da manhã, Milah sempre chegava nesse horário, só que dessa vez ela demorou mais e Luna acabou pegado no sono.
– Filha – a mulher tocou o ombro da menina que acordou assustada.
– Você demorou mãe, fiquei preocupada.
– É, eu tive um pequeno atraso, vá para a cama.
Luna beijou a testa da mãe e foi dormir, Milah bebeu um copo de água e se apoiou na pia, fechou os olhos e se lembrou do homem que ela vira a seguir, quanto medo ela sentiu.
Após alguns minutos a mulher se encaminhou para o único quarto da casa, o quarto que ela dividia com a filha.
*
Matteo acordou assustado, olhou para o relógio que marcava seis e dezessete da manhã, ele caminhou até a janela, hora de voltar para Roma.
Ele se sentia um pouco entristecido de ter que voltar para cidade grande, ele gostava mesmo era de estar perto de suas amadas uvas, lugar onde levara Milah para conhecer no último dia que eles tiveram juntos.
Um dia antes de ela partir seu coração indo embora de volta para sua casa, seu país.
Tudo que ele sabia era seu nome e que ela era canadense.
E isso já bastava para que ele a amasse.
E agora lá estava ele com a vida política corrida e uma vida pessoal estável.
E morrendo.
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