Quando acontece...
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ai, caramba estou muito muito atrasada como eu fiz isso sério como eu confundi o ônibus, agora vai levar um século para chegar lá, mas se eu disser que estava com problemas ou qualquer outra coisa como eu sou burra, onde que eu estava com a cabeça, só pode ser naquele trabalho idiota vou ficar louca desse jeito. E lá estava eu discutindo novamente comigo mesma por ter pego o ônibus errado e atrasada para o teatro e era apenas o meu segundo dia como eu consigo fazer esse tipo de coisa, também não sei, só estava ciente de estar terrivelmente atrasada. Depois de alguns minutos com meu conflito interno interrogando cada célula do meu cérebro que parece mais uma gelatina nesse momento, pois eu sou mesmo muito maluca de sair no Sol tremendo às três da tarde. Ofegante eu consigo chegar (finalmente) ao grupo de teatro já estavam todos no palco e logo me juntei a eles, tive que dar uma explicação por conta do meu atraso, achei melhor contar a verdade e sim foi mais ou menos bem contar, meu professor gostou da minha honestidade mais acharam graça mesmo da minha cara, perdida pelo caminho. O começo do ensaio transcorreu tudo bem, quando estávamos no intervalo apareceu um garoto que nossa de tirar o fôlego, digamos,ele estava recrutando atores, mas, não me importei muito, não gosto de todo essa exposição só participo para melhorar a minha convivência com as pessoas sou meio anti-social, e preferi bem mais preencher minha ficha de inscrição que ainda não estava pronta,bem ele ficava falando eu preenchendo a ficha, mas, às vezes eu ria do que ele falava, não dava pra levar muito a o sério ele não parecia ser tão velho mais também não tão novo, na verdade não consegui estipular uma idade. Depois de tudo isso voltamos para o ensaio, o finalizamos e voltei para casa. Alguns dias depois estávamos planejando o figurino dos personagens e o cenário eu me sentei na platéia longe dos outros para poder melhor me concentrar, fiquei com sede e fui ao bebedouro, quando voltei senti meu coração saltar pela boca nunca tinha sentido reação parecida foi bem estranho, até porque fiquei assim quando vi o menino bonito de alguns dias atrás ele estava lá muito lindo sentado na platéia junto com outro cara, e eu no meu jeito pateta de ser fiquei nervosa passei o mais longe que pude deles cheguei ao meu lugar me afundei ao Maximo na poltrona e suspirei estava ofegando demais, confesso que depois de um tempo fiquei muito tentada a falar com ele de qualquer maneira sobre qualquer coisa ,mas, minha timidez falou bem mais alto do que minha vontade, passara uma hora naquela tortura, até que todos estávamos no palco e ele vem para finalizar a sua procura pelos atores,não me lembro de quase nada que ele disse só sei que estava a poucos metros e nem conseguia levantar a cabeça para olhar em sua direção, quando ele acabou algumas pessoas foram falar com ele para saber de mais detalhes, mas eu infelizmente não consegui, uma pena mas é bem provável que um garoto daqueles tivesse uma daquelas namoradas super legais e cheia de estilo, pois ele tinha muito estilo uma pegada indie inigualável , com os cabelos castanhos cacheados, alto, uma barba media, não deu para observar muito pela vergonha que eu estava e também pela distancia, percebi que não fui a única a notar sua presença,depois que o ensaio acabou as meninas e alguns meninos ficaram comentando sobre ele, algumas já o conheciam e ficaram falando o quão ele era legal,inteligente,tocava em uma banda, era um bom ator e outras coisas, isso só me fez notar mais ainda o quanto era impossível um garoto como aqueles um dia se interessar por mim. Voltei pára minha vida normal, mas fiquei uns dias com ele na cabeça, era a primeira vez que senti isso só de ver alguém era ao mesmo tempo bom e ruim, não sabia como explicar. Estava navegando pelo facebook no ônibus a caminho da faculdade e vi uma mensagem um “olá” olhei pensei em responder mas já estava chegando então desistir. Passaram-se alguns dias e numa quarta-feira depois de sair com um amigo, meu único amigo Lipe, que começou a discutir a importância de eu conseguir um namorado, primeiro passo seria roupas novas,maquiagem,costumes diferentes, nada de coisas hippies e blá blá blá – ei ei ei, parou eu não sou hippie só ando largada, e já disse que ninguém toca nas minhas saias longas, eu amo elas. Eu tentava me defender. – eu sei amiga, mas só que não sei se você percebeu mas esse seu estilo de historiadora defensora da natureza não está mais dando certo. Ele rebatia. – o que eu faço não tem nada haver com os meus gostos. Falei cansada já não era a primeira vez que ouvia isso. –mas você é inteligente,bonita,e vai muito mais além do que qualquer coisa de garota, você gosta das novidades tecnologia, HQs,series de TV, conversa sobre tudo,tem ... Ele continuava. – tá legal.interrompo.-quanto elogio, nossa que chato não vou mudar, me deixa assim que eu gosto já disse, se alguém se interessar, o louco que me quiser e talvez nem exista vai ter de me aturar desse jeito mesmo.disse um pouco irritada. –tá desculpa, eu entendo que queira ficar só. Disse ele , tentando me acalmar. –é melhor assim,bem tenho que ir agora, até amanhã. Eu disse enquanto abraçava Lipe. Nós nos conhecemos a quatro anos na escola e foi meio sem querer ele ficava só com as meninas ditas “populares”,porém depois começou a ir meio mal com as notas e também percebeu o quão elas eram falsas, resolveu falar comigo nem sei por que, já que eu sabia muito bem da caveira que todos faziam ao meio respeito, a estranha, excluída, que vive grudada nos livros com aquela roupa ridícula, na época tínhamos de usar o uniforme da escola mas o meu tinha uma pegada só minha, a maioria das meninas ia com calças justas, o sapato alto,o mais maquiadas do que o coringa, já eu ia de forma bem mais confortável e meio relaxada e sempre com um casaco duas vezes maior que eu. Nem lembro como ficamos tão amigos,morávamos perto um do outro, e mesmo depois que ele se mudou para longe continuei visitando, quando saiu o resultado da universidade ele ficou arrasado e ajudei muito mais sempre dando o apoio que estava ao meu alcance, ele voltou a ser meu vizinho e agora estava no cursinho, e eu começando o primeiro semestre de História meu sonho desde criança.
Quando cheguei em casa fiquei alguns minutos refletindo a respeito de nossa discussão, será mesmo que eu precisava de alguém, todas as vezes que eu já tinha ao menos me interessado me dava bem mal. afinal,que tipo de garoto em sã consciência aceitaria ter algo comigo, toda estranha e nem um pouco bonita, lembrei da ultima vez que tentei conversa com um garoto, tomei coragem deixei a timidez de lado e fui, foi o pior erro da minha vida ele era um baita de um preconceituoso e disse que não ficava com garotas da minha cor e preferia as branquinhas,louras de olhos claros, isso foi um baita tapa na minha cara, pois não fazia sentido algum se fosse por outra coisa claro que eu aceitaria na boa, mas preconceito idiota nunca. Sim eu digo e tenho muito orgulho de ser negra, só teria mais orgulho mesmo se tivesse nascido com o cabelo bem cacheado, aí sim eu iria sambar na cara da sociedade, mas como meu pai tem cabelo liso e o da minha mãe era apenas ondulado o meu é liso, infelizmente, particularmente eu me acharia poderosa com um cabelo daqueles o meu só é grande escorrido sem graça alguma.
Depois de um tempo tentei ler algo mais não consegui, tomei uma ducha para relaxar, e como não tinha nada mesmo resolvi entrar no Facebook, e lá está o “olá” novamente, fiquei olhando por algum tempo era de um garoto, eu nunca falava com ninguém mas esse era insistente ou só estava mesmo pra lá de carente, e eu também queria me descontrair, então eu escrevi “oi?”.
Fale com o autor