Quando a neve descongelar
1 Prólogo
—Coitada... _Sussurrou uma senhora vestida de preto, assim como todos ali presentes._ Tão jovem...
—Sim, ela parece desolada... Ninguém esperava algo assim; deve estar sendo horrível para ela._ A jovem sussurrou de volta para sua tia antes de voltar a conter o choro com um lencinho enquanto observava homem caucasiano com seus quase cinquenta e seis anos cinquent
Mary chorava próxima ao caixão, não tirava seus olhos do cadáver a sua frente. Ele parecia estar dormindo profundamente, e se ela ignorasse o fato de estar num velório, do corpo estar dentro de um caixão e de ter um pedacinho de algodão saindo do nariz do falecido, poderia jurar que Harry dormia tranquilo. E mesmo atenta ao seu marido que jazia morto, conseguia sentir olhos presos a si, sentia-os desde que chegou para acompanhar a cerimônia e sabia quem estava fuzilando-a com os olhos. Mesmo sabendo sentiu a necessidade de ver, a mesma necessidade que sentiu quando soube que John havia falecido.
E ali estavam; olhos que a julgavam e condenavam a cadeira elétrica. Entretanto Mary não se abalou, já estava se acostumando a receber aquele olhar de sua cunhada, então apenas voltou a olhar o falecido.
"Pobre Harry, deixou-se enganar por essa mulherzinha dissimulada... " Samantha pensava enquanto fuzilava Mary com seu olhar, já que essa era a única forma de fuzilar a loira que estava do outro lado do caixão. A única coisa que a fazia não chorar era o ódio que direcionava a viúva de seu irmão, não conseguia deixar de pensar que ela estava envolvida na morte de Harry e não conseguiria viver sem descobrir o que havia acontecido.
Sarah aproximou-se da viúva pondo sua mão delicadamente em volta de seus ombros numa tentativa de acalmar a mulher que já tinha o nariz vermelho de tanto passar seu lencinho branco e fungar enquanto chorava. Mary aceitou o consolo da cunhada, apoiando-se no ombro da mesma.
Mary sabia como Sarah estava triste com a morte do irmão mais velho e ficava um pouco impressionada por ela não deixar de se sensibilizar com a sua imagem de viúva. Aliás todos, exceto Samantha estavam sensibilizados, todos exceto Samantha acreditavam no amor entre Harry Sherman e ela.
Duas malas de tamanho médio e um sorriso doce. Foi disso que Mary precisou para começar. Já havia se despedido de alguns amigos próximos, da cunhada e de seus sobrinhos. As crianças com seis e oito anos, foram as que mais lamentaram a noticia de sua partida. Porem, foi com quem Mary menos se importou, sabia que eles seriam os primeiros a esquecê-la.
Sarah lamentou a partida de Mary, tentou convencê-la a ficar na cidade até o ultimo momento; mas no fundo estava convencida de que a outra precisava daquele tempo. "Não conseguirei permanecer aqui... São muitas lembranças", foi a ultima explicação que Mary deu a ela e foi a mais convincente.
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