Quando a neve descongelar
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Josef
No elevador olho meu reflexo, pareço ótimo; assim como estava quando cheguei. Hoje foi meu ultimo dia antes das férias, tive apenas uma reunião, entreguei alguns documentos e falei com meus assessorados.
Não é como se em algum dia da minha vida tivesse estado uma pilha de nervos por causa do trabalho, mas esse mês foi leve como uma pluma, pelo menos pra mim. Deixo o prédio ouvindo as reclamações das secretárias., o barulho dos estagiários carregando papéis com seus olhares de desespero, posso até imaginar como estão nervosos e é bom que estejam.
Prazos curtos, muito barulho e expressões desesperadas, isso resume um pouco do meu ambiente de trabalho.Mas não tenho do que reclamar, pressão nunca foi um problema, diria que é uma solução... Tudo fica melhor quando tem alguém gritando em seu ouvido , é nesse momento em que você decide se vai sair correndo ou vai resolver o problema.
Quando tudo está calmo é que fico preocupado, pode parecer paranoia e quem sabe seja. Entretanto tudo de ruim que já me aconteceu foi quando tudo estava calmo, isso parece ser algo que todos os meus sentidos ficam atentos; sempre que há uma calmaria sinto um arrepio, minha boca ceca e meus olhos quase saem de suas orbitas. Fico assim parecendo um animal empalhado, esperando o golpe vir de qualquer lado.
"E por qual motivo uma pessoa que tem uma fobia a calmaria ficaria de férias?" deve estar se perguntando... E essa é uma questão bem simples de ser respondida:Não tenho muitas opções.
Eu poderia me trancar em meu apartamento e tentar morrer de claustrofobia,mas seria cruel demais, também poderia fazer trabalhos voluntários como aquelas socialites de meia idade, mas ainda não estou no fundo do poço. Então resolvi só procurar uma agencia de viagens, escolher um lugar onde pudesse passar minhas férias e fazer todos aqueles programas de turistas.
Assim que cheguei na casa que havia alugado, solicitei o aluguel de um carro, pegar táxi não estava em meus planos, não dessa vez, ainda estava muito traumatizado com a ultima viagem em que tive que pegar um táxi. Ainda com o celular entre meu ombro e o ouvido, abaixei do lado de um pequeno vaso de flores verificando se alguém estava olhando e coloquei minha mão atrás dele tirando o molho de chaves dali. Incrédulo abri a porta e empurrei minhas malas para dentro antes de congelar do lado de fora; me parecia muito inacreditável alguém colocar a chave de casa num esconderijo tão ruim, mas parecia ótimo para o proprietário. Entretanto posso relevar essa loucura se estiver tudo como nas fotos que vi da casa: a lareira, a suite com uma janela grande e cortinas grossas, os banheiros espaçosos e a parte de trás da casa com um quarto de ferramentas. Me pareceu uma ótima e distante casa.
Fui empurrando minhas malas até um canto do quarto e joguei meu casaco, a ultima coisa que estava em meus planos era arruma-las ou sair, depois da viagem eu estava exausto, meu sono quase não me deixou caminhar até o banheiro,mas consegui e num piscar de olhos estava de volta no quarto debaixo dos cobertores.
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