Quando a mentira eu esquecer

4 Por trás das flores, um novo lugar.


Notas iniciais
Esse capítulo está maior para compensar o tamanho dos outros, boa leitura

Já era tarde, a Lua estava alta. Meus pensamentos estavam tão longes. Chamei um taxi. O primeiro a aparecer tinha algo incomun: a velocidade de chegar.

Entrei e fui me acomodando com duas pequenas malas, apesar de morar com um playboy super rico, eu não gastava nada do seu dinheiro, e nem o meu. Economizava tudo o que eu pudesse, não por ser uma megera, mas por não saber se um dia precisaria. Senti o frescor da noite.

— Sabe moça, sou conhecido por corridas rápidas e confortáveis pelo melhor preço. Então, onde deseja ir? — Um homem de cabelos negros com uma franja e sobrancelhas incrivelmentes grossas me olhavam com bondade e receio – Vou garantir que a senhora tenha uma corrida rápida e que não pague muito por isso.

—Não, na verdade, prefiro uma corrida mais devagar, já que desejo pensar sobre alguns assuntos – Eu disso olhando para baixo. Queria aproveitar cada instante para por minha mente em ordem sem nenhum problema a me afligir, mas eu já estava errada desde então, pois deixá-lo me irritava. — Me leve para a fazenda Hyuuga, por favor. Ela fica entre Konoha e Suuna. Um pouco mais a frente do pequeno Parque do Riacho Old.

—Ah! Tudo bem.

Então seguimos viagem, eu estava inquieta, olhei no celular eram vinte horas, tinha cinco mensagens dele e duas ligações, procurei ignorar ao máximo. Joguei de volta na bolsa e procurei me concentrar na vizinhança adormecida, parecia não tão adormecida assim. Ouvi um som alto, parecia uma festa, olhei e lá estava Gaara, entre flashs e flashs e parecia não ter ligado de eu estar indo embora, então me dei conta de que todo esse tempo eu fui amiga dele e ele não foi meu amigo, nem um pouquinho. Estava chateada. E vi aquela Loira de Hoje cedo junto dele, tudo aconteceu tão rápido. Estava me corroendo por dentro pra não ter que voltar para lá e cuidar dele. Eu deveria ser persistente e continuar com meu objetivo, iria voltar a morar com o meu pai, por mais servero e rígido que ele fosse, era o meu único laço de sangue que eu tinha por perto, tinha certeza que ele me aceitaria de volta, pois quando sai eu disse que meu corpo e minha mente sempre ficariam em casa. E que o anjo da mamãe um dia me guiaria de volta, qualquer que seja o rumo que eu tenha tomado.

Depois de duas horas a cidade então começava a ficar para trás. Seguimos por uma estrada de terra, um pouco esburacada. Sons de corujas e outros animais noturnos. Passamos diante do Parque que eu havia mencionado, estava tudo muito escuro. Conhecia aquele lugar, na claridade do dia era um lugar de muitas cores, chegava a brilhar em meus olhos. Um riacho muito velho, por isso o nome Old, poucos sabiam de sua existencia apesar do nome ser conhecido as pessoas tinham medo, receio de ir ali, tanto pelas história contada de lá, como porque o riacho se localizava no meio de uma mata fechada que mais parecia um labirinto. Só um guia conseguia levar as pessoas até o centro.

Foi ali a primeira excursão de escola que fizemos: Eu, Gaara e Sakura.

Faz muito tempo que não a vejo, nem mesmo recebo uma ligação. Nós seguimos caminhos totalmente opostas, pois ela foi ser vocalista em uma banda, se mudou para longe junto com vários outros amigos nossos.

— Pronto senhorita, são 40. — ele parou o carro que apontava para uma porteirinha que eu conhecia muito bem, estava igualzinho quando eu parti. — é aqui mesmo, não é?

— é, muito obrigada. Aqui está o seu pagamento – o paguei e fui andando, lembrei que já eram 23 horas. Papai deveria estar dormindo, minha irmã, Hanabi deveria estar na faculdade e o meu primo Neji deveria ser o único que estava acordado, pois ele fazia muitas pesquisas a noite. Bati na porta ninguém atendeu, será que haviam se mudado dali?

— Já vai, Já vai – Ouvi uma voz masculina um pouco distante e rouca, abriu a porta e eu dei de cara com olhos perolados iguais os meus – Hinata?

— Neji, que bom te ver – ele estava de roupa de dormir, com o cabelo (que é comprido) todo desalinhado, e eu nem liguei, era bom ver alguém da família depois de tanto tempo.

— Neji, quem está ai? — ouvi uma voz feminina perguntar e logo após passos em uma escada, cabelos róseos pararam frente a porta – Hinata?

— Sakura? — Olhei no fundo daqueles olhos verdes – Você e Neji...

— Não é Isso o que está pensando, seja lá o que esteja pensando – ela me olhou. Minha melhor amiga agora também seria minha prima – Quer dizer, é exatamente o que você está pensando.

— Quer dizer que?

— Sim Hinata. Olha só você. Mas não fique ai na porta, entre. Vamos conversar lá na sala. — ela caminhou em direção a cozinha e foi revirando as panelas – Você está com fome? Como vai Gaara, por que ele não veio junto? Poxa, também estou com saudades dele.

—Não Sakura, pode deixar, só gostaria de me acomodar e descansar. Podemos conversar amanhã? Onde está o meu pai? Ele está bem?

— O velho Hyuuga? Melhor que nunca – disse Neji subindo as escadas – Eu vou me deitar, por hoje chega de estudos, qualquer coisa que precisar me chame no quarto. Sakura irá te ajudar com as malas.

Ela me ajudou as coisas sem falar nada, no fim, me deu um beijo de boa noite e se retirou. Ninguém me perguntou nada o que havia ocorrido pra eu ter ido parar ali.

Deitei e adormeci.

Na manã seguinte o sol já estavam bem alto quando me levantei. Um forte cheiro de café e uma mistura de rosas com orquideas adentravam o quarto. Um calor insuportavel tomou conta de mim. Corri ao banheiro e tomei um banho rápido, coloquei uma roupa fresca e desci para tomar meu café da manhã. Meu pai, Neji e Sakura estavam na mesa, pareciam somente estar me esperando para então começar a comer e tomar as coisas que estavam na mesa.

— Bom dia – Disse com a maior cautela. Meu pai se levantou, estava de bengala. Caminhou lentamente até mim e me abraçou. Depois voltou para seu lugar e começou a tomar o chá, porque ele nunca gostou de café.

— Bom dia Hinata – os três disseram em Unissono, pareciam bem contentes com a minha presença.

Depois, Neji me chamou para ajudá-lo com a sua horta e alguns animais e Sakura foi cuidar da plantação de rosas que ela e meu pai tinham como maior paixão. Principalmente as de cor rosa.

Quando acabamos o serviço já era deveria ser umas quinze e trinta. Estava quente, abafado. Sakura e eu nos encontramos perto da bica de água que tinha na floresta atrás de casa. Nos deitamos na relva. Nossos rostos corados.

— Senti falta de você e sua família também.

— Eu também senti, mas eu não poderia voltar sem cumprir minha promessa, você sabe disso.

— Mas o que te fez voltar assim tão depressa? — Ela me olhou com aquelas órbitas verdes que pareciam me mostrar mais que sinceridade.

— Ele não ligava mais para mim, nem mesmo como um inimigo. Ele simplesmente começou a me ver como uma simples secretária.

— Ah! Então é por isso. Seu pai passou noites chorando depois que você se foi, ele se culpou, disse que não era um bom pai.

— Mas não deveria...

— deveria sim, ninguém diz pra filha que ela é uma inutil só porque não seguiu o que o pai quis que seguisse.

— Mas eu estou de volta.

— eu sei. É por isso que agradeço ele não ter cumprido com a parte dele, assim minha melhor amiga voltaria para os meus braços...

Rimos abobadamente.

— sabe quem está com ele?

—Não! Quem?

— A Ino Yamanaka...

— Ah não, jura?

— Juro. — eu disse por ultimo. E permanecemos em silêncio, cada uma com seu pensamento. Como era bom ter alguém que me fazia bem por perto.

Notas finais
Espero que tenham gostado, próximo capítulo: Minha amiga, Sakura Haruno.