Quando a Noite Cair
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Me desculpem por esse capitulo, ele estah um pouco chato por ser o coemço da hisotira, mas os outros estarão bem mais interessantes eu prometo.
Sugestoes e criticas são bem vindas *----*.
Ah e sobre a familia do reita, ela veio da minha imaginação ok? Nada baseado em fatos reais.
Com certeza aquela não era uma tarde fatídica para mim. Os gritos vindos da sala de estar da minha casa assustavam-me como nunca haviam feito antes, e eu tentava abafá-los apertando um travesseiro contra a minha cabeça, deitado de bruços na cama do meu quarto.
Tinha apenas 16 anos na época mas consigo me lembrar claramente da agonia que aflorava meu peito.
Minha mãe conseguira arranjar um emprego para ajudar a renda da família porém, meu pai não aceitava aquilo. Dizia ser horrível um homem deixar sua esposa trabalhar. Para mim tudo não passava de puro machismo.
Meu celular começou a vibrar em cima do criado mudo. Suspirei entediado e estiquei meu braço para pega-lo.
- Moshi-moshi ...
- Suzuki-kun ! — uma garota exclamou do outro lado da linha.- Sua voz está muito animada, não?
A pessoa com a qual falava naquele instante chama-se Ikeno Miyuki, minha melhor amiga. Ela conseguia incrivelmente adivinhar os momentos que precisava dela, de sua doce e sarcástica voz.
- Estou muito animado sim. Pra você ter uma ideia estou deitado que nem defunto na minha cama, com um tédio dos demonios, ouvindo os gritos do meu pai.
- O seu pai está gritando de novo? Sinto muito Suzuki-kun ... — Miyuki fez uma pausa e suspirou, parecendo pensar em algum assunto repentinamente.- Etto... você não gostaria de vir aqui? Minha mãe fez uma torta de morango deliciosa, sabe? E aqui também está bem chato.
-Por que não me chamou antes?
Desliguei o celular sem me despedir, ajeitei meus cabelos no espelho grudado ao guarda-roupa, calcei meus sapatos e desci as escadas correndo.
Meus pais haviam parado de gritar, mas percebia-se pelo olhar triste de minha mãe que não voltariam a se falar tão cedo.
- Aonde vai Akira-kun? — ela me perguntou preocupada.
- Na casa da Miyuki. Prometo que não demoro pra voltar, ok? Te amo mãe, tchau !!!
Corri para a porta antes que pudesse ouvir uma intervenção dela, e caminhei pelas ruas com passos ligeiros, tentando afugentar de minha mente qualquer preocupação, querendo não me culpar por deixar minha mãe sozinha com aquele monstro. Sim, ele era um monstro, não gostava da forma de como agia.
Quando menos esperava já me encontrava de frente a casa dos Ikeno. Uma construção simples de um tom creme, com um jardim divinamente bem cuidado. Toquei a campainha e fui atendido em questão segundos.
-Boa tarde, Ikeno-san — falei para a mãe de Miyuki.
-Oh, olá Suzuki-kun, a Miyuki está te esperando lá em cima.
Agradeci à ela, subi a escada de dois em dois degraus e bati na porta de minha amiga.
- Suzuki-kun !!! — ela exclamou assim que me viu e me abraçou fortemente, encostando a cabeça em meu peito e acariciando minhas costas com a mão. Era incrível o poder que aquela garota exercia sobre mim, um poder tranquilizador. Seu perfume invadia minhas narinas fazendo meu corpo relaxar.
Entramos no quarto dela, todo pintado de lilás. Fotos de pessoas estranhas em alguns lugares das paredes. Em sua cama havia um livro aberto e uma escova de cabelos que devia estar usando minutos antes de minha chegada.
-Eu comprei uns jogos novos de videogame. Você tem que ver que viciante que são!!! Meus pais tiveram que brigar comigo para eu ir jantar ontem a noite. — Miyuki disse rindo, sentando na cadeira giratória de sua escrivaninha, penteando os cabelos.
Vestia calças largas pretas de moletom, com uma camiseta também larga desenhada com retratos futurísticos a tinta. Seu corpo era sempre assim, encoberto por muito tecido. Miyuki não era daquelas que ia aos shoppings comprar sandálias de salto alto ou que conversava com as amigas sobre meninos. Ela era tão essencialmente diferente, no modo de falar descontraído, nos gostos por livros excêntricos, por idolatrar muitas coisas que garotos idolatravam e por ser tão amiga, que as vezes esquecia de que era uma garota.
- Qual o nome do jogo?
- Alguma coisa street, eu acho ... sei lá — riu — Ahh.. já ia me esquecendo! Hoje por que você fugiu da escola antes da saída ... o professor me entregou a sua prova de matemática ...
- Oh, minha nossa ! E como eu fui?
Miyuki procurou algo de dentro de sua mochila e quando encontrou, entregou-me a folha.
- 0,73? COMO É QUE ALGUÉM TIRA O,73?!?! — exclamei indignado.
Na verdade o problema era que nunca me dedicava aos estudos, e quando via uma nota tão baixa como aquela ainda conseguia me culpar por ser burro daquela maneira. Vai entender... !
- Você queria , o quê? Vive fugindo da escola! Agradeça por ter acertado pelo o menos 0,73 e não 0! — Ikeno-chan caiu no chão de tanto rir, e eu ri também rolando na cama.
O final do dia passou rapidamente, minha mãe me ligou quinhentas vezes dizendo para eu voltar para casa e podia-se ouvir a voz exasperada de meu pai ao fundo, Miyuki derrubou torta em cima de minha camiseta nova, jogamos videogame, lemos alguns blogs estranhos na internet e por fim, caímos cansados no chão de seu quarto, olhando para a janela que já mostrava um céu escuro coalhado de estrelas.
- Se você pudesse fazer um pedido, qual seria Suzuki-kun? — Miyuki me perguntou alegremente, beliscando meu braço de leve com a ponta dos dedos e fazendo-me rir.
- Eu pediria que meu pai parasse de ser tão hipócrita e deixasse minha mãe em paz.
-Ah, Suzuki-kun, não guarde tanto rancor de seu pai, senão você ficará igual a ele. Relaxa, logo isso passará.
- Espero que sim. — sussurrei — Ei, Miyuki. Por que a sua mãe nunca implicou por eu vir aqui direto, mesmo sendo um garoto?
- Acho que é por que ela não te enxerga como um, oras! — respondeu rindo — Minha mãe deve achar que você é bicha ou algo do tipo.
- QUE LEGAL, é aí que minha reputação vai para o lixo !!!
A garota teve mais um ataque de risos, estava óbvio que ela adorava tirar com a minha cara, me rotulando de bicha por ter uma garota como melhor amiga. Ok, eu admito que é estranho, mas eu também tenho o Kouyou, que não é lá grande coisa por sempre ter comentários desnecessários a respeito das situações.
- Me escuta, me escuta ! — Ikeno-chan exclamou. A toquei para demonstrar que estava escutando. — Posso te fazer uma pergunta?
- Faça logo ...
Quando olhei para cima me assustei ao vê-la debruçada sobre mim, os braços apoiados no chão ao lado do meu corpo, a expressão totalmente séria, a camiseta larga deslizando pelo ombro . Vendo-a de perto percebi o quão doce era sua fisionomia, o quanto seus olhos amendoados podiam ser sexys. Lembrei-me na hora, das revistas de modelos que sempre comprava para ficar me imaginando despindo-as e beijando-as como um louco. COISAS RIDÍCULAS DE ADOLESCENTES, COISAS NORMAIS ! Mas enrubesci ao perceber que estava comparando minha melhor amiga com uma mulher desejável. Estava tremendamente assustado.
- MIYUKI, MIYUKI ! Saia de cima de mim garota, sua pervertida, no que você está pensando, hein? — resmunguei, empurrando-a de leve para o lado, agradecendo por estar escuro para que não visse minhas buchechas rosadas.
-Pára de exagerar AKIRA !!! — Miyuki resmungou, parecendo estar nervosa de verdade. Sentou-se abraçando as próprias pernas, deixando os cabelos castanho claro cair defronte a face. — Eu só queria saber se .. se .. você me acha bonita.
Aquilo me pegou de supetão. Que pergunta idiota, era ÓBVIO que eu a achava bonita. Na verdade, só passara a achar isso depois de vê-la tão perto de mim. Uma garota usando calças e camisetas largas o tempo todo, que só se preocupava em pentear os cabelos para dormir e que falava e gostava de coisas que apenas garotos gostavam não era atraente. ESTAVA FORA DO MUNDO PADRÃO DE BELEZA E DE SENSUALIDADE.
- Você é bonita, Miyuki. -respondi mais rápido do que pretendia.
- Obrigada pela resposta sincera. — resmungou ela, levantando-se e indo em direção a janela.
Meu celular tocou mas dessa vez era o meu pai ORDENANDO a minha volta para casa.
-Miyuki, tenho que ir. ME DESCULPA POR SER SINCERO, SUA BAKA- tentei rir, jogando um travesseiro nela.
- Vá embora! Não demore!
Arregalei os olhos assustado e me apressei em sair da casa, me despedindo da Ikeno-san e tomando uma rua deserta e escura de volta para casa.
A imagem do ombro nu de minha amiga assombrou-me o tempo inteiro. Imaginei sem querer minhas mãos percorrendo suas costas, agarrando seus cabelos ...
Chacoalhando a cabeça para espantas as idéias, peguei meu celular e digitei o número do meu \"melhor amigo\" Takashima Kouyou. Não entendia o por que de estar fazendo aquilo, pois sabia que a única coisa construtível que ele diria para mim seria: \"Você deveria ter jogado ela na cama se a achou sexy\".
O celular chamava por meu amigo, e eu esperei ansiosamente pela sua resposta enquanto chegava em casa, mal sabendo o que me esperava em meu doce lar.
Fale com o autor