Notas iniciais
Essa one-shot está participando de um desafio cujas três regras principais são:
1 - Ter exatamente 800 palavras
2 - Usar duas palavras-chave dentre as do Desafio de Novembro (As escolhidas foram Graal e Chapéu)
3 - Usar três palavras-suporte dentre as do Desafio de Novembro (As escolhidas foram extinguível, fita e estranhar).

“— ...Está chorando. Por que está chorando?

— Não estou chorando! Só... Caíram cinzas no meu olho.

— Mentira.

— ..! ...Você não tem a Luz da Verdade. Estava blefando.

— Continua sendo mentira.

— Vai rir de mim se eu contar. Você é todo... Todo...

— ...Solitário?

— Triste. Mas isso também.

— E se eu prometer não rir?

— Por que o interesse súbito? Quero dizer... Você mal falou três palavras comigo nessas últimas semanas.

— Eu não sei. Você pareceu...

— Solitária?

— Triste. Mas isso também.”

­Nathally sentiu a imagem se esvair como se feita de fumaça enquanto era cutucada fracamente. Como sempre, não se lembrava de seus sonhos, mas havia algo a se estranhar. Não estava exausta. Não sentia como se tivesse acabado de prever uma tragédia iminente. Estava há quase cinco minutos pensando sobre isso quando finalmente percebeu a pessoa trêmula que a acordara. Desculpou-se com Helana, não a teria acordado sem um motivo, e tinha razão: Hunter desaparecera. Fugira correndo com os primeiros raios de Sol, segundo ela. Ciente de que jamais o alcançaria por terra, cogitava pedir à filha de Melinoe que enviasse fantasmas atrás dele quando percebeu o papel, preso com uma fita junto a seu inseparável arco.

‘Não quis acordar você. Vou dar uma volta e ver os monstros.’

...Ele não tinha fugido. Nathally soltou a respiração que prendia sem perceber, e foi ajudar Helana com o café da manhã, acendendo um fogo que fosse facilmente extinguível.

O filho de Hermes voltou uma hora depois, direto para um cascudo. Surpreso, soltou um ‘ouch’ ao rearrumar o chapéu sobre a cabeça, a encarando como quem vira um dos fantasmas de Helana.

— Não saia por aí sozinho outra vez! Somos um time. Times se ajudam pra conseguir o objetivo e, sei lá, não morrer.

— Você... Estava dormindo. — ele falou, dando de ombros como se explicasse.

— E daí?

— Você estava dormindo. Não se revirando com um pesadelo ou desmaiada de exaustão. Dormindo.

— ...Ah. — ela piscou surpresa. Subitamente, esticou a mão para a boina do garoto, tentando erguê-lo pela aba. Ele a repeliu empurrando a mão e dando um passo atrás.

— Mas o que foi isso?

— Por que se esconde..?

— Não estou me escondendo. Estamos no meio do terreno de Morfeu, e...

— Não, não se escondendo assim. Se escondendo. Aí embaixo. Desde que reencontrei você, não tirou o chapéu nem uma vez.

— Eu sempre usei a boina.

— Não estava usando quando conversamos pela primeira vez. —lembrou-se subitamente. Era com isso que sonhava. — Na casa do pai de Matthew.

— Eu só esqueci de colocar.

— Não, você não sentiu que precisava se esconder de mim. — insistiu. — Por que precisa agora..? O que mudou?

— Não sei do que está falando. Devia dormir mais um pouco, tá tonta.

— Você veio falar comigo porque eu parecia... Ah. — ela compreendeu. — Eu não... Pareço mais solitária?

— ... — Hunter puxou a aba do chapéu sobre os olhos, retraindo o corpo sem responder. A filha do Sol o conhecia bem. Sabia que provavelmente acertara.

— ...Você perdeu Drake. E eu... — ela parou. Enquanto Hunter perdia o único amigo e voltava a vagar sozinho, Nathally tinha Matthew, e então Celine, e então toda uma comunidade na Irlanda, e agora muitos no Acampamento Meio-Sangue. Já o Viajante Solitário permanecia solitário. — Hunter... — chamou baixo, esticando outra vez a mão. Sem encontrar resistência, puxou o chapéu, deixando-o pender em seus dedos enquanto o olhava. Os olhos de Hunter, sempre ocultos, eram realmente bonitos. Ela chegara a se esquecer disso.

— Estou bem. Estou acostumado a ser sozinho.

Hunter desviou o olhar rangendo os dentes quando a luz se acendeu junto à nuca da garota. Ela sorriu fracamente.

— Mentira. — Nathally largou a boina sobre a grama ao seu lado, avançando para abraça-lo antes que o garoto pudesse fugir. Ele relutou, mas não a empurrou de si, sem dizer nada. — Você pode ser um Viajante, mas faz dez anos que não é Solitário. Pode fugir até da Morte, garoto, mas não pode fugir de mim. Já devia ter percebido isso.

— ...O Graal. — ele resmungou, mudando de assunto. — Você deve ter dormido bem por causa do Graal de Morfeu. Devemos estar perto. Você devia aproveitar pra dormir o quanto pode.

— Está fugindo outra vez.

— Não estou..! Eu prometo. Olha, eu... Fico aqui. Pra você dormir. Helana está de prova.

— Vai confiar nela te vigiando? Isso é raro.

— Mas vou ser eu vigiando você. É mais garan... ti... — ele hesitou ao ver que ela ria, se tocando do que dera a entender. Seu rosto corou, mas ela não o deixou corrigir, se largando sobre a grama junto à fogueira. Deu um tapinha na grama ao lado e, quando ele se sentou incerto, Nathally se deitou em seu colo.

— Confio totalmente em você. — ela declarou, antes de voltar a dormir alheia ao semideus aparvalhado e à confusa filha de Melinoe que deixara na terra dos acordados.

Notas finais
Tá confuso? Táááá. Eu corri porque era quase meia-noite e no fim ainda assim atrasei. Vou jogar em originais mesmo e dane-se. To com sono.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!