Notas iniciais
No último capítulo:
"Hyoga pensou em dizer sobre seu problema de insônia com Kamus, mas achou melhor deixar quieto. Aqueles remédios que estava tomando eram para isso. Tomava cinco remédios diferentes, um para aumentar seu apetite, um para tirar aquela depressão toda e os outros três era para ajudá-lo a dormir. Não estava funcionando muito. Queria saber por quê. Passava a noite inteira pensando em sua mãe. Chorava até amanhecer. Talvez estivesse sentindo falta dela mais do que pensara. Não tinha uma noite sequer que não pensara nela. Isso o deixava deprimido. Estava parando sua vida por ela. Quando esse sofrimento ia parar?"

Não conseguira dormir novamente. Estava ficando cada vez mais cansado. Levantou-se e se arrumou para o colégio. Seu primeiro horário era educação física. Estava completamente desanimado. Era basquete, um dos esportes que mais gostava. O professor de Educação Física gostava muito de Hyoga, achava-o perfeito para participar de algum dos times de esportes da escola. Sempre o chamava, mas ele recusava. Nesse dia o professor notou que o aluno estava muito desanimado. Ficou preocupado. Aproximou-se dele para saber o que estava acontecendo.

- O que foi Hyoga? Você está bem?

- Não estou muito legal, será que pode me dispensar da aula hoje.

- Aconteceu alguma coisa?

- Não é nada demais. Só me sinto um pouco cansado, não dormi muito bem. — Tudo bem.

- Obrigado.

O professor achou estranho. Assim que o sinal para o intervalo tocou, foi para a sala dos professores. Ouviu alguns conversando sobre Hyoga.

- Ele anda estranho, está muito abatido. Fico imaginando o que pode ter acontecido?! — Disse o professor de Literatura.

- Então ele está estranho na sua aula também? Então isso é um problema. — ­Disse a professora de Inglês.

- Mais estranho ainda é que suas notas continuam as mesmas. Pensei que ele fosse abaixar suas notas por causa disso. — Disse o professor de Química.

- Ele deve estar com algum problema e mesmo assim se esforça ao máximo para manter suas notas. Isso pode ser prejudicial. — Disse a professora de Francês.

- O que vocês acham de comunicarmos isso ao diretor? Ele poderá chamar o pai dele aqui e conversar sobre isso. — Disse o professor de Educação Física.

- É uma boa idéia. — Disseram todos.

Os professores foram até o diretor e colocaram-no a par dos acontecimentos. O diretor concordou e ligou para Kamus, chamando-o para conversar no final da aula. Kamus ficou um pouco preocupado. Sabia que Hyoga estava mal, mas não esperava que fosse chamado na escola. O que será que tinha acontecido?

Quando a aula terminou, Hyoga foi chamado pelo diretor. Achou estranho, não tinha feito nada. Bateu à porta e entrou.

- Com licença. O senhor me chamou?

- Sente-se Hyoga. — O diretor percebeu a tensão do garoto. — Não fique assim, você está aqui porque estamos preocupados com você. Não há nada demais.

Hyoga aliviou-se. Suspirou fundo. O diretor sorriu, Hyoga era um dos melhores alunos, nunca tinha ido à diretoria. Ouviu outra batida na porta.

- Licença.

- Pai?

- Por favor, entre senhor...?

- Kamus.

- Sente-se senhor Kamus. Fico contente que possa ter vindo.

O diretor, que até então estava em pé, sentou-se em sua cadeira, ficando frente à frente com Kamus e Hyoga.

- Por favor, será que pode me contar se aconteceu alguma coisa em sua casa que possa ter afetado Hyoga? — Começou o diretor.

- Minha esposa faleceu faz pouco tempo.

-Entendo.

- O que houve exatamente?

- Não há nada de errado com o desempenho acadêmico de seu filho. Pelo contrário, ele continua sendo um aluno exemplar. Devo lhe dizer que pelo comportamento de seu filho ser tão bom, os professores se apegaram a ele. E nos últimos dias eles têm notado que Hyoga anda meio abatido.

- É verdade, Hyoga era muito apegado à mãe, por isso tem andado triste.

- Entendo. Bem, os professores estão preocupados e querem ajudar de alguma forma. Não queremos que isso venha atrapalhar sua vida escolar, por isso o chamamos aqui.

- Agradeço a preocupação. Creio que isso seja passageiro, mas posso lhe garantir que meu filho é bastante responsável. Confio nele e sei que não deixará seu desempenho acadêmico cair. Estou sempre a par dos acontecimentos e não permitirei que nada o atrapalhe.

- Obrigado. E Hyoga, eu espero que você se recupere desse trauma logo. Se precisar de alguma coisa pode contar conosco.

- Obrigado senhor, tenha uma boa tarde.

- Boa tarde.

Hyoga e Kamus saíram da sala e foram em direção ao carro de Kamus. Não trocaram uma palavra sequer. Kamus estava indo em direção de sua casa, Hyoga estava cabisbaixo.

- Por que está assim?

- Desculpa por lhe causar esse problema pai. Prometo que não acontecerá mais nada parecido.

- Está preocupado com o que? Não precisa me pedir desculpa. Você não fez nada. Fiquei muito feliz em saber que os professores se preocupam com você por ser um aluno exemplar. Tenho muito orgulho de você meu filho.

- Obrigado.

- Confio em você. Sei que ainda está abatido por causa de sua mãe. E pode ter certeza que sempre estarei do seu lado.

Hyoga ficou com os olhos marejados, seu pai era muito bondoso. Não merecia um pai daqueles. Era fraco, não tinha forças para enfrentar a morte de uma pessoa amada. E isso se tomou um peso para seu pai. Sabia que ele estava sendo forte só por causa de si. Não queria mais preocupar o pai. Tinha que fazer alguma coisa quanto a sua tristeza. Se até os professores se preocuparam, significa que ele estava mesmo péssimo.

O dia passou-se rápido. Hyoga piorou bastante. Estava pálido, fraco e sem apetite. Não conseguiu nem dormir, estava ficando cada vez pior. Não sabia que a morte de sua mãe ofaria sofrer tanto. Dobrou a dose dos remédios que estava tomando. Estava tonto, e ficou enjoado. Nunca havia sentido uma dor tão forte. Ficou acordado a noite toda novamente. Dessa vez, tivera ilusões. Viu sua mãe ao seu lado e chorava toda vez que a via.

No outro dia, na escola, estava caindo aos pedaços. Não ouvia a voz dos professores, não conseguia levantar a cabeça, estava difícil até de manter os olhos abertos. Não agüentava mais, sentiu seu corpo pesado. Desmaiou.

A professora de Francês viu Hyoga debruçado na carteira e o chamou. Como ele não respondeu, ela foi até sua carteira e o sacudiu para ver se acordava. Ele nem se mexeu, a professora desesperou-se. Ikki levantou-se bruscamente de sua cadeira. Ajudou a professora a levar Hyoga até a enfermaria. A enfermeira achou melhor ligar para Kamus. Quando Hyoga acordasse, Kamus já estaria lá e o levaria para casa.

Kamus não conseguia se concentrar no trabalho. Noite passada, levantou-se para beber água. Passou no quarto de Hyoga e viu que ele chorava e não conseguia dormir. Era melhor levá-lo a um médico. Isso poderia ser ruim num futuro próximo. Ouviu seu telefone tocar.

- Alô?

- Senhor Kamus?

- Sim.

- Aqui é do colégio do seu filho. O senhor poderia vir buscá-lo?

- O que houve?

- Ele desmaiou na sala de aula. Suspeitamos que ele esteja com anemia. Nessas condições não seria bom ele continuar aqui no colégio.

- Estou indo agora mesmo.

Kamus desligou otelefone e saiu às pressas. Sabia que mais cedo ou mais tarde isso poderia acontecer. Hyoga devia estar escondendo isso há tempo. Detestava essa mania que ele tinha. Chegou ao colégio e foi direto para a enfermaria. Encontrou lá a enfermeira, Eiri e o amigo de Hyoga, Ikki.

- Como ele está?

- Ainda está inconsciente. Daqui a pouco ele acorda. — Disse a enfermeira.

Nesse momento, Hyoga aparece cambaleando. Ele parecia muito fraco, pois se apoiava na parede. Quase caiu no chão, mas Kamus osegurou antes.

- Hyoga, não faça esforço.

- Eu... tenho que... agüentar... não posso... ser fraco...

Kamus sentiu seu coração se apertar. Não imaginava que Hyoga estivesse assim. Apoiou-o nos ombros.

- Vou levá-lo embora.

- Depois eu passo lá. — Disse Eiri.

- Tá.

Kamus saiu com Hyoga. Kamus olhou para seu filho e sentiu seu coração se apertar mais forte. Não estava agüentando ver Hyoga naquele estado, estava digno de pena. Tentou de todos os jeitos possíveis deixar Hyoga mais animado, mas viu que não funcionou. Hyoga escondia seus sentimentos, assim não tinha jeito de saber se ele estava bem ou mal.

Chegaram em casa e Kamus colocou Hyoga na cama. Hyoga tinha febre. Kamus achou melhor não arriscar.

- Vou ligar para um médico.

- Não precisa pai! Eu só preciso descansar e...

- CHEGA HYOGA!!! Você sabe que não está bem! Pare de tentar ser forte! Você ainda é um adolescente! Por que tem que carregar um peso tão grande sozinho? Por que esconde as coisas de mim? Por que não vê que sozinho você não vai conseguir?

Hyoga ficou calado. Kamus procurava uma coisa, mas não encontrava. Abriu a gaveta do criado e achou os remédios que Hyoga estava tomando. Assustou­-se, as caixas estavam quase vazia.

- O que é isso? Você estava tomando esse tanto de remédio?

- Eu... é...

- Não acredito que você estava tomando isso! Quer dizer que você já estava passando mal? Desde quando?

- Desde que recebemos a notícia que a mamãe ia morrer.

- O QUE?? Mas isso já faz muito tempo! Você tomou tantos remédios assim sem me falar nada? Você ficou doido?! Você sabia que isso pode te prejudicar?

- Mas eu só...

- Não, nada de \"mas\". Achei que você confiasse em mim. E eu pensei que poderia confiar em você também.

- Mas é que...

- Estou decepcionado com você! Você não merece mais minha confiança. Pensei que você fosse mais que isso, mas vejo que você ainda é uma criança indefesa. Pensei que você precisaria apenas de um apoio, mas vejo que você precisa de alguém que cuide de você. Você é muito mais fraco do que eu pensava.

- Eu não queria te deixar preocupado.

- E como acha que estou agora? Você não pensou muito, não é?

Kamus saiu do quarto cabisbaixo. Perdeu o controle, ficou nervoso ao saber que Hyoga escondia coisas tão sérias assim de si. Sentiu-se arrependido, Hyoga precisava de si naquele momento e acabou brigando com ele. Mas achou melhor esperar um pouco.

Hyoga estava se sentindo péssimo. Deixou seu pai magoado porque era fraco. Escondia as coisas porque não queria preocupar ninguém, mas isso acabou trazendo problemas para a pessoa que menos queria magoar. Tinha que admitir isso, ele era um peso para Kamus. Enquanto sua mãe estava viva, ele conseguia segurar o peso, mas agora estava sozinho. Hyoga sentiu as lágrimas quentes descerem por seu rosto. Queria que sua mãe estivesse viva para consolá-lo. No que estava pensando? Não precisava de ajuda! Se alguém o ajudasse com certeza ia ficar sobrecarregado, assim como seu pai. Seu destino era ficar sozinho, pois sempre atrapalhava a vida dos outros. Agora entendeu porque era tão apegado à mãe, e1a não deixava isso transparecer. Mesmo que ele fosseum peso para ela, ele não percebia. Ela conseguia transformar todo o peso que ele proporcionava em leveza. Por isso Kamus tinha tudo sobre controle, Natássia deixava tudo mais leve. Sentiu-se sozinho. A única pessoa que não sofria com sua existência, agora estava morta. E o deixou como um peso morto para Kamus. Hyoga não se conformava com isso. Tinha que sair da vida de Kamus, não podia mais pesar a vida de seu pai. Decidiu-se. Se sua mãe não estava viva para ficar com ele, ficaria sozinho. Para o bem daqueles que amava, jamais voltaria a atrapalhar a vida de alguém. Levantou-se com muita dificuldade. Seu corpo estava pesado. Merecia aquilo, era o castigo por magoar Kamus. Merecia castigo pior e tinha certeza que mais tarde ele viria. Não podia desistir, estava obstinado a deixar seu pai em paz. Saiu do quarto e abriu a porta de casa muito devagar para não chamar atenção. Saiu andando pelas ruas. Estava fraco, meio tonto. Via tudo embaçado.

- Mãe, perdoe-me por causar tantos problemas a você. Perdão por nunca ter lhe agradecido por ter me segurado por tanto tempo. Deve ter sido difícil para você. Uma mulher frágil e bela, carregar durante 15 anos um peso como eu. Sinto muito! Queria ter morrido no seu lugar! Você e papai poderiam ter tido outro filho e tudo voltaria ao normal. Meu pai não teria que sofrer tanto e eu também não.

Hyoga chorava cada vez mais. Começou a achar que sua existência era descartável. Não tinha motivo para existir. Tudo foi tão rápido, a morte de sua mãe lhe causou um problema emocional muito grande. Por isso seus sentimentos estavam tão fragilizados e confusos. Sentia-se fraco. Não conseguia andar direito. A cada dez passos que dava, caía. Não estava agüentando o peso do próprio corpo. Passou a sentir nojo de si mesmo. Causou tantos problemas e não tinha motivo para viver. Podia ter coisa mais patética que isso? Andava sem direção, queria apenas sumir.

Chegou a um beco escuro e caiu, sem forças. Ouviu, com muita dificuldade, passos. Alguém se aproximava.

- Eu conheço você. Não é o namorado ciumento da garota que eu beijei a força?

Com tantas pessoas tinha que se encontrar logo com aquele idiota.

- O que você quer? — Hyoga falou ameaçadoramente.

- Ei ei ei! Calma, não vou fazer nada. Foi mal ter feito aquilo com a sua mina, força do hábito.

- Tudo bem.

- Começamos muito mal, deixa eu me apresentar. Sou Hagen, tenho 16 anos, muito prazer.

- Hyoga, 15 anos. Prazer.

- Por que está assim? — Disse Hagen ajudando-o a se sentar. — Parece mal.

- Estou um pouco cansado, só isso.

Fez de novo, mas dessa vez não foi porque não queria preocupar Hagen, foi mais uma questão de orgulho. Não queria que Hagen soubesse de sua fraqueza.

- Olha, não sei o que aconteceu, mas você precisa afogar as mágoas. Certo?

- É, talvez sim.

- Então que tal um pouco disso.

- Vodika?

- É, qual o problema. Pior você não fica.

Talvez Hagen tivesse razão, pior não ficaria.

Kamus estava na cozinha preparando alguma coisa para Hyoga comer. Chamaria o médico no dia seguinte. Foi até o quarto de Hyoga e o viu deitado na cama. Sentou-se e tirou a coberta de sua cabeça. Era um travesseiro. Assustou-se, será que Hyoga tinha...? Não, ele não poderia se levantar no estado em que estava. Procurou por toda casa, chamando-o desesperado. Quando cogitou que ele não estava em casa saiu correndo. Aquele garoto desmiolado! Sair no estado em que estava! Mas a culpa era sua, falou o que não devia. Sabia que Hyoga estava fragilizado com a morte da mãe e mesmo assim disse o que não devia. Tinha que encontrá-lo.

Continua...

Notas finais
Yoooo ^^/

Agora está no ápice XD!! O próximo capítulo é o último!! De verdade que eu espero que todos tenham gostado até aqui!! Prometo ser boazinha com o Hyoga XD!!
Hyoga: Acho bom u___u
XxLininhaxX: ^^"

^^v