Quando a Chuva Encontra o Mar: Uma Nova Seleção
116 Capítulo 116: POV Abigail Neumann
"Como assim, gostaria de participar?" Vanessa perguntou, enquanto eu evitava ter que olhar para Andre do meu lado.
"Participar, sei lá," ele passou a mão pelos cabelos, bagunçando e desfazendo o penteado dele. Eu voltei meus olhos para o chão na minha frente, esperando que tudo se resolvesse sem eu ter que falar com ele. "Vocês parecem estar procurando um cara para um papel, não é?""Sim," Vanessa falou, um pouco apreensiva."Bom, qualquer que seja, eu quero participar," ele disse. "É só me falar o que eu preciso fazer.""Duck-""Dakota, você não precisa ficar," ele disse para a mulher que tinha entrado com ele e eu levantei os olhos para ver os dois interagindo.Ela o mirou séria, como se o contrariasse, mas acabou não falando nada, só revirou os olhos e deu meia volta, saindo do salão de festas logo em seguida."E então," ele disse, se virando de volta para a nossa mesa. Seus olhos encontraram os meus por um segundo, mas ele logo os voltou para a Vanessa. "Qual é o papel que vocês estão procurando agora?"Ela hesitou um segundo. "Hãn, é para um guarda real, Benjamin Klinghoffer," ela explicou. "Ele é o melhor amigo da personagem de Abigail Neumann.""Melhor amigo," Duck repetiu, e eu fiquei procurando na minha cabeça alguma desculpa que o tirasse dali."Sim, mas eles tem uma relação complicada," Vanessa continuou. "Eles são amigos, mas se gostam. Vocês precisariam ter uma relação bastante complicada, com uma certa tensão, mas ainda uma amizade bem clara.""Fácil," Duck disse, virando o rosto para me encarar. "Eu até acho que vocês podem dispensar todos os outros caras, vocês já encontraram a pessoa perfeita para interpretar o..." ele se virou para a Vanessa."Benjamin," ela respondeu a pergunta que ele deixou implícita."Isso, Benjamin," ele falou e sorriu. "Eu tenho cara de Benjamin, não?"Eu revirei os olhos, depois empurrei minha cadeira e me levantei. "Posso falar com você um segundo?" Pedi para Duck, já dando a volta na mesa e indo em direção à porta.Eu não parei para olhar para trás nenhuma vez e estava rezando na minha cabeça para ele estar me seguindo, senão eu seria a tonta com toda a confiança sobre algo que nem era verdade. Por sorte, assim que eu abri a porta e saí, ele se juntou a mim e e a fechou atrás dele."O que você pensa que está fazendo?" Eu perguntei, dando só alguns passos atrás para me distanciar da porta.Ele deu de ombros. "O quê? Eu sempre quis ser ator."Eu revirei os olhos de novo. "Eu já te pedi de todos os jeitos possíveis-""Abbie, escuta," ele me cortou. "Como você disse, eu quero ser famoso. E qual jeito melhor do que participando da série que todos estão esperando?""Você nem sabe sobre o que a série vai ser, como pode saber se todos estão esperando ou não?" Eu perguntei, inconformada. "E não me chame de Abbie!""Só um palpite," ele disse, sorrindo orgulhoso de si mesmo por me irritar. "E você me disse que faria o que pudesse para me ajudar a ficar famoso, a não ser me dar uma chance.""Uma chance," eu repeti, balançando a cabeça. "Você quer que eu te deixe fazer o papel do personagem por quem a minha vai se apaixonar? Você quer mesmo que eu te deixe fazer isso, só para que as pessoas fiquem torcendo para nós ficarmos juntos na vida real?"Ele levantou uma sobrancelha, surpreso e até um pouco divertido. Eu só tive que suspirar."Não tinha pensado nisso," ele disse, sorrindo. "Mas seria uma ótima ideia.""Péssima, a palavra certa é péssima," eu o corrigi, cruzando os braços. "Não é justo, Duck," falei, um pouco mais séria."O que não é justo?" Ele perguntou, ainda animado demais para ter percebido que eu não estava brincando."Não é justo você ficar se intrometendo na minha vida!" Eu falei, sem querer falar demais e não conseguir voltar atrás.A verdade era que eu não sabia se conseguiria vê-lo todos os dias, fazer cenas românticas com ele, sem que eu me apaixonasse. Eu tinha a leve impressão de que aquele seria um caminho sem volta. Eu estaria indo em direção a ele, só para ser abandonada no meio do caminho por qualquer outra garota.E se ele ficasse famoso, tudo só pioraria. Ele não precisava de mais fama, não precisava de mais meninas em volta dele. E era isso que ele conseguiria. Se eu não podia competir com a vida que ele levava agora, o que seria de mim quando pessoas do mundo inteiro soubessem quem ele é?"Sabe, do jeito que você fala," ele disse, dando um passo em minha direção, "até parece que você se incomoda com a minha presença," ele deu de ombros e olhou para o lado por um segundo, logo voltando os olhos para mim. "O que eu me pergunto é porque," ele disse. "Por que será que é tão impossível você ficar do meu lado? Eu sou tão irresistível assim?"Ele sorriu, malicioso e convencido, e eu pensei que nada me faria mais feliz do que lhe dar um tapa até que seu sorriso desaparecesse.Ao invés, eu respirei fundo. Você consegue, eu falei para mim mesma. Você consegue ter que aturá-lo, Abbie. É só não se esquecer de quem ele é, que você consegue não se apaixonar por ele.
Eu dei um passo atrás, sem tirar meus olhos dele. "Quer saber?" Eu disse. "Pode entrar lá de novo, pode tentar fazer seu teste. É só isso que é mesmo, um teste. Quem disse que você será o melhor? Desde quando você consegue atuar? Por mim," eu levei uma mão ao peito, "você pode entrar lá e se fazer de ridículo, achando que tem alguma chance. É você que vai ter que ver um outro cara ganhando o papel que você tanto quer."Eu dei a volta nele sem o deixar responder e abri a porta, depois marchei até a minha cadeira e me sentei."Tudo bem?" Andre me perguntou, e eu sorri para ele e concordei com a cabeça."Por enquanto," falei.Mas quem ficou com a cara no chão não foi Duck, fui eu. Ele era bem melhor do que eu pensava. Ele realmente conseguiu explicar como ele seria perfeito para o Benjamin, depois de perguntar como ele deveria ser. Ele até fez algumas poses que, infelizmente, eram bem do tipo que eu imaginava o Ben. Ele mostrou que conseguiria fazer as cenas mais calmas, mais românticas, que ele seria ótimo para fazer o papel de um cara apaixonado em silêncio, até talvez um pouco humilde, sem perder uma certa confiança em si mesmo. Eu quase levantei no meio da audição para falar que eu queria trocar de papel com Sky. Mas eu era a ruiva, como a protagonista, e eu era a mais famosa ali.Eu nem pude contestar quando Vanessa disse que ela queria muito vê-lo voltando para os testes de amanhã, mas eu pude pelo menos pensar comigo mesma que eu faria de tudo para provar que nós dois nunca ficaríamos bem juntos fazendo um par assim. Eu precisava ser firme e mostrar amanhã que eu não era afetada por ele, que nós não conseguiríamos dar a Benjamin e Elisa o que eles precisavam.Mais ainda, eu mirei um dos outros caras que também foram chamados, Aaron, e decidi que eu faria de tudo para que ele fosse escolhido. Ele era o mais bonito mesmo, sem contar com o Duck, e ele pelo menos não me faria perder nenhuma noite de sono.Assim que todos saíram da sala, Andre se virou para mim e falou que nós tínhamos dez mintuos para voltar para o meu quarto na cobertura, onde nós faríamos as fotos para uma revista que estava querendo mostrar a minha vida depois do castelo. Ele me disse que o fotógrafo e os maquiadores já estavam esperando. Então eu corri para me despedir de Sky e ir para o elevador.Eu estava com medo de encontrar com Duck no caminho, mas ele não estava em lugar nenhum do corredor junto com os outros caras. Aproveitei para passar no restaurante do hotel e comprar algumas coisas de café da manhã. Eu estava enrolando, como se mais um segundo por ali fosse aumentar as minhas chances de encontrar com ele de novo. Mas eu não queria encontrá-lo, não queria me aborrecer mais. Só queria era olhar para ele, não sei. Só que ele não estava em lugar nenhum.E eu entendi porque bem na hora que as portas do elevador se abriram em meu quarto.Lá estava ele, sentado em meu sofá, conversando com o fotográfo, Toni. Ele estava confortável demais, como se aquele fosse seu quarto. Claro, já tinha sido. Mas eu tinha insistido em ficar com a cobertura para mim e ele não tinha me negado. Eu só não sabia que eu precisava ter deixado claro que ele não poderia simplesmente entrar e sair quando quisesse."Por algum acaso você está me perseguindo?" Eu perguntei, já andando até os dois.Eles levantaram o rosto para me olhar, Toni parecia realmente confuso. Mas Duck sabia que era com ele que eu falava."Hãn, não," ele disse, fingindo estar confuso. "Eu estou aqui a trabalho.""Que trabalho?" Eu perguntei, colocando as mãos na cintura."Eu achei que seria legal convidar o dono do hotel para participar do ensaio," Toni disse, se levantando para me cumprimentar com um beijo no rosto.Eu lhe devolvi o beijo, ainda completamente perdida. "Para quê?" Perguntei, quando o que eu realmente queria perguntar era porque.POR QUE o Duck insistia em me seguir? POR QUE ele insistia em me perturbar? POR QUE ele não podia simplesmente me deixar em paz?"Oras, a matéria é sobre como você está fazendo do Hotel Knout a sua casa depois do castelo, nada mais justo do que tirar algumas fotos com o dono," Toni explicou. "Ainda mais quando o dono é o Duck," ele deu um tapa no ombro de Duck como se eles fossem amigos há anos. "Fique feliz de não ter que tirar fotos com o dono do Hotel Elsian."Eu lembrei na hora do velho que ainda comandava o Hotel Elsian, mas logo minha cabeça voltou ao que importava."A minha presença aqui te incomoda?" Duck perguntou, se levantando e abotoando seu blazer.Ele sorri tão orgulhoso, como quando tinha feito o teste e sido chamado para voltar. "Não," eu menti, sabendo que a última coisa que eu admitiria na minha vida era me importar com ele. "Nem um pouco."Eu dei meia volta e segui Andre até o quarto, onde as maquiadoras estavam.Mais isso, eu pensei. Mas não teria problema, eu conseguiria suportar uma tarde do lado dele. Eram só fotos, só algumas poucas fotos. Eu já tinha tido que fingir que era completamente apaixonada por modelos que eu nunca tinha conhecido antes. Eu poderia muito bem fazer algumas fotos de pé do lado de Duck. Não teria problema, eu aguentava aquilo. A presença dele não iria me atrapalhar. Nem. Um. Pouco.
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