Quando Vem do Coração
1 Capítulo Único - Quando Vem do Coração
Notas iniciais
Killian estava pensativo, sentado em uma cadeira em um canto da sala.
Emma estava deitada na cama, olhar fixo no teto, também pensativa.
Ele trazia na mão o telefone. Ela tinha a mão posicionada sobre o ventre e conforme ela dedilhava onde trazia seu bebê, Killian discava os números já decorados.
—Alô!— soou a voz de Mary Margaret do outro lado da linha.
— Eu sei porquê ela está assim. – soltou a frase e seguiu-se um minuto de silêncio sendo quebrado apenas pela respiração de ambos.
—Killian, ela só precisa de um tempo. Foi muito traumático para ela.
— Eu sei, eu respeito. Eu só quero estar lá ao lado dela quando chegar a hora.
—E estará. Emma jamais deixaria você de lado... É apenas o momento.
Como se sentisse a presença de alguém ergueu a cabeça e lá estava Emma encostada no batente da porta segurando o ventre com ambas as mãos. Ela não precisou dizer nada para que ele entendesse.
Chegara a hora.
***
Seus olhos estavam fechados, mas não era pela dor crescente que Emma sentia no ventre por estar prestes a dar a luz, era pela dor crescente que seu coração ainda carregava e agora trazia a tona novamente.
A primeira lágrima desceu quase imperceptível por seu rosto, e Killian mesmo sabendo o que acontecia nos pensamentos da loira, manteve o olhar fixo no horizonte e rumo ao hospital.
"Henry, é assim que ele irá se chamar", ela podia ouvir a voz doce de Regina dizer, enquanto era ela quem dirigia por aquela estrada enquanto a morena carregava o fruto daquele amor no ventre.
"Você nem sabe se é menino, se recusou a querer saber o sexo".
"Dizem que mãe sente".
"Nesse caso eu também serei mãe e não sei dizer o que é".
E quase deixou o choro de lado para rir, pois sentia o som melodioso da risada de Regina ecoar não só pelo carro, mas por toda sua existência.
E de repente tudo girou como o carro girara ao se colidir com o outro, e tudo escureceu como sua vida depois de ouvir aquelas temíveis palavras:
"Sinto muito, nós fizemos o possível, mas nenhum dos dois sobreviveu".
Abriu os olhos e sua mão alcançou o braço de Killian.
— Killian...
Mas nada pode ser dito enquanto o carro derrapava na pista após a colisão.
***
Emma abriu os olhos e a claridade quase a cegou. Não sabia onde estava embora a brisa fria que lhe tocava a pele fosse familiar.
A luminosidade aos poucos foi dando lugar a um campo verde e florido que podia facilmente ser confundido com um palco de conto de fadas.
Às margens do lago estava uma figura feminina, com um vestido branco e longo cobrindo a pele que Emma podia reconhecer a distância. Pele que um dia tocara cheia de amor.
— Regina? – e sua voz ecoou como se gritasse em um local fechado.
E ela virou-se com aquele sorriso que um dia fizera o mundo da loira girar, com aquele sorriso que sumira de seus dias há alguns anos.
— O que está acontecendo? Que lugar é esse? – perguntou aproximando-se.
— É onde o seu coração está nesse momento.
— Nesse momento? – franziu o cenho e rapidamente levou a mão ao ventre onde não havia mais a barriga de 9 meses. Agora se lembrava das dores do parto, do acidente. A olhou assustada. – Eu morri?
— Não. Você só precisava de um tempo.
— Eu posso te tocar? – mas o olhar da morena lhe respondia que não. – Eu sinto tanto a sua falta.
— Emma, você tem que dar amor. Todo esse amor por mim que vive guardado em você, tem de ser dado. O amor não foi feito para ser guardado, foi feito para ser vivido.
Emma sentia as lágrimas lhe descendo pela face embora ao tocar o rosto elas não estivessem lá.
— Vai ser um lindo menino. – as íris castanhas brilharam em contraste com a luz do sol.
— Você sempre vai ser o grande amor da minha vida.
Mas Emma já não via mais o sorriso perfeito da mulher que tanto amou. Agora a luz que ela via era artifical e acompanhada pelo olhar desesperado de Killian.
***
Killian entrou no quarto e a loira segurava nos braços o bebê, ao vê-lo sorriu e estendeu-lhe a mão pedindo para se aproximar.
— Você ia me dizer algo antes de tudo acontecer.
— Eu ia dizer que ele podia se chamar Henry, se você gostar.
E Killian lhe respondeu que sim com um sorriso, antes de beijar-lhe a testa e abraçá-la. E o sorriso surgiu no rosto de Emma, mas aumentou quando sentiu aquela brisa fria e familiar acariciar-lhe não somente a pele, mas o coração, mostrando que ela podia recomeçar.
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