Quando Os Mortos Andam.
7 Vamos para Washington.
Notas iniciais
-Como assim vocês querem ir pra lá amanhã?! – Karen não entendia como eles queriam arriscar a vida em uma viagem longa e perigosa.
— Eu tenho que encontrar meu pai, será que você não entende! – Luíze já estava cansada de ter que repetir isso mil vezes e aprecia que Karen nunca entendia.
— Por favor, parem de brigar um minuto. – Jorge pediu encostado na janela.
-Não estamos brigando! – Disseram juntas.
— Mas pelo que parecem estão. Se Karen não quer ir junto ela não é obrigada, afinal, nem nos conhecemos há tanto tempo. – Comentou Jorge.
— Eu apenas acho que vocês deveriam pensar melhor, é uma viagem longa e quem garante que seu pai esta lá realmente? Arriscar a sua vida e a da sua família é uma coisa terrível, a dor de perder alguém... – Karen fez uma pausa e olhou através da janela da cozinha. – Perder alguém é uma dor horrível.
— Eu sei qual a dor de perder alguém, exatamente por isso que não quero perder meu pai. Não partiremos amanhã e sim depois de amanhã, até lá você tem um tempo para pensar se irá conosco ou não.
Luíze não queria forçar ninguém a ir com ela, mas ficar parada ali sabendo que pode ter a oportunidade de encontrar seu pai é algo que ela não conseguiria conviver, perder a mãe já era o suficiente, mesmo depois de tantos anos. Ela não deixaria que acontecesse o mesmo com seu pai. Karen subiu as escadas e entrou no quarto onde havia alguns brinquedos espalhados.
- Ela não esta fazendo isso por mal, acho que ela está se sentindo segura aqui depois do que aconteceu por isso não quer partir. Apenas dêem uma pausa pra ela pensar. – Sarah subiu as escadas e entrou no mesmo quarto que a mãe havia entrado.
- Ela tem razão, a mãe dela passou por muita coisa, assim como nós passamos. Vou terminar esse almoço e mais tarde terminamos essa conversa. – Jorge beijou o rosto de Luíze e virou-se para terminar de cozinhar.
- Lucas se importa em levar esses pratos pra elas e para Chris lá em cima? – perguntou Jorge colocando um terceiro prato em cima da mesa.
- Tudo bem, só espero não ser morto por elas – Falou Lucas rindo.
- Acho que não vão te matar filho. Peça para sua mãe entrar, ela esta ali fora a um tempo.
Lucas foi até a porta e olhou pra fora, a mãe estava sentada ao lado da casa em um banco de madeira velho. Ele se aproximou relutante e sentou-se do lado dela, percebendo que ela estava chorando Lucas a abraçou.
- Papai pediu pra você entrar, mas se quiser trago seu almoço aqui fora.
- Já vou... só estou pensando em algumas coisas. – Luíze passou a mão no rosto limpando uma lágrima que escorria.
- Mãe, está pensando no vovô não é?
- Estou sim e também nessa mulher que conhecemos, Karen. Acho realmente que ela deveria ir conosco, não sei realmente porque... apenas sinto isso sabe.
- Sei bem como é suas intuições, sempre está certa, porém não temos como obrigada a ir junto.
- Eu sei disso...
Ficaram parados ali por um tempo até que Lucas se levantou e entrou na casa.
- Ela está bem? – Jorge perguntou.
- Ela estava chorando.
- Vou conversar com ela, leve esses pratos pra cima. Chris já pegou o dele.
Lucas subiu as escadas com os pratos na mão e bateu na porta com o pé.
- Almoço! – Falou ele um pouco mais alto.
- Vaza moleque. – Era a voz de Sarah.
Ele se perguntou porque ela foi tão grossa, depois de ter falado aquelas coisas para ele. Antes de virar as costas ele ouviu alguém falar dentro do quarto, era Karen e logo a porta se abriu.
- Obrigada por trazer aqui e desculpe qualquer coisa viu? – Karen pegou os pratos das mãos dele e fechou a porta sorrindo para ele.
Ao descer as escadas Lucas percebeu que seus pais ainda estavam lá fora e resolveu deitar no sofá da sala e em seguida caiu no sono.
- Lucas você tem que me ajudar. Por favor.
Ela implorava e ele não sabia exatamente o que estava acontecendo, não entendia nem onde estavam.
- Lucas, por favor!
- Eu não sei... não sei o que fazer. Erika me desculpe.
Ela gritou por ajuda novamente e ele não entendia o que estava acontecendo.
-Erika...Erika! Me desculpe.
Lucas acordou sobressaltado do sofá e percebeu que alguém o observado no sofá da frente, Sarah.
- Quem é Erika? – Disse ela rindo.
- Como? – Ele coçou os olhos.
- Você ficava chamando uma tal de Erika e pedindo desculpas. Realmente muito hilário. – Sarah continuou rindo.
- É uma amiga.
- Pela sua ereção deve ser mesmo. – Ela abaixou o tom de voz e soltou uma gargalhada.
- Hã? – Lucas olhou pra baixo e não percebeu nada.
- Estava só brincando com você – Ela se levantou e saiu rindo mais alto ainda.
- Não teve graça!
- Pois eu achei muito engraçado — Ela respondeu já na cozinha.
Lucas bufou e levantou-se do sofá e foi até a cozinhar pegar um copo de água. Sarah ainda estava ali e com a geladeira aberta.
- Será que não tem nada de bom por aqui?
- Acho que não... onde está meus pais e sua mãe? – Lucas abriu um armário e tirou um copo de dentro.
- Eles saíram, acho que estão em algum lugar conversando sobrem a viagem. – Sarah bateu a porta da geladeira e olhou pra ele. – E Chris está dormindo.
- Certo. Será que eles estão bem? – Lucas encheu o copo.
- Estão sim, sua mãe levou um machado junto por garantia. – Sarah sorriu. – Mas então, quem é Erika?
- Acho que era uma amiga.
- Acha que era uma amiga? Como assim, isso existe? – Sarah soltou outra risada.
- Está de muito bom humor hoje né, com essas risadas e piadinhas.
- Tudo bem Sr. “Acho que era uma amiga”. Vou parar com as piadinhas. – Sarah se apoiou na pia.
- Era uma amiga, estávamos ficando há umas duas semanas, mas no fim...
- Ela não quis você. – Interrompeu Sarah.
- Achei que iria parar com as piadinhas. – Lucas colocou o copo vazio em cima do balcão.
- Tudo bem, termine de falar.
- No fim, aconteceu essa parada toda de zumbis e o caralho a quatro.
- Nem me fale, estava indo muito bem na minha escola, então aconteceu isso. Só atraso de vida você não acha?
- Realmente.
Sarah voltou para a sala e se sentou no sofá. Seus pensamentos voltaram para a escola, ela era meio que a esquisita enturmada, se é que tem como ser assim. Com um estilo próprio e um ex-namorado idiota. Lucas entrou na sala e sentou no outro sofá.
- E você Senhora Debochada... Tinha alguém? – Lucas deitou e colocou os pés em cima do sofá.
- Faz tempo na real.
- Ele te deu o pé? – Lucas riu.
Sarah parou um momento e lembrou-se de uma coisa que queria esquecer, o ex-namorado. Sarah tinha terminado com ele por um motivo que até então parecia idiota, sexo. Na verdade ele tinha terminado com ela por ela não querer fazer.
- Desculpe, acho que não deveria ter falado isso. – Lucas sentou-se novamente.
- Tudo bem, faz um tempo e agora é algo que eu dou risada. – Sarah fez uma careta e Lucas riu.
Ela levantou-se do sofá e sentou no mesmo em que Lucas estava. Por alguma razão os olhos verdes dele cativavam-na e a deixavam bem, porém ela jamais diria alguma coisa assim pra ele ou admitiria isso a si mesma. Podia ser um ano mais novo, mas era mais alto que ela e era encorpado.
- Está tudo bem? – Ele perguntou.
- Sim – Por um momento ela se perdeu em seus próprios pensamente e percebeu o quão idiota tinha parecido. – Apenas me lembrei de uma coisa.
Sarah levantou-se e subiu as escadas, Lucas se perguntou se teria falado algo que tinha magoado Sarah e não queria que isso acontecesse, ele gostava de conversar com ela e gostava também da risada dela. Ele parou por um momento e se repreendeu por esse pensamento, ele gostava de Erika e não podia pensar essas coisas de Sarah. Ela nem era o estilo dele com aquelas camisetas de banda e cabelo repicado, mas tinha sua beleza.
Lucas pulou do sofá e foi até a porta tentando espantar aqueles pensamentos loucos. Avistou seus pais ao longe conversando com Karen, ele esperava realmente que estivessem chegando a um acordo, ele queria todos juntos nessa viagem a Washington. Ao subir as escadas Lucas entrou no quarto do filho mais velho, onde estava hospedado, se é que se poderia usar essa palavra. Pegou um livro que trouxe e começou a ler, algum tempo se passou quando alguém o chamou na porta.
- Tudo bem?
Ele abaixou o livro e viu que era seu pai.
- Sim. Vi você e a mamãe conversando com Karen, chegaram a um acordo? – Lucas marcou a pagina do livro e o colocou no criado-mudo.
- Na verdade sim.
- E então?
- Todos irão fazer essa viagem, mas daqui três dias.
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