Quando Os Mortos Andam.

3 Uma decisão do Coronel Montenegro.


Notas iniciais
Desculpem a demora para postar é que eu não estava com muito animo para continuar a história, eu prometo que a partir de agora toda a semana vai ser atualizado e terá um novo capitulo, dependendo da semana até dois. Obrigada a todos.

Erika era a melhor amiga de Lucas desde sempre, ela nunca fora a menina mais linda da escola nem nada do tipo, mas ela tinha uma beleza especial e sabia mexer com os sentimentos dele. Fazia umas duas semanas que eles estavam se gostando e Lucas pretendia pedi-la em namoro, mas então as histórias bizarras começaram a aparecer no jornal, alguns casos assustaram os moradores da cidade e tudo que Lucas planejava estava perdido. Erika abriu a janela e pulou no jardim. Os dois se sentaram na grama como se fosse mais um dia comum, embora não fosse e estava longe de ser.

-Lucas o que você faz aqui?! – Erika estava surpresa.

-Eu precisava vê-la... – A voz dele foi se perdendo ao olhar aqueles olhos castanhos penetrantes.

-É muito perigoso, você sabe das histórias que estão contando na cidade, mas... Bom, eu agradeço que você tenha vindo porque eu precisava te ver também. – Ela tinha uma expressão tímida e assustada ao mesmo tempo.

-Erika, pra onde você vai?

-Minha família resolveu ir pra fazenda da minha tia, lá é seguro e afastado. Sem zumbies ela garante, mas e você vai pra onde?

-Não sei para onde minha mãe vai nos levar. Ela que esta tomando as decisões lá em casa porque meu avô passou algumas instruções pra ela. Sei lá, queria ficar aqui, mesmo com todo o tédio dessa cidade. Porque assim, pelo menos eu estaria com você.

Era visível que ela não tinha como responder isso, no fundo Erika queria ficar ali com ele e viver esse amor de adolescentes, mas ela não tinha escolha, era a família dela e ele não tinha nenhum direito de tirá-la do meio dos familiares. Lucas teria que se contentar com os pensamentos do que um dia poderia ter sido um grande amor.

-Lucas eu realmente te amo, mas você sabe que eu não... Eu não posso abandonar minha família, ainda somos jovens e não temos como viveres sozinhos ainda mais agora, com essas histórias. Eu estou muito assustada. – Erika começou a chorar, um choro silencioso de quem estava realmente sofrendo.

Lucas a abraçou e ficaram ali algum tempo até que ela o olhou. Aqueles olhos verdes dele continham muita tristeza e também amor, ela não pensou duas vezes e o beijou. Foi melhor do que Lucas pudera imaginar, ele estava ali beijando a garota que ele amava, sentindo seu coração bater acelerado enquanto ela arranhava de leve sua nuca fazendo-o arrepiar. Ele queria parar esse momento e viver nele pra sempre com ela, infelizmente isso não poderia acontecer. Por que o destino tem que ser tão injusto?

-É melhor você ir, esta tarde e é muito perigoso. Desculpa, desculpa... – Ela repetia enquanto chorava. — Eu não queria ir embora, desculpa... – Erika se levantou e pulou a janela do seu quarto que ficava no térreo. – Saiba que eu te amo.

-Eu também te amo, muito. – Eles se beijaram novamente e então Lucas soube que tinha que voltar. – Não tem que pedir desculpas, eu te amo.

Ele foi vagando pela rua, seu coração estava na mão. Ele perdeu a menina que amava, não sabia se voltaria a vê-la, não sabia se ela continuaria viva, não sabia nem se ele continuaria vivo. Parecia que ele tinha perdido o chão sob os pés, parecia que ele ia cair a qualquer momento em um grande abismo. Chegando em casa ele subiu a arvore que ficava na frente da janela do seu quarto no segundo andar e pulou para dentro. Ele sentou na cama e já não sabia o que esperar, não sabia nem se tinha esperanças, ele apenas queria que tudo voltasse ao normal. Lucas escorregou para a cama e chorou em silencio até pegar no sono.

Lucas acordou ouvindo tiros na rua e alguns barulhos ensurdecedores, parecia até que estavam jogando bombas na rua.

-Lucas se meche filho, temos que sair daqui agora mesmo! – Seu pai entrou no quarto gritando.

Ele não sabia o que fazer então apenas levantou da cama, já estava arrumado e com os tênis no pé então ele apenas correu e antes de sair da porta do quarto voltou e pegou um colar que Erika tinha lhe dado uma semana atrás. Quando desceu na sala seu pai corria com as mochilas na mão em direção a garagem enquanto sua mãe descia as escadas com algumas cobertas e travesseiros.

-Lucas, vá à cozinha e pegue as duas caixas de comida que estão em cima do balcão! – Sua mãe também corria em direção à porta da sala que dava acesso a garagem.

-Todos prontos? Não esqueceram nada? – Seu pai perguntava enquanto tirava o carro da garagem.

-Está tudo certo querido, apenas vamos sair daqui. – Luíze respondeu. – Melhor você se abaixar Lucas, estão atirando na rua.

-O que?! Atirando? – Lucas se abaixou rapidamente. Algum tempo depois ele levantou e viu que havia alguns soldados na rua atirando contra zumbies, de relance Lucas reconheceu um vizinho que levava um tiro no tórax, mas continuava a caminhar em direção aos soldados, depois o vizinho foi atingido na cabeça e caiu no chão.

-Querida, você não disse que o exercito foi dispensado? – O pai de Lucas perguntava pra Luíze no banco da frente.

-Meu pai disse que alguns grupos de soldados se recusaram a abandonar seus postos, pelo que parece alguns deles vieram para nossa cidade. – Luíze falava isso enquanto olhava pela janela.

-Então não seria melhor ficarmos dentro de casa enquanto eles limpam as ruas? – Perguntou Jorge.

-Você quer ficar em casa, trancado, sem energia nem informações enquanto é trocado tiros na rua? Quer correr esse perigo? – Luíze achava a resposta um tanto obvia.

-Tem razão, desculpe. –Alguns minutos depois o pai de Lucas pergunta. – Qual o quartel que devemos ir?

-No 53, sabe onde fica? – Perguntou Luíze.

-Sei sim. – Respondeu Jorge.

-Melhor ir por dentro da cidade, as rodovias devem estar completamente engarrafadas. – Sugeriu Luíze.

-Querida, não sou tão inútil assim. – Respondeu Jorge.

-Desculpe querido, é que estou um tanto nervosa e preocupada.

-Eu sei, tudo bem, não precisa pedir desculpas...

Seguir caminho por dentro da cidade era demorado e algumas ruas estavam desertas, outras se viam um ou dois zumbies vagando pelas ruas. Era tudo muito assustador.

-Jorge tem um ali na frente do carro! – Luíze gritou de repente assustando Lucas.

CAPUM !

Jorge atropelou o zumbi no meio da estrada, o vidro da frente havia se rachado e se houvesse mais alguma batida ali o vidro se quebraria por completo. Ele parou o carro.

-Ta doido? Não para o carro aquela coisa pode ta viva, anda logo! – Lucas falou um tanto alto de mais.

O marido de Luíze escutou o filho e saiu dali cantando pneu. Alguns minutos depois chegaram ao quartel 53, tinha no mínimo uns 5 zumbies no lado de fora do portão.

-E agora, como vamos passar? – Perguntou Jorge.

-Vamos ter que matá-los. – Respondeu Luíze.

-Ta doida mãe?! Não temos nenhuma arma nem nada do tipo. – Lucas falou se curvando pra frente pra poder olhar melhor.

-Eu tenho uma pistola, vou até lá matá-los, não são muitos então eu consigo. – Disse Luíze. –Mas antes de eu sair do carro façamos o seguinte. Jorge quero que você fique com o carro na frente do portão lateral. – Luíze apontou para um portão com arame farpado. – Eu vou matá-los, entrar no pátio e abrir o portão pra você entrar com o carro. – Antes que Jorge pudesse falar alguma coisa Luíze sair do carro sacando uma arma e tirando a trava de segurança.

-Bora pai, melhor fazer o que ela falou! – Lucas tocou no ombro do pai que estava em choque.

Jorge fez o que Luíze mandara, ele estacionou o carro em frente ao portão e estava esperando. De onde estavam eles podiam ver o que Luíze estava fazendo, ela estava atirando na cabeça de todos aqueles zumbies que tentavam ir pra cima dela. POW POW POW. De dentro do carro eles conseguiam ouvir os tiros, Lucas e Jorge estavam com muito medo do que poderia acontecer com Luíze. De repente os tiros pararam e Lucas viu a mãe tentando abrir o cadeado do portão, ela conseguiu. Ao entrar e trancar o portão ela olhou em volta pra ver se não havia nenhum morto-vivo dentro da cerca, aparentemente tudo estava limpo. Luíze seguiu até o portão lateral e tentava encontrar uma chave para abri-lo. Quando de repente Lucas ouve alguém batendo no vidro ao seu lado, ao olhar Lucas se depara com uma mulher sem uma parte da boca tentando bater no vidro.

-Pai o que eu faço? – Lucas se apavorou.

-Vamos esperar sua mãe abrir o portão e eu arranco com o carro. – Respondeu Jorge.

-Acho que o vidro não vai agüentar! – Lucas viu o vidro rachando.

PLAF o vidro se espatifou e Lucas correu para o outro lado do banco enquanto o zumbi colocava as mãos pra dentro do veiculo. POW. A mãe errou o tiro do outro lado do portão. POW dessa vez ela acertou, e a zumbi continuava pendurada com os braços pra dentro do carro, mas dessa vez morta. Ao abrir o portão, Jorge entrou com o carro e no meio do caminho a zumbi morta caiu da janela. Luíze correu e fechou o portão.

-Vamos entrar e pegar o que precisarmos, mas tomem cuidado e fiquem em silencio não sabemos se tem algum monstro aí dentro. – Luíze orientou-os.

Ela testou várias chaves até que conseguiu abrir a porta do quartel.

-Mãe, como você tem a chave desse lugar? – Lucas estava surpreso.

-Seu avô nos mandou aqui. Ele disse que teria suprimentos nesse quartel e disse que se quisermos podemos até dormir aqui essa noite, mas apenas uma noite porque esse lugar corre o risco de ser atacado.

-Atacado por zumbies? – Perguntou Lucas.

-Na verdade por sobreviventes. As coisas vão ficar feias e as pessoas vão começar a saquear mercados, lojas, casas e até aqui se duvidar. – Respondeu Luíze.

Eles entraram no quartel e a frente via-se um longo corredor com portas distribuídas ao longo dele. A direita tinha uma porta e ao lado uma janela de vidro que via-se o interior da sala, na porta estava escrito “tenente”. Luíze testou novamente todas as chaves, mas nenhuma abriu a porta.

-Mãe, pra que entrar aí dentro? Não tem nada de importante. – Falou Lucas.

-Olhe o painel na parede ao lado do computador, tem as chaves do carro que seu avô nos mandou pegar. – Disse Luíze. – Só que nenhuma chave que ele mandou esta abrindo a porta. Vamos ter que quebrar o vidro.

Jorge mandou todos se afastarem e enrolou o casaco no braço direito, ele acertou dois socos no vidro e logo ele se quebrou.

-Amor, sua mão esta sangrando! – Luíze examinava a mão do marido enquanto desenrolava o casaco. – Você esqueceu-se de cobrir essa parte, logo veremos se tem algum curativo por aqui se não, acho que deve ter algum no carro.

Luíze pulou a janela quebrada e pegou três chaves que estavam no painel. Umas daquelas deveria ser do carro que seu pai a mandouela pegar.

-Querido, tente essas chaves e prepare o carro para carregarmos ele e sairmos rapidamente caso alguma coisa de errado. – Disse Luíze. – Lucas, entre comigo de novo, e vamos pegar o que precisamos.

Juntos ele entraram novamente no quartel pela mesma porta, havia vidro quebrado pelo chão.

-Não tem mais nada de importante ali dentro? – Lucas perguntou olhando para dentro da sala.

-Eu acho que não. – Respondeu Luíze olhando uma sala de espera de frente para o escritório do tenente. – O vestiário é no fim do corredor, olhe. Talvez tenha um kit de primeiros socorros, vamos.

Atravessaram o corredor e entraram no vestiário, havia alguns armários encostados em uma parede com uns bancos dispostos na frente. Tinha uma porta que provavelmente daria nos chuveiros e na outra parede um armário. Provavelmente o kit estava ali dentro, Luíze o abriu e encontrou vários remédios, bandagens, metiolate, entre outras coisas. Ela mandou Lucas pegar uma caixa pequena de papelão no chão e colou dentro todos os remédios. Ao saírem do vestiário Luíze entrou em uma sala que tinha dois sofás e uma escrivaninha. Em cima dos sofás tinha uma bolsa com armas e munição e uma carta ao lado.

Luíze, você sabe de todas as decisões difíceis que eu já tive que tomar em minha vida, uma delas foi te abandonar nessa situação. Eu estava neste quartel, todos aqui foram ajudar o exercito na cidade grande, desculpe não ter ido visitar você e te dar forças. Eu precisava fazer isso, eu precisava tentar ajuda vocês de outra forma.

Tenho certeza que não irei me arrepender dessa decisão, mas parto com o maior pesar e com muitas saudades de você minha querida filha. Cuide de sua família, cuide de Jorge e sempre de coragem para Lucas enfrentar os medos dele. Ele é um ótimo menino, e sei que ele tem forças para suportar tudo isso.

A energia elétrica tem potencial para continuar a distribuir luz por mais 3 ou 4 meses sem a manutenção de profissionais, depois disso não haverá luz onde não se tem um gerador próprio. As linhas telefônicas logo caíram, já metade do pais não tem contato e a internet. Bem, não se tem muita ajuda na internet pelo que meus soldados me contaram, apenas religiosos loucos e pessoas sem noção.

O carro na garagem é blindado, sei que você seguiu os conselhos que dei de pegar suprimentos na sua casa por tanto deixo aqui apenas uma bolsa de armas. Jamais querida, jamais relute em usá-las para defender sua família. As coisas irão ficar terríveis, os mortos voltaram e eles buscam por todos nós vivos. Cuide também com quem está vivo, no mundo ninguém é confiável ainda mais nessa terra devastada onde os mortos levantaram.

Se cuide minha preciosa, ache um lugar afastado e seguro. Quem sabe nos encontramos em condições melhores, quem sabe.

Boa sorte minha menina. Um grande abraço de seu pai.

Coronel Harry Louis Montenegro.

As lagrimas rolavam do rosto de Luíze que se ajoelhou no chão e colou a carta ao lado. Lucas a pegou e leu.

— Então ele estava aqui com o exercito, e não nos disse... – Lucas também começou a chorar.

-Precisamos ser fortes meu filho Essa noite ficaremos aqui, de manhã partiremos para o interior.

Ao falar isso a porta de entrada do quartel bateu.

Notas finais
Desculpem os possíveis erros de ortografia.