Notas iniciais
Os pensamentos melancólicos de Rodrigo estão começando a vir à tona. Enquanto isso ele conhece Juliana, uma menina que chega para amenizar a sua dor.

Primeiro dia

É difícil continuar o mesmo depois que você começa realmente a considerar o suicídio. Tudo muda, o jeito de ver o mundo, as pessoas. Você passa a estar sempre se perguntando: "Não seria agora a melhor hora pra tentar?". E a resposta é sempre a mesma: Já passou do tempo. Conforme os dias vão passando, a vontade vai aumentando, você começa a pensar como o mundo seria melhor sem você, pensa nas pessoas que são mais próximas, como elas reagiriam, começa a criar rascunhos de cartas de suicídio. Isso se torna real e por mais que você tente esquecer, sempre tem aquela voz no fundo da sua cabeça dizendo: “Vamos, está na hora”, e com o tempo, você simplesmente não consegue mais evitar.

Eu venho pensando nisso há muito tempo, tentando imaginar todas as possíveis consequências e reações, pensando em maneiras de fazer. Mas o tempo está acabando, eu prometi a mim mesmo que tudo iria acabar em três anos, e já se passaram dois anos desde que eu fiz essa promessa. Eu tinha quinze anos na época, uma família normal: pai, mãe, irmã. Como eu era o mais novo, eu sempre tive aquela sensação de que era “indesejado” na minha família, então eu passava a maior parte do meu tempo livre no meu quarto lendo ou escutando música ou usando o computador, então as poucas vezes que eu saía, era com meus amigos. Como eu nunca fui muito amigável, eu me considerava sortudo por ter os poucos amigos que eu tinha. Mas agora eu tenho 17 anos, o tempo passou, mas as coisas não mudaram muito, continuo uma pessoa reclusa e com poucos amigos.

Eu tinha uma vida normal antes de tudo isso começar: Cursava o primeiro ano do Ensino Médio quando eu comecei a pensar nesse tipo de coisa. Foi meio sem razão, mas eu decidi que não iria aturar a vida por muito mais tempo, decidi que iria “viver” só mais alguns anos e então acabaria com a minha agonia. Estipulei um prazo e comecei a decidir o que faria nos anos que me restavam. Dei à mim mesmo um prazo de três anos, e nesse tempo eu planejava conseguir uma namorada, coisa que eu nunca tive. E pela minha perspectiva, nunca iria ter. E o pior de tudo é que eu não tenho ninguém pra conversar. Os amigos verdadeiros que eu tinha seguiram em frente com a vida, foram morar em outras cidades. Conversar a gente ainda conversa, mas dá pra sentir que não é a mesma coisa.

Esses últimos anos foram um inferno pra mim. Eu passava todo momento desejando que alguma coisa acontecesse comigo para que eu não precisasse fazer nada. Eu estava sempre pensando em como eu poderia morrer, isso havia se tornado parte da minha vida. Planejar pensar, prever. Eu já estava decidido: Não iria aturar essa tortura para sempre. Não me importava se a única pessoa que conversava comigo sobre isso achasse que eu estava sendo muito trágico ou que isso não resolveria nada. É óbvio que vai resolver. Eu não vou ter mais que sofrer, não vou mais ter que controlar tudo o que eu falo e faço. Eu não vou mais existir. Tudo o que vai restar é um corpo podre e as lembranças de uma vida miserável. As pessoas vão me esquecer e no final eu não irei passar de um ser que ajudou na deterioração do planeta e da “arte” de viver.

Notas finais
Se alguém algum dia ler isso, gostaria que me dissessem o que gostaram e o que não gostaram, pra eu poder melhorar sempre. Valeu
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.