Quando O Ódio E O Amor Colidem
3 Preso junto a um sorriso
Notas iniciais
POV’S Pedro.
Acordei hoje e Thayná estava dormindo no sofá. Não perdi a oportunidade e taquei um copo de água gelada nela. Ela me xingou como sempre, e eu joguei umas verdades na cara dela. Depois ela subiu se arrumou e saiu para a escola. Fui pro ensaio da banda. E os moleques já estavam lá. Contei da minha vidinha de merda e eles me deram os pêsames. Tocamos um pouco, mas eu estava muito disperso e por isso o ensaio não rendeu. Precisa falar com a Nany. No outro dia fui até o apartamento dela.
_ o que você quer? – ela perguntou após ver que era eu na porta.
_ A gente precisa conversar.
_ Eu não quero saber.
_ Mas você precisa! – disse e empurrei a porta entrando na casa dela.
_ Pedro isso é invasão!
_ foda-se! Nany me ouve, aquele casamento é temporário. Eu não amo aquela garota! Na verdade eu tenho uma enorme repulsão quanto a ela.
_ Não parece. – ela estendeu um jornal com uma foto minha e de Thayná no restaurante. É as notícias correm rápido por aqui.
_ É só cena. Minha mãe falou para eu fazer isso.
_ E você sempre obedeci ela néh?
_ Eu sempre obedeci.
_ É verdade. E obedeci tanto que aceitou essa proposta ridícula da sua mãe. Afinal por que ela fez isso?
_ Eu não sei. Realmente não sei. Mas ela me pediu, e ela é minha mãe.
_ Pedro ela ta te fazendo de fantoche! Ela está decidindo a sua vida por você. Poupe-me. Eu não quero mais sofrer.
_ E você não quer lutar pelo nosso amor? É só um ano. E eu vou voltar pra você.
_ Dificil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se mais ama. Eu desisti. Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer. Pedro eu não desisti da gente, você fez isso. – ela disse já chorando.
_ Eu enfrentaria o mundo todo com uma só mão, se você me prometesse que estaria segurando a outra. – eu dizia e aquela altura meus olhos também já estavam úmidos. Passei a mão sobre sua face, mas ela a virou em sinal de negação. Saí do apartamento desolado.
POV’S Thayná.
Quarta- feira. Acordei cedo tomei café e fui pra escola. Não avisei Pedro nem nada. Coloquei o meu foninho e fui caminhando até a escola que não era muito longe. O problema é que estava muito distraída. E por incrível que pareça fui atropelada por um skatista.
_ Não olha por onde anda? – ele perguntou, e puta que gato que ele era. E tinha um sorriso que.. Nossa.
_ Eu olho sim, só que idiotas como você bloqueiam o meu caminho.
_ Abusadinha hein?! Anda pede logo desculpas pra eu ir embora.
_ você vai mofar ai.
_ Que orgulhosa.
_ Destemida.
_ Gostei do seu estilo. Qual é o seu nome? — ele dizia dando um sorriso torto.
_ Thayná. E o seu skatista?
_ Pedro. Pedro Lucas.
_ Ok. Já me vou indo. Tenho que ir pra prisão.
_ Está em condicional?
_ Não, eu to indo pra escola mesmo.
_ Que vontade de estudar.
_Isso é pra você ver.
_ Até a próxima então.
_Até. – eu disse e ele pegou seu skate e continuou andando pelas ruas de SP. Tinha a leve impressão de que já o conhecia, mas nem me liguei muito a isso. Cheguei até o meu inferno astral e pro meu azar era aula de matemática. Odeio essa aula, na verdade odeio todas, mas a culpa não é minha se todas são chatas #fato. Fiquei lá enrolando esperando pacientemente pela minha aula de química que eu odiava, mas meu professor era um gato, então compensava. A aula de química chegou e eu me animei. O professor gato entrou na sala e mandou fazermos duplas. Fiquei com o Rodrigo. O trabalho era dissecar um sapo. Quase vomitei. Odiava sapos, odiava anfíbios. Em determinado momento sai do laboratório. Necessitava espairecer. Foi ai que Rodrigo também saiu.
_ Você está bem? – ele me perguntou todo fofo.
_ sim. – respondi ainda me lembrando daquela cena nojenta na sala.
_ Você fica linda sem ar sabia? – fiquei sem entender. Que papo era aquele? Ele era namorado da minha amiga.
_ Rodrigo você é namorado da Isa.
_ É, mas eu gosto é de você. – ele disse e me beijou. O afastei e dei um belo de um tapa em sua cara. Sai e entrei novamente na sala. Ele entrou em seguida como se nada tivesse acontecido. Apenas o ignorei e terminei de fazer aquele trabalho sujo de dissecação. Terminei e voltei pra casa. Passei bastante pasta na boca para tirar o gosto do beijo dele da minha boca. Parecia um cachorro com raiva. Nossa que comparação. Pedro chegou à porta do meu quarto e ao me ver cheia de espuma na boca arqueou a sobrancelha e me perguntou ridiculamente.
_ sua mãe esqueceu-se de te vacinar contra raiva? – apenas rosnei pra ele, que saiu gargalhando. Após desinfetar a minha boca desci. Pedro estava vendo desenho comendo brigadeiro. Que viado, depois reclama que eu só compro porcaria.
_ Ei! Isso é meu! – dizia gritando e tentando tirar o prato de sua mão. Inútil.
_ Comprou com o dinheiro de quem? – ele disse se virando pro outro lado do sofá. Sentei ao seu lado.
_ Isso é egoísmo viu?!
_ ok. Pode comer também. Não sou igual a você. – fiz cara de ofendida e peguei a sua colher e comecei a comer o brigadeiro que logo acabou. _ Nossa você gosta mesmo de chocolate néh?! – ele dizia pasmado por eu ter detonado o prato cheio em 5 minutos. É eu sou foda.
_ Eu te disse. Vamos assistir algum filme ai.
_ ok. – ele foi mudando de canal até que achou um filme de terror. Começamos a ver. No meio do filme já estávamos um em cima do outro. Mas não do jeito que vcs estão pensando mentezinhas pervertidas! Estávamos cagados de medo. Esse filme era muito assustador. Assim que acabou o filme. O que houve foi discussão para ver quem ia apagar a luz. Empurra e empurra, puxões, nossa foi o caos. E no final... Ninguém queria dormir sozinho. Pedro foi pro quarto dele e eu fui pro meu ainda meio contrariada. Deitei na cama mas não consegui dormir. Estava com muito medo. A solução foi eu engolir meu orgulho e ir dormir no quarto de Pedro. Fui até lá. Bati na porta e entreabri. Perguntei.
_ Pedro.. Posso dormir ai?
_ Achei que não gostasse de mim? – ele perguntou arqueando a sobrancelha.
_ E eu não gosto. Só que você colocou um filme macabro e agora eu estou com medo. Qual é, deixa.
_ tudo bem. – ele disse e eu fui até a cama me aconchegando debaixo dos lençóis. Ele ficou virado para um lado e eu para o outro.
_ E nada de me tocar ok?! Mesmo achando que você é gay, posso ter me enganado.
_ Caraca. Eu aqui cedendo a minha cama e você me chamando de viado. Obrigado pela parte que me toca. Mas agora me diz. O que era aquilo no seu note? – ele perguntou e eu pude sentir a insegurança na sua voz.
_ ham.. – eu hesitei em responder, mas falei. _ foi para o meu pai. Sinto muita falta dele. Queria homenageá-lo de certa forma. – disse e uma lágrima deslizou por meu rosto.
_ Seu pai teria orgulho de você. E ele deve estar feliz pela filha que tem. – Pedro disse e foi ai que mais lágrimas vieram. Limpei-as rapidamente e fiquei pensando em tudo aquilo. No final das contas só fui dormir às 2h da manhã. E acordei às 7h com o meu maldito despertador. Você ama uma música... Até colocar ela como despertador #fato. Mas na hora de levantar vi que Pedro estava me abraçando. Na hora quis dar um murro em sua cara, mas desisti afinal ele havia sido legal comigo na noite passada, eu não ia quebrar seus dentes, seria ingratidão. Apenas me desvencilhei de seus braços sem que ele acordasse e sai. Arrumei-me e fui pra escola. Graças que já era quinta-feira. Cheguei à escola e fui recebida por uma esbofeteada de Isabella. Fiquei sem entender e olhei pra ela com uma cara de “ Que sacanagem é essa?!”. E foi então que ela começou a gritar.
_ isso é pra você não dar em cima do namorado dos outros sua safada!
- o que? Eu não dei em cima do Rodrigo, foi ele que me agarrou.
_ avah! Jamais diga uma mentira que não possa provar!
_ Isa somos amigas! Você vai acreditar nele e não em mim. Que sou sua melhor amiga?!
_ Você é uma invejosa, isso sim. Pena que eu fui cega e não pude ver que as suas mentiras já estavam me incluindo. Mas os mentirosos tem dois esforços: Mentir e segurar a mentira. E sua mentira se soltou.
_ Mas eu não menti! Eu não estou mentindo! Você sabe que eu seria incapaz de...
_ chega Thayná! Eu não quero ouvir mais nenhuma palavra sua! – ela disse e puxou Rodrigo que me olhava com um olhar sínico. Ai aquele FDP!
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