Quando O Vento Selvagem Sopra.
29 Vinte e Nove.
Notas iniciais
O dia havia passado relativamente calmo.
O estágio era baseado em organizar alguns papéis, analisar alguns papéis, arquivar alguns outros, e ... bem, você entendeu.
Kingsley me mostrou um pouco com o que e com quem eu teria que lidar durante a manhã, e durante a tarde, consegui arrumar a sala onde ficaria.
Encontrei Harry ao sair do elevador no fim do expediente, e voltamos juntos para casa.
–Hey, Herms. –disse ele, assim que chegamos. –O que acha de um jantar diferente hoje?
–Está me convidando para um encontro? –pergunto ao pé da escada.
–Creio que sim, senhorita. –ele sorri, galanteador.
–Tudo bem, então. –sorrio, e me viro, agora subindo as escadas.
–Eu te pego às sete. –diz ele.
–Estarei pronta. –grito para que ele me escute.
Jogo minha bolsa na cama ao chegar no quarto e tomo um banho demorado.
Quando saio do banheiro, já são 18:30. Visto uma regata branca e uma saia mullet azul forte. Coloco os sapatos com um salto não muito alto, e vou até o espelho. Seco os cabelos com um aceno de varinha, e prendo apenas um lado deles, deixando os cachos caírem atrás da orelha. Passei os olhos pela cômoda ao meu lado, e vi o presente que Gina havia me dado em meu último aniversário. Tirei de lá o rímel e um gloss, nada muito chamativo.
Terminei de me arrumar, peguei minha bolsa e desci, encontrando um moreno sentado no sofá, me esperando.
–Demorei? – pergunto, indo até ele.
–Na verdade, está na hora certa, nem um minuto a mais. – diz ele, passando um braço pela minha cintura. –Está linda.
–Obrigada. –analiso Harry, que vestia uma camisa xadrez, calça jeans e tênis. – Você também não está feio. Na verdade, está até bonitinho.
‘’ Bonitinho? Você está quase babando.’’
‘’Agora não, Consciência. Ele está me beijando.’’
‘’Problema seu. ‘’
‘’Obrigada pela educação.’’
Quando nos separamos, ele sorri.
–Vamos?
–Mesmo eu não sabendo para onde, sim. –respondo, pegando sua mão, estendida para mim.
–Isso é surpresa. –diz ele. – E nem adianta insistir.
Caminhamos por alguns minutos até chegarmos a um restaurante, que eu não sabia que existia. O lugar não era muito chique, mas era lindo.
Sentamo-nos em uma das mesas situadas na janela, podendo ver o céu estrelado da noite de início de outono.
–O que achou? –pergunta Harry, assim que o garçom sai com nossos pedidos.
– É simplesmente incrível. –respondo sorrindo.
–Imaginei que iria gostar. Ainda mais com as estrelas.
–É maravilhoso. Obrigada.
–Pelo quê? –pergunta Harry.
–Por ser um ótimo namorado. –digo, soando como uma menina de filmes adolescentes, ao mesmo tempo em que o garçom volta com duas taças de espumante.
–Esse é cortesia. –diz ele.
–Obrigada. –agradeço e olho para Harry, que pegou a taça.
–Por nós.
–Por nós. –respondo, brindando com ele.
Assim que terminamos o magnífico jantar, fomos até uma praça, a poucos metros dali.
Fui até o balanço, e sentei-me lá, balançando calmamente, sentindo a brisa tocar meu rosto enquanto observava as estrelas.
–É lindo, não é? –diz Harry, sentando-se ao meu lado, olhando para cima também.
–Muito. –digo, rindo pelo nariz.
–O que foi?
– Nada, é só que... se me dissessem, alguns anos atrás, que estaríamos assim agora, juntos, eu não acreditaria. Mas, analisando tudo o que aconteceu, eu não vejo como poderia ser diferente. – sorrio. – E isso foi totalmente clichê.
–Eu sei. –olho para ele, que sorri. –Também não me vejo vivendo o agora sem você. – completa, selando nossos lábios em um beijo calmo. Um beijo que me transporta para outro universo.
*** *** *** ****
Aparatamos diretamente no quarto de Harry depois de alguns (vários) minutos na praça.
Nos beijamos por algum tempo, até não termos vontade fazer nada, além de dormir.
Nos separamos e Harry vai até o guarda- roupa, pegando o pijama, enquanto eu me levanto, pegando a bolsa.
–Onde vai? –pergunta ele.
–Para o meu quarto. –respondo.
–Tem uma cama bem ali. –ele responde, sorrindo, apontado para onde estávamos.
–E você espera que eu durma assim? –pergunto, apontando para a saia.
–Pode dormir com meu pijama. –diz ele. –Não vejo problema algum nisso. –ele passa os braços ao redor da minha cintura.
–Eu sei que não, mas...
–É só uma noite. –ele diz, fazendo biquinho.
–Essa e as outras duas anteriores.
–A primeira foi diferente. –ele sorri.
–Sei que sim. –digo, deixando ele me beijar mais uma vez. – Mas...
–E ontem, dormimos na sua. –ele olha para mim, diretamente nos olhos.
–Tudo bem. Mas é só essa noite. –completo, fazendo Harry sorrir.
Vou até o banheiro e visto a calça de moletom cinza de Harry, que fica grande e extremamente confortável. Prendo meus cabelos em um coque mal feito e volto para o quarto, onde Harry já está deitado.
Me ajeito ao lado dele, e ele passa o braço ao meu redor, permitindo que eu me aconchegue nele.
–Sabe, acho que gostei de você com a minha calça. –ele diz.
–Acho que vou pegá-la para mim. –digo.
–E com a permissão de quem? –pergunta Harry, sorrindo.
–A minha. Afinal, você está com as minhas roupas há três dias.
–Culpado. – ele ri.
–Eu sei que sim. –me aconchego melhor. –Boa noite.
–Boa noite. –e então murmurou. – Eu te amo, Herms.
–Eu te amo também, Harry. –fecho os olhos, e durmo, com um sorriso bobo nos lábios.
Mas, pelo menos, não fui a única.
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