Quando O Vento Selvagem Sopra.
25 Vinte e Cinco
Notas iniciais
–Tia Mione?
–Sim Teddy?
–Podemos tomar sorvete azul hoje?
–Sabe, acho que hoje...
–Teddy, não acha melhor irmos só nós dois? Acho que a Hermione tem outras coisas para fazer.- interrompeu- me o moreno
–Na verdade, eu ia dizer que hoje está perfeito.- disse, reprimindo um olhar mortal à Harry.- Mas, para irmos, poderia fazer um grande favor para mim?- me virei para o pequeno que já tentava sair do sofá onde estávamos.- Poderia pegar minha bolsa, lá no quarto?
–Sim!!! E então nós vamos? Eu, você e o tio Harry?
–Absolutamente.
Depois que o pequenino já estava a uma distancia ‘’segura’’, me virei para o moreno que me olhava.
–Está brincando comigo, não é mesmo?
–Por que acha isso?-ele me olhou ironicamente.
–Olha, uma coisa é você com o seu ciúme estúpido por causa de uma carta do Malfoy, outra bem diferente é colocar o Teddy no meio disso. Ele é só uma criança, não tem culpa da sua estupidez.- disse, virando de costas e indo até a cozinha.
–Olá, Monstro. –cumprimentei o elfo, que terminava de lavar a louça do almoço. – Quer ajuda?
–Não, senhorita. Quer algo?- perguntou ele.
–Talvez um copo de água, mas pode deixar que eu pego. – ele se curvou desajeitadamente e voltou a seus afazeres.
Quando voltei para a cozinha, Teddy já descia o último lance de escadas.
–Muito obrigada.- disse quando ele me entregou a bolsa.
– O que é isso em sua mão?- perguntou Harry, agora sequer olhando para mim.
–Não sei. Estava na sua cama tia Mione. –ele me estendeu um papelzinho, milimetricamente dobrado, e percebi de cara o que era. Mas era impossível, quer dizer, ainda faltavam dez dias para o próximo ataque. Não que eu confiasse em um assassino psicótico, seja quem for, mas esperava que o prazo fosse cumprido.
‘’Está fazendo um ótimo trabalho ignorando-o dessa maneira, meu amor. s’’
– O que foi, tia Mione?
–Teddy, tinha alguma coisa diferente no meu quarto quando você subiu?-perguntei.
–Não..
–Tudo bem. Ahn, vamos?
–Sim! –o pequeno estendeu os braços, como sempre fazia para aparatar, mas acho que acabei com suas esperanças.
–Não vamos aparatar, pequenino. Vamos até Londres Trouxa, e além do mais, é perigoso para você. Vamos como trouxas, pelo menos uma vez.
–Tudo bem.- ele respondeu, fazendo aquela carinha.
–Teddy, não adianta fazer essa cara. Vamos como trouxas ou não vamos. Achei que você quisesse o sorvete...
–Vamos logo então.- adoro a maneira como crianças mudam de humor tão facilmente.
‘’Lembre-se que você usou o sorvete. E, por favor, não deixe-o assistir ‘O Gato de Botas’ outra vez.’’
‘’Okay, consciência. Obrigada por lembrar.’’
‘’Hey, não flerte comigo.’’
‘’Cale-se.’’
Coloquei a bolsa sobre o ombro e Harry pegou a mão de Teddy. Novamente, nós parecíamos apenas uma família de trouxas passeando. Talvez um dia seja assim, embora não sejamos trouxas.
*** *** *** *** *** ***
Sabe, sorvete azul é bom.
Fomos à uma sorveteria pouco movimentada e pedi sorvete azul para mim também, deixando Harry ser diferente por pedir o de chocolate.
Depois que terminamos e limpei o rosto azul de Teddy, que combinava com o tom do cabelo do mesmo, fui pagar a conta. Saindo do caixa, não sei como, tive um belo (quase) rncontro com o chão.
Que bom que a pessoa tinha um ótimo reflexo.
–Ai, é... me desculpe, eu... Draco?
–Olá, Hermione. Que legal ver você.
– É bom te ver também. Como vai?
–Bem, e você?
– Ah, bem. –respondi enquanto íamos para fora. – O que faz aqui?
–Apenas passeando. E você?
–Trouxe Teddy para tomar sorvete.
–E ele está sozinho lá fora?
–O que.. Não! Harry... está com ele.
–Ah. Certo. Como ele está?
Olhei para ele- Bem, eu acho. Quer dizer, deve estar..é..
–Vocês estão bem?
–Tia Mione. Tia Mione!- Teddy corria até mim.
’’Obrigada!’’
–Oi, pequeno.
–Olha, meu cabelo é de sorvete!- disse ele, agora assumindo o tom azulado da sobremesa.
–Ele é mesmo.- digo, sorrindo com o pequeno.
–Quem é ele?- perguntou quando chegávamos onde estava Harry;
–Ele é Draco, um amigo meu. – respondo.
–Potter.
–Malfoy.- eles se cumprimentam apenas com um aceno de cabeça.
–Acho que o tio Harry não gosta dele- sussurrou Teddy para mim, assim que me abaixei.
– Acho que não.
–Ele parece ser legal.
–Ele é.
–Então porque eles não se gostam?
–Boa pergunta.
–Então eles são bobos por isso.
–Sabe, você é mais esperto que o seu padrinho- digo em voz alta, me levantando, fazendo o pequeno rir.
–Bom, foi legal te ver, Hermione, mas tenho que ir. Nos vemos por ai.- ele acena com a mão.
–Até mais. –respondo.
–Tchau amigo da tia Mione!- Teddy acena para ele. – Podemos ir até a casa da tia Molly?
– O que acha de irmos à noite? Acho que a Victorie estará lá.
–Nós podemos?
–Hum...... Creio que sim.
–Eba!
*** *** *** ****
Eram seis e meia quando, depois de dar banho em Teddy, finalmente terminei de me arrumar. Nada muito extravagante, o estilo de sempre, porém trocando a calça jeans por meia-calça e shorts. E sem o moletom, é claro.
Os meninos já me esperavam na sala, e, depois de cera insistência de Teddy, aparatamos para ‘A Toca.
Chegamos lá e Teddy correu até Victorie, que brincava no quintal da casa.
Entramos na casa, que, como de costume, estava cheia. Cumprimentamos todos com um oi, e alguns instantes depois, uma ruiva apareceu na porta da cozinha.
–Pelo visto, finalmente fizeram as pazes.- disse Gina, com um sorriso ‘’Weasley’’ no rosto.
Olhei para ela confusa e segui seu olhar até nossas mãos, que continuavam juntas. Evitei o olhar de Harry, e soltamos as mãos ao mesmo tempo, nos dando conta apenas agora da junção delas.
–Vocês não fizeram, não é mesmo?
Revirei os olhos para ela, ao mesmo tempo que duas crianças vinham até nós.
–Olha o que o tio Rony fez para mim, tia Mione.- ele me estendeu um papel onde um garoto de cabelos verdes e uma menina loira brincavam juntos.
–Que lindo. Você gostou?
–Sim, somos eu e a Vic brincando.
–É, são vocês. – ele pegou novamente o papel e eles voltaram lá para fora, quase esbarrando em um ruivo e uma morena que entravam na casa.
–Oi, vocês dois.
–Rony! Suzana!- corri para abraça-los.
–Olá, Hermione.- cumprimentou a morena.
–Su, conseguiu o que precisamos? –perguntou Gina, voltando para a cozinha.
–Sim. Tudinho. –respondeu a mesma. –Agora é só começarmos a fazer.
–Fazer o que?- perguntei para as duas.
–Vamos cozinhar hoje à noite. E acho que você pode ajudar.
–Espera. Só vocês duas? Em uma cozinha? –perguntei.
–Na verdade, nós três. Quatro se contarmos você. –uma loira apareceu e me arrastou com ela até a cozinha, que já estava um pouco bagunçada.
–Ah, Mérlin. Vocês, com certeza, vão precisar da minha ajuda.- ri, pegando um avental como o delas e começamos nossa missão (quase) impossível.
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