Quando O Vento Selvagem Sopra.
47 Quarenta e sete
Notas iniciais
—Eu não acredito que você fez isso!
—Mas eu fiz. Agora senta aí, e se acalma.
—Não. Eu vou atrás do Anthony, e você não vai me impedir de fazer isso. Nenhum de vocês vai!
Harry apenas colocou-a sentada no sofá novamente, sabendo que a morena estava cada vez mais zangada.
—Quer parar com isso! Já basta você ter chamado umas quinze pessoas aqui, e ainda quer me deixar sem fazer nada?! –Hermione tentou se levantar outra vez, mas sem sucesso, já que sua melhor amiga ruiva a segurou.
—Estamos em cinco, e é melhor você para quieta! O que acha que vai conseguir no estado em que está? Eu sei que não é tão fácil aceitar isso, não me olhe com essa cara, mas pare um pouco e respire.
—Você já pode me soltar. –Hermione tenta controlar sua voz, não deixando que a raiva transpareça.
—Ainda não tenho certeza de que você não vai fugir.
—Não vou. Alguém –ela olhou para Harry. –Pegou minha varinha.
Ele sorriu, erguendo os ombros e se virando para o ruivo, que vinha da cozinha, acompanhado por mais duas pessoas. Draco se aproximou, sentando ao lado de Hermione, que parecia uma criança emburrada, enquanto Suzana e Rony alcançavam guloseimas para o resto das pessoas na sala.
—Certo, agora vocês já podem nos contar o porquê da mocinha estar assim? –perguntou Suzana, olhando de Harry para Hermione.
—Ela descobriu a verdade. –Harry disse apenas, fazendo a morena se enterrar ainda mais no sofá branco. –De um jeito que não deveria.
—Ninguém mandou você deixar aquele bilhete na cômoda, exposto a qualquer um que quisesse ver! –Hermione olhou para os olhos verdes do rapaz a sua frente, que já previa uma discussão.
—Ninguém mandou a senhorita lê-lo! E ele não estava em cima da cômoda!
—Claro que não, eu saí catando as coisas dentro do seu roupeiro, não é?! –o tom de ironia era perceptível até os mais ‘’lentos’’, que assistiam a situação, admirados.
—Vai ver foi. Você pode se dar mal por causa disso, sabia? Poderia ser coisa pior.
—Ah, claro. Tipo o que? O que poderia ser pior do que ser enganada, várias vezes, por uma pessoa que você julgou confiar? –Hermione ficou em pé, cara a cara com Harry, que a olhava firmemente nos olhos, e aos telespectadores, quase era possível ver faíscas saindo do olhar dos dois.
—Hey, gente. Nós não vamos conseguir nada assim. –Draco interviu na troca, tensa, de olhares entre o ex casal. –E não adianta vocês brigarem entre si.
Hermione apenas os olhou, sentando-se novamente.
—Anthony é o culpado de tudo. Foi ele quem matou Daniel Wate, e foi ele quem matou sua irmã, Suzana. Não sei como, mas foi ele. E sim, Gina, ele quem me mandava as ameaças em forma de bilhete. Eu preciso ir atrás dele. Ele tem que pagar pelo que fez.
—Espera, você está me dizendo que esse cara, o Anthony, é o mesmo Anthony que tentou te beijar no sexto ano? Aquele que era fissurado em você? –perguntou Gina, cética.
—Esse mesmo. –confirmou Harry. –E não só era, como ainda é fissurado em Hermione.
—Mas.. eu não entendo o porquê dele ter matado essas duas pessoas. –comentou Draco, sentando-se outra vez, agora de frente para as meninas.
—Isso é o que nós queremos saber. Quer dizer, essas pessoas não eram próximas a Hermione, não tinha uma razão para ser elas.
—Tem razão, Potter.
—E o que vamos fazer, agora que já sabem? –perguntou Hermione, voltando a se controlar.
—Temos que esperar até amanhã e falar com o Ministério. Não podemos agir sozinhos, afinal não temos prova alguma.
—Mas temos Anges, Harry. Ela pode contar para eles o que nos contou. Vai ajudar muito.
—Pode até ser, Hermione. Mas e se ela não quiser depor contra o irmão no Ministério? Tem esse porém.
—Ela não quer te provar que mudou? –Hermione se vira para o moreno. –Esse é um ótimo jeito.
—Não podemos usá-la desse jeito...
—Assim como ela te usou? –apelou a morena. –Não temos muito tempo, e você sabe. Ouviu o que ela disse.
—Ainda acho melhor esperarmos, Hermione. –comentou Gina, olhando para a amiga. –É só até amanhã, o que ele pode fazer até lá?
A moça bufou e se levantou, recebendo um olhar estranho de todos os presentes. Apenas revirou os olhos e murmurou que iria até o banheiro, e que eles não precisavam se preocupar. Deu as costas aos amigos e subiu, indo primeiro ao quarto e tirando as botas, que já apertavam-lhe os dedos. Seu olhar parou no bidê ao lado da cama, que continha um pedaço de pergaminho pardo, amaçado e já usado.
Abriu-o cuidadosamente e ficou surpresa ao constatar que era o bilhete que Anges havia deixado à Harry, na casa do mesmo. Virou-o, mostrando a parte de trás do papel, e reconheceu a nova caligrafia. Ofegou algumas vezes e foi até a porta do quarto, chamando por Harry, que subiu quase imediatamente.
—O que aconteceu?
—Onde está a minha varinha?
—Hermione...
—Me devolve, antes que eu tenha que pegar de você!
—E por que faria isso? –debochou ele, fazendo com que Hermione estendesse o bilhete.
‘’É uma pena que ela tenha sido tão estúpida. Era uma boa irmã. Assim como era uma boa testemunha para vocês, não é?! Mas tem uma maneira de salvá-la, meus caros amigos. Hermione sabe qual é. Me encontre no lugar de sempre, e eu lhe devolverei minha irmã, juntamente com o que tirei de vocês dois. Caso não se lembre onde é o lugar, pergunte ao corte na sua cabeça. Ele ainda lembra.
Ainda preciso assinar como S?’’
—Agora vai me devolver a varinha?
—Onde é esse lugar de sempre? –perguntou Harry, fazendo a morena ficar, de certa forma, sorridente.
—Você vem comigo?
—Sempre. – Harry respondeu, sem ao menos pensar.
—Ótimo. Me alcance aquele papel, por favor. –pediu Hermione, agarrando a pena que voava até ela, graças ao feitiço convocatório.
Rabiscou um bilhete para Gina, que ela tinha certeza que subiria em instantes e estendeu a mão para Harry, que a pegou no ato. Hermione, assim como Harry, sabia que não era hora de pensar nisso, mas a sensação das mãos juntas, depois de tanto tempo sem se tocar, era incrível. Boa e incrível.
Os dois afastaram os pensamentos da cabeça e Hermione conduziu a aparatação, os levando para o ninho da cobra.
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