Quando O Vento Selvagem Sopra.
42 Quarenta e dois
Notas iniciais
—Me deixa dormir.
—Não, você já dormiu demais.
Puxo o cobertor com cheirinho de Harry até a cabeça e fecho os olhos, quase adormecendo mais uma vez.
—Herms, eu vou chamar o Teddy para te acordar se você não levantar logo. –sinto ele sorrir, mesmo não olhando para seus olhos verdes.
—Você não seria capaz de fazer isso. –murmuro, ainda embaixo do cobertor.
—O que disse? –pergunta Harry.
—Que você não seria capaz de fazer isso. –levanto a cabeça, tirando-a do travesseiro incrivelmente fofo e convidativo.
—Bom dia para você também. –ele sorri, debochado.
—Idiota. – falo, e me sento, de má vontade, ainda enrolada nos cobertores.
Esfrego os olhos, tentando acordar de vez, enquanto ele se aproxima de mim.
—Não vai me dar bom dia?
—Você não merece. –brinco, reprimindo um sorriso.
—Tem certeza? –ele se aproxima, me fazendo encarar seus olhos.
—Sim. –desvio o olhar antes de responder. –Agora quer me deixar tomar um banho?
—E o que está te impedindo? –ele ri, malicioso.
—Harry! –exclamo, o empurrando levemente, enquanto ele ri.
—Não é possível que você ainda tenha vergonha! –comenta, sem se controlar.
—É, eu ainda tenho. –não contenho um sorriso. –Agora sai. –aponto para a porta do quarto, ainda sorrindo.
—Certo. Eu já vou. –ele balança a cabeça, rindo. –Mas antes... –ele rouba um beijo, saindo em seguida, rindo sozinho.
Me levanto, enrolada em um lençol e vou até o banheiro, onde entro no box, deixando o pano azul no chão, jogado. Tomo um banho rápido, me enrolando na primeira toalha que vejo, e tenho a leve impressão de que ela pertence a Harry.
Vou até meu quarto e me visto, deixando os cabelos, agora úmidos, soltos. Desço até a cozinha, mas é somente para presenciar, mais uma vez, uma cena que não consigo engolir.
Harry beijando outra garota.
Anges. Outra vez.
Acordo com a cabeça latejando, tendo a sensação de que ela explodiria a qualquer momento. Abro os olhos calmamente, acostumando-me com a claridade que preenche o quarto branco.
Quarto branco?
Olho ao meu redor e percebo que estou em um lugar desconhecido. Pessoas caminham de um lado para outro, segurando pranchetas. O lugar tinha um cheiro indefinido, nada muito cheiroso, mas também não sem cheiro. Olho para o lado e vejo alguns aparelhos ‘’bipando’’, e percebo que estou conectada a um deles.
Estou em um hospital. Um hospital trouxa, para ser mais precisa.
Sinto meu nariz coçando, e começo a espirrar, umas cinco vezes seguidas. Quando paro, olho para o lado e vejo um buquê de flores, que não consigo definir o tipo, mas me aproximar delas faz com que eu espirre mais uma vez, e isso atrai a atenção da pessoa sentada ao lado da minha cama.
—Desculpe te acordar. –murmuro, tentando sentar.
—Não levante, você vai se sentir...
Tonta, acho que é o que Harry iria falar. Mas dito e feito. Ao tentar me levantar, senti a sala onde estávamos rodar, e senti Harry me deitar novamente.
—Obrigada. –murmuro, com os olhos ainda fechados.
—Tudo bem? –ele pergunta.
Apenas concordo com a cabeça, reabrindo os olhos.
—Por que nós estamos em um hospital? –pergunto, olhando para ele, segurando um espirro.
—Bem, você não acordava mais, e o corte na sua cabeça começou a sangrar. Então, já que você, graças a Mérlin, mora perto de um hospital trouxa, eu te trouxe para cá.
—Obrigada. E obrigada pelas flores. –espirro ao chegar mais perto delas, outra vez. –Eu acho.
—Por nada, e as flores não são minhas. –olho para ele, que parece tentar controlar algo. –São do seu...Namorado?
—Namorado? Eu não tenho namorado. –afirmo, arregalando os olhos.
—Ah, ele disse que... Bem, não importa. As flores são do Anthony.
—Ah. E quando eu posso sair daqui? –pergunto, mudando de assunto.
—Creio que agora mesmo, senhorita. – o médico, que não sei o nome, entrou na sala, vestido de branco. –Seu quadro melhorou bastante, embora tenha nos dado um susto e tanto essa noite. –sorrio fracamente, enquanto ele faz algumas recomendações e me desconecta dos aparelhos. Vou para trás de uma cortina e visto a roupa que Harry havia pego. Nada muito chamativo. Prendo os cabelos lisos em um coque e volto para o quarto, onde o moreno conversava com o médico e seu assistente, que entrara agora no quarto.
—Hey, Granger! Parece que eu não posso te deixar um minuto sozinha que você já faz bobagens, não é?!
—É bom te ver também, Draco. Como vai? –pergunto, abraçando o loiro.
—Bem, e você? –ele responde.
—Melhor. –me viro para Harry. –Vai comigo?
—Acho que sim. –ele responde.
Nos despedimos dos médicos no quarto, Draco prometendo me visitar assim que pudesse, e saímos do hospital.
—Hey, você esqueceu suas flores. –lembra Harry, enquanto descemos as escadas do hospital.
—Tudo bem. –digo, fazendo um gesto com a mão. –Acho que elas me dão alergia.
—Ah.
Voltamos a caminhar em silencio, apenas desviando das árvores na nossa frente. Isso até eu quase cair, graças às tonturas.
Obrigada, Anges!
Harry se aproximou de mim, me mantendo em pé, e passou um braço ao redor da minha cintura. Olho para ele, notando a pequena distância que havia entre nós, e respirando lentamente.
—Tudo bem, eu não mordo. –ele comenta, e deixo que ele me ampare até chegarmos em casa. Bem, minha casa.
—O médico disse que você precisa comer. –Harry fala, ao chegarmos à cozinha.
—Certo. Depois eu faço um lanche. Quer alguma coisa? –pergunto.
—Não obrigada. Apenas que você coma.
—Eu vou comer. Mas não agora. –digo, desviando o assunto.
Se eu estava com fome? Sim, mas tenho certeza de que o médico me mandou comer algo saudável, e eu não estava com vontade de comer coisas saudáveis.
—Está pensando em pizza, não está? –ele sorri, revirando os olhos.
—Só um pouquinho. –rio com ele. –Mas sei que não posso.
—Certo, eu não devia dizer isso, mas o médico não precisa saber que você comeu pizza.
Deixo um sorriso cúmplice tomar conta de meu rosto e começamos a trabalhar. Deu tudo certo até chegarmos na farinha, que, acidentalmente, voou para o rosto de Harry quando a peguei. Dou risada, e vejo ele tirar do saco, um punhado do ‘’pó’’ branco. Tento correr, mas ele é mais rápido, e me pega pela cintura, me puxando para perto.
Nossos rostos ficam há uns cinco centímetros de distancia, e consigo sentir sua respiração na minha. Sem querer, fecho os olhos, e sinto essa distancia diminuir. Mas, no momento em que seus lábios roçam os meus, um barulho de aparatação faz com que nos separemos, exaltados.
Ainda não sei se fiquei feliz ou não, por isso.
Acho que a resposta é não.
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